Saturday, January 23, 2010

eu

A falta de tempo... Exerceu um certo desleixo com as palavras, aquelas das quais dependo pra me entender melhor a cada vírgula. A falta de tempo...
Talvez um tempo pra mim. Eu sempre sinto falta dele. Nunca fui do tipo que sai correndo de si mesma. Nunca fui do tipo que prefere estar sempre com companhia. Eu tenho abstinência de mim mesma. Tenho sim!!!!
Às vezes é difícil entender certas coisas. Ainda mais quando eu não consigo parar comigo pra conversar. Não sei se dá pra entender tudo, e confesso tem uma fila de coisas esperando por esse tempo. Mas tem também o sono, as pessoas para as quais dediquei quase nada de atenção, os trabalhos pendentes extra horários oficiais... E o tempo comigo?
É desses tempos de não ser de ninguém. Sinto falta de ser só eu. Aquela que não é filha, amiga, irmã, parente, afeto, colega, sócia, parceira, amor de ninguém.... Aquela que é só aquela. Às vezes me sinto sufocada.
Eu penso nessa coisa de ir se moldando. Se adaptando. Cedendo. Agradando. Virando a página, mesmo que não se entenda. Perdoando, mesmo que não se concorde. Fechando os olhos.
Por muitos momentos sinto que mato meus instintos pra me adequar. Não sei até que ponto quero matar todos eles. Não sei até que ponto quero entender, perdoar, fingir que não vi, ceder, mostrar meu melhor lado. São meus instintos, e pra mim são caros.
É estranho. Acho que esse é um dos motivos pelos quais sempre fugi de relacionamentos oficiais. De alguma forma, estar com alguém, poda nossos instintos. O que pode ser muito bom por um lado, mas também pode gerar angústias. Aquela parte da vida, onde se escolhe. Estar só consigo mesmo, e enfrentar o que vier, ou estar junto de alguém, e parecer virar outra pessoa, que já não é completamente você.
As pessoas olham pra gente, e por mais que nos conheçam, não convivem com a gente o mesmo tempo que nós mesmos. E não vivem dentro da gente. Aí, chega um momento que o olhar do outro te invade, te transforma, te torna alguém, que você não pensava que era. Pode ser bom, ou não - de novo.
Eu sempre fico inquieta quando as pessoas me definem. Ou definem o que eu penso, quero. Ou quando definem atitudes ou palavras minhas. Talvez eu faça isso também, certamente. Mas me irrita. E tem uma coisa de sentir saudade também. Saudade de mim. Do meu olhar sobre mim mesma. Do meu parecer.
Sei lá, cada pessoa constrói um "a gente" novo, que me perturba às vezes. Eu tenho essa coisa de espaço fechado. Sempre lutando pra abri-lo. Sempre. Mas não quer dizer que eu não sinta as coisas, que eu não pense... E sentir, e pensar pra mim mesma. Nem tudo deve ser compartilhado, mesmo com quem mais nos promova amor. Eu não consigo ser um livro aberto, nem quero. Eu preciso de silêncio. Eu gosto de silêncio. Eu gosto da minha cerca. Eu gosto do meu limite. Eu gosto de sentir que posso agir, sem ser tolida. É difícil....

2 comments:

Beatriz said...

Gostei de seu texto, de suas indagações, da busco por seu mais puro Eu.

Eu empreendo essa busca há muito trempo, e cada vez me senti melhor no silêncio de mim mesdma.
É meu refúgio quando preciso me encontrar e olhar a vida sem preconceitos, sem julgamentos, aceitando cada u como é e priorizando meu Bem Estar.

Parabéns.

Beijos,

Bea

Raquel Stüpp said...

sintonia, sempre.