Wednesday, March 31, 2010

abrevidadedaborboleta

a borboleta é breve?

e sobre sua brevidade, você dicertaria? defenderia teses? engendraria um mundo novo?
se é breve, é breve. é como se não houvesse jeito de não ser. é breve e pronto. o que é breve passa. e passou. mas significa tudo a sua volta. porque brevidade é ser, e não não ser. brevidade é como tudo o que dá e não passa. é só breve, mas continua sendo grave. é breve. que não é fugaz. é só breve.

a borboleta é breve?

Tuesday, March 30, 2010

post roubado, post criado

"turnê

a doblo fica pequena de tanta tralha. a estrada é ruim, mas o caminho é bonito. há a alegria do reencontro. há a preguiça de outro encontro. nem tudo é perfeito.
a tesoura quebra. o baú desmonta. o boneco cyber quebra a cabeça. a porta do carro quebra. tá tudo se quebrando? o pneu fura. não adianta encher de novo. não era essa rua, era a outra. vai reto. reto pra onde? cadê minha água? faz meu cabelo? tô com dor de barriga, fudeu!!! tem certeza moça que não tem apresentação marcada nessa escola? entrevista as 6 da manhã. que comida é essa? amiga. esse suco tem gosto de jarra. as crianças invadiram o cenário. o ventilador tá fazendo muito barulho, não consigo dormir. escorrega no tapete, machuquei minha coxa. poxa. mensagens, ligações. água de 5 litros é pouco. pode ser torto. não suporto mais. passa um saco de peso pra eu fazer de travesseiro? sorrisos. o bilboquê. o broto. tartaruga. o porta coisas. lixo de mesa. tesoura. boi. papelão. gordinho não chora que eu te dou outra garrafa. a toalha arranha. não quero sair pra jantar. doritos ou cheetos. medo. lixo na lixeira. nota fiscal. cartão clonado. marca de batom e pão mofado no café da manhã. pai? dor. amor. saudade. olhos brilhantes. pedaço de gente no lixo orgânico. semente de jibóia. certezas. desvio. desvio. desvio. velha benzedeira.
trechos de três semanas. tanta coisa. umas previsíveis, outras inacreditáveis."

Por Raquel Stüpp - http://sobreborboletaseestrelas.blogspot.com/2010/03/turne.html

Agora vamos a minha sensação interna:

retorno. retorno. retorno. tem cidade que lembra a gente, e é toda baseada no retorno. a gente retorna o tempo todo, mas não igual. muda a técnica, muda o estímulo, mudam os namorados, mudam as histórias, mudam as paciências. desvio. desvio. desvio. é a gente também desvia. das brigas. dos casos sérios. dos sacos cheios. da impaciência. da vontade de sair correndo. eu tento desviar das crianças chatas. os mais atentados me adoram. eu faço campeonato com eles. as crianças gordas são ou muito quietas, ou muito falantes. ou acabam chorando, ou acabam num canto com cara de paisagem. teve uma criança gorda que eu quase traumatizei, me chamou de feia e sem graça, quase mandei um: se olha no espelho, seu gordo. mas eu pensei no futuro dela, e mudei uma vida em cinco segundos. ufa! tem piolho. e a gente coloca a mão neles. tem hotel bom e bizarro. não aceitam cheques viu? tem mau humor matinal de ambas as pessoas que dividem o quarto. tem manhã que é só de lá, ou só de cá. e tem manhã que não tem mau humor. tem bafão. tem conversa séria. tem fofoca. tem conclusão. tem texto sendo criado em compulsão. tem segredo. tem pacto. tem previsão de futuro. aham. tem gente enlouquecendo e amando. tem suor. tem dedo furado. tem giz. giz. giz. de cera e de quadro. tem gente pisando no cocô. garrafa com cheiro ruim. escola com gente maluca. olhar arregalado. café. pão. roubou o suco da criança. nota fiscal. dinheiro. estrada. chuvinha. comida. não quero comer aqui. quero comer uma coisa que não tem aqui. tem refeitório e auditório. tem 30 crianças e tem 300. tem braços abertos e cerrados. tem dor de cabeça, cólica, espirro. conversa sobre doença e remédio. eu nunca tive vermes. como é que tu sabe? ha ha ha. tem risada também. tem batom no copo do restaurante e da xícara do hotel. a cidade do batom no copo. tem Tribalistas. tem medo. tem receio. tem tédio. tem saudade. tem gente que se doa em cena, e gente que não tá nem aí. tem que falar do patrocinador. tem o baner. crianças não pisem no tapete. não dá pra fazer duas apresentações. nossa hoje foram quatro. essa escola não merece nada. nojo. cheiro de xixi. não tem papel nesse banheiro. tem amizade, tem coleguismo e tem profissionalismo. tem boi. tem apoio. tem alegria. tem público. tem sim senhor!!! e ainda tem mais. e porque eu penso que o pior ainda está por vir? aham, as piores escolas. ha ha ha!

então deixa eu aproveitar a folga!


Monday, March 29, 2010

lar doce lar - me espere por favor

São exatos 15 dias que me separam do meu "lar doce lar" e tudo o que isso implica. Sim eu sou do tipo viajada mas que necessita de um lugar pra chamar de seu. Mas eu também sou difícil para cidades, como boa Portoalegrense, não é qualquer lugar que combina com a minha essência interior. Por isso, quando eu encontro algum lugar que me causa sensação de lar, é grave, é gravíssimo.
Eu sinto saudades de tudo. Do cheiro, do clima, das cores que prevalecem nas ruas, da rotina, da velocidade, da dinâmica. É tudo diferente de um lugar pro outro. Tem uns que combinam com a gente, outros não, por melhores que sejam, e por mais lindos.
O negócio é que 15 dias são intermináveis pra quem está longe da sua cama há um mês. Pra quem não abre a porta da sua casa há tanto tempo. Pra quem não segue sua vidinha metropolitana. Cria uma espécie de rombo na história, no tempo e no espaço. Tem tanta coisa acontecendo lá, e eu não estou presente. Tem tanta coisa acontecendo aqui - leia-se dentro de mim - e ninguém vai entender quase nada. Os meus planos, os meus sonhos, a minha vida, reina por lá. Dá um desvio de frequência, e fica difícil ser presente aqui o tempo todo, porque eu gostaria de ter dois corpos - só nesses momentos.
Saudade do chopp de fim de dia, das pernadas pelo Saara, do metrô, dos "passeios" de ônibus com cenário cartão postal. Saudades do que eu deixei por acontecer, do meu trabalho in loco, dos amigos, da casa, do teto, da cama, das minhas roupas, de ter a sensação de chegar em casa, de relaxar, de ter o que fazer no final de semana, de combinar, de extrapolar, de perder a linha, e resolver tudo pegando um táxi barato e ao alcance do dedo indicador.
O mais estranho de tudo, é perceber que quanto mais tempo a gente se afasta de um lugar, menos vida a gente tem nele. Restam os amigos mais que queridos, cuja saudades quando matadas se tornam um bálsamo de alegria. Resta a família que reabastece as energias, até o ponto em que começa a virar brigavelmente sustentável - risos! Resta a história. Vira quase um livro antigo, lido mil vezes, que faz bem reler, mas não dá pra colocar mais na cabeceira.
Eu estou com saudades. Eu estou louca pra aplicar minhas reformas. Eu estou louca pra chegar assim diferente por dentro, e ser recebida de braços abertos, nem digo pelas pessoas, porque daí eu tenho mais certeza daqui do que de lá, pelo tipo de relação e pelo tempo estabelecidos, mas eu digo é pela cidade mesmo. Eu sou assim, meu pacto é com o lugar, porque é ele que faz eu me sentir bem em casa. Pode até parecer frio, mas nem é. As pessoas que eu amo estão sempre em mim, e estão sempre em trânsito. Nada garante que elas fiquem sempre no mesmo lugar. Por isso meu pacto é com o lugar, porque por mais que mude, ele está sempre no mesmo LUGAR, e não perde sua principal essência. É por isso que eu não vejo a hora de chegar, e ser abraçada pelo mar, pelo clima quente, pela brisa de outono que hora ou outra há de chegar, pela alegria diurna, pelo climinha de feira constante, pelo trânsito psicodélico, pelos estilos variados e divertidos que transitam na rua, pelo chopp gelado, pelo pé fora de casa, pela minha porta, pela minha cama, pela minha vida!

Como diria uma grande amiga minha, que também se encontra ausente de seu lugar - saudade é mato: cresce desordenadamente!

Thursday, March 25, 2010

caminho

se eu tentasse encontrar palavras pra tudo que eu tenho sentido e pensado, acho, sinceramente, que não haveria letra o suficiente. o texto sairia torto, confuso, sem nexo, disperso no tempo e no espaço. é difícil lidar com tudo o que se passa na vida. e o presente, e o passado, e o futuro. e na verdade o único que me interessa é o presente. e as coisas todas que a gente sente. e a tempestade de dúvidas que cai bem no centro da nossa cabeça. e o medo. e as alegrias. como pode, de um mesmo lado, vir a sensação plena de que se é feliz e também a energia que te impede de evoluir? é estranho, e ao mesmo tempo é uma escolha, é uma questão de fé, de acreditar ou não. e eu definitivamente estou sem saber. serão estas as respostas que eu buscava tanto? será que eu esperava que fossem essas as respostas? será que eu realmente estou me enganando? será que eu estou buscando um caminho só por medo de nunca encontrar o que no fundo no fundo eu quero encontrar? mas isso ilegitima as coisas boas que esse caminho me proporciona? a única coisa certa é que as coisas vêm no momento certo. essas dúvidas e pensamentos, surgidos por uma situação inesperada, chegaram na hora certa. o que eu vou decidir em seguida, pra onde vão meus pensamentos, meus sentimentos, meus passos, ainda não sei. mas estou certa de que já valeu para abrir meus olhos para algumas coisas que eu estava deixando passar...

Wednesday, March 24, 2010

para...

Para as dúvidas tempo

Para o tempo paciência

Para o cansaço rede na varanda

Para a alma

l i b e r d a d e....


fonte de inspiração: Marisa Monte

Tuesday, March 23, 2010

invisibilidades

Tem tempo que a pretensão de saber tudo passou a habitar a gaveta dos guardados. Pó por pó! É certo que as tentativas escassas de ser alguém definitivamente grande, pela perspectiva do olhar do outro, chegou em último lugar na corrida. Grandes coisas vão dando espaço pro universo invisível que habita o mundo, e que é deveras interessante. Das coisas que não podem ser tocadas, nem ditas. Daquilo que a ciência não obteve explicação, nem nunca obterá. As coisas que não tem medida, e inutilizam as fitas métricas. Daquilo que não se pesa. O grão de areia, o pedaço de céu, a estrela cadente. A simplicidade, o prazer de estar vivo, a serenidade. A paz de um espírito satisfeito. As missòes cumpridas. A leveza. Daquilo tudo que senta no bando da praça, percebe a tarde, como um velhinho, ou uma criança, sem pressa de crescer ou de findar. Das pessoas que conhecem o sentido de existir hoje. Daquilo que a gente acha, sente e gosta. De não ligar pra opinião alheia. De não precisar ser grande, para ser inteiro.

Saturday, March 20, 2010

não espere por mim...

é uma agonia amor
essa coisa toda de estar
se pudesse eu seria
mas é pra sempre demais pra mim
eu sou feita de segundos
que eu não sei contar
daqui a pouco eu estou partindo
mesmo ainda pensando em te amar
do lugar de onde estou já fui embora
ja diria o menino Manoel
não espere por mim agora
não espere por mim meu bem...

Sunday, March 14, 2010

não tinha nome

No fundo, bastaria o amor. Aquela metafísica perfeita, onde se larga tudo por alguém. No fundo é quase como um cinema ao ar livre, com pulmões, voz rouca, improvisos diários. Era quase como poder voar. No fundo, só queria o amor, só queria algo que não tinha nome, nem explicação, muito menos razão. Só queria alguém que pegasse na sua mão, fechasse os olhos, e caísse no abismo. Só queria uma palheta com cores quentes e irracionais. Os tons pastéis deixava passar. Nada que fosse meio termo lhe agradava. Nada do que fosse pela metade. No fundo queria amar, e ser amada. Queria encontrar tudo isso que tanta gente encontra. Queria voar com a barriga toda.
Era sempre como se quase chegasse na faixa de largada, mas algo vinha derramando água fria, e aquilo que fervia, ficava morno, o que era pior que frio. Queria encontrar quem por ela gritasse bem alto, deixasse tudo pra lá, esperasse o tempo que fosse. Alguém que deixasse o verão pra mais tarde, abandonasse as velhas regras, a velha vida. Alguém que talvez jamais exista, essa é a verdade. Por isso, talvez, seu caminho seja por suas próprias pernas. Ela busca os desenhos que nenhum desenhista ousou pintar ainda, portanto, fica com a página em branco. Por quanto tempo? Talvez toda uma vida.

A representação do dia de hoje é: (...)

Friday, March 12, 2010

a casinha

Era uma casinha no meio do nada, perto e longe da estrada de pinheiros, céu azul, friozinho e sol aberto. Era uma casinha perto de um laguinho que tinha uma queda d'água. Era isolado, e perpetuado de silêncio. Era longe e perto. Era de um nada e de um tudo, desses que constrói uma paz e um repouso, uma entrega, uma vontade de ser só, andar lado a lado da própria sombra, e além da própria voz, ouvir somente os sons que vêm do infinito. Era uma casinha dessas dada a visitas de bichos inusitados. Era um lugar para ser somente o que se é, de fato. Inspirou uma vontade de ir embora, pra lugar qualquer. Sair correndo do mundo em que se vive. Não pertubar os olhos nem os ouvidos, com toda apoluição de cores e sons. Deixar o excesso de informações pra mais tarde, não precisar de sapato de salto, nem blush, nem bolsa carteira. Não ter telefone fixo, muito menos móvel. Estar off line indeterminadamente. Esquecer a senha do email, do orkut, do facebook... Não resolver qualquer outro problemas, que não seja a fome, o banho, o sono, a reflexão. Olhar um horizonte que não tem limites visiveis. Pisar em solo feito de terra, por onde andam as minhocas. Sair correndo de todos os rostos familiares. Reaprender a enxergar o mundo, com olhos de quem conhece tudo pela primeira vez. Ouvir o próprio nome, como se fosse um novo nome, dito por vozes, pela primeira vez. Não buscar expectativas, nem amor, nem desejos maiores. Apenas existir, e conviver consigo mesmo. Inspirou-lhe uma vontade de viajar rumo ao lugar mais pacato do mundo, de modo que pudesse respirar, e ter a si própria como há muito não vinha tendo.

Thursday, March 11, 2010

a saudade

A saudade tem cheiro de doritos, de pipoca e cerveja. A saudade tem movimento, a saudade tem jeito, gosto, letra e música. A saudade tem jeito de sala com meia luz, uma luminária charmosa de canto e uma vitrolinha retrô. A saudade invade a casa, o quarto, a varanda. A saudade se mistura com as fotos, as mensagens, as cartas antigas. A saudade não para nunca, não passa, não acaba. A saudade caminha infinito. Perturba o sono. Entra feito brisa invasora, pela fresta da porta. A saudade só cresce, só aumenta, só provoca. A saudade é ambígua, antagônica, cheia de opostos. A saudade é antiga. A saudade transborda lágrimas, e risos soltos, solitários, por lugares e horas inusitadas. A saudade perpetua o olhar, o perfume, a sensação. A saudade viaja junto, se esconde no baú, gruda na mão. A saudade toca na rádio, passa na tv, eterniza o livro. A saudade é sentida nas entranhas. A saudade é estranha. A saudade percebe o amor.

Sunday, March 07, 2010

estrangeiro

estrangeiro
adj. e s.m. Que é natural de outro país.
Que não faz parte de uma família, de um grupo.
Ser estrangeiro em seu país, desconhecer suas leis, seus costumes, seus hábitos.

me sentindo estrangeira, por motivos variados. deixar o Rio me causa uma sentimento de não pertencer. o vazio da ausência do meu amor causa um estrangeirismos absurdo. a decepção estrangeiriza. salve a mãe que torna tudo um pouco mais com cara de lar...

aiai...

e aq saudade? e a falta de vontade?

a gente segue, porque a vida é feita de momentos como esse!

Monday, March 01, 2010

encontro

Não era desconhecido, e não só pelos encontros anteriores, mas sobretudo, pela sensação de que era feito sob medida. Causava certa estranheza pela situação, e sua altura que fazia o olhar ir ao longe, quase tocando o céu, meio por medo, meio por deslumbre, meio por contemplação. Nos olhamos. Era aquele tipo de momento em que a gente sabe que está diante da eternidade. Essa intuição. Mas é que me inspirava um horizonte tão claro, uma energia tão leve. Paixão a todas as vistas. Caso sério. Desses que os defeitos vão se mostrando, e aí ... a gente percebe que o que era paixão virou amor, que o que era sonho, virou realidade bem vivida, que o que era plano futuro, virou agora, embrulhado pra presente. Me presenteia sempre, com lindos dias, bem vividos, com acontecimentos e surpresas lindas. Temos já nossas vitórias a dois. Nossos planos em conjunto. Nossa vida. O tempo passa, e parece que já faz séculos que caminhamos juntos. Mas ainda vai fazer dois anos.

Parabéns Rio de Janeiro!