Monday, March 29, 2010

lar doce lar - me espere por favor

São exatos 15 dias que me separam do meu "lar doce lar" e tudo o que isso implica. Sim eu sou do tipo viajada mas que necessita de um lugar pra chamar de seu. Mas eu também sou difícil para cidades, como boa Portoalegrense, não é qualquer lugar que combina com a minha essência interior. Por isso, quando eu encontro algum lugar que me causa sensação de lar, é grave, é gravíssimo.
Eu sinto saudades de tudo. Do cheiro, do clima, das cores que prevalecem nas ruas, da rotina, da velocidade, da dinâmica. É tudo diferente de um lugar pro outro. Tem uns que combinam com a gente, outros não, por melhores que sejam, e por mais lindos.
O negócio é que 15 dias são intermináveis pra quem está longe da sua cama há um mês. Pra quem não abre a porta da sua casa há tanto tempo. Pra quem não segue sua vidinha metropolitana. Cria uma espécie de rombo na história, no tempo e no espaço. Tem tanta coisa acontecendo lá, e eu não estou presente. Tem tanta coisa acontecendo aqui - leia-se dentro de mim - e ninguém vai entender quase nada. Os meus planos, os meus sonhos, a minha vida, reina por lá. Dá um desvio de frequência, e fica difícil ser presente aqui o tempo todo, porque eu gostaria de ter dois corpos - só nesses momentos.
Saudade do chopp de fim de dia, das pernadas pelo Saara, do metrô, dos "passeios" de ônibus com cenário cartão postal. Saudades do que eu deixei por acontecer, do meu trabalho in loco, dos amigos, da casa, do teto, da cama, das minhas roupas, de ter a sensação de chegar em casa, de relaxar, de ter o que fazer no final de semana, de combinar, de extrapolar, de perder a linha, e resolver tudo pegando um táxi barato e ao alcance do dedo indicador.
O mais estranho de tudo, é perceber que quanto mais tempo a gente se afasta de um lugar, menos vida a gente tem nele. Restam os amigos mais que queridos, cuja saudades quando matadas se tornam um bálsamo de alegria. Resta a família que reabastece as energias, até o ponto em que começa a virar brigavelmente sustentável - risos! Resta a história. Vira quase um livro antigo, lido mil vezes, que faz bem reler, mas não dá pra colocar mais na cabeceira.
Eu estou com saudades. Eu estou louca pra aplicar minhas reformas. Eu estou louca pra chegar assim diferente por dentro, e ser recebida de braços abertos, nem digo pelas pessoas, porque daí eu tenho mais certeza daqui do que de lá, pelo tipo de relação e pelo tempo estabelecidos, mas eu digo é pela cidade mesmo. Eu sou assim, meu pacto é com o lugar, porque é ele que faz eu me sentir bem em casa. Pode até parecer frio, mas nem é. As pessoas que eu amo estão sempre em mim, e estão sempre em trânsito. Nada garante que elas fiquem sempre no mesmo lugar. Por isso meu pacto é com o lugar, porque por mais que mude, ele está sempre no mesmo LUGAR, e não perde sua principal essência. É por isso que eu não vejo a hora de chegar, e ser abraçada pelo mar, pelo clima quente, pela brisa de outono que hora ou outra há de chegar, pela alegria diurna, pelo climinha de feira constante, pelo trânsito psicodélico, pelos estilos variados e divertidos que transitam na rua, pelo chopp gelado, pelo pé fora de casa, pela minha porta, pela minha cama, pela minha vida!

Como diria uma grande amiga minha, que também se encontra ausente de seu lugar - saudade é mato: cresce desordenadamente!

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