Friday, August 20, 2010

reza

Que não lhe impusessem nenhuma herança, nenhum carma, nehuma missão, nenhum gene, nenhuma espécie de prisão qualquer que fosse. Por conta dela, ficaria o processo de leveza e desocupação das culpas. Que a deixassem a cargo do seu otimismo, do seu idealismo e do seu prazer pelas mudanças. Que entendessem que frequências mudam, vasos saem do lugar e as cores se misturam. Que aceitassem suas mudanças e suas transitoriedades. Que tivessem paciência, na espera. Que não desenhassem suas expectativas em cores tão vivas e traços tão fortes, já que expectativas são projetadas em solo transmutável, e servem muito mais aos desígnios da borracha e do lápis. Seu caminho era desenhado no terreno do glamour e da desorientação. Sua pernas iam cedendo aos infortúnios e aos lírios. De alguma forma, sua casa era dentro dela mesma. As aglomerações debatiam-se diante de sua porta, mas muitas vezes ela não atendia. Que lhe expusessem seu silêncio mais solene, e nos olhos esperançosos mantivessem a calma. Sua matéria era toda feita de uma macilenta geléia fluida. Uma geléia verde e transparente, que pendia para um emaranhado de lados distintos. Que lhe pudessem emanar generosidade, e que ela mesma, pudesse dar a sí doses da mesma, já que sabia sair de sí as grossas correntes da super exigência.

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