Monday, June 21, 2010

O tédio.

Tédio tédio tédio tédio, jogou pro lado do prédio todo seu. No canteiro passava uma moça e o tédio caiu em cima da cabeça dela. Ela que ficou com o tédio esmagado no meio da testa. Entediada voltou pra casa. Não encontrou nada ali que lhe fizesse descolar aquele tédio macilento e violento que grudava nela feito sanguessuga. O tédio do prédio da menina do canteiro. Ela que não via amor, não via diversão, não via cor. A casa toda cinzentada. Cimentada. Afogada de tédio. Ela toda ela. O tédio. Ele todo ele. O tédio que vestia o mesmo terno cinza todo santo dia, de segunda a segunda. Ela que andava de mãos dadas com o tédio. Desistiu de mandá-lo embora. De voz rouca. Ela, não o tédio. O tédio não tinha voz, nem fazia sinais, não mandava mensagens. Mas pulava de prédios e se alojava no meio da testa da menina. A menina que apenas caminhava. O prédio. O tédio. A menina.

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