Tuesday, December 14, 2010

Antônio VI

Esse fora um ano estranho para Antônio. Reencontrou o amor, ou de certo encontrou-o pela primeira vez, mas junto veio uma avalanche de mudanças, as quais ele teve que se adaptar. 
Família ganhou novas nuances. Alguns traços leves, outros pesados. Algo havia se partido, algo que Antônio não esperava. Ganhou desejos de ter sua própria gente, e fez muitos planos. Foi pego de surpresa. Levou rasteiras do destino. Comeu, bebeu, trabalhou. Amou. A foto velha, amarelada, ele já não sabia mais nem por onde andava. Qual era mesmo a gaveta em que havia colocado?
Aquilo lhe trazia leveza, ao mesmo tempo que fazia pensar na efemeridade da vida. Seu grande amor, diante da realidade, havia virado pó. Não movia mais água do mar. Não fazia mais cócegas. Virou uma singela imagem perdida. 
Antônio brindou aquela ausência. Brindou até as rasteiras daquele ano incomum. Sentia estar de mãos dadas com sua liberdade. Sentia o ar entrar pelos pulmões. Parou pra si mesmo e olhou bem fundo. Até aos problemas Antônio brindou. Estava vivo. Inteiro. Na dor e na alegria. Em mais um fim de ano.
Desta vez, a foto era nova, e guardava a cabeceira de sua cama. Sentia saudades diariamente. Buscava estar cada vez mais próximo.

2 comments:

no mundo da lu(a) said...

blog maravilhoso.
Poético, criativo, tudo de bom!
Passarei sempre por aqui.
bjs.

Raquel Stüpp said...

adoro ler AnTônio!
Que venham Antônios XX e muito mais..... quem sabe um livro só de Antônio.

adoro te ler minha amiga
beijobeijo