Sunday, January 03, 2010

estado de graça, o primeiro

O ano havia virado, finalmente. E ela já vivia no seu terceiro dia, um primeiro estado de graça. Daqueles da Clarice, que não precisam de motivos específicos, que não deixam as marcas do caminho de volta, para que retornar ao estado de graça, jamais aconteça voluntariamente, já que isso poderia extinguir o mesmo. Ela, por segundos, experimenta o outro lado da vida, e da matéria. E é como se o oxgêncio que entornasse fosse feito de algo que delira, e lhe torna rarefeita. Ela é toda aerada. Flutua.
Sabe que vai passar em segundos toda essa vida que lhe preenche. E vai voltar a sua vida, que é também toda ela otimista, alegre e representativa do amor, mas ainda assim, o estado de graça a eleva a um plano mítico e superior, ela torna-se algo além dela, e plena. Muito bom ter isso já no terceiro dia do ano. Muito bom! Até porque, ela, como incansável otimista, sabe que esse ano será ainda melhor que o passado. Ela sabe que suas asas, que já batem, alçarão os vôos mais longínquos que ela tenha imaginado um dia. Esse ano já começa pelo olhar de um novo amor, e isso, ah, isso ela sabia que era raro.
O ano começara sobre as graças de um estado de graça, e ela que andava mesmo reclusa, com preguiça dos amigos, com preguiça da vida social, ela que andava quieta, da quietude leve e boa, ela que andava consigo mesma e com poucos, que meditava, olhava o céu e o mar, ela sabia que tudo isso era a preparação, a preparação para o novo. É preciso gerar tudo que vai nascer, porém, no dia a dia da vida, nem sempre nos damos conta disso, ou temos tempo. Então, ela gerava, com todo o cuidado, porque sabia que disso dependeria sua calma para os minutos próximos que viriam. Eles seriam tudo que ela sempre quis, mas também bagunçariam bastante toda a rotina, por isso, era necessário gerar com carinho!

1 comment:

Priscila said...

adorei seu blog...vou te seguir..bjo