Friday, March 12, 2010

a casinha

Era uma casinha no meio do nada, perto e longe da estrada de pinheiros, céu azul, friozinho e sol aberto. Era uma casinha perto de um laguinho que tinha uma queda d'água. Era isolado, e perpetuado de silêncio. Era longe e perto. Era de um nada e de um tudo, desses que constrói uma paz e um repouso, uma entrega, uma vontade de ser só, andar lado a lado da própria sombra, e além da própria voz, ouvir somente os sons que vêm do infinito. Era uma casinha dessas dada a visitas de bichos inusitados. Era um lugar para ser somente o que se é, de fato. Inspirou uma vontade de ir embora, pra lugar qualquer. Sair correndo do mundo em que se vive. Não pertubar os olhos nem os ouvidos, com toda apoluição de cores e sons. Deixar o excesso de informações pra mais tarde, não precisar de sapato de salto, nem blush, nem bolsa carteira. Não ter telefone fixo, muito menos móvel. Estar off line indeterminadamente. Esquecer a senha do email, do orkut, do facebook... Não resolver qualquer outro problemas, que não seja a fome, o banho, o sono, a reflexão. Olhar um horizonte que não tem limites visiveis. Pisar em solo feito de terra, por onde andam as minhocas. Sair correndo de todos os rostos familiares. Reaprender a enxergar o mundo, com olhos de quem conhece tudo pela primeira vez. Ouvir o próprio nome, como se fosse um novo nome, dito por vozes, pela primeira vez. Não buscar expectativas, nem amor, nem desejos maiores. Apenas existir, e conviver consigo mesmo. Inspirou-lhe uma vontade de viajar rumo ao lugar mais pacato do mundo, de modo que pudesse respirar, e ter a si própria como há muito não vinha tendo.

No comments: