Thursday, October 21, 2010

2020

Não sei bem onde te encontrarás, mas eu me encontro, ou me perco, numa linda e ensolarada manhã, cheia de coisas por fazer, e mil ideias na cabeça. Da última vez que lhe mandei carta, andava com calças mais rasgadas que estas, e tênis menos despreocupados com a aparência. O tempo passa, e a gente vai buscando se adequar, e mal consigo imaginar o quanto você já deve estar adequada por aí.
Fico pensando em como será seu dia, se repleto de música ou trabalho. Fico imaginando nas cores que seus olhos comunicarão, e sobretudo, nas ideias vagas dentro da sua cabeça. Você andará pensando em mim?
Ultimamente penso em você mais que gostaria, o que me tira alguns segundos de presente todos os dias. Você meio que furta um pouco da minha existência, nesse seu jeito suave e lânguido. Esse seu mistério contido em cada gesto, em cada inclinada de cabeça, me faz pensar que nunca nos encontraremos. Eu e você, seremos como aqueles seres que jamais coexistem.
Eu fico pensando na forma como seu cabelo acordará daqui a pouco, ou se você já teve tempo para domá-lo e encontra-se adiantada no passo, correndo para algum compromisso. Eu fico pensando em como o sol inside sobre sua pele, em como seus olhos miram o horizonte, em como você traduz o sorriso. 
Eu projeto mais caminhos entre seu rosto, mas eu tento não esperar nada de você. Talvez você resolva fazer uma plástica, e se disfarce de mim. Talvez eu não te reconheça quando nos encontrarmos. Mesmo assim, eu desejo que você guarde a esperança e a leveza. De resto, o resto ficará bem.

2 comments:

Analuka said...

Olá, Marina! Hoje aconteceu algo especial e curioso: saí para caminhar por aí, a esmo, nesta tarde primaveril... Entrei no Café das Artes, subi ao mesanino, vi alguns livros à disposição e, entre eles, um título que me chamou a atenção: "Comendo borboletas azuis"... Acontece que eu aaaaaamo borboletas, especialmente azuis! E amo asas, e letras, e todas as artes. Então, enquanto tomava café, fui lendo partes do livro, apreciando, e decidi, depois, procurar o blog, para ler mais. Voltarei aqui com mais tempo, mas, por enquanto, deixo abraços alados azuis, e parabéns pelos escritos poéticos!

mARINA mONTEIRO said...

Que delícia de comentário. Fico muito feliz que as pessoas estejam entrando em contato com as borboletas pelo Café das Artes!
Muito obrigada!
Grande beijo
Marina.