Monday, December 21, 2009

pleno pensamento

São tantas e nehuma, ao mesmo tempo, que me paira a sensação de não querer nada. Aliás ela tem pairado mesmo, desde um tempinho já. Mesmo querendo tudo, não quero nada, porque já tenho. Me diziam dessa coisa de plenitude, mas nunca achei que se pudesse alcançar. Sempre imaginei, algo como um Deus, que existe para aplacar as dores e regar a esperança, mas que no fundo, é cada um e nada mais poderoso do que o que se leva dentro. Mas vamos combinar, que nesse mundo de pessoas frágeis, crer em si mesmo não é tão consolador quanto crer num todo poderoso que tem a varinha mágica dos milagres salvadores. Assim sempre confiei que a plenitude fosse algo inventado, a ser alcançado por fora, tipo a felicidade, só pro povo ter porquê lutar. Porque de novo, descobrir que tudo isso vem de dentro, deve desanimar muita gente, que mal tem ar puro nos pulmões pra oferecer pra si mesmo. O povo anda fumando muito, e entornando milhares de porcarias para dentro de sí, como vai perceber que o movimento é o contrário do que acostumou-se a crer? Então não se pede a Deus, mas sa i mesmo? Então plenitude e felicidade não se alcançam no fim do arco íris, mas constrói-se, e acima de tudo, reconhece-se dentro de nós, em nossas mortais vidas?
Qual o quê, acho que o mundo não esperaria 2012 pra acabar, acabava agora, numa onda de suicídios, que faria dos seres humanos, uma raça extinta por livre e espontânea vontade, ou por falta de força de encarar que é sua própria sustentação. Aliás, esse bando de previsão de fim do mundo, deve ser reflexo do desejo de que esse mundo, assim como está, acabe mesmo, e só sobre quem realmente seja capaz de reconstruir tudo de maneira mais amena e leve.
Ando revendo muito meus pensamentos e opiniões. De maneira que plenitude perdeu o peso de uma palavra que designa algo a ser alcançado, talvez, somente no fim da vida. Mas não é fácil assumir que se está em um momento pleno, porque as pessoas destilam aquele sorrisinho de quem gostaria de viver o mesmo, mas não crê que você possa, tão jovem e tão cedo, viver de fato. Isso porque, pra elas plenitude não deve ser o mesmo que eu experiencio agora. Talvez seja uma quimera, uma utopia, um tóten imaginário. Algo que elas não alcançarão, caso contrário não terão mais porquê viver. A diferença, é que eu descobri que a vida, por mais planos que se tenha, se vive a cada hoje, e nada mais. Eu exijo menos dela, por consequência de mim mesma, e assim, ela até me dá mais que eu espero. Na verdade ela dá o que ela pode, e é sempre mais do que eu espero, porque eu espero cada vez menos.
Por isso, consigo dizer, sem medo, que 2009 se despede pleno. Pleno pra mim, dentro da minha noção de plenitude. Dentro do momento da minha vida. Aquela coisa de texto e contexto! Mas o fato é que segue-se bem nos planos, nas surpresas, e no coração. Finda-se o ano com ar fresco de carinho, de realização, de encontros lindos. E a saúde vai bem, e o dinheiro não falta [pode não sobrar, mas faltar não falta], e os problemas existem, mas a gente supera, e as frustrações estão aí, mas na maioria das vezes, somos nós mesmos quem as construímos, e a vida é linda, pra terminar o texto bem clichê!
Porque, se tem uma preguiça que me assola ultimamente, é a da reclamação. Nem meus grandes amigos eu tolero reclamando. Cansei de reclamar. A gente deve é abraçar o que nos chega, e fazer disso um caminho, nem sempre um degrau. Porque subir, é uma metáfora capitalista de sucesso, e eu não tenho síndrome de alpinista, muito menos de balão, que além de subir, estoura!

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