Wednesday, January 06, 2010

o verão esperava

Esse verão ainda não começou. Isso porque verão pra ele sempre teve cheiro de mão dada, de gente deitada no sofá com preguiça de ir à praia, com pele queimada de sol [apesar do protetor] e salgada de mar, e ardente de vontade de estar perto.

O livro que ele estava lendo ainda não havia terminado. E era lindo, de uma pureza tão grande, que precisava ser rude às vezes na leitura, pra não ficar preso. Gostava das passagens radicalmente estranhas, bizarras, risonhas. Padecia nos momentos de dor, tristeza e melancolia. E via que sua musa inspiradora, era ainda mais fantástica revirada do avesso, mas um avesso tão avesso, que nunca seria o suficiente revirar tudo.

Pensou sobre o mistério. Voltou para o verão. Verão que não havia começado. O seu verão tinha endereço, e lhe esperava em algum lugar, que ele bem saberia chegar. E naquele mar, a sua espera, ele repousaria. Seria verão enfim... E ele não esperaria mais.

O amor que trazia consigo. O amor. Certas coisas na vida, ele não gostava de tornar verbo. Porque não queria tornar público talvez. Porque assim pensava prolongar o tempo, que ele não sabia quanto tempo ia ter. Então era o silêncio que ele embrulhava pra presente com fita vermelha, e mandava entregar em sonho, ao seu bem....querer. Bem que lhe queria. Queria-lhe bem.

O silêncio recebido com sorriso, suco e torrada. Um leve toque. Como quem acorda quem ama, na ânsia de tê-lo como companhia, e no sufoco de tirar-lhe a paz do sono, do sonho. Acordar não é tarefa fácil. E o silêncio fora recebido. E fora dedicado, e retribuído, possivelmente. E era uma espera de lado a lado. Pelo verão que não começava. Pelo toque leve. Pelo suco. Pela torrada. Pelo silêncio. Era um amor.

Ele encontrava-se no limbo das estações. E como na música ansiava por deixar o verão pra mais tarde. Mas precisava que já fosse verão para fazê-lo. E verão só seria...

O amor. A espera. O silêncio.

E finalmente apesar de, ele ficava, ficava a espera do verão começar, para finalmente, no verão, viver aquela mão tarde de fim dada e o sol do pôr toque beijo....o verão enfim...

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