Friday, December 25, 2009

passageiros de nós

Algumas pessoas passam pelas nossas vidas, assim como nós passamos pela vidas de muitos. Passantes; alguns não deixam muito, outros deixam tanto, que nos perguntamos o que teriam se tornado, se além de passar, ficassem. Esses deixam tanta saudade. Aquela saudade das coisas que poderiam ter sido, das coisas que não foram, das coisas que gostaríamos que tivessem sido. Ums saudade meio futuro do pretérito.
Muito diferente da saudade daqueles, que mesmo distantes, entraram na sua vida de maneira irrefutável, e farão parte dela pra sempre. É diferente, bem diferente. Tem gente que fica na vida da gente, pra sempre, mesmo que num determinado pedaço do caminho se distancie, torne-se uma presença exporádica ou virtual. São as pessoas que ganharam o visto permanente, que compartilharam um pedaço da vida com a gente, e que estão presentes no pedaço de matéria humana que nos tornamos ao longo da vida. Moram em nossa história, mais que em nossa memória, e são donos de lições e momentos, que não ousamos esquecer.
Com alguns, raros, conseguimos construir uma espécie de cotidianidade infinita. Aí pouco importa a distância física, já que sempre estaremos no dia a dia um do outro. Sempre saberemos de tudo, daremos pitaco, telefonaremos, estaremos presentes no porvir da vida. Mas isso acontece com alguns apenas. Há ainda os que, mesmo através do tempo, quando reencontrados, é como se nada tivesse acontecido, como se o tempo não houvesse passado, e a afinidade se mostrasse intacta. Lindo!!!!
Mas os passantes muito me intrigam. Alguns retornam e ganham visto permanente. Outros jamais reaparecem. E mesmo assim, estão longe de serem banidos de nossas vidas. Não deixam jamais a prateleira dos queridos amores. Isso é coisa pra quem a gente não gosta, e dos passantes, muitos, a gente costuma gostar desmedidamente.
Eu lembro-me dos meus amores passantes. Tem desde a adolescência. Aquele menino que eu nunca entendi porque não troquei telefone, e-mail, qualquer coisa. Parecia tão pra mim... e tantos outros vieram depois. Alguns passaram por segundos, outros por meses. Alguns se tornaram tão próximos num piscar de olhos, e no mesmo piscar sumiram. Também não sei até que ponto, quem sumiu ou os fez sumir fui eu. Eu gosto de cultivar essas passagens, acho que elas fazem da vida mais divertida. Então a gente encontra uma foto antiga, no computador antigo da casa da mãe, e sente um frio na barriga. Pensa como anda essa pessoa, o que ela faz, pra quem ela sorrí nesse axato momento. Aí a gente se lembra de quando ela sorria pra gente. E a gente acaba sorrindo, pensando que ainda bem que ela passou por nós, pior se nem tivesse passado. E eu nem sei se gostaria que ela voltasse a passar, porque talvez seu encanto dure apenas alguns segundos mesmo, e viva melhor na lembrança. E os amigos que passaram...
A vida já me ensinou uma coisa muito importante. Tem gente que é pra rotina, pro dia a dia, pro mau hálito, pro mau humor, pro cabelo bagunçado, pra preguiça, pra lágrima, pra festa, pra segunda feira, pro domingo nublado, pro camarão na praia, pra cerveja na esquina, pro aperto do bolso, pro presente especial, pra palavra amiga, pro segredo, pra hora que der e vier, pro, sempre da vida; e tem gente que é pra um segundo a mais de aventura, pro calafrio, pra memória, pra saudade, pra nostalgia, pro não entender, pra quando a gente só tá bem vestida, pro jogo, pra brincadeira, pro vento na praia, pra fugida, pra perder o juízo, pra momentos únicos, mas soltos, ao longo da nossa existência; momentos que nos ligam a outros momentos, passagens de nós mesmos, guias de nossas mudanças, ápices de nossas viradas, iniciadores de nossas aventuras; depois deles, ainda que muitas vezes durante eles, temos os nossos, aqueles que nos são sempre, não passam, porque ficam, e sem estes, a vida não teria a menos graça, nem a menor seriedade, porque eles nos permitem e nos proporcionam tudo ao mesmo tempo, independente a passagem!!!!!

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