Saturday, June 19, 2010

.Ele. Ela.

O tempo, para eles, não estava sendo nem terno, nem leve, nem belo, nem simples. Se a cumplicidade aumentava em certos pontos, noutros abismos de imcompreensão, vinham com o tempo. Ela olhava para ele e tentava encontrar o garoto pelo qual se apaixonou, justo o garoto que agora ela olhava e não encontrava, e só encontrava o garoto, mas não o que ela se apaixonou. Ele, como que numa cápsula estranha, protegido, num sorriso que não lhe pertencia, num discurso que torturava e feria, ele, distante dela léguas e léguas, ele num tempo que não era o deles. Ela que a cada cinco minutos tomava decisão e "destomava", ela que pensava em partir, mas chorava, ela que amava, amava e amava, e pensava que era justo isso que estragava. Ele preso, imóvel, vendo as coisas corriqueiras do seu dia a dia, colocando o lixo pra rua, ajeitando a sala pra receber os amigos, respondendo e-mails. Ela recebendo cantadas, flertes perdidos, promessas que ela jogava todas fora. Ele num ritmo de um tempo que ela não conseguia acompanhar. Ela num ritmo de tempo que ele não alcançava. Ela. Ele. Dois. Já foram um dia, hoje eram um e um. Ele e Ela, que não eram eles. Ele e Ela, perdidos no meio de um monte de insignificâncias, no meio de um monte de besteiras. Ela amando, ele também, mas ambos presos, cada qual ao seu paradigma. Presos, atados. Ela sentia que ia, ele ia, ela ia. Ele sabia que as direções eram opostas? Ele achava que ela não o via, não o reconhecia, não media seus esforços. Ela achava o mesmo, só que ao contrário. Eles não se entendiam. Embora houvesse imenso amor!

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