Tuesday, December 22, 2009

sobre a saudade

Eram dois, e bem escondidos. Traçavam planos, para jamais deixar o anonimato do olhar alheio. Não sabiam ao certo onde iam parar, mas caminhavam. Duros. Tortos. Presenciaram uma ausência momentânea, dessas que bagunça a rotina, o dia a dia, e que causa uma certa chacoalhada nas borboletas do jardim. Ela achou bonitinho no começo, mas depois achou esquisito. Ele tentava driblar a distância. Ela passou a ficar incomodada, quando viu que driblar a distância, estava tecnicamente falível. Então a ausência se colocou entre eles, de maneira perturbadora. Ela tinha que imaginá-lo indo dormir, comendo, saindo, distribuindo seu sorriso e seu charme a todos do caminho novo em que pisava. Ele sentia seu perfume, ouvia sua voz, e até confundia-na entre as pessoas alheias que lhe cruzavam o caminho. Ela precisava das palavras dele. Dos seus suspiros, mesmo que virtuais. Ela precisava do mínimo de presença dele, para não se desvencilhar de si própria, querendo livrar-se da agonia que lhe invadia o peito todo. Ele, morria de medo que ela sumisse, ao mesmo tempo que estava sendo feliz. Era uma ausência que passaria, mas que poderia mudar tudo. Era tempo de estarem juntos. Era tempo de estarem perto. Mas andavam, cada um a seu modo, vivendo aquele momento, da maneira que podiam. Se tudo não voltasse ao normal, é porque deveria ter sido assim mesmo. Mas enquanto isso, até parecia que ela preferia voar, porque a saudade que sentia, lhe prendia tanto ao chão, que lhe causou pânico!

No comments: