Wednesday, December 09, 2009

carta de despedida

Ele olhava pra mim num misto de cansaço e alegria entre os dentes. Bonito, cheio de histórias pra contar, muitas paixões tinha vivido, e agora andava calmo, embalado numa musiquinha que lhe fazia bem. Os olhos era de garoto travesso, que havia aprontado muitas. Me disse de suas aventuras, o quanto tinha viajado, o quanto tinha realizado e plantado. Aprendeu que era importante colher, mas não tinha ansiedade ao dizer isso. Sabia que o tempo certo chegava, e o importante era se doar à plantação, semear tudo com amor e respeito. Ele parecia ter encontrado uma certa paz interior, um equilíbrio. Falava da leveza com muita intimidade, com cara de quem havia sido responsável pela consolidação de uma leveza inabalável.
Ele olhava pra mim, e sabia no que eu estava pensando. E não dizia nada, só ria. Aquele sorriso de gente que gonga, que zoa, que ironiza, que faz graça. Ela sabia que eu gostava disso. Ele me olhava como quem diz: viu só? "Você não esperava por metade do que eu te contei né?". E realmente, eu não esperava!
Ele perguntou o que eu faria quando ele estivesse prestes a partir. Disse-lhe que ainda não pensava nisso, e no momento eu teria alguma idéia, ou não. Ele sorriu mais uma vez, como quem se orgulha de sí mesmo. Olhou bem fundo nos meus olhos e entregou-me um pedaço de papel. Em seguida saiu pela porta, parecia que não ia longe, mas se afastava para que eu pudesse ter a tranquilidade necessária para desfrutar de suas palavras:

"Eu te ajudei, e te trouxe umas coisinhas que te faltavam. Sempre fica faltando algo, mas eu queria pedir desculpas por alguns momentos que passamos juntos. Eles foram necessários, para que hoje pudéssemos nos olhar nos olhos assim, com essa energia de quem se conhece e cresceu junto, mas mesmo assim, fiquei aflito, achando que você jamais me olharia nos olhos. Queria lhe pedir, que recebesse meu amigo, do mesmo jeito que me recebeu. Sem exigir dele, coisas que você não exigiria de você, e como você, às vezes, superexige de si mesma, exija menos ainda. Ele vem, e vem novo, e vem inteiro. Eu não sei o que ele traz, ou até sei, mas não é hora de você saber. Só sei, que nada será tão diferente, nem tão igual, e que as surpresas vêm a galope mesmo, como você já bem reparou. Algumas coisas você vai conquistar, outras não.
Você se despede de mim feliz, eu vejo isso. Cansada, porque de fato, eu super lhe explorei nos últimos dias, mas foi por um bem maior - o seu! Mas vejo que você está serena, leve, feliz, realizada, otimista como sempre, e com a sensação de viver cada vez mais. Isso me deixa muito feliz. Espero que sempre se lembre de mim, com olhos de suspiros e saudades boas. Me despeço te deixando alguns presentinhos. Você sabe quais são. Cuide deles, eles cuidarão muito bem de você. Acredite, eu não troxe nada por acaso, e você merecia cada coisinha. Agora, quando eu deixar, descance, e vá à praia, veja um filme, beije, ame, sonhe... Aguarde meu amigo chegar em clima de ternura, e receba-o de portas abertas. Ele vai entrar e se esparramar, porque acredite, ele é mais folgado que eu, mas eu lhe garanto, ele te fará imensamente feliz!

ps: talvez ele bagunce um pouco algumas coisas que eu arrumei, mas isso faz parte, depois é só juntar e arrumar de um jeito diferente! Ok?

Beijos com carinho, do seu ano que está passando!
2009".

1 comment:

Julia Porto said...

Oi marina! Voltei a escrever no meu blog!

beijos

Julia )