Sunday, January 10, 2010

a traça

Não tem animal que eu goste mais que a uma traça. Mas não as traças de hoje em dia, que se alimentam do mais puro tecido, do vestido milionário, que vislumbra-se na vitrine de grife. Essa traça que cobiça a vaidade não me agrada. Essa traça que devora o que é bonito por excelência, me deixa tonta.
Traça que eu gosto é daquelas antigas, e talvez míticas, porque nem sei se existiram de verdade. Mas quele tipo de traça que se doa à palavra. Que pela língua [e traça tem língua?] absorve todo e qualquer tipo de linguagem, e sem ordem constrói um mundo todo enfileirado de palavras desorganizadas. Essas traças escritoras, que interrompem uma frase, ou até mesmo um parágrafo inteiro, deixando no lugar da palavra o vazio de um furo. Esse tipo de traça até me comove. Elas têm um destino maior que roer, comer, ingerir. Elas interrompem algo. Uma vida , pode-se dizer. Um traça dessas vale milhões. Vale mais que uma vida vivida de gente. Um traça dessas deve conhecer todas as bibliotecas do mundo. Imagino que passe a vida viajando por melhores exemplares. E esses melhores nada têm a ver com mais vendidos, mais bonitos, mais bem escritos. São simplesmente, aqueles, cujo ato de interromper, causará o silêncio. E o leitor que se resignar diante do vazio da traça, jamais deverá ser digno de chegar ao fim da história. Porque não é o fim que interessa. O importante é encarar o vazio do buraco da traça de frente, e a interrupção como se fosse um novo caminho. A história ganha nesse momento um atalho para um novo fim. Mas o fim não é o que importa. Importante é a traça, a sua vida, a sua intenção ao interromper aquele momento de linguagem, que deixa de ser entendimento, e vira sentimento, movimento, sofrimento...
A esse tipo de traça eu dedico a minha existência!


1 comment:

♥ K a a h ♥ said...

Olá primeira vez que visito seu blog! adorei! quando puder visita o meu! beijokas! ^^