Monday, November 30, 2009

a utopia

O bolo de chocolate no canto da boca, dava um ar de desleixo, de criança que tinha acabado de se fartar e adiava o banho do fim do dia. Esperava a noite cair, pra girar a chave do apartamento, e encontrar a rua. Ultimamente andava com o fim da corda que lhe dera, como se implorasse por uma pausa, dessas de ficar até tarde na beira do rio. Molhar os pés na água, soltar o cabelo ao vento, pisar na terra cheia de minhoca!
Encontrar, finalmente, um braço na medida do seu encostar de cabeça, pra poder relaxar. Queria um sorriso leve, um descompromisso com o compromisso, um jeito sincero de abraçar o presente, e fazer do agora, o maior futuro que se pode ter. Queria encontrar um eco de suas verdades, vontades, saudades. De alguma forma poder dizer que estava precisando de uns minutos para molhar os pés, e receber de volta, em forma de sorriso, um "tudo bem meu bem, eu te espero ali embaixo". Alguém que soubesse esperar, que soubesse estar, que soubesse ser ao seu lado.
Acumulava um peso de trabalho, de cansaço, de vida vivida em excesso, como lhe era de costume, e muito bem cabido. Mas nesse exato instante, queria ser criança na casa da mãe, brincar na piscina até murchar os dedos, beber Coca Cola e comer Doritos, e tudo o mais que ela achasse nada saudável. Queria apenas existir na essência máxima. Aquela que não deve nada a ninguém. Aquela que não precisa de nada além do que possui.
Se fosse escrever algumas coisa, seria mil vezes a palavra utopia, porque ela havia descoberto, hoje, que justo por criar tantas histórias e personagens, ela criou uma utopia para si própria, e deu-se de presente, a frustração em pessoa. Assim, decidiu que criaria uma outra história, um pouco mais real, e um personagem, na medida certa de suas fraquezas. Na verdade era isso, era como o chinelo que cabe certinho no pé. Era sobre isso que ela queria falar. Mas acabou o dia pensando que isso não era utopia, isso era acontecimento raro, que mais cedo ou mais tarde iria acontecer, enquanto isso, ela aprendia, apertando os pés, ou os deixando faltar meia sola pra dentro do sapato!

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