Monday, December 27, 2010

beco

Às vezes estamos entre dois becos. Presos. Encurralados. Perdidos? Não, nem sempre estamos perdidos. O amarramento ao beco é que é nossa perdição. É injusto e desumano que alguém que tanto nos ama, nos destine a um beco escuro e frio. Enquanto a vida corre lá fora, linda do jeito que a gente sabe reconhecer. Tem gente implorando pra ir parar num beco, mas não é o meu caso. Eu nascí pro dia lindo de sol. Pra pular a janela que nem criança. Pra poça d´água. Pro barulho gostoso. Pro pé descalço. Pra grama molhada. Eu nascí pro amor. Do jeito que ele vier. Pra quem ele vier. Mas não entenderam isso direito. Não deram ouvidos. Não me levaram a sério. O amor veio e eu não posso viver a minha plenitude. Porquê? Eu estou no beco. Repetindo movimentos. Querendo sair e beber a vida. Mas me prenderam aqui.

Saturday, December 25, 2010

no amor

No amor, as regras não estão no plano. E na verdade, quanto mais liberdade se deixa correr por suas vielas, mais sublime ele se torna.

Que o mundo um dia possa descobrir o amor, em escalas de uma grande guerra. Que seus efeitos sejam tão grandes quanto os da bomba atômica. E que a breguice seja o tom de certas manifestações.

É o que eu desejo, eu mesma, a escritora deste blog, aqui sem pseudônimos, personagens e véus, de cara limpa, palavra em punho, cada dia mais chocada com o mundo, mas também maravilhada com os poucos que ainda sobrevivem de alma aberta nesta difícil jornada de viver - mas maravilhosa!

Tuesday, December 14, 2010

Antônio VI

Esse fora um ano estranho para Antônio. Reencontrou o amor, ou de certo encontrou-o pela primeira vez, mas junto veio uma avalanche de mudanças, as quais ele teve que se adaptar. 
Família ganhou novas nuances. Alguns traços leves, outros pesados. Algo havia se partido, algo que Antônio não esperava. Ganhou desejos de ter sua própria gente, e fez muitos planos. Foi pego de surpresa. Levou rasteiras do destino. Comeu, bebeu, trabalhou. Amou. A foto velha, amarelada, ele já não sabia mais nem por onde andava. Qual era mesmo a gaveta em que havia colocado?
Aquilo lhe trazia leveza, ao mesmo tempo que fazia pensar na efemeridade da vida. Seu grande amor, diante da realidade, havia virado pó. Não movia mais água do mar. Não fazia mais cócegas. Virou uma singela imagem perdida. 
Antônio brindou aquela ausência. Brindou até as rasteiras daquele ano incomum. Sentia estar de mãos dadas com sua liberdade. Sentia o ar entrar pelos pulmões. Parou pra si mesmo e olhou bem fundo. Até aos problemas Antônio brindou. Estava vivo. Inteiro. Na dor e na alegria. Em mais um fim de ano.
Desta vez, a foto era nova, e guardava a cabeceira de sua cama. Sentia saudades diariamente. Buscava estar cada vez mais próximo.

Monday, November 29, 2010

olhar

Não havia forma de estar de fora. Ela precisava encarar-se pelo próprio olhar. E isso era um exercício de alta perícia!

Monday, November 08, 2010

vinte e trinta

A diferença dos vinte pros trinta? Ela bem sabia que era o fato de aos vinte pensar que a crise seria eterna, e aos trinta saber que mais cedo ou mais tarde passaria. Só que munida da informação de que ela não sairia ilesa, temia até certo ponto. As pessoas ao seu redor poderiam não sobreviver. Ao passo que um dia já conheceu seus irmãos no meio do caos, hoje temia por perder amores no meio de outro. Mas ao mesmo tempo, ela aprendeu também, que seus medos aos trinta, não eram levados tão a sério, porque as pessoas investigaram suas forças, e perceberam que ela as tinha em demasia. Só que no fundo, bem no fundo, essa crise era diferente. Antes questionou o que vira no espelho, hoje questiona o que talvez nunca venha a ver. Ela só queria um colo, um afago, um sorriso, e aquele clássico, vai ficar tudo bem, haja o que houver, eu estarei aqui, firme, forte e ao seu lado. Mal sabia que aos vinte teria isso, e aos trinta talvez não.

Thursday, November 04, 2010

Maria da lata

Maria leva lata d´água na cabeça
Maria faz poesia de dia e de noite
Feriado, sábado e domingo
Maria faz poesia a pé
Maria destemida vive de poesia
Cada pingo d´água que cai da lata
Espalha no chão um verso
E Maria vê e imagina
Constrói um mundo de poesia
Toda ela invadida
Maria anônima
Da lata d´água na cabeça
Maria!

Tuesday, October 26, 2010

póstumo

Aquilo que está de acordo com o tempo, ou mesmo que minimamente a frente dele, é relgado ao descaso e a imcompreensão. A mim me parece que os homens só sabem louvar as coisas que são capazes de catalogar, identificar e comparar. E isso implica, quase sempre, que essas coisas sejam compatíveis com normas, formas e pensamentos de ontem, que já se fizeram valer. Por isso tanto reconhecimento póstumo.

Thursday, October 21, 2010

2020

Não sei bem onde te encontrarás, mas eu me encontro, ou me perco, numa linda e ensolarada manhã, cheia de coisas por fazer, e mil ideias na cabeça. Da última vez que lhe mandei carta, andava com calças mais rasgadas que estas, e tênis menos despreocupados com a aparência. O tempo passa, e a gente vai buscando se adequar, e mal consigo imaginar o quanto você já deve estar adequada por aí.
Fico pensando em como será seu dia, se repleto de música ou trabalho. Fico imaginando nas cores que seus olhos comunicarão, e sobretudo, nas ideias vagas dentro da sua cabeça. Você andará pensando em mim?
Ultimamente penso em você mais que gostaria, o que me tira alguns segundos de presente todos os dias. Você meio que furta um pouco da minha existência, nesse seu jeito suave e lânguido. Esse seu mistério contido em cada gesto, em cada inclinada de cabeça, me faz pensar que nunca nos encontraremos. Eu e você, seremos como aqueles seres que jamais coexistem.
Eu fico pensando na forma como seu cabelo acordará daqui a pouco, ou se você já teve tempo para domá-lo e encontra-se adiantada no passo, correndo para algum compromisso. Eu fico pensando em como o sol inside sobre sua pele, em como seus olhos miram o horizonte, em como você traduz o sorriso. 
Eu projeto mais caminhos entre seu rosto, mas eu tento não esperar nada de você. Talvez você resolva fazer uma plástica, e se disfarce de mim. Talvez eu não te reconheça quando nos encontrarmos. Mesmo assim, eu desejo que você guarde a esperança e a leveza. De resto, o resto ficará bem.

Wednesday, October 20, 2010

Perguntou-se

Perguntou-se:

Porque erguemos prisões sob nós mesmos?

Porque não saímos pela porta da rua?

Porque nos punimos, permanecendo em organizações desestruturadas da matéria?

Porque nos damos tantos motivos para reclamações?

Wednesday, October 13, 2010

desenho

a expectativa é reta
e marcha como soldado para o horizonte
o horizonte que às vezes parece um precipício

o silêncio é descontínuo e perturba os ouvidos
cessa a boca
o beijo
e o desencontro

o desejo é uma espiral
entorpece e martela
qualquer coisa que cai  ao mesmo tempo que sobe
encontra no fundo o que estava cá na superfície

Thursday, October 07, 2010

eu não gosto

Eu não gosto das pessoas que precisam explicar tudo a ponto de chegar no desenho do desenho do desenho. Eu não gosto das pessoas que têm medo de onde o assunto possa parar, porque o ponto em que ele deveria parar existe e foi inventado por elas. Se bem que este tipo de pessoa não inventa, e sim decreta, estipula, mata a oportunidade de um coisa ser outra coisa. Eu não gosto de quem subestima, seja lá quem for eu não gosto de quem canta de galo, é arrogante, precisa levantar o pescoço pra não sfuocar entre tantas outras boas pessoas inteligetes e magníficas que existem no mundo. Eu não gosto de quem precisa falar muito de si, sobre si, si si si si... É isso, vira reticência tosca sobre si mesmo, e como numa linha ocupada, ninguém atende. Eu não gosto de quem precisa deter o poder, pra sentir-se tendo poder sobre si mesmo. Eu também não gosto de quem distorce a realidade e se vitima. Eu não gosto de quem não sabe divdir, delegar, confiar. Eu nao gosto de quem não se propõem a ver além. De quem encareta a vida, a arte, a obra. Eu não gosto de quem repete a si mesmo o tempo todo, fugindo da mudança. Eu não gosto de quem quer ser líder, porque eu prefiro quem é líder. Eu prefiro tudo o que é. Tudo o que se inventa. Se joga. Se muda. Tudo o que vive. E eu sei que não se usa "se" em relação ao sujeito no início de frase.

rompimento

Nem todos os passos que percorro são meus. Isso é uma blasfêmia para comigo. É preciso o rompimento. O rompimento que é sempre dolorido. O rompimento que pode requerer laços desfeitos, desuniões, ou parcerias deixadas. O rompimento que pode requerer uma transformação e uma mudança interna, que podem ser mais radicais que a ausência, e revelar aos olhos dos próximos algo do qual eles não suspeitavam a respeito de si mesmos. É uma escolha a ser feita.

Thursday, September 30, 2010

2016

Resolveu escrever uma carta para o filho. O filho que era um futuro a ser desenhado. O lápis tamborilou na página branca, como gente que fica embaraçada diante de um grande amor. A primeira letra que escreveu foi A. Que podia ser a incial de um nome, ou simplesmente o início do amor. Ela já sabia mais ou menos como ele ia ser, mas eliminava qualquer espera da sua cabeça. Ela sentia muito bem o quanto o peso da espera lhe encobria a alma. A única coisa que não conseguia apagar era o cabelo. Porque queria que seu filho tivesse uma cabeleira bacana. Mas bacana era um universo imenso, e poderia caber qualquer estilo que melhor caísse ao pequeno. E também, esperar do cabelo era mais leve que esperar da vida. Ela queria, mesmo, era deixar registrado que apesar de todo o amor que já sentia, seu primeiro presente a ele seria a liberdade, o mundo e o vento. Que ele fizesse bom uso. Ela queria estar de braços abertos para ele, viesse  como viesse. Era uma espécie de missão talvez. E que ele pudesse entender as suas escolhas, porque ela jamais as transportaria dela mesma. Iniciou a carta assim:

" Amado filho meu, te espero. E acredite, essa é a única espera que vou procurar depositar em suas costas. E mesmo no amor, buscarei ser comedida. Amarei você de maneira pesada só no silêncio do meu quarto, quietinha entre os sonhos. Que você só tome conhecimento da minha leveza. E que tenhamos tempo pra dançar nossas cabeleiras ao vento. Mas acredite, pode vir careca, que eu vou te amar mesmo assim".

problemas de conjugação

Fazia tempo que andava calada consigo mesma. Balbuciava uma ou duas palavras, mas logo levava a mão à boca, calando-a. Existia um silêncio profundo, uma consciência que reverberava por todos os poros, e uma sensação de perda. Perder, jogar-se, gritar, mudar, rearranjar, arrumar. Todos verbos que ela gostava de conjugar, e sabe-se lá porquê, vinha, agora, enfrentando sinceras dificuldades. A alma queria lhe revelar algo, ela ainda não conseguia entender o quê! 

Tuesday, September 21, 2010

herança

Ela pensou no que havia de esperar do mundo, quando nem em meio aos seus recebia uma acolhida doce. É, que tempos eram aqueles, onde as pessoas julgavam, criticavam, recriminavam, e ainda pretendiam sair ilesas? Terríveis guerras eclodiam dentro de cada ser, que ao negar uma gentileza, deflagrava bombas com o olhar. Mesmo sabendo que os prédios permanceciam em pé, seus olhos insistiam em ver toda a cidade, e todos os lugares por onde passava, absolutamente desmoronados. Só podia enxergar devastação. A frieza nos olhos dos sobreviventes gelava-lhe a alma, e nem rosas cresceriam naquele solo árido. Era duro ver matérias orgânicas tornarem-se rochas, sem nem mesmo carregarem a nobreza das últimas. Eram rochas ocas, sem minérios, devastadas igualmente. Ela chorava e escrevia, pensou assim, pelo menos, deixar uma espécie de herança para os novos habitantes que recebessem a missão de salvar aquele lugar.

Sunday, September 19, 2010

urgência

Eu não escrevo mais por necessidade, só por urgência.

Wednesday, September 15, 2010

a espécie errada

O meu problema, disse-me ele, era que eu pertencia a uma outra espécie. Era como se as partículas que me compõem houvessem cometido um erro de percursso, e adentrado o invólucro errado. Nascí então na espécie humana, e isso era o maior erro já visto no universo. Ele explicou-me que era como se eu não pertencesse a nada que recai sobre a esfera humana. Seus corpos, órgãos, membros, razão, leis, normas, desejos, aspirações e sobretudo suas almas. Eu estava me degladiando dentro de mim mesma. Ou do invólucro que havia me abrigado por acaso. Segundo ele, isso o assustava e assustaria qualquer um que pertencesse de fato a mesma espécie que a sua. Questionei-o a respeito dos amigos queridos e intensos que  eu possuía - poucos claro - e que pareciam entender-me com a alma inteiramente entregue. Pois ele foi curto, grosso e claro: são da mesma espécie que você, igualmente desavisados em um invólucro que não lhes pertence. E como, disse-lhe sobressaltada, como estes seres podem me reconhecer se possuem olhos humanos? Da mesma forma que você os reconhece, disse-me, já que é com a alma que vocês, desta espécie estranha, se comunicam entre si. Foi naquela mesma hora que amaldiçoei aquelas ridículas partículas que tinham errado o invólucro que me acolheria durante a vida. Eu jamais queria ter deixado de pertencer à uma espécie que vê a partir da alma. Contei a ele do meu desespero, mas ele lamentou o fato de me ver em tamanha exasperação mais uma vez. Não podia entender porque eu não dava graças a Deus por ter entrado por acaso em um corpo tão bonito, no meio de um planeta tão especial, o único a possuir vida inteligente segundo ele, e podendo usufruir de uma razão tão nobre e superior a todos os outros seres vivos existentes no universo. Olhei aquele homem que há alguns segundos atrás eu julguei amar, e senti uma pena tão grande, mas tão grande, que eu fiquei maior que eu mesma. A espécie dele utilizava os olhos, órgãos cujas verdadeiras funções me pareciam ter sido afetadas irreparavelmente, como meio de reconhecimento do mundo, dos outros e de sí mesmos. Como auxiliar possuíam as mãos, que notavam tudo aquilo que poderia ser tocado, o paladar que absorvia tudo o que podia ser deglutido, o olfato que pescava os odores e a audição que capturava os ruídos e sons - a música. Eu mesma podia experimentar todos esses sentidos, já que parasitava neste invólucro chamado corpo humano. Mas o que mais me amedrontrava, é que eles pareciam não possuir alma, e nenhuma propriedade do espírito. Só restavam alguns poucos, vagando ainda que perdidos pelo mundo, alguns poucos que viam demais, porque não viam com os olhos cegos daquele invólucro somente, mas também com o corpo todo e sobretudo com a essência que traziam bem no centro de si mesmos. Mas segundo ele mesmo, esses poucos pertenciam à minha espécie, e por isso eu cheguei à conclusão de que a espécie humana deve mesmo entrar em extinção. De nada serve para o planeta. Nem mesmo para perdurar o amor em mim. Aquele homem não foi capaz de fazer com que o amasse por mais de dez minutos. Ele não me via, porque julgava não me poder tocar. E tudo o que fugia destes dois primordiais sentidos, parecia-lhe inatingível e inalcansável - e eu mesma diria que provavelmente, parecia-lhe não existir. Eu não existia.

estranheza súbita

O seu mundo mais íntimo lhe pareceu estranho. Mas também, como não haveria de ser, já que por diversas vezes, até ela própria lhe parecia estranha. Nada neste mundo era garantia de nada. A aceitação, e sobretudo a compreensão, divergem muito do entendimento, e são mais sublimes, porque andam lado a lado com o amor. O ato de entender dá suas mãos ao ego, e passa pela razão lógica do ser. Ela, inocentemente, achava e esperava que o mundo todo se propusesse a sentir, mas quase sempre dava com os burros n´água.

Tuesday, September 07, 2010

escrever

Eu disse a ela, que escrever era como amar. Um exercício diário, onde tudo o que se poderia querer em troca era escrever mais, amar mais.

Monday, September 06, 2010

pequena carta de salvação

Existe alguém aí que me possa ouvir? Peço, encarecidamente, que enviem ao mundo, pequenas doses de sensatez, e cavalares doses de amor. Acredito mesmo, que desta forma, possivelmente, encontraremos um meio caminho para a salvação humana. Caso nem isso ajeite a coisa, eu prometo ser a primeira a não pedir mais nada, além de clemência. 

Essa é a súplica de uma pessoa que habita este planeta dominado pela selvageria dos homens.

Sem mais,

Gratidão.


Sunday, September 05, 2010

um pingo de domingo

Domingo. Caiu um pingo. No meio da testa da Robelamaria. Ficou estatelada de surpresa diante da sensação úmida de frio que lhe causou tudo. No fundo. Robelamaria não era bela de espera. Da forma que esperavam as pessoas. Mas era cheia de amor. E ainda se surpreendia com um pingo de domingo no meio da testa. Estatelada. Porque era domingo. Na verdade era um pingo. Só que não era de amor.

Monday, August 30, 2010

delicadeza express

Olá, por gentileza, gostaria de reclamar a delicadeza que encomendei pelo site, mas não me foi devidamente entregue. Anote aí em seus registros, que por três vezes me tentaram entregá-la, mas por motivos desconhecidos não ouvi o bater na porta. Registre também a minha ousadia em dar uma dica: eu acredito que foram tão sutís na entrega da delicadeza, que fatalmente eu não pude escutá-los, diga-lhes, que da próxima vez façam tamanho estardalhaço, de maneira que o bairro todo possa ouvir o chegar da delicadeza. Sabe o que é moça? Já estamos tão acostumados com a entrega de ódio, falta de educação e desprezo, cujas chegadas são retumbantes e sonoramente avassaladoras, que não podemos encarar o fato de uma delicadeza sutil nos tempos de hoje. Pro nosso mundo, delicadeza tem que vir com melancia no pescoço e muito barulho na chegada!

Muito obrigada moça, espero que tenha um bom dia, uma boa vida, e um bom amor. Não esqueça, por gentileza, da minha delicadeza.

Monday, August 23, 2010

Joana

Joana precisava de ar. Parou diante da porta de seu apartamento e pensou:
- Mas pra que raio de lugar eu vou? Qualquer um onde não haja ninguém!
(...)
Minutos se passaram e seu pensamento não alcançou lugar algum. Voltou subiu passo a passo os degraus do retrocesso. Havia algo de muito errado no seu batimento cardíaco, que a diferenciava do resto do mundo. Qualquer coisa fora de compasso que a marcava como anomalia nada divina.
Cansou, já não tinha mais idade para correr escadas acima assim tão fácil. Sentou-se no sofá. Pariu uma espécie de exclamação. Julgou ser todos os filhos que lhe esperavam a avó, a mãe, as tias avós, a família toda. Julgou ser todas as expectativas que lhe entubavam cérebro abaixo, forçando seus neurônios, forçando sua alma. Pariu tudo de uma só vez, e nem sujou o tapete.
Ela queria encontrar o bilhete único, sem volta, pra dentro dela mesma, e lá morar sem se preocupar com o aluguel. Sentia-se inquilina do próprio corpo, e sua conta bancária ia secando que nem o solo da caatinga. As rachaduras nos seus olhos, demarcavam seu espaço de visão, que não abrangia o mundo todo que pintavam pra ela. Na verdade, bastava uma grama bem verde, um livro bem profundo e hilário, e uma sombra silenciosa, para que ela se aquietasse. O resto era dos outros, mas como eles não tinham mãos suficientes para agarrar tudo, lhe despejavam missões bizarras, as quais ela deveria cumprir, cada uma até certa idade.
Os prazos de validade a irritavam profundamente. Desde o do leite até o da morte. A pessoa não podia nem morrer direito, tinha que se preocupar que sua morte duraria até sua próxima vida. E nessa próxima vida, ela tinha que fazer escolhas, através das quais ela evoluiria, e assim, até alcançar o direito de não viver mais. Ora essa, viver não era uma dádiva? Pois então porque raios ela deveria se preocupar em evoluir para não precisar mais viver neste plano que aqui se encontrava? E tinha mais, quando é que a pessoa tinha direito a descansar? Sim, porque mesmo morto, tinha tarefas de ascensão do espírito, e vivo então...
A verdade é que Joana estava achando tudo uma grande palhaçada. Se pudesse mandava o mundo todo pra dentro de um palavrão bem horroroso. Mas não podia, e ela nem sabia porque. Nessa hora só pensava no silêncio. E só pensava em ter espaço para ser ela, dessa forma estranha que ela era. Talvez ela não chegasse a lugar nenhum, talvez não tivesse coragem, talvez não tivesse filhos, nem encontrasse um homem bom. Possivelmente ela fizesse a escolha de se dedicar incansavelmente as palavras, deixando sim, o amor de lado. Talvez se ela se apaixonasse, não fosse por uma pessoa bonita. Possivelmente ela, Joana, não seria muito simpática, nem percorreria o glamour. Sinceramente, queria ter direito ao simples desejo de ser ela mesma, ainda que sua cara estivesse feia e isso não fosse de bom tom.
Era do bom tom que Joana queria se livrar. Aliás, de qualquer tom. Na maioria das vezes, ela não empregava intenção alguma no que quer que fosse, apenas deveria estar correspondendo ao mundo que lhe exigia tudo ao apertar de um botão. Mas Joana não era uma máquina, e estava verdadeiramente cansada!!!

Friday, August 20, 2010

a máquina a obra e a palavra perdida

Era uma obra dessas de muitos ruídos e homens falando. Era tudo muito concreto, definitivamente. Sentia saudades da imponderância, do inacabado, das palavras sem sentido que destilava na madrugada, na vã tentativa de entender a vida e as pessoas. Qualquer coisa que vinha daquelas betoneiras e maquinários exdrúxulos lhe fazia perder o sentido de emoção. Era como se ter perdido as palavras certas da vez anterior, por culpa de uma máquina inútil, lhe fizesse se revoltar contra todas as máquinas do mundo. Qualquer ruído que não viesse de matéria humana lhe parecia desnecessário. Uma máquina havia engolido suas palavras. Sem aviso prévio, pelo menos que ela tivesse entendido. Ela, de forma nada polida, rebelou-se contra a máquina e insistiu em formatar as mesmas palavras novamente. Mas suas palavras não tinham forma, e o que surgiu foi um texto novo, levando para um caminho muito distante daquele construído com as palavras que a esfomeada máquina comeu. Mas se fome tinha a máquina débil, mais fome ainda tinha ela. Fome capaz de aniquilar a pobre máquina, com uma sucessiva fabricação de palavras assassinas, capazes de fundir o sistema operacional de qualquer obra prima dos fios e conexões. Ela estava sentada em frente a sua vilã, com mãos em punho, e obstinação capazes de persuadí-la toda. Ela estava pronta para criar eternamente, quantas vezes fossem necessárias. Mas a inutilidade de tudo aquilo lhe ocorreu, quando lembrou-se vagamente da sensação que lhe havia tomado, quando terminara de ler seu primeiro texto, e deu-se conta de que jamais a reencontraria, já que a terrível caixa de metal, havia lhe levado embora toda sua dignidade. Uma vez palavra, jamais será repetida palavra. Impossível desenhar novamente algo tão pueril, tão passageiro de sí mesma. Nem ela sabia de onde vinham suas palavras, tanto que jamais recuperaria aquelas que perdeu. Só não sabia pra que serviriam as mesmas para aquela máquina acéfala. Talvez calssem a boca daqueles homens dados à praticidde, numa futura revolução, onde a subjetividade ficasse a cargo das máquinas e não dos homens. Mas no fim é só uma obra e um texto perdido que virou outra coisa nova enfim...

reza

Que não lhe impusessem nenhuma herança, nenhum carma, nehuma missão, nenhum gene, nenhuma espécie de prisão qualquer que fosse. Por conta dela, ficaria o processo de leveza e desocupação das culpas. Que a deixassem a cargo do seu otimismo, do seu idealismo e do seu prazer pelas mudanças. Que entendessem que frequências mudam, vasos saem do lugar e as cores se misturam. Que aceitassem suas mudanças e suas transitoriedades. Que tivessem paciência, na espera. Que não desenhassem suas expectativas em cores tão vivas e traços tão fortes, já que expectativas são projetadas em solo transmutável, e servem muito mais aos desígnios da borracha e do lápis. Seu caminho era desenhado no terreno do glamour e da desorientação. Sua pernas iam cedendo aos infortúnios e aos lírios. De alguma forma, sua casa era dentro dela mesma. As aglomerações debatiam-se diante de sua porta, mas muitas vezes ela não atendia. Que lhe expusessem seu silêncio mais solene, e nos olhos esperançosos mantivessem a calma. Sua matéria era toda feita de uma macilenta geléia fluida. Uma geléia verde e transparente, que pendia para um emaranhado de lados distintos. Que lhe pudessem emanar generosidade, e que ela mesma, pudesse dar a sí doses da mesma, já que sabia sair de sí as grossas correntes da super exigência.

Tuesday, August 17, 2010

idealista

Tem quem não se comprometa com o estrago de viver a vida. Tem quem não se dedique a delicadeza brutal de educar uma criança. Há os que fogem das responsabilidade de uma amizade e os que se defendem da tranquilidade de um verdadeiro amor. Existem os que fogem da política, justo ela que está contida em todos os atos de um ser humano. E os que fogem do seu lugar no mundo, pra pertencer a bolha do egoísmo. Esses que escolhem a mediocridade em detrimento de uma vida vivida até a última gota, diriam ser realistas, já os outros todos, que são a minoria do planeta, são os idealistas. Ainda bem que ainda existem idealistas que agem diante da realidade. E seguimos com vontade de acordar essa juventude morta que paira em nosso tempo.

Wednesday, August 11, 2010

novo

Andaria mais descalça, retomaria suas pedaladas e interações com a natureza. Apreciaria mais vezes a sua companhia, o seu silêncio, seus rituais, as suas rezas e velas pra deus nenhum. Juraria ver mais filmes, ler mais livros, descobrir mais músicas, fazer mais cursos. Fotografaria o mundo, muitas vezes mais. Compraria mais esmaltes, levantaria suas paredes, buscaria a casa nova, engendraria as viagens fantásticas que desejava. Compraria menos. Sonharia mais. Realizaria tudo. Agiria. Batalharia mais por sí, sem esquecer o outro. Amaria mais. Se entregaria um tanto. Abraçaria e beijaria gratuitamente. Andaria na paria, entraria no mar e olharia pra lua. Saiu destinada a ser mais intensa e fiel a sí mesma, e sabia que assim estava abrindo as portas de um longo e lindo novo período em sua vida. Tudo estava começando a brotar da terra, terra que ela arava há anos!

Monday, August 09, 2010

cautela

Com o passar do tempo, tudo vem ganhando doses de cautela. Há um pingo de pensamento e ponderação em quase tudo o que se faz e diz. Aquilo que não leva essa pitada, fica a cargo dos impulsos, e é secretamente necessário e indispensável à nossa sobrevivência. O resto todo torna-se uma pisada leve em chão de madeira velha. Sobretudo a escrita. As palavras escritas sobre uma folha de papel, vão ganhando cada vez mais essência e necessidade. Não há como escrever por escrever. Tudo é urgentemente necessário, caso contrário vira pensamento vago, a cargo do esquecimento nos próximos segundos. Por isso reduz-se o número de páginas, mas possivelmente toca-se mais!

Wednesday, August 04, 2010

primeira vez

Pela primeira vez encontrou o amor, e pela primeira vez não se perdeu!

Tuesday, July 27, 2010

a matéria

Seria uma indelicadeza exigir que as pessoas lhe entendessem, ou mesmo que tivessem o mesmo sobressalto diante de uma demonstração de vida. Ela era de uma matéria nada comum, e tinha uma loucura lúcida dentro de sí. Nada fazia sentido.

Tuesday, July 20, 2010

indizível

O que sabia ela do futuro? O que sabia ela sobre o passo adiante que lhe entregaria o amor?O que poderia saber do indizível? Entre letras e melodias, tentava decifrar qual embalava a sua voz. Tivera um pequeno sobressalto pela manhã. Descobrira, neste, que amava. Quem? Onde? Porquê? Ela sempre quisera decifrar o indizível. Ouvir a voz do indecifrável. Ela sempre. Mas havia suspirado fundo aquela manhã, e como num rompante, resgatou toda uma espécie de vida interior. Pescou a sí mesma num suspiro, e o sol bateu em sua janela.

Monday, July 12, 2010

lambuza

Tem um pouco de sol invadindo meu espaço. Não gosto nem desgosto, como muita coisa na vida, que não fede nem cheira. Deixa pra lá. O melhor é aquilo que lambuza, não cabe na boca, exagera o batimento, enfraquece a perna, bombeia o sangue mais rápido. Seja pro bem ou pro mal. O que importa é aquilo que perde a medida, e faz com que nos sintamos vivos de fato. Que nem esse sentimento todo que me invade toda vez que acordo e tenho a presença de quem me importa ao lado!

Thursday, July 08, 2010

segunda

Um suspiro ralentado
Um sussurro gritado
Um fragmento de vida
Uma lástima

Precisou de mais que cinco minutos para levantar e encarar o mundo. Precisou de mais que cinco anos pra encarar a mudança, e enfrentar a vida. Precisou de mais que 50 anos pra se encontrar. Precisou de uma segunda vida pra viver de fato.

Wednesday, June 30, 2010

Espinha

O som percorreu a espinha
Dobrou a avenida central do seu coração
Pediu passagem na passarela de samba da sua cabeça

Deixou um recadinho na geladeira
Mas as palavras foram ganhando vida
E o que era pra ser só um aviso
Virou uma poesia de domingo
Início de dia
Início de vida

Ela nasceu pro mundo hoje
Ela gritou bem alto
Achou melhor que chorar
Ela vestiu sua blusa de flores
E saiu de mãos dadas

Os amores todos
Aquela canção lhe fez ousar no verbo
Usou o amor
Usou a paixão
Borrou o batom

Tuesday, June 29, 2010

E agora?

Livro lançado, e agora? O fato é que fui invadida por um desejo de que pessoas além do meu círculo tenham acesso a ele, possam ler as palavras que pintei ali, possam voar com as borboletas...
Então, o próximo passo é cuidar da distribuição do danado, e de deixá-lo em mãos que pensem e sintam, e olhem para o bichinho com seriedade. Quero opiniões, quero críticas, quero tudo o que vier. Quero continuar escrevendo. Quero novos livros. Quero entrar de vez nesse mundo!

Pra quem tiver interesse em adquirir um exemplar, chega ali na Editora Multifoco - por enquanto único local a disponibilizar o livro, bemmm por enquanto - ou pelo site da mesma: http://www.editoramultifoco.com.br/

E soltem seus comentários por aqui, eu quero saber o que as borboletas provocam!

Beijos!

Thursday, June 24, 2010

Um bater de asas!


Nasceu! E pedindo a licença, vou me autocitar: "Pensou em escrever, mas não lhe sobravam palavras".

Monday, June 21, 2010

O tédio.

Tédio tédio tédio tédio, jogou pro lado do prédio todo seu. No canteiro passava uma moça e o tédio caiu em cima da cabeça dela. Ela que ficou com o tédio esmagado no meio da testa. Entediada voltou pra casa. Não encontrou nada ali que lhe fizesse descolar aquele tédio macilento e violento que grudava nela feito sanguessuga. O tédio do prédio da menina do canteiro. Ela que não via amor, não via diversão, não via cor. A casa toda cinzentada. Cimentada. Afogada de tédio. Ela toda ela. O tédio. Ele todo ele. O tédio que vestia o mesmo terno cinza todo santo dia, de segunda a segunda. Ela que andava de mãos dadas com o tédio. Desistiu de mandá-lo embora. De voz rouca. Ela, não o tédio. O tédio não tinha voz, nem fazia sinais, não mandava mensagens. Mas pulava de prédios e se alojava no meio da testa da menina. A menina que apenas caminhava. O prédio. O tédio. A menina.

Saturday, June 19, 2010

.Ele. Ela.

O tempo, para eles, não estava sendo nem terno, nem leve, nem belo, nem simples. Se a cumplicidade aumentava em certos pontos, noutros abismos de imcompreensão, vinham com o tempo. Ela olhava para ele e tentava encontrar o garoto pelo qual se apaixonou, justo o garoto que agora ela olhava e não encontrava, e só encontrava o garoto, mas não o que ela se apaixonou. Ele, como que numa cápsula estranha, protegido, num sorriso que não lhe pertencia, num discurso que torturava e feria, ele, distante dela léguas e léguas, ele num tempo que não era o deles. Ela que a cada cinco minutos tomava decisão e "destomava", ela que pensava em partir, mas chorava, ela que amava, amava e amava, e pensava que era justo isso que estragava. Ele preso, imóvel, vendo as coisas corriqueiras do seu dia a dia, colocando o lixo pra rua, ajeitando a sala pra receber os amigos, respondendo e-mails. Ela recebendo cantadas, flertes perdidos, promessas que ela jogava todas fora. Ele num ritmo de um tempo que ela não conseguia acompanhar. Ela num ritmo de tempo que ele não alcançava. Ela. Ele. Dois. Já foram um dia, hoje eram um e um. Ele e Ela, que não eram eles. Ele e Ela, perdidos no meio de um monte de insignificâncias, no meio de um monte de besteiras. Ela amando, ele também, mas ambos presos, cada qual ao seu paradigma. Presos, atados. Ela sentia que ia, ele ia, ela ia. Ele sabia que as direções eram opostas? Ele achava que ela não o via, não o reconhecia, não media seus esforços. Ela achava o mesmo, só que ao contrário. Eles não se entendiam. Embora houvesse imenso amor!

Thursday, June 17, 2010

tem sido solitário

Tem sido solitário. Bizarro né? Ainda bem que nunca acreditei que fosse exatamente o contrário. Parece que justo por não estar mais só, naquilo que se convencionou chamar solidão, é que se encontra a própria, em qualquer esquina da vida. É furtivo. É bizarro. Eu sabia estar mais só antigamente. Estou desaprendendo? Por isso acho que tanto relutei por andar com as mãos tão próximas as de alguém...
Tem sido solitário ultimamente...

Wednesday, June 16, 2010

Saiu sobre o livro

Atriz e dramaturga lança livro inspirado em blog

Rio - Seguindo a tendência dos novos autores, a atriz e dramaturga Marina Monteiro lança livro inspirado em blog na Editora Multifoco, no dia 23 de junho, às 19h. A obra “Comendo Borboletas Azuis” é fruto da seleção de 45 posts, do diário online homônimo, sobre poesias e pensamentos soltos.

Com alguns textos longos, contrariando a linguagem curta da internet, e outros compactos, como frases soltas voando na tela, a obra traz uma escrita com diferentes ritmos, desencadeando no leitor uma miscelânea de sensações através de uma dinâmica híbrida.

Comendo Borboletas Azuis” surgiu em 2006 em formato de blog, com a intenção de ser um espaço para a liberdade do pensamento que se transforma em poesia. Segundo a autora, “segui uma linha que investe na prosa e no poema que busca som e forma, e nas descrições de personagens e seus sentimentos mais íntimos”.

Tendo como referência de muitos recortes, a leitura de Clarice Lispector, Manoel de Barros, e tantos outros gênios da literatura, o livro “busca a cumplicidade, a investigação do sentido de um momento, um momento escrito, um sentimento capturado como se fosse uma fotografia”, explica Marina.

http://odia.terra.com.br/portal/diversaoetv/html/2010/6/atriz_e_dramaturga_lanca_livro_inspirado_em_blog_89045.html


o par errado

Seu eu dissesse, "jamais tire o par errado pra dançar", eu estaria tentando privar alguém, da deliciosa arte de correr riscos nesta vida. Como sou adepta dos riscos, e das janelas abertas pra sorte entrar, não vou dizer isto, mas posso fazer algo tipo: O ministério da saúde adverte; pode né?
Respondi a mim mesma que sim. Então lá vai: muito cuidado ao tirar o par errado pra dançar, ele pode passar uma vida inteira pisando no seu pé, mesmo quando você já não o segura mais nos braços.
Existem pessoas com a real capacidade de se infiltrar na vida alheia de forma que jamais pensam em sair. Eis o perigo, porque mesmo quando parece que sairam, ainda continuam infernizando.
Pros distraídos de plantão - como eu em muitos casos - muito cuidado, tirar o par errado pra dançar pode ser fatal, mesmo quando você já está dançando noutros braços, e pior ainda, mesmo quando ele já baila em outros corredores, ainda assim, perigo eterno.
Se puderem evitar, caso contrário se joga aí na dança, e depois comprem uma vassoura pra mandar o safadinho pra bem longe de vocês toda vez que ele encher o saco!

ps: não me vá ler isso aqui achando que você está fazendo sucesso hein, o fato é que você já expirou em todos os sentidos e não se deu conta! mercadoria fora da data na prateleira do supermercado. vaza mané!

Wednesday, June 09, 2010

A vida ainda é um filme!

Há exatos dois anos atrás [acredite dia 09 de junho de 2008] eu estava vendo Sexy and the city - O filme 1. A diferença é que a cidade era outra, a companhia outra, e o roteiro diferente. Ok, não vou entrar aqui em méritos qualitativos da película, foda-se isso. Sempre prefiro a série aos filmes, mas tenho o primeiro gravado aqui, e esse segundo me tocou em muitos momentos.
O fato, é que as quatro amigas sempre pintam na minha memória lembranças de lugares, momentos e pessoas que me são muy queridas. Há dois anos atrás, eu estava prestes a ir pra minha própria festa de despedida, preparando-me para um vôo maior. Tantas dúvidas, tantas certezas, tantos medos...
Aquele filme me tirou até lágrimas, já que eu estava partindo, para um lugar inteiramente novo, e os meus ficando para trás. Havia uma doce companhia ao meu lado, amigo desses pra todas as horas, que possivelmente deve ter odiado o filme, mas que me ama muito.
Hoje eu já estou aqui linda e bela, com novos queridos conquistados, e cheia de experiências maravilhosas, e se não chorei - porque o momento não é tão frágil - fiquei tocada. Na hora percorreram minha mente os rostos mais amados que se possa imaginar, as piadas, as conversas, as histórias, a rede toda que construímos através de muitos sentimentos compartilhados. Senti uma mistura de saudade com orgulho. É bom ter de quem sentir saudade e se orgulhar na mesma medida.
O filme não é cult nem nada, pelo amor de Deus, e nem precisa. Hoje eu precisava de algo bem leve, e diria familiar, pra fazer com que eu me reecontrasse comigo mesma. A Marina, aquela que eu gosto e admiro, andava meio sumida, mas veio com tudo hoje, e sem medo. E quer saber? Pescar profundidade naquilo que é pura profundidade é fácil, e confesso, tem me cansado. Agora pescar profundidade naquilo que é tido como raso pelos intelectos de plantão, é bem mais desafiador e surpreendente. Ufa!
Saí do cinema pensando, pensando e sentindo. Pensando em mim, e em tudo o que fiz até agora, mas sobretudo naquilo que venho me tornando. Senti orgulho e saudade de novo. Pensei nos meus, e nos novos meus. Agora qualquer lugar terá gosto de saudade e orgulho. Pensei no quanto é ruim se prender ao passado de forma que impeça o futuro. No quanto é ruim se podar por preconceito. Pensei no quão bom é ter pessoas ao seu lado, que mais que te aceitem, te compreendam, com todos os seus defeitos e qualidades. Pensei nas jujubas que eu não tenho. Pensei no amor. Pensei na minha melhor amiga, e na saudade que eu sinto dela. Pensei nas pessoas que me conhecem só de olhar. Pensei em quem consegue me deixar errar, sem ser pra me atirar uma pedra depois. Pensei em que já me perdoou. Pensei nos amores que já viví. Pensei na minha porção má [de vilã mesmo].
Pensei no quanto é bom se sentir em casa, estando dentro da gente mesmo.

Dessa vez eu voltei pra casa, como nos velhos tempos, com trilha sonora e ângulo de trailler!
A vida ainda é um filme, que delícia!

Tuesday, June 08, 2010

Lá o desejo
Lá nossa casa
Lá...

Tão lá, que eu não consigo alcançar!

Monday, June 07, 2010

dois lados do dado!

O bom de estar longe é poder trocar emails, telefonemas e conversas para descrever a vida.

O ruim de estar longe é que as cartas estão em desuso, e mandar emails, fazer telefonemas e conversar com o intuito de descrever a vida me cansa.

O bom do cabelo curto é que ele revela um eu que nem você conhecia, moderniza tudo, deixa um tom de praticidade no ar, enfatiza o rosto e revigora o espelho.

O ruim do cabelo curto, é que o frio bate no pescoço e gela a espinha, requer um cuidado a mais com a vaidade, porque por menos você passa por molecona, e ao acordar pode provocar sustos irreversíveis.

O bom do inverno é que une mais as pernas, aquece mais a alma, e traz os amantes pra perto.

O ruim do inverno é que sempre tem muito cinza e muita chuva, dá preguiça pela manhã, veste-se mais roupa do que se quer e cansa quando chega na metade.

O bom do dia de hoje foi ficar de preguiça na cama.

O ruim do dia de hoje foi sair da preguiça da cama.

Sunday, June 06, 2010

cansaço

O cansaço às vezes mascara a alegria e até a realização. Anda faltando tempo para curtir as vitórias!

Wednesday, June 02, 2010

23:00 e os minutos...

Pois é. Que horas são? Umas 23:00 por aí. Que diferença faz os minutos? Nenhuma se quer saber. Nenhuma mesmo. Pode arredondar. Pode arredondar bem cheio, aproveita que é ano de Copa, e arredonda tudo logo de uma vez, pra não decair a decoração. 23:00 e por aí se vão os minutos, e eu aqui, constatando de novo, que ou eu pego mesmo o leme e seguro firme, ou a coisa desanda. Talvez tenha vindo acompanhada de uma carta de nascência, ou algo parecido, onde ficava esclarecido o fato, ou carma, como quiserem, de que eu sempre tenho que estar sozinha quando a maioria implora por estar em companhia de alguém. Fato - ou carma! E não sei porquê, mas ultimamente a vida tem me lembrado disso frequentemente, talvez, justamente, pelo fato de não estar mais sozinha, convencionalmente falando, e ficar à mercê da armadilha da falsa não solidão. Eu que sempre achei muito divertido estar comigo mesma, agora me pego cometendo essas gafes, vai entender...
Tudo certo, eu já to sacando que é isso aí, como encarar um mergulho em águas geladas da Noruéga. Faz lembrar que a gente tem corpo. Nesse caso, faz lembrar que eu sou uma só. E isso não é uma constatação triste, pelo menos nunca foi. Sempre me virei muito bem sozinha, não sei porque raios o espanto agora.
É véspera de feriado, amanhã eu tenho um dia cheio - embora seja feriado - e supostamente, eu adoraria que a noite de ontem tivesse sido hoje, ou pudesse ter se repetido hoje, infinitas vezes , talvez... Por outro lado, é bom esse mergulho nas águas gélidas da Noruéga, pra fazer lembrar que existem outros universos dos quais, possivelmente, esteja me afastando. Ok, não sei bem ao certo. Só sei que hoje, deveria ter sido ontem, para que eu pudesse ter a companhia no vinho, no ouvido, no abraço... Porque hoje era aquele dia, ou melhor, aquela noite, de não semear o vazio na cama, nem no olhar...
Fiquemos por aqui, senão eu me estendo demais!

Lançamento!


O vôo agora tem data! Dia 23 de Junho, as borboletas batem asas!

Queria desde já, deixar aqui um sincero agradecimento aos amigos que sempre incentivaram a minha escrita, aos professores do colégio, desde o início, até os da faculdade, que sempre souberam ver que nas minhas palavras havia um caminho. A minha mãe que sempre me comprou livros e gibis, e incentivou minhas palavras. Agradecer ao amigo Baião que foi quem me indicou a Editora Multifoco aqui no Rio, e a todas as pessoas que fazem parte da minha vida, e ajudaram a preencher este espaço virtual!

Espero quem puder estar presente no dia 23 de Junho de 2010.


Monday, May 31, 2010

pé na estrada

Botar o pé na estrada, em breve. Sem celular, se possível, sem e-mail, se mais possível ainda. Sem horário, sem compromisso, a não ser o para com a curiosidade. Botar o pé na estrada, e retomar meu fluxo de vida, aquele fluxo que causa uma espécie de pertencimento, sem o qual, não pertenço nem a mim mesma.

Saturday, May 29, 2010

saudade

Li o post da Lú: http://umaatriz.blogspot.com/2010/05/re-leitura.html

e senti saudades...de pessoas que amo e estão longe....longe por conta da quantidade de terra e mar que separa a gente...pelo tempo de chegada e partida....pela correria....pelo dia a dia que nos engole às vezes...

mas o amor só aumenta, e é isso que importa!

aiai...

Thursday, May 27, 2010

turbilhão

Essas fases malucas da vida. Meu mundo por uma sombra, um bom livro, e minutos de silêncio e paz interior. Tá difícil. Sem reclamações, já que o momento é de muito trabalho, mas que dá uma nostalgia de tardes no parque ou na praia, de manhãs de ócio criativo, de dias em que a inspiração corria solta e eu escrevia muito nisso aqui. Aiai... É um turbilhão de coisas acontecendo, e dessa vez, elas não estão dando aquelas pausinhas rápidas a que eram acostumadas. Não, estão vindo em série as danadas.
Não bastasse isso, a gente crescer, e aprende que vai somando problemas. No início vem o susto, com a quantidade de coisas nossas, que a vida nova manda resolver, o negócio é que quanto mais você se afasta dos vinte, mais você começa a agregar os problemas de quem está à sua volta: mãe, irmãos, pai, tios, avós, e assim vai...
Já não há tempo para pensar muito em si, pra investir no bem estar, pra dar uma pausa boa no meio da segunda feira, pra escrever sem rumo, como era costumeiro, ainda por cima, a verdade é que se precisaria do dobro de tempo, para além dos próprios problemas, dar conta dos problemas dos outros. Difícil!
Stress pouco é bobagem. Existem os bons planos de largar o mundo cotidiano por alguns dias, mas essa brevidade é lá no ano que vem, porque esse, pelo jeito, vai ter as férias enforcadas, porque finais de semana e feriados ele já nem sabe mais do que se trata.
Vou dizer, espero que os problemas à minha volta, possam ser solucionados como num passe de mágica, se eu puder ajudar melhor ainda, mas confesso, não tenho ouvidos, forças, olhos, mãos, dinheiro, nada o suficiente pra dar conta disso tudo. Mas tenho feito o meu, e me orgulhado disso.
Ah, lembrei, os dois anos de Rio de Janeiro em breve chegam. Eles eram a meta de permanência mínima, caso a cidade não me rendesse nada, talvez partisse pra outro lugar. Pergunta se eu vou partir? Só a passeio mermão - no melhor estilo carioca de ser. Só a passeio mesmo, porque aqui rendeu de tudo, e tá rendendo, e vai render cada vez mais. A distância é sempre obstáculo para algumas coisas, mas eu já aprendi a lidar com ela, e cada dia se torna mais leve.
De resto, no meio dessa loucura boa e cansativa, eu esboço um sorrisso, de quem quis algo, projetou, planejou, teve impulsos, intuiu, foi lá e fez. Ufa, pra mim, não tem coisa melhor que me sentir assim, realizada, e certa de que dei o melhor passo. Dois anos, tudo tão rápido, parece que foi ontem, ao mesmo tempo parece que moro aqui há anos. Loucura total. Muitas coisas vindo aí. Bem que me disseram que esse ano seria assim...como dizer....ah deixa pra lá!

Beijos.

ps: parece que meu livro será lançado dia 23 de junho, mas eu confirmo com mais precisão em breve!

Tuesday, May 18, 2010

ansiedade

A ansiedade muitas vezes tem cara de vergonha. As pessoas agem num ímpeto e depois não sustentam suas atitudes.

Confesso, vergonha alheia me bate nessa hora!

Friday, May 14, 2010

livro!!!!

Eu andava meio sem assunto, embora estejam acontecendo coisas aos turbilhões!!! Talvez por isso mesmo, eu ando tão atarefada, que perdi as palavras no meio do caminho.
Então hoje, por email, recebo a capa e o miolo do livro - fruto desse blog - e senti algo indescritível. Está LINDO! Exatamente como imaginei.
Nunca tive essa ambiação na vida, muito menos com esse blog. Mas são as boas surpresas do caminho, por isso o importante é sempre se colocar em ação, mesmo que no momento presente, a ação pareça quase nada. Enfim... em breve Comendo borboletas azuis será lançado!!!! É parecido com ter um filho - embora nunca tenha tido um - dá um orgulho e uma preocupação.
Ao mesmo tempo, eu já tinha meio que decidido encerrar este blog, após o lançamento do livro. Os meus posts mais queridos, até a data de outubro de 2009 estão lá presentes, os mais queridos que não foram pra lá, ficarão salvos aqui pra sempre, mas acredito que novos posts, em breve, se tornarão raros ou até extintos por aqui.
Faz parte das mudanças que venho fazendo na vida. Sei lá, de repente me pareceu que a vida útil desse blog foi até além do que ele e eu poderiamos imaginar. Gerou um filho que logo, logo nasce. Aniquilou minhas dores, e acalentou meu coração por momentos e momentos. Foi o grande companheiro de dias solitários ou muito histericamente inspiradores. Sobretudo, guarda consigo, momentos que eu quero apenas deixar a cargo daquela lembrança que a cabeça e o coração controlam. Pessoas e fatos, que eu não quero mais ler, não quero mais tocar, não quero mais levar comigo na bagagem da vida escrita. Foram. E foram bem vividos. Mas eu sinto que a hora de dizer adeus às borboletas, está chegando. Cansei um pouco de dar explicações sobre o que posto, cansei das pessoas magoadas tomando as palavras para si, cansei dessas marcas.
Vamos ver se um novo blog surge ou não, mas por enquanto, as borboletas seguem voando, até o dia do grande vôo glamuroso - rsrsrsrs!!!!

Beijos!

Friday, May 07, 2010

dizem por aí...

Eu sou estranha! Nãooooo, isso não é uma crise magalomaníaca, de alguém que se acha no direito de se achar tão diferente do restante, a ponto de se dizer a estranha. Não é isso não - bom avisar né, porque esse povo ultimamente, adora defender teses de como você não deve reduzir nada. Teses à parte, reduções são absolutamente necessárias a sobrevivência humana! Ok, voltarei para o assunto.
Eu tenho chegado a esta conclusão ao longo do anos que já viví, tudo bem, não são cinquenta e poucos, mas já são vinte e sete, e como boa estranha, fujo da maioria, e acho que experiência não se adquire só com tempo não, mas com diversidade de vivências. Mas eu exclamei essa conclusão (!!!) nas últimas duas semanas.
O povo vive por aí, precisando muito namorar, casar, encontrar um grande amor, taí, não tenho essa necessidade. É bom encontrar alguém, mas eu sou do tipo difíicil mesmo, de agradar, de aturar, de entender, e eu até aprendi a ceder com o tempo, mas eu jamais prometo mudanças, porque se tiver que decidir entre a pessoa e eu mesma, é sempre comigo que eu fico no fim!
As pessoas não gostam, em geral, de solidão. Mas eu penso que essas pessoas enxergam na solidão um desespero e um martírio que não me parece justo. Adoro pessoas, amigos, família, mas não abro mão de morar sozinha um tempo pra provar o silêncio de chegar em casa, não largo do pé daquele momento de não precisar dar satisfação alguma, pra pessoa nenhuma, piro caso me tirem a minha horinha diária de silêncio. A minha solidão eu compartilho comigo, e sempre acho que nunca querer estar só, é como aqueles encontros indigestos, onde o silêncio é constrangedor, aquelas relações gastas, onde é preciso arranjar palavras aleatórias para preencher o vazio...
Dizem por aí, que tudo o que eu acredito, sonho e gosto agora, não terão sentido no futuro. Que quando se envelhece, quando se vira mãe, quando isso, ou quando aquilo, nós mudamos, nós nos arrependemos de ter dito, nós queremos aquilo que não queríamos, mas eu rebato com a seguinte pergunta: eu, vivo agora ou amanhã? Pois é, hoje eu sou assim, possivelmente amanhã não serei mais, mas não necessariamente preciso me arrepender, ou desdizer, ou me culpar. Não sei viver sob a perspectiva daquele horizonte que alguém já viu, é como se me privassem de viver, de saborear, mesmo que o gosto seja ruim.
O povo por aí espera pela notícia ruim, pelo desastre, pela doença, pelo fim. O povo se prepara pra isso, o povo teme isso tudo. Eu tenho medo é dessa espera. Aliás, de qualquer espera. Principalmente de quem espera alguma coisa de mim. Não vim ao mundo pra suprir expectativas alheias, acredite, as minhas próprias expectativas já são suficientemente altas.
Ultimamente eu só ando pedindo um pouco de simplicidade do mundo à minha volta. Só isso. Dinheiro vem, vai, beleza cria marca, feiúra não existe, perdas todo mundo sofre, trauma todo mundo tem ou teve, problema se resolve, passado se relembra com gostinho de sorriso, futuro se rabisca com cor de esperança, mas o agora, senão vivido, vira papel em branco solto no meio do livro, sem nada a declarar!

Monday, May 03, 2010

mudanças

Lição do dia: mudanças dão trabalho. Seja mudar o visual, ou os móveis de lugar, ou de casa, ou de cidade, ou de amor....
Mudar dá muito trabalho! Sobretudo porque o mundo a sua volta não está preparado pras suas mudanças...melhor, o mundo está, os seres humanos é que não!

Mas é como eu sempre digo, é preciso mudar muito pra ser sempre o mesmo!

Fora isso, nada a declarar, já que a coisa anda meio bamba pros lados da poesia!

Beijos!

Tuesday, April 27, 2010

Mary e Max

Já viu Mary e Max? Se eu fosse você, ia ver. É lindo, profundo, crítico, denso, e por vezes até rude. Lembra Clarice e lembra Valentin, duas coisas que estão na minha cabeceira!


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Direção de Adam Elliot

Desenvolvido com a técnica do stop-motion e finalizado com a ajuda da computação gráfica, o filme é baseado em fatos reais, sobre a amizade entre uma menina australiana de 8 anos e um novaiorquino de 44.

Ambos são cheios de pensamentos filosóficos sobre a vida, que só diferenciam-se pela diferença etária.

Mary e Max encantam e emocionam do começo ao fim, assim como a bela trilha sonora instrumental. Uma overdose muito bem vinda de originalidade - um drama cômico envolto por diversas camadas, que se mostram aos poucos para o público e impressiona pela densidade do roteiro e pelos rumos inesperados que a história toma.

Uma frase, aparentemente simples, dita pelo médico de Max, Dr Hazelhof, resume o filme: “a vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas, outras (…) têm fendas, cascas de banana e bitucas de cigarro”.

Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=KPULUwu0Wm8

Thursday, April 22, 2010

surpresa

Hoje caia bem uma surpresa. Dessas que faz a gente espantar a preguiça, o mau humor. Dessas que faz a gente ver as pessoas com olhos novos. As coisas quando caem no redemoinho da repetição, perdem a cor. Daí a gente começa a ver cor pra fora da janela, e nada faz mais sentido...

Thursday, April 15, 2010

Faaaaaaaaato!

Certo! Ando me orgulhando de ter pouco a dizer e responder. Aproveito pra praticar meu "esporte"favorito: a arte de observar o mundo em volta. Certo... Em tempos modernos e eleitorais, digamos que essa observação ganha um colorido a mais.
Faaaaaato, as pessoas se ocupam cada vez mais da vida dos outros, o que é auxiliado pela internet, mas também pelo excesso de exposição, que se for parar pra pensar, todos nós nos submetemos. O povo quer saber por onde você anda, com quem você anda e porquê você anda. Coisa chaaaata!
Outro faaaaaaaato, quando alguém quer esconder muito uma coisa, é preciso que faça direito, porque nesse mundo de xeretas de plantão, qualquer pista vira obviedade. Eu to num momento tipo aquele: todo mundo pede pra que eu não saiba das coisas, e no fim eu sei de todas elas, por pura ironia do destino. E vou dizer, que não vejo graça nessa coisa de voyer. Eu fico por aí fingindo que não sei de nada o que se passa, fingindo que aceito certos abraços e eu te amos, fingindo que não sei que aquilo ali está acontecendo, fingindo, fingindo, fingindo... E as pessoas jurando que eu sou assim, a bocó do ano! Que coisa chata viu?! Pior de tudo é ter que burlar quem não sabe mesmo, e isso sem dar com a língua nos dentes. Muito trabalho.
É por essas e outras que eu faço pacto extremo com a discrição, e as pessoas insistem em me chamar de misteriosa. O faaaaaato, é que eu só não to afim de tornar minha vida uma novela, pra neguinho acompanhar. Não sou entretenimento pra vida alheia, que por sinal, deve andar bem sem graça.
Outro faaaato, ninguém fala de política, mas em ano eleitoral todo mundo se sente no direito de opinar, destilar críticas, e "elogios" de fino trato a quem quer que seja o político em questão. Mas sabe uma coisa que eu aprendi? Política não se discute, pelo menos não com qualquer um. Eu por exemplo, não discuto política com meus amigos burgueses, que vêm a vida através das "notas de mil". Não, porque eles, na sua maioria, defendem apenas suas contas bancárias, e ainda por cima, não têm noção nenhuma de política, apenas reproduzem o discurso dos pais. Preguiça! Não sou a maior politizada da face da terra, mas estive a volta de discussões políticas desde pequena. Lá em casa, política sempre foi assunto no almoço, no café, no chimarrão, no encontro familiar. Então eu aprendi que política está em tudo, em todos os momentos, desde nossos menores aos nossos maiores atos, e não só no ano eleitoral. E que política não é só coisa de político, mas que passa pela gente mesmo. Por isso que esse povo que sai do armário só em ano de eleição me irrita muito, porque cheira ou a mofo ou à naftalina.
Faaaaaaaaaaato, to me cansando de gente metida e superficial. To me cansando de gente que fala mal de um quando está com você e quando está com o um fala mal de você. To me cansando da falta de sinceridade. To me cansando de "amigo" que está sempre julgando a vida do outro "amigo".
Faaaaaaaaato!

Sunday, April 11, 2010

eu moro na saudade

Eu moro na saudade. Contorno as linhas do tempo, buscando uma curva que me pause na chegada e na partida. Eu busco o que deixei pra trás, em cada coisa nova que surge. O futuro acaba sendo uma pescaria do passado. O presente. O tempo é minha casa. Eu moro no segundo, no minuto, na eternidade do infinito. Eu moro naquela linha que o amor não cessa. Eu moro na falta. Ausência e presença. Saídas. Eu moro onde todo mundo pode me encontrar. As lembranças são minhas portas. Através delas, encontro aquilo que me faz seguir andando nas horas, de maneira que eu persigo a mim mesma, para presentear quem eu amo!

Tuesday, April 06, 2010

escondo tudo

escondo tudo na ilusão
de alongar o tempo
do sorriso que se faz nascer
escondo tudo pra não deixar ninguém ver

tá escuro e a mão cobre o rosto
não deixo frases que esclareçam nada
escondo no vão da porta a sensação
finjo que sou triste, assim não se leva nada

o olhar faz de conta que não vê
e as palavras não serão reveladas
até ponto de esquecer, que a alma pode ser roubada

escondo tudo que é pra ninguém ver
o quanto existe de luz nesta sala
nesta casa, em mim, em nada...
escondo...

Saturday, April 03, 2010

de que adianta

de que adianta o amor, se as pessoas têm expectativas demais?

eternidades concretas

de que adiantam: desejos, intenções, pedidos, promessas, sentimentos, confianças, alegrias, olhares, pactos, amizades, passado, abraços, verdades, beijos, conversas, pedidos....

se as pessoas só querem: eternidades concretas....

pois é.


vamos escrever um texto novo, e a pesquisa já começa na vida.

Thursday, April 01, 2010

Wednesday, March 31, 2010

abrevidadedaborboleta

a borboleta é breve?

e sobre sua brevidade, você dicertaria? defenderia teses? engendraria um mundo novo?
se é breve, é breve. é como se não houvesse jeito de não ser. é breve e pronto. o que é breve passa. e passou. mas significa tudo a sua volta. porque brevidade é ser, e não não ser. brevidade é como tudo o que dá e não passa. é só breve, mas continua sendo grave. é breve. que não é fugaz. é só breve.

a borboleta é breve?

Tuesday, March 30, 2010

post roubado, post criado

"turnê

a doblo fica pequena de tanta tralha. a estrada é ruim, mas o caminho é bonito. há a alegria do reencontro. há a preguiça de outro encontro. nem tudo é perfeito.
a tesoura quebra. o baú desmonta. o boneco cyber quebra a cabeça. a porta do carro quebra. tá tudo se quebrando? o pneu fura. não adianta encher de novo. não era essa rua, era a outra. vai reto. reto pra onde? cadê minha água? faz meu cabelo? tô com dor de barriga, fudeu!!! tem certeza moça que não tem apresentação marcada nessa escola? entrevista as 6 da manhã. que comida é essa? amiga. esse suco tem gosto de jarra. as crianças invadiram o cenário. o ventilador tá fazendo muito barulho, não consigo dormir. escorrega no tapete, machuquei minha coxa. poxa. mensagens, ligações. água de 5 litros é pouco. pode ser torto. não suporto mais. passa um saco de peso pra eu fazer de travesseiro? sorrisos. o bilboquê. o broto. tartaruga. o porta coisas. lixo de mesa. tesoura. boi. papelão. gordinho não chora que eu te dou outra garrafa. a toalha arranha. não quero sair pra jantar. doritos ou cheetos. medo. lixo na lixeira. nota fiscal. cartão clonado. marca de batom e pão mofado no café da manhã. pai? dor. amor. saudade. olhos brilhantes. pedaço de gente no lixo orgânico. semente de jibóia. certezas. desvio. desvio. desvio. velha benzedeira.
trechos de três semanas. tanta coisa. umas previsíveis, outras inacreditáveis."

Por Raquel Stüpp - http://sobreborboletaseestrelas.blogspot.com/2010/03/turne.html

Agora vamos a minha sensação interna:

retorno. retorno. retorno. tem cidade que lembra a gente, e é toda baseada no retorno. a gente retorna o tempo todo, mas não igual. muda a técnica, muda o estímulo, mudam os namorados, mudam as histórias, mudam as paciências. desvio. desvio. desvio. é a gente também desvia. das brigas. dos casos sérios. dos sacos cheios. da impaciência. da vontade de sair correndo. eu tento desviar das crianças chatas. os mais atentados me adoram. eu faço campeonato com eles. as crianças gordas são ou muito quietas, ou muito falantes. ou acabam chorando, ou acabam num canto com cara de paisagem. teve uma criança gorda que eu quase traumatizei, me chamou de feia e sem graça, quase mandei um: se olha no espelho, seu gordo. mas eu pensei no futuro dela, e mudei uma vida em cinco segundos. ufa! tem piolho. e a gente coloca a mão neles. tem hotel bom e bizarro. não aceitam cheques viu? tem mau humor matinal de ambas as pessoas que dividem o quarto. tem manhã que é só de lá, ou só de cá. e tem manhã que não tem mau humor. tem bafão. tem conversa séria. tem fofoca. tem conclusão. tem texto sendo criado em compulsão. tem segredo. tem pacto. tem previsão de futuro. aham. tem gente enlouquecendo e amando. tem suor. tem dedo furado. tem giz. giz. giz. de cera e de quadro. tem gente pisando no cocô. garrafa com cheiro ruim. escola com gente maluca. olhar arregalado. café. pão. roubou o suco da criança. nota fiscal. dinheiro. estrada. chuvinha. comida. não quero comer aqui. quero comer uma coisa que não tem aqui. tem refeitório e auditório. tem 30 crianças e tem 300. tem braços abertos e cerrados. tem dor de cabeça, cólica, espirro. conversa sobre doença e remédio. eu nunca tive vermes. como é que tu sabe? ha ha ha. tem risada também. tem batom no copo do restaurante e da xícara do hotel. a cidade do batom no copo. tem Tribalistas. tem medo. tem receio. tem tédio. tem saudade. tem gente que se doa em cena, e gente que não tá nem aí. tem que falar do patrocinador. tem o baner. crianças não pisem no tapete. não dá pra fazer duas apresentações. nossa hoje foram quatro. essa escola não merece nada. nojo. cheiro de xixi. não tem papel nesse banheiro. tem amizade, tem coleguismo e tem profissionalismo. tem boi. tem apoio. tem alegria. tem público. tem sim senhor!!! e ainda tem mais. e porque eu penso que o pior ainda está por vir? aham, as piores escolas. ha ha ha!

então deixa eu aproveitar a folga!


Monday, March 29, 2010

lar doce lar - me espere por favor

São exatos 15 dias que me separam do meu "lar doce lar" e tudo o que isso implica. Sim eu sou do tipo viajada mas que necessita de um lugar pra chamar de seu. Mas eu também sou difícil para cidades, como boa Portoalegrense, não é qualquer lugar que combina com a minha essência interior. Por isso, quando eu encontro algum lugar que me causa sensação de lar, é grave, é gravíssimo.
Eu sinto saudades de tudo. Do cheiro, do clima, das cores que prevalecem nas ruas, da rotina, da velocidade, da dinâmica. É tudo diferente de um lugar pro outro. Tem uns que combinam com a gente, outros não, por melhores que sejam, e por mais lindos.
O negócio é que 15 dias são intermináveis pra quem está longe da sua cama há um mês. Pra quem não abre a porta da sua casa há tanto tempo. Pra quem não segue sua vidinha metropolitana. Cria uma espécie de rombo na história, no tempo e no espaço. Tem tanta coisa acontecendo lá, e eu não estou presente. Tem tanta coisa acontecendo aqui - leia-se dentro de mim - e ninguém vai entender quase nada. Os meus planos, os meus sonhos, a minha vida, reina por lá. Dá um desvio de frequência, e fica difícil ser presente aqui o tempo todo, porque eu gostaria de ter dois corpos - só nesses momentos.
Saudade do chopp de fim de dia, das pernadas pelo Saara, do metrô, dos "passeios" de ônibus com cenário cartão postal. Saudades do que eu deixei por acontecer, do meu trabalho in loco, dos amigos, da casa, do teto, da cama, das minhas roupas, de ter a sensação de chegar em casa, de relaxar, de ter o que fazer no final de semana, de combinar, de extrapolar, de perder a linha, e resolver tudo pegando um táxi barato e ao alcance do dedo indicador.
O mais estranho de tudo, é perceber que quanto mais tempo a gente se afasta de um lugar, menos vida a gente tem nele. Restam os amigos mais que queridos, cuja saudades quando matadas se tornam um bálsamo de alegria. Resta a família que reabastece as energias, até o ponto em que começa a virar brigavelmente sustentável - risos! Resta a história. Vira quase um livro antigo, lido mil vezes, que faz bem reler, mas não dá pra colocar mais na cabeceira.
Eu estou com saudades. Eu estou louca pra aplicar minhas reformas. Eu estou louca pra chegar assim diferente por dentro, e ser recebida de braços abertos, nem digo pelas pessoas, porque daí eu tenho mais certeza daqui do que de lá, pelo tipo de relação e pelo tempo estabelecidos, mas eu digo é pela cidade mesmo. Eu sou assim, meu pacto é com o lugar, porque é ele que faz eu me sentir bem em casa. Pode até parecer frio, mas nem é. As pessoas que eu amo estão sempre em mim, e estão sempre em trânsito. Nada garante que elas fiquem sempre no mesmo lugar. Por isso meu pacto é com o lugar, porque por mais que mude, ele está sempre no mesmo LUGAR, e não perde sua principal essência. É por isso que eu não vejo a hora de chegar, e ser abraçada pelo mar, pelo clima quente, pela brisa de outono que hora ou outra há de chegar, pela alegria diurna, pelo climinha de feira constante, pelo trânsito psicodélico, pelos estilos variados e divertidos que transitam na rua, pelo chopp gelado, pelo pé fora de casa, pela minha porta, pela minha cama, pela minha vida!

Como diria uma grande amiga minha, que também se encontra ausente de seu lugar - saudade é mato: cresce desordenadamente!

Thursday, March 25, 2010

caminho

se eu tentasse encontrar palavras pra tudo que eu tenho sentido e pensado, acho, sinceramente, que não haveria letra o suficiente. o texto sairia torto, confuso, sem nexo, disperso no tempo e no espaço. é difícil lidar com tudo o que se passa na vida. e o presente, e o passado, e o futuro. e na verdade o único que me interessa é o presente. e as coisas todas que a gente sente. e a tempestade de dúvidas que cai bem no centro da nossa cabeça. e o medo. e as alegrias. como pode, de um mesmo lado, vir a sensação plena de que se é feliz e também a energia que te impede de evoluir? é estranho, e ao mesmo tempo é uma escolha, é uma questão de fé, de acreditar ou não. e eu definitivamente estou sem saber. serão estas as respostas que eu buscava tanto? será que eu esperava que fossem essas as respostas? será que eu realmente estou me enganando? será que eu estou buscando um caminho só por medo de nunca encontrar o que no fundo no fundo eu quero encontrar? mas isso ilegitima as coisas boas que esse caminho me proporciona? a única coisa certa é que as coisas vêm no momento certo. essas dúvidas e pensamentos, surgidos por uma situação inesperada, chegaram na hora certa. o que eu vou decidir em seguida, pra onde vão meus pensamentos, meus sentimentos, meus passos, ainda não sei. mas estou certa de que já valeu para abrir meus olhos para algumas coisas que eu estava deixando passar...

Wednesday, March 24, 2010

para...

Para as dúvidas tempo

Para o tempo paciência

Para o cansaço rede na varanda

Para a alma

l i b e r d a d e....


fonte de inspiração: Marisa Monte

Tuesday, March 23, 2010

invisibilidades

Tem tempo que a pretensão de saber tudo passou a habitar a gaveta dos guardados. Pó por pó! É certo que as tentativas escassas de ser alguém definitivamente grande, pela perspectiva do olhar do outro, chegou em último lugar na corrida. Grandes coisas vão dando espaço pro universo invisível que habita o mundo, e que é deveras interessante. Das coisas que não podem ser tocadas, nem ditas. Daquilo que a ciência não obteve explicação, nem nunca obterá. As coisas que não tem medida, e inutilizam as fitas métricas. Daquilo que não se pesa. O grão de areia, o pedaço de céu, a estrela cadente. A simplicidade, o prazer de estar vivo, a serenidade. A paz de um espírito satisfeito. As missòes cumpridas. A leveza. Daquilo tudo que senta no bando da praça, percebe a tarde, como um velhinho, ou uma criança, sem pressa de crescer ou de findar. Das pessoas que conhecem o sentido de existir hoje. Daquilo que a gente acha, sente e gosta. De não ligar pra opinião alheia. De não precisar ser grande, para ser inteiro.

Saturday, March 20, 2010

não espere por mim...

é uma agonia amor
essa coisa toda de estar
se pudesse eu seria
mas é pra sempre demais pra mim
eu sou feita de segundos
que eu não sei contar
daqui a pouco eu estou partindo
mesmo ainda pensando em te amar
do lugar de onde estou já fui embora
ja diria o menino Manoel
não espere por mim agora
não espere por mim meu bem...

Sunday, March 14, 2010

não tinha nome

No fundo, bastaria o amor. Aquela metafísica perfeita, onde se larga tudo por alguém. No fundo é quase como um cinema ao ar livre, com pulmões, voz rouca, improvisos diários. Era quase como poder voar. No fundo, só queria o amor, só queria algo que não tinha nome, nem explicação, muito menos razão. Só queria alguém que pegasse na sua mão, fechasse os olhos, e caísse no abismo. Só queria uma palheta com cores quentes e irracionais. Os tons pastéis deixava passar. Nada que fosse meio termo lhe agradava. Nada do que fosse pela metade. No fundo queria amar, e ser amada. Queria encontrar tudo isso que tanta gente encontra. Queria voar com a barriga toda.
Era sempre como se quase chegasse na faixa de largada, mas algo vinha derramando água fria, e aquilo que fervia, ficava morno, o que era pior que frio. Queria encontrar quem por ela gritasse bem alto, deixasse tudo pra lá, esperasse o tempo que fosse. Alguém que deixasse o verão pra mais tarde, abandonasse as velhas regras, a velha vida. Alguém que talvez jamais exista, essa é a verdade. Por isso, talvez, seu caminho seja por suas próprias pernas. Ela busca os desenhos que nenhum desenhista ousou pintar ainda, portanto, fica com a página em branco. Por quanto tempo? Talvez toda uma vida.

A representação do dia de hoje é: (...)

Friday, March 12, 2010

a casinha

Era uma casinha no meio do nada, perto e longe da estrada de pinheiros, céu azul, friozinho e sol aberto. Era uma casinha perto de um laguinho que tinha uma queda d'água. Era isolado, e perpetuado de silêncio. Era longe e perto. Era de um nada e de um tudo, desses que constrói uma paz e um repouso, uma entrega, uma vontade de ser só, andar lado a lado da própria sombra, e além da própria voz, ouvir somente os sons que vêm do infinito. Era uma casinha dessas dada a visitas de bichos inusitados. Era um lugar para ser somente o que se é, de fato. Inspirou uma vontade de ir embora, pra lugar qualquer. Sair correndo do mundo em que se vive. Não pertubar os olhos nem os ouvidos, com toda apoluição de cores e sons. Deixar o excesso de informações pra mais tarde, não precisar de sapato de salto, nem blush, nem bolsa carteira. Não ter telefone fixo, muito menos móvel. Estar off line indeterminadamente. Esquecer a senha do email, do orkut, do facebook... Não resolver qualquer outro problemas, que não seja a fome, o banho, o sono, a reflexão. Olhar um horizonte que não tem limites visiveis. Pisar em solo feito de terra, por onde andam as minhocas. Sair correndo de todos os rostos familiares. Reaprender a enxergar o mundo, com olhos de quem conhece tudo pela primeira vez. Ouvir o próprio nome, como se fosse um novo nome, dito por vozes, pela primeira vez. Não buscar expectativas, nem amor, nem desejos maiores. Apenas existir, e conviver consigo mesmo. Inspirou-lhe uma vontade de viajar rumo ao lugar mais pacato do mundo, de modo que pudesse respirar, e ter a si própria como há muito não vinha tendo.

Thursday, March 11, 2010

a saudade

A saudade tem cheiro de doritos, de pipoca e cerveja. A saudade tem movimento, a saudade tem jeito, gosto, letra e música. A saudade tem jeito de sala com meia luz, uma luminária charmosa de canto e uma vitrolinha retrô. A saudade invade a casa, o quarto, a varanda. A saudade se mistura com as fotos, as mensagens, as cartas antigas. A saudade não para nunca, não passa, não acaba. A saudade caminha infinito. Perturba o sono. Entra feito brisa invasora, pela fresta da porta. A saudade só cresce, só aumenta, só provoca. A saudade é ambígua, antagônica, cheia de opostos. A saudade é antiga. A saudade transborda lágrimas, e risos soltos, solitários, por lugares e horas inusitadas. A saudade perpetua o olhar, o perfume, a sensação. A saudade viaja junto, se esconde no baú, gruda na mão. A saudade toca na rádio, passa na tv, eterniza o livro. A saudade é sentida nas entranhas. A saudade é estranha. A saudade percebe o amor.

Sunday, March 07, 2010

estrangeiro

estrangeiro
adj. e s.m. Que é natural de outro país.
Que não faz parte de uma família, de um grupo.
Ser estrangeiro em seu país, desconhecer suas leis, seus costumes, seus hábitos.

me sentindo estrangeira, por motivos variados. deixar o Rio me causa uma sentimento de não pertencer. o vazio da ausência do meu amor causa um estrangeirismos absurdo. a decepção estrangeiriza. salve a mãe que torna tudo um pouco mais com cara de lar...

aiai...

e aq saudade? e a falta de vontade?

a gente segue, porque a vida é feita de momentos como esse!

Monday, March 01, 2010

encontro

Não era desconhecido, e não só pelos encontros anteriores, mas sobretudo, pela sensação de que era feito sob medida. Causava certa estranheza pela situação, e sua altura que fazia o olhar ir ao longe, quase tocando o céu, meio por medo, meio por deslumbre, meio por contemplação. Nos olhamos. Era aquele tipo de momento em que a gente sabe que está diante da eternidade. Essa intuição. Mas é que me inspirava um horizonte tão claro, uma energia tão leve. Paixão a todas as vistas. Caso sério. Desses que os defeitos vão se mostrando, e aí ... a gente percebe que o que era paixão virou amor, que o que era sonho, virou realidade bem vivida, que o que era plano futuro, virou agora, embrulhado pra presente. Me presenteia sempre, com lindos dias, bem vividos, com acontecimentos e surpresas lindas. Temos já nossas vitórias a dois. Nossos planos em conjunto. Nossa vida. O tempo passa, e parece que já faz séculos que caminhamos juntos. Mas ainda vai fazer dois anos.

Parabéns Rio de Janeiro!

Thursday, February 25, 2010

sem saber

Já não sabia mais de tamanhos, nem promessas, nem planos. Já não sabia mais de correções. Já não sabia mais se pintava dentro da linha, se correspondia aos fatos, se fazia sucesso. Perdeu o senso do que os outros gostariam, e ganhou seu próprio senso. Correspondeu a sí mesma. Pintou um múltiplo de cores. E no fundo, ficou parada, sentindo...só sentindo!

Monday, February 22, 2010

plano A

Em 2010 nós declararemos independência absoluta de certos sapos engolidos, e de incertas parcerias profissionais. Em 2010, chegaremos ao ponto de poder dizer não muito obrigado, para esses a que dedico, é que eu estou com muito trabalho e ganhando imensamente bem!

Obrigada, volte sempre, e não peça para que eu ajude a abrir uma portinha, porque esse dia vai chegar em breve, e eu vou simplesmente ter a mesma atitude que você.

Entendeu?

Espero que sim!

[risada maligna]

Sunday, February 21, 2010

uma cápsula...

Uma cápsula. Dessas de esconder coração, cabeça, alma, intenção, explicação, gente. Enfiava dos pés a cabeça. E ficava. Sem decidir nada, sem dizer nada à ninguém, sem precisar ir além do que se sente. Uma cápsula onde não existam certas cobranças, onde se possa amar do tamanho que se é capaz, sem que pareça pouco. Uma cápsula de proteger gente querida. Uma cápsula para deixar fora a energia alheia. Uma cápsula de proteção à zica. Uma cápsula pra entrar e ficar quietinho. Uma cápsula patrocinadora do silêncio...

Wednesday, February 17, 2010

schhhhh!

Daí que todo tempo ruim, dá pra ver alguma coisa boa. Não, não, falando melhor, tem tempo ruim que é só ruim mesmo. Não foi o caso desse. Eu lembrei que eu nunca gostei de falar da minha vida, de contar tudo, de abrir a boca, de soltar o verbo, de abrir o livro. Aí que eu tranquei as fotos do orkut, aí que eu coloquei meu pé no perfil, aí que eu fiquei em silêncio, e lembrei, que o maior pacto sempre foi comigo mesma, me respeitar acima de tudo. Daí eu fiquei quietinha, quietinha, e abri a janela da leveza de novo, e pensei que daqui a pouco, se algumas coisas não mudarem, eu mudo, eu troco de calçada, e vou pruma roda diferente. Porque eu tenho meus sonhos, meus ideais, a minha estrada, e nela eu aposto a minha vida. Por hora, o negócio é fazer silêncio, que assim dá pra escutar a vida, e de quebra deixar a inveja do lado de lá!

Xô olho gordo!

Tuesday, February 09, 2010

quereres

Ela queria aprender a pedir favores. Queria aprender a dizer fica comigo, só comigo, joga o resto do seu mundo pro alto, só por um feriado, e fica comigo. Fica comigo porque talvez eu goste de você, mais do que eu tivesse planejado, ou porque, há pouco, eu tenha percebido que estou apaixonada por você, por inteiro. Queria aprender a entrar na porta aberta da sua melhor amiga, e esparramar-se toda. Sentia que deveria fazer isso. Algumas vezes tentava. Quebrava a cara por subsequência, e covardemente desistia. Assim, a sua melhor amiga parecia-lhe sempre distante em algum ponto do sentimento, e o seu amor, ia se perdendo, no emaranhado de confusões que provocava a sua insegurança camuflada. Difícil parecer cem por cento bem resolvida, quando no fundo, a única coisa que se deseja é colo, ombro, ajuda, e um abraço!

Monday, February 08, 2010

traquitana de iludir corações

Não se sabia. Avistou na loja uma traquitana de iludir corações e desejou poder comprá-la. Não queria iludir o coração de ninguém não, a não ser o seu próprio. Queria cobrir os olhos com uma leve tecitura rosa, dessas que muda a cor de tudo o que se vê.
Essa vida era dada a ilusões. Olhar e ver as coisas sem subterfúgios, era como tomar um remédio amargo sem tampar o nariz. Nada parecia fazer sentido. Quase nenhuma das pessoas. Era tudo muito esquivo, muito egocêntrico, muito hipócrita. Pisava nos lugares que fingia conhecer, com pés que pisam ovos. Padecia do medo de explodir tudo por onde andasse. O chão que pisava nào era sólido.
Deparou-se com a inusitada dúvida a respeito do todo. Aqueles que lhe pareciam fiéis, lhe inspiravam receios. Não conseguia sentir-se à vontade, a ponto de pedir um favor. Outros lhe pareciam ambíguos. Alguns lhe pareciam passageiros.
Ela estava sobressaltada. Fazia muito calor naquele dia confuso, e desejou por alguns minutos, trocar de roupa, e mergulhar no mar.

Wednesday, February 03, 2010

presente

Das perguntas sobre os parafusos de asas, ela fugia. De qualquer ponto de interrogação ela fugia. Andava fazendo das reticências a corda bamba da sua vida. Pé ante pé, naquele ritmo de quem pode cair. A diferença é que andava sem medo de quedas. Andava desprovida. Andava toda ausente. Os besouros de repinbocas lhe exigiam certezas. As formigas de anedotas lhe exigiam sucessos. Os cavalos além mar, pareciam lhe exigir o mínimo de fracasso, pra que se tornasse humana. O seu amor de bala jujuba lhe exigia presença. E de todas as coisas, a mais difícil era a presença. Tão logo, seu amor, era o único a sofrer com a falta de pertencimento ao seu mundo. Fazer o quê?! Ela não andava presente nem de sí mesma. Presente. Ou talvez ela andasse tão presente nas coisas, na vida, que o seu amor, achando querer presença, queria era futuro, lhe exigia o segundo que vinha depois do agora, e isso ela não conseguia dar. Era tanta presença que a vida lhe exigia, e era tanta presença que ela queria dar, que seu amor, de maneira estranha, perdeu-se num labirinto de expectativas, e expectativas, como todos sabem, pintam o futuro. Seu amor, sem saber, lhe queria amanhã, muito mais que hoje. Seu amor lhe queria versos de pertencimento. Versos de amanhã, segundo após segundo, construindo um pra sempre felizes, que jamais poderia dar. Jamais poderia dar porque era amanhã demais, para uma pessoa que vivia no hoje cada respiro do seu pulmão...

ps: isso continua, porque o pensamento anda começando a fazer sentido....

Tuesday, February 02, 2010

já?

Já percebeu que se reconhece um oriental até de costas?

Já descobriu que amar alguém é fácil, o difícil é se relacionar com esse alguém?

Já reparou que a vida depende da boa vontade?

Já viu que quanto mais pressa se tem, mais o computador trava?

Já se deu conta que, realizar-se profissionalmente é mais trabalhoso que ficar rico?

Já sacou que muitas vezes não são as coisas que envelhecem, mas sim o nosso olhar sobre elas?

Já teve vontade de não ser nada?

Já quis chamar pedra de árvore e passarinho de gaiola?

Já tentou ficar suspenso no ar?

Já se deu conta que chiclete é um pedaço de nada?

Já ficou na dúvida total?

Já quis dizer não e dizer sim?

Já perdeu alguém?

Já dançou sem saber?

Já mudou de casa, rua, bairro, cidade, estado, país...de mundo?

Já foi ao cinema essa semana?

Já pensou em tudo oue tem para ser feito até sexta?

Já tomou uma cerveja?

Já gritou no túnel?

Já abraçou alguém?

Já?

Saturday, January 23, 2010

eu

A falta de tempo... Exerceu um certo desleixo com as palavras, aquelas das quais dependo pra me entender melhor a cada vírgula. A falta de tempo...
Talvez um tempo pra mim. Eu sempre sinto falta dele. Nunca fui do tipo que sai correndo de si mesma. Nunca fui do tipo que prefere estar sempre com companhia. Eu tenho abstinência de mim mesma. Tenho sim!!!!
Às vezes é difícil entender certas coisas. Ainda mais quando eu não consigo parar comigo pra conversar. Não sei se dá pra entender tudo, e confesso tem uma fila de coisas esperando por esse tempo. Mas tem também o sono, as pessoas para as quais dediquei quase nada de atenção, os trabalhos pendentes extra horários oficiais... E o tempo comigo?
É desses tempos de não ser de ninguém. Sinto falta de ser só eu. Aquela que não é filha, amiga, irmã, parente, afeto, colega, sócia, parceira, amor de ninguém.... Aquela que é só aquela. Às vezes me sinto sufocada.
Eu penso nessa coisa de ir se moldando. Se adaptando. Cedendo. Agradando. Virando a página, mesmo que não se entenda. Perdoando, mesmo que não se concorde. Fechando os olhos.
Por muitos momentos sinto que mato meus instintos pra me adequar. Não sei até que ponto quero matar todos eles. Não sei até que ponto quero entender, perdoar, fingir que não vi, ceder, mostrar meu melhor lado. São meus instintos, e pra mim são caros.
É estranho. Acho que esse é um dos motivos pelos quais sempre fugi de relacionamentos oficiais. De alguma forma, estar com alguém, poda nossos instintos. O que pode ser muito bom por um lado, mas também pode gerar angústias. Aquela parte da vida, onde se escolhe. Estar só consigo mesmo, e enfrentar o que vier, ou estar junto de alguém, e parecer virar outra pessoa, que já não é completamente você.
As pessoas olham pra gente, e por mais que nos conheçam, não convivem com a gente o mesmo tempo que nós mesmos. E não vivem dentro da gente. Aí, chega um momento que o olhar do outro te invade, te transforma, te torna alguém, que você não pensava que era. Pode ser bom, ou não - de novo.
Eu sempre fico inquieta quando as pessoas me definem. Ou definem o que eu penso, quero. Ou quando definem atitudes ou palavras minhas. Talvez eu faça isso também, certamente. Mas me irrita. E tem uma coisa de sentir saudade também. Saudade de mim. Do meu olhar sobre mim mesma. Do meu parecer.
Sei lá, cada pessoa constrói um "a gente" novo, que me perturba às vezes. Eu tenho essa coisa de espaço fechado. Sempre lutando pra abri-lo. Sempre. Mas não quer dizer que eu não sinta as coisas, que eu não pense... E sentir, e pensar pra mim mesma. Nem tudo deve ser compartilhado, mesmo com quem mais nos promova amor. Eu não consigo ser um livro aberto, nem quero. Eu preciso de silêncio. Eu gosto de silêncio. Eu gosto da minha cerca. Eu gosto do meu limite. Eu gosto de sentir que posso agir, sem ser tolida. É difícil....

sobre a cidade

No ônibus entraram dois rapazes de viola em punho, e começaram a cantar música boa. O motorista e a cobradora entusiasmados. Os passageiros sorriam. Ao fim de cada música eles explicavam sobre maracatu, sobre a música que tocavam, sobre poutpourri, e por aí vai. Ao fim de cada música aplausos. Cultura, arte e diversão numa andança de ônibus pela cidade. Essas coisas fazem de um lugar especial pra se morar.

Sunday, January 10, 2010

a traça

Não tem animal que eu goste mais que a uma traça. Mas não as traças de hoje em dia, que se alimentam do mais puro tecido, do vestido milionário, que vislumbra-se na vitrine de grife. Essa traça que cobiça a vaidade não me agrada. Essa traça que devora o que é bonito por excelência, me deixa tonta.
Traça que eu gosto é daquelas antigas, e talvez míticas, porque nem sei se existiram de verdade. Mas quele tipo de traça que se doa à palavra. Que pela língua [e traça tem língua?] absorve todo e qualquer tipo de linguagem, e sem ordem constrói um mundo todo enfileirado de palavras desorganizadas. Essas traças escritoras, que interrompem uma frase, ou até mesmo um parágrafo inteiro, deixando no lugar da palavra o vazio de um furo. Esse tipo de traça até me comove. Elas têm um destino maior que roer, comer, ingerir. Elas interrompem algo. Uma vida , pode-se dizer. Um traça dessas vale milhões. Vale mais que uma vida vivida de gente. Um traça dessas deve conhecer todas as bibliotecas do mundo. Imagino que passe a vida viajando por melhores exemplares. E esses melhores nada têm a ver com mais vendidos, mais bonitos, mais bem escritos. São simplesmente, aqueles, cujo ato de interromper, causará o silêncio. E o leitor que se resignar diante do vazio da traça, jamais deverá ser digno de chegar ao fim da história. Porque não é o fim que interessa. O importante é encarar o vazio do buraco da traça de frente, e a interrupção como se fosse um novo caminho. A história ganha nesse momento um atalho para um novo fim. Mas o fim não é o que importa. Importante é a traça, a sua vida, a sua intenção ao interromper aquele momento de linguagem, que deixa de ser entendimento, e vira sentimento, movimento, sofrimento...
A esse tipo de traça eu dedico a minha existência!


Friday, January 08, 2010

sobre províncias, presidentes, coisas obsoletas e o que me assusta

Me assusta ver gente ignorante, se achando inteligentíssima. Me assusta a febre de poder, glória, riquesa e notoriedade que assombra, não digo a humanidade, mas sobretudo algumas pessoas próximas, que eu já até cogitei chamar de amigos. Me assusta o pré julgamento, o preconceito, qualquer coisa que venha antes, pra tentar encaixa na prateleira "a" o rótulo "b", e assim por diante. Me assusta a falsa fé, a falsa piedade, o falso amor, a falsa justiça. Me assusta ouvir dizer por aí que alguém é burro só porque não fez faculdade, ou não terminou os estudos até o terceiro ano do ensino médio, me assusta as pessoas realmente acharem, que curso superior, diploma pendurado na parede, e toda a infraestrutura intelectual falsamente absorvida, faça de alguém mais capaz que outro, que da vida absorveu tudo o que pode, e também dos meios intelectuais, de maneira extra oficial. Me assusta porque eu tive colegas na faculdade, que se formaram e ostentam um diploma em sua paredes, cuja massa encefálica e o aparato cultural, não seriam dignos nem mesmo de uma piadinha infame. Me assusta porque muita gente é burra na alma, no coração, e absurdamente - aí o que mais me assusta - muita gente é burra no instinto. Gente que já foi domesticada por esse mundo, onde pisar num salto, vale mais que saber pousar o pé no chão, com a elegância de um pavão. Me assusta muito os princípios e valores obsoletos, tidos como modernos, de uma geração que preza o não lugar, a não presença, o verniz e o rótulo. Me assusta ver, de gente tão pertinho, as considerações sobre a política do país. Me assusta que esperem eleger um presidente dito "letrado" que possa substituir o presidente dito "analfabeto" e construir um país melhor. Certamente um país melhor seria construído para estes a que me refiro, cujo sustento advém de seus pais, onde o esforço máximo talvez seja sacar o dinheiro no banco. Um país melhor para eles, que tanto faz, como tanto fez, o miserável matar a sua fome, já que pra eles mais importa saber se poderão viajar para Paris no final de semana que virá. Dificilmente eu me coloco em questões políticas, divinas, transcendentais, culturais, artísticas, ou qualquer outra coisa mais séria, diante de discussões, cujas rodas são povoadas por essas pessoas, que mergulharam num capitalismo cego, numa burguesia obsoleta, num desenfreado viver às vistas dos outros. É perda de tempo. É pura perda de tempo. Porque eu aprendi em casa, que política está em tudo. No menor e no maior ato do seu dia a dia. No seu ofício. No seu jeito de educar uma criança. Na compra que você faz no supermercado. Em casa eu aprendi, que política, se faz pensando no outro, inteligentemente sabendo, que se o outro vai bem, isso refletirá no todo, e obviamente em você. Tenho minhas opiniões e minhas ressalvas a respeito do governo em gestão, e não é sobre isso o foco desse post. Mas o fato é que venho observando alguns amigos ultimamente. Venho os ouvindo falar sobre o mundo, venho tendo noção de seus valores, e confesso, venho sentido um quê de indigestão. Há uma linha de supervalorização da capa, do que perfaz a linha que é vista. Há uma supervalorização do magnânimo, daquilo que enobrece o que o olho pode ver. Há uma inversão, trazendo a vida pra fora de sí, quando ela deveria repousar dentro. Me entristece, e me enraivece - não posso evitar - que pessoas com tantas oportunidades, estejam resignadas, à mercê de pensamentos tão redundantes, obsoletos e superficiais, a respeito do mundo, do Brasil, de si mesmas. Me assusta o tipo de pais que essas pessoas serão, o tipo de artistas, aos que a isso se dedicam, o tipo de seres humanos. Essas pessoas, quando forem idosas, como viverão? Quando a boca, o peito, a bunda, já não mais sustentar a glória dos 20 anos? Provavelmente estarão no mesmo lugar, com mais de litros de botox correndo nas veias. Não sentirão o toque da pessoa amada, porque parecerão quase como bonecos de plástico. Talvez os bonecos de plástico sejam mais interessantes. Estarão pensando a mesma coisa, e elegendo o mesmo tipo de político, com condecorações diplomáticas, que fale mil línguas e devote o seu tempo a gente como eles. Sobre os miseráveis só saberão que são gente brega, com mal goto para vestir, com mal gosto para comer, com mal gosto para portar-se. Os chamarão de sem educação, excluindo-se da culpa por tal vexame. Sim, porque estas pessoas vivem num mundo que é delas, a terra prometida por Deus, àqueles que nasceram com alma "nobre", e têm o olhar sobre o outro, como aquele que invade a terra, e discemina nela, a semente do inferno. Esses jamais olharão para dentro de si, e descobrirão que o inferno não são os outros, e sim, eles mesmos, carregando suas almas débeis, por cada esquina de Paris, Berlim, Nova York, ou qualquer lugar do Brasil que seja digno de pisarem - até Florianópolis, que andam dizendo, está melhor que Ibiza. E não pode ser Florianópolis bacana, sem precisar ser melhor que algum lugar fora do Brasil, pra continuar sendo boa? Aliás, alguém acha legal contabilizar quanta gente do PROJAC foi passar fim de ano em Florianópolis?Alguém acha válido um jornal fofocar sobre o preço da Champanhe que tal figurinha comprou o dobro, gastando um dinheiro que alimentaria muitas bocas? Alguém acha que isso faz de um lugar, realmente um bom lugar pra se passar férias? É disso que eu estou falando.

Wednesday, January 06, 2010

o verão esperava

Esse verão ainda não começou. Isso porque verão pra ele sempre teve cheiro de mão dada, de gente deitada no sofá com preguiça de ir à praia, com pele queimada de sol [apesar do protetor] e salgada de mar, e ardente de vontade de estar perto.

O livro que ele estava lendo ainda não havia terminado. E era lindo, de uma pureza tão grande, que precisava ser rude às vezes na leitura, pra não ficar preso. Gostava das passagens radicalmente estranhas, bizarras, risonhas. Padecia nos momentos de dor, tristeza e melancolia. E via que sua musa inspiradora, era ainda mais fantástica revirada do avesso, mas um avesso tão avesso, que nunca seria o suficiente revirar tudo.

Pensou sobre o mistério. Voltou para o verão. Verão que não havia começado. O seu verão tinha endereço, e lhe esperava em algum lugar, que ele bem saberia chegar. E naquele mar, a sua espera, ele repousaria. Seria verão enfim... E ele não esperaria mais.

O amor que trazia consigo. O amor. Certas coisas na vida, ele não gostava de tornar verbo. Porque não queria tornar público talvez. Porque assim pensava prolongar o tempo, que ele não sabia quanto tempo ia ter. Então era o silêncio que ele embrulhava pra presente com fita vermelha, e mandava entregar em sonho, ao seu bem....querer. Bem que lhe queria. Queria-lhe bem.

O silêncio recebido com sorriso, suco e torrada. Um leve toque. Como quem acorda quem ama, na ânsia de tê-lo como companhia, e no sufoco de tirar-lhe a paz do sono, do sonho. Acordar não é tarefa fácil. E o silêncio fora recebido. E fora dedicado, e retribuído, possivelmente. E era uma espera de lado a lado. Pelo verão que não começava. Pelo toque leve. Pelo suco. Pela torrada. Pelo silêncio. Era um amor.

Ele encontrava-se no limbo das estações. E como na música ansiava por deixar o verão pra mais tarde. Mas precisava que já fosse verão para fazê-lo. E verão só seria...

O amor. A espera. O silêncio.

E finalmente apesar de, ele ficava, ficava a espera do verão começar, para finalmente, no verão, viver aquela mão tarde de fim dada e o sol do pôr toque beijo....o verão enfim...