Tuesday, October 26, 2010

póstumo

Aquilo que está de acordo com o tempo, ou mesmo que minimamente a frente dele, é relgado ao descaso e a imcompreensão. A mim me parece que os homens só sabem louvar as coisas que são capazes de catalogar, identificar e comparar. E isso implica, quase sempre, que essas coisas sejam compatíveis com normas, formas e pensamentos de ontem, que já se fizeram valer. Por isso tanto reconhecimento póstumo.

Thursday, October 21, 2010

2020

Não sei bem onde te encontrarás, mas eu me encontro, ou me perco, numa linda e ensolarada manhã, cheia de coisas por fazer, e mil ideias na cabeça. Da última vez que lhe mandei carta, andava com calças mais rasgadas que estas, e tênis menos despreocupados com a aparência. O tempo passa, e a gente vai buscando se adequar, e mal consigo imaginar o quanto você já deve estar adequada por aí.
Fico pensando em como será seu dia, se repleto de música ou trabalho. Fico imaginando nas cores que seus olhos comunicarão, e sobretudo, nas ideias vagas dentro da sua cabeça. Você andará pensando em mim?
Ultimamente penso em você mais que gostaria, o que me tira alguns segundos de presente todos os dias. Você meio que furta um pouco da minha existência, nesse seu jeito suave e lânguido. Esse seu mistério contido em cada gesto, em cada inclinada de cabeça, me faz pensar que nunca nos encontraremos. Eu e você, seremos como aqueles seres que jamais coexistem.
Eu fico pensando na forma como seu cabelo acordará daqui a pouco, ou se você já teve tempo para domá-lo e encontra-se adiantada no passo, correndo para algum compromisso. Eu fico pensando em como o sol inside sobre sua pele, em como seus olhos miram o horizonte, em como você traduz o sorriso. 
Eu projeto mais caminhos entre seu rosto, mas eu tento não esperar nada de você. Talvez você resolva fazer uma plástica, e se disfarce de mim. Talvez eu não te reconheça quando nos encontrarmos. Mesmo assim, eu desejo que você guarde a esperança e a leveza. De resto, o resto ficará bem.

Wednesday, October 20, 2010

Perguntou-se

Perguntou-se:

Porque erguemos prisões sob nós mesmos?

Porque não saímos pela porta da rua?

Porque nos punimos, permanecendo em organizações desestruturadas da matéria?

Porque nos damos tantos motivos para reclamações?

Wednesday, October 13, 2010

desenho

a expectativa é reta
e marcha como soldado para o horizonte
o horizonte que às vezes parece um precipício

o silêncio é descontínuo e perturba os ouvidos
cessa a boca
o beijo
e o desencontro

o desejo é uma espiral
entorpece e martela
qualquer coisa que cai  ao mesmo tempo que sobe
encontra no fundo o que estava cá na superfície

Thursday, October 07, 2010

eu não gosto

Eu não gosto das pessoas que precisam explicar tudo a ponto de chegar no desenho do desenho do desenho. Eu não gosto das pessoas que têm medo de onde o assunto possa parar, porque o ponto em que ele deveria parar existe e foi inventado por elas. Se bem que este tipo de pessoa não inventa, e sim decreta, estipula, mata a oportunidade de um coisa ser outra coisa. Eu não gosto de quem subestima, seja lá quem for eu não gosto de quem canta de galo, é arrogante, precisa levantar o pescoço pra não sfuocar entre tantas outras boas pessoas inteligetes e magníficas que existem no mundo. Eu não gosto de quem precisa falar muito de si, sobre si, si si si si... É isso, vira reticência tosca sobre si mesmo, e como numa linha ocupada, ninguém atende. Eu não gosto de quem precisa deter o poder, pra sentir-se tendo poder sobre si mesmo. Eu também não gosto de quem distorce a realidade e se vitima. Eu não gosto de quem não sabe divdir, delegar, confiar. Eu nao gosto de quem não se propõem a ver além. De quem encareta a vida, a arte, a obra. Eu não gosto de quem repete a si mesmo o tempo todo, fugindo da mudança. Eu não gosto de quem quer ser líder, porque eu prefiro quem é líder. Eu prefiro tudo o que é. Tudo o que se inventa. Se joga. Se muda. Tudo o que vive. E eu sei que não se usa "se" em relação ao sujeito no início de frase.

rompimento

Nem todos os passos que percorro são meus. Isso é uma blasfêmia para comigo. É preciso o rompimento. O rompimento que é sempre dolorido. O rompimento que pode requerer laços desfeitos, desuniões, ou parcerias deixadas. O rompimento que pode requerer uma transformação e uma mudança interna, que podem ser mais radicais que a ausência, e revelar aos olhos dos próximos algo do qual eles não suspeitavam a respeito de si mesmos. É uma escolha a ser feita.