Thursday, March 11, 2010

a saudade

A saudade tem cheiro de doritos, de pipoca e cerveja. A saudade tem movimento, a saudade tem jeito, gosto, letra e música. A saudade tem jeito de sala com meia luz, uma luminária charmosa de canto e uma vitrolinha retrô. A saudade invade a casa, o quarto, a varanda. A saudade se mistura com as fotos, as mensagens, as cartas antigas. A saudade não para nunca, não passa, não acaba. A saudade caminha infinito. Perturba o sono. Entra feito brisa invasora, pela fresta da porta. A saudade só cresce, só aumenta, só provoca. A saudade é ambígua, antagônica, cheia de opostos. A saudade é antiga. A saudade transborda lágrimas, e risos soltos, solitários, por lugares e horas inusitadas. A saudade perpetua o olhar, o perfume, a sensação. A saudade viaja junto, se esconde no baú, gruda na mão. A saudade toca na rádio, passa na tv, eterniza o livro. A saudade é sentida nas entranhas. A saudade é estranha. A saudade percebe o amor.

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