Saturday, November 14, 2009

vamos à feira

Vamos à feira? Ando obcecada por laranjas. E se eu fosse uma laranja? Talvez fosse ácida - acho que doce não!!! Vamos calçar nossos chinelos novos e ir à feira, nem que seja pra rodar a barra da saia, num giro trôpego. Nos fingimos de bêbados. Eu e você. Você que não existe ainda na minha vida, mas volta e meia surge como uma imagem profética, ou premunitória. Você que me parece tão íntimo e tão meu. Surge até nos momentos em que eu estou bem, tranquila, acompanhada, sorrindo. Por essa eu não esperava. Você aqui? Agora? Nesse meu eu que anda tão confortável com o que vem encontrando? O que você quer me dizer? Que ainda falta encontrar você? Que não é esse o caminho de agora, aquele que devo fincar meus pés? O que você quer, vindo me visitar assim? Sem nome, sem endereço, lenço, documento, qualquer pegada que me ajude a encontrar teu caminho...? Tenho a impressão que você surgirá no melhor estilo: bagunçando a sua vida! Você vai enrolar minhas pernas e me ver tropeçar em mim mesma. Eu sou muito atrapalhada! Muito mesmo! Você vai bagunçar as minhas gavetas e fazer aquela cara de : eu avisei que chegaria! Você acha que eu realmente espero? Não faz meu tipo. A inquietação me toma cinco segundos durante a sensação de ter você por perto, e depois some, e vou viver minha vida, que eu sempre sou a favor do agora, sempreeee! Então a hora que você der as caras, meu cosmos amado, eu não sei o que será de mim! Talvez eu nem te perceba de imediato, até porque já vislumbrei tantas caras pra você, que a sua verdadeira face talvez me confunda. Não me leve a mal, mas eu sou assim mesmo. Mas quando você chega? E se já tiver chegado? E se for você? Como eu vou saber? Eu sei, com a mesma sensação com que te sinto e te pinto caras. Mas mesmo assim, no plano material, tudo parece tão mais confuso, e existem as interferências, as energias alheias se interpondo no nosso sinal!!! Você deveria me dizer seu perfume, então eu saberia, se é você, ou se será você. Será que eu quero que seja você? Não sei. Sabe aqueles momentos da vida em que a gente não sabe e não se preocupa em saber? Ando assim ultimamente. Eu não quero saber de nada. Deixo tudo pra mais tarde, só pra ficar ali, vivendo o que talvez não se repita. E nada se repete. As coisas, as situações, as pessoas, variam entre melhores e piores, boas e ruins, mornas, interessantes, brilhando ou tomadas pelo opaco, mas nada é igual. Então um mesmo dia pode ser muito ruim amanhã!!! Será que você já faz parte dos meus dias bons e ruins e eu ainda não me dei conta? Será que já povoa minha vida, e eu não vi? Bem capaz mesmo, eu sou meio cega às vezes!!!! Eu só preciso dizer uma coisa: venha, ou se já tiver vindo, seja leve, dócil, mas não perca também a fúria, e me segure as mãos de um jeito que eu não tenha escapatória, porque acredite em mim, eu sempre dou um jeito de escapar! Então a gente deve se ver em breve! Fique com meu afeto, e minha inquietação fugaz, daqui a pouco eu me distraio ou me atrapalho com qualquer outra coisa, e quando você for ver, já escapei, por entre meus próprios dedos!

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