Monday, November 30, 2009

a utopia

O bolo de chocolate no canto da boca, dava um ar de desleixo, de criança que tinha acabado de se fartar e adiava o banho do fim do dia. Esperava a noite cair, pra girar a chave do apartamento, e encontrar a rua. Ultimamente andava com o fim da corda que lhe dera, como se implorasse por uma pausa, dessas de ficar até tarde na beira do rio. Molhar os pés na água, soltar o cabelo ao vento, pisar na terra cheia de minhoca!
Encontrar, finalmente, um braço na medida do seu encostar de cabeça, pra poder relaxar. Queria um sorriso leve, um descompromisso com o compromisso, um jeito sincero de abraçar o presente, e fazer do agora, o maior futuro que se pode ter. Queria encontrar um eco de suas verdades, vontades, saudades. De alguma forma poder dizer que estava precisando de uns minutos para molhar os pés, e receber de volta, em forma de sorriso, um "tudo bem meu bem, eu te espero ali embaixo". Alguém que soubesse esperar, que soubesse estar, que soubesse ser ao seu lado.
Acumulava um peso de trabalho, de cansaço, de vida vivida em excesso, como lhe era de costume, e muito bem cabido. Mas nesse exato instante, queria ser criança na casa da mãe, brincar na piscina até murchar os dedos, beber Coca Cola e comer Doritos, e tudo o mais que ela achasse nada saudável. Queria apenas existir na essência máxima. Aquela que não deve nada a ninguém. Aquela que não precisa de nada além do que possui.
Se fosse escrever algumas coisa, seria mil vezes a palavra utopia, porque ela havia descoberto, hoje, que justo por criar tantas histórias e personagens, ela criou uma utopia para si própria, e deu-se de presente, a frustração em pessoa. Assim, decidiu que criaria uma outra história, um pouco mais real, e um personagem, na medida certa de suas fraquezas. Na verdade era isso, era como o chinelo que cabe certinho no pé. Era sobre isso que ela queria falar. Mas acabou o dia pensando que isso não era utopia, isso era acontecimento raro, que mais cedo ou mais tarde iria acontecer, enquanto isso, ela aprendia, apertando os pés, ou os deixando faltar meia sola pra dentro do sapato!

Sunday, November 29, 2009

discutindo arte e política

Aos artistas

Porque aos artistas é requerido um retorno social, que vai além de suas próprias obras?
Porque temos de pensar, além do conteúdo de nossa arte, sempre e obrigatóriamente, num conteúdo de resposta social, para todo e qualquer projeto que tenhamos intenção de produzir? Penso eu, a própria obra de arte de um artista - digo ARTISTA - já não é ela, por si só, um retorno social, e já não está ela, por si só, amplamente embuída de conteúdos e reflexões, que têm a intenção de promover uma mudança social?
Porque temos que, para conseguir qualquer trocado para estruturar nossas ideias, seguir anexando folhas e mais folhas de propostas sociopedagógicas, com oficinas e workshops, apesentações gratuitas, meia entrada, e milhares de facilidades, para que o povo tenha mais acesso à arte, quando esse papel é do governo?
Aos artistas não é concedido o direito de livre expressão? Será que nos expressamos livremente, quando nos é cobrada uma imensa burocracia, pautada em deveres que devem ser prestados ao povo, pela União?
Veja bem, eu que ando em fase de querer fazer trabalhos voluntários, não nego que todos podemos sim - artistas ou não -, colaborar para o bem da sociedade, sempre que quisermos, mas me oponho à essa obrigatoriedade que é dada aos artistas, que ficaram reféns das leis de mecenato, portanto, reféns do Estado ou de editais de empresas privadas, caso contrário, não se faz teatro no Brasil - só uns poucos e corajosos artistas, que de maneira heróica se embrenham nas produções independentes.
Arte, por si só, traz em sí um conteúdo político e social magnífico. O teatro une as massas, e serve de instrumento de transformação social desde sua história antiga. Então porque o governo não trata de garantir a acessibilidade e as transformações sociais, e aos artistas deixa a liberdade de expressão, caso eles queiram ou não, dar uma oficina depois da apresentação? Porque o governo não garante a meia entrada, e deixa aos artistas o parco tostão inteiro, a que tanto ralam e têm direito?
Perguntas que ficam no ar.
Algumas coisas até entende-se, tomando por exemplo essa arte descartável que se vem produzindo Brasil afora, mas sempre fui contra os "justos pagarem pelos pecadores".
Cada vez mais penso que, arte sem pensamento político, gera técnicos que executam bem o serviço que lhes é cabido. Cada vez mais vejo que estamos num país de atores celebridades, menos de artistas.
Que os artistas brasileiros sobrevivam à alienação, hoje e sempre!


http://palavracaomarinamonteiro.blogspot.com/

Thursday, November 26, 2009

pausa

quando a gente não pode dizer também. quando a gente termina antes do dia. quando a gente não sente nada. quando a mesmice ataca. quando a vontade de mudar de lugar invade a sala. quando o amor estranha. quando o coração quer respirar. quando o cérebro funde. quando o calor pesa. quando a ideia não flui. quando alguma coisa fica faltando. quando a gente perde a certeza. quando a gente não quer. quando a gente magoa. quando a gente não sorri de volta. quando a gente bebe muita água. quando a agente sente que não dá mais. quando a gente perde alguma coisa pelo caminho. quando a gente não sabe em qual parte do caminho a gente deixou a coisa toda cair.

ps:. talvez seja assim: quando a gente precisa de um tempo pra gente. só a gente e a gente mesmo. nesse gente, inclui-se o eu, o eu profundo e os outros eus. mas só eu.

paixões e perdas

Paixão passa. É passageira mesmo. Repassa. Retorna. Depois passa outra vez. Não dura uma eternidade, mas pode voltar sempre, em relação à mesma pessoa, coisa, lugar...espelho!!!!
Tudo na vida depende da forma como a gente lida com o tempo, e com as perdas. O resto, é só firula, pra ficar mais colorido!
Pensando nisso, eu penso que não dá pra ter medo de uma paixão chegar ao fim. Seja lá por um amigo novo, por um grupo de amigos, por um trabalho, por um amor, por si mesmo. Tem dias que a gente está apaixonado e dias que não. E isso é isso e deu!
Se sobra amor depois da paixão, ou melhor se o amor se construiu enquanto havia paixão, a gente só mede quando a paixão acaba. E lidar com a possibilidade negativa, é uma perda, mas não arranca pedaços. E na maioria das vezes, o amor perdura, nem que seja em forma de lembrança, memória acalentada pelo coração. Suspiro e soluço de vida passada. De tempo remoto. De coisa que foi e foi boa. Então, assim sendo, a paixão acabar, não é de todo ruim, e a gente deveria ter menos medo disso!

Saturday, November 21, 2009

no instante em que se perde tudo

Estranho né?! To pensando um pouco sobre a estranheza da vida. To pensando, especificamente, sobre os instantes da vida, esses instantes em que perdemos e ganhamos coisas, em que tudo muda, vira, em que o livro acaba ou começa. É impressionante como a gente pode ir domir com vontade de abraçar e acordar com vontade de não saber de mais nada. É estranho como um instante da vida muda a forma como você vê um amigo ou um estranho. A confiança é uma obra de muitos instantes ou de um único. Ela se faz ou por muitos instantes somados, ou por uns poucos instantes intensos, mas certamente ela se desfaz por um único instante, e jamais se refaz, jamais. E eu fico triste com isso, em pensar que um único segundo desfaz toda uma história. Mas é o tempo fazendo refém, os sentimentos das mancadas bobas que nos deixamos levar - nesse caso se deixaram levar.
To pensando muito sobre as minhas relações com as pessoas. Pensando muito a respeito da sensação de que eu sou melhor amiga que namorada, parceira, amante, enfim....sei lá a nomenclatura. Eu penso no porquê?! E é difícil achar uma resposta. Talvez porque eu seja fugaz, de tão intensa. Talvez eu gaste o sentimento mais rápido que todo mundo, de tanto que mergulho nele. Talvez porque eu seja estranha, de lua, de dia, sei lá. Talvez porque eu provoque expectativas além do que eu possa oferecer, ou porque eu seja sincera demais e aja da forma que tenho vontade, sem fingir. Talvez porque eu seja egoísta, ou porque eu tenha nascido pra seguir uma trilha minha comigo mesma. Talvez porque eu seja das pessoas que nascem pra ter uma carreira e objetivos mais mundiais. Sinceramente não sei, só sei que, talvez pela amizade não ter a expectativa da perda tão eminente em sí, ela seja mais eterna, mais pra sempre, e mais tolerante, por consequência, com os defeitos, com os momentos e sobretudo com as estranhezas.
Cada vez mais eu me vejo do mundo e em contrapartida da bolha, da concha, da família e de poucos amigos. Eu to cada vez mais pro mundo na minha profissão e no meu desejo de conhecer lugares novos, e cada vez mais recolhida no que diz respeito aos meus sentimentos e aos meus amores. Inversões do tempo, talvez. Ando mostrando mais a cara naquilo que devo mostrar, e mostrando menos naquilo que não devo.
Não sou mais tão romântica - no sentido mais genérico do romantismo - nem me iludo mais com as pessoas. Sigo sempre sendo otimista e humanista, mas sabendo que algumas coisas acontecem mesmo, e outras não mudam. E sigo no meu caminho, sempre com a leveza por perto, buscando ser feliz a cada dia, e alcançar meus objetivos, sem passar por cima de ninguém, sem mesquinharia, sem precisar prostituir meus valores e ideais. Mas hoje, com um pouco de trsiteza, por esses instantes em que perdemos uma amizade, uma confiança, um possível amor, uma relação, uma ilusão. Algumas coisas são irreversíveis, e os instantes podem ser fatais!!!!!

Um texto baseado em sentimentos confusos, na minha imagem ontem no carro voltando pra casa, pensando pela estrada. Pensando na vida, nas amizades, na confiança que não faz o caminho de volta, nas relações que se perdem.
Um texto tomado pelo sentimento de agora. Um misto de frustração com a repetição dos meus próprios sentimentos, e de frustração pela ilusão de que, finalmente, algo em mim fosse por um caminho diferente. Um misto de desilusão pelos planinhos que eu fazia para o fim do sábado e que perderam o brilho dentro de mim. Um misto de coisas e sentimentos, que batendo no liquidificador, talvez não faça suco de nada, nem vire coisa nenhuma.
Mas ainda assim, segue sendo uma pausa para a felicidade, porque toda reflexão, deve servir para que a gente tente ser mais feliz no segundo que se aproxima!!!!

Friday, November 20, 2009

voltei

Várias coisas pra falar. Mas várias coisas pra aprofundar, então não vale seguir a linha dos tópicos. A primeira coisa é que eu estou absolutamente cansada. Uma semana intensa de apresentações, oficinas e idas e vindas, eu ainda não cheguei em casa. Amanhã ainda enfrentarei aeorporto e avião, até chegar mais perto da minha cama, e de tudo que eu ainda tenho que fazer antes que o ano acabe. Pousar no Santos Dumount é tudo o que eu mais desejarei amanhã!
Essa turnê me fez pensar em várias coisas. Na arte, nos valores artísticos, no porquê me tornei artista, no quanto é bom trabalhar pra crianças, e lidar com arte e educação. Pensei também na importância de levar o teatro pra quem nunca entrou em contato com ele, como é bom ver nos olhos das crianças uma satisfação e um prazer absolutamente novos!!! É ótimo fazer parte disso. Também pensei em ética, e conceito de grupo, em parceria, em amizade versus trabalho, em dinheiro, em futuro, em projetos novos...
Mas isso rende tantos posts. Rende mais post também a saudade que eu sentí, de certas pessoinhas, e do Rio. Rende post a pousada maluca, com o "Milk", e o o boi nas nossas maluquices, e por aí vai...
Volto a escrever quando eu voltar a mim, e quando eu conseguir organizar a vida que nessa ida e vinda toda, acaba ficando bemmm bagunçada!

Beijos.

Monday, November 16, 2009

entre aspas

Antes de me ausentar por uma semana, resolvi deixar estas citações de um blog bem legal, até porque elas me fizeram lembrar... bom, o que não importa, mas me fizeram lembrar...


"E o que é feito da tristeza da dúvida do amor da carta que não chega ao seu destino? Vira solidão. Principalmente de manhã, ao acordar, quando não tem ninguém ao lado para dar bom dia ou perguntar se está sol, exceto o criado. Que é mudo. Não vai responder.

E o que é feito da solidão da tristeza da dúvida do amor da carta que não chega ao seu destino? Vira vazio. Aquele, que se instala no sofá nas noites de sábado e fica cantando músicas grudentas só para chatear. Mas repare bem no cantinho do olhar dele: aquilo ali é esperança. E das boas.".


fonte: http://fiodameada.wordpress.com/


Em homenagem à saudade, aos meus últimos sábados, às minhas últimas manhãs, e a todo mundo que me lê. Uma excelente semana!

Beijos

Sunday, November 15, 2009

só pra constar

To puta, o Firefox me fez perder meu post. Que por sinal, já não era nenhuma maravilha! Mas agora deu aquele branco na cabeça sabe? E eu fiquei me perguntando, pra que eu tenho que escrever um post? Sei lá, porque ficarei uma semana longe do blog, e ele parecerá meio abandonado. Mas aí pensei que ando escrevendo tão compulsivamente, que se duvidar, as pessoas nem lêem mais o que eu escrevo, de tanto que ando entulhando isso aqui de palavras. Será que alguém ainda me lê? Será que alguém encontra sentido no que eu escrevo? E eu? Continuo escrevendo para mim mesma, como sempre foi a minha meta, ou agora preciso de leitores que me dêem retorno? Está vendo, eu sabia que essa coisa de tornar a escrita um pouco o ganha pão ia melar alguma coisa.
Enfim, to aqui digitando de uma maneira agressiva, e tudo está saindo com e no fim da palavra, ou u, e parece mais francês que português. Ai que idiotice está ficando esse bando de letra reunida, pensando, na sua vã ignorância, que é um texto, e que é interessante. Quanta palhaçada!!!

Brain storm -

casa nova. fim de ano com gosto bom. eu preciso de férias. minha coluna dói. o texto novo finalmente está ganhando forma. o projeto pessoal sai ano que vem. a tranquilidade impera. vontade de ir prum sítio e ficar por ali. pé na terra molhada. saudades. preguiça. descanso. cerveja gelada. quero viajar. preciso ler os livros novos que adquiri. saudades de dar aulas de teatro. em breve uma nova empreitada. vontade de filmar um longa. tenho três argumentos para cinema. ansiosa por meu livro. quero sair por aí fotografando o mundo. meu irmão perde celular como quem tem queda de cabelo. saudade de um mar mais vazio. Floripa tem seu encanto no fim do ano. vontade de ter um filho. meu mapa astral é mara. eu quero sentar no boteco e conversar sobre nada. Clarice. Fernandona. Mariana Lima. Teatro. cansei!!!!!

Saturday, November 14, 2009

vamos à feira

Vamos à feira? Ando obcecada por laranjas. E se eu fosse uma laranja? Talvez fosse ácida - acho que doce não!!! Vamos calçar nossos chinelos novos e ir à feira, nem que seja pra rodar a barra da saia, num giro trôpego. Nos fingimos de bêbados. Eu e você. Você que não existe ainda na minha vida, mas volta e meia surge como uma imagem profética, ou premunitória. Você que me parece tão íntimo e tão meu. Surge até nos momentos em que eu estou bem, tranquila, acompanhada, sorrindo. Por essa eu não esperava. Você aqui? Agora? Nesse meu eu que anda tão confortável com o que vem encontrando? O que você quer me dizer? Que ainda falta encontrar você? Que não é esse o caminho de agora, aquele que devo fincar meus pés? O que você quer, vindo me visitar assim? Sem nome, sem endereço, lenço, documento, qualquer pegada que me ajude a encontrar teu caminho...? Tenho a impressão que você surgirá no melhor estilo: bagunçando a sua vida! Você vai enrolar minhas pernas e me ver tropeçar em mim mesma. Eu sou muito atrapalhada! Muito mesmo! Você vai bagunçar as minhas gavetas e fazer aquela cara de : eu avisei que chegaria! Você acha que eu realmente espero? Não faz meu tipo. A inquietação me toma cinco segundos durante a sensação de ter você por perto, e depois some, e vou viver minha vida, que eu sempre sou a favor do agora, sempreeee! Então a hora que você der as caras, meu cosmos amado, eu não sei o que será de mim! Talvez eu nem te perceba de imediato, até porque já vislumbrei tantas caras pra você, que a sua verdadeira face talvez me confunda. Não me leve a mal, mas eu sou assim mesmo. Mas quando você chega? E se já tiver chegado? E se for você? Como eu vou saber? Eu sei, com a mesma sensação com que te sinto e te pinto caras. Mas mesmo assim, no plano material, tudo parece tão mais confuso, e existem as interferências, as energias alheias se interpondo no nosso sinal!!! Você deveria me dizer seu perfume, então eu saberia, se é você, ou se será você. Será que eu quero que seja você? Não sei. Sabe aqueles momentos da vida em que a gente não sabe e não se preocupa em saber? Ando assim ultimamente. Eu não quero saber de nada. Deixo tudo pra mais tarde, só pra ficar ali, vivendo o que talvez não se repita. E nada se repete. As coisas, as situações, as pessoas, variam entre melhores e piores, boas e ruins, mornas, interessantes, brilhando ou tomadas pelo opaco, mas nada é igual. Então um mesmo dia pode ser muito ruim amanhã!!! Será que você já faz parte dos meus dias bons e ruins e eu ainda não me dei conta? Será que já povoa minha vida, e eu não vi? Bem capaz mesmo, eu sou meio cega às vezes!!!! Eu só preciso dizer uma coisa: venha, ou se já tiver vindo, seja leve, dócil, mas não perca também a fúria, e me segure as mãos de um jeito que eu não tenha escapatória, porque acredite em mim, eu sempre dou um jeito de escapar! Então a gente deve se ver em breve! Fique com meu afeto, e minha inquietação fugaz, daqui a pouco eu me distraio ou me atrapalho com qualquer outra coisa, e quando você for ver, já escapei, por entre meus próprios dedos!

Friday, November 13, 2009

não estorva nem sobra pra fora do lugar

É grande!!! Mas não é pesado, nem estorva, nem sobra pra fora do lugar. É imenso, e voa! Não é sério!!! Mas é importante, é frequente, é único!Não tem futuro!!! Mas é presente, é agora, é sempre. Não é nada do que eu costumo encontrar por aí, nas minhas andanças. Ri da minha cara, me esculacha, me encanta. Canta que só. Aliás, é muita risada compartilhada. E eu tenho espaço para ser muito ruim de mentirinha, e posso ser adocicada, e derramar todo meu clichê, toda minha breguice, sabendo que serei querida, ainda assim. É diferente, mais do que pelo diferentismo óbvio que traça. É diferente de um diferente desses que são naturais. Rompe a distância sem agonia, pelo contrário, com calma e sorriso no rosto, com balanço bom de tarde de verão fresquinha, com uma água bem gelada depois da areia quente. Rompe a distância, porque talvez a mesma nem exista. Sobrepõem um pouco minhas idéias, e me deixa numa confusão boa. E eu fico entre a ridícula necessidade imposta de verter tudo em nome e sobrenome, e a natural vontade de apenas viver. E vivemos. Cada vez mais sem necessidade do alheio. Só do vento pra quebrar o calor e de uma trilha sonora. Feita a mão!!! É gostoso de brincar. E sossegado de dormir, embora às vezes role umas sabotagens. Faz tempo que sinto vontade de escrever sobre, mas acho que não se encaixa nada forçado por aí. Então tinham que ser palavras brotadas num ímpeto estranho, numa necessidade, quase violenta, de dizer, de um jeito bem discreto e descontraído, tudo o que eu sinto passar pelo meu pescoço. O pescoço e a curva dele. É bem ali que se esconde o meu recanto. Não sei se é pacífico, mas é qualquer coisa que não se tolera, e ao mesmo tempo se acata. Não é uma ordem. Não chega a ser um caos. Às vezes eu penso que pode ser um costume. Se bem que não, viu, porque não é hábito, é querer bem. É uma situação. É quase um retrato tremido. Desses que a maioria das pessoas jogaria fora, e eu guardo, porque ví algo que vai além da nitidez, e certamente, vale mais que ela. Nem tudo que é nítido é aprazível aos olhos. Eu prefiro o borrão, desde que ele seja todo feito dessa loucura lúcida, e dessa comodidade desconfortável, que insiste em me distrair do trabalho!

o vendedor de laranjas

Tem dias que a mocinha adoraria ser burra! Não ter nenhuma idéia na cabeça, nenhuma inspiração, nenhum grande ideal! Queria acordar e ter a vida simples de um vendedor de laranjas na feira. Não, veja bem, não que o vendedor de laranjas não enfrente durezas da vida, enfrenta, claro que sim. Mas é dessas durezas de pele, de músculo, de estafa. Tirando raras excessões, na sua maioria, a classe dos vendedores de laranjas, não tem tempo para problemas existenciais profundos, não se preocupa com o fato de uma idéia estar nascendo, e muito menos sente as dores do parto. É muito duro o ato de criar. É muito duro ter algum ideal profundo, que motiva e leva adiante o bater de asas. Porque tem dias, que a mocinha simplesmente cansa, estoura, não tem espaço para si mesma. Tem dias que ela se torna pequena, de tão grande que ela se sente. Não cabe no corpinho, toda a "profundeza" que leva na alma, no espírito, seja lá onde é que ela leva!!!!
Quem sabe se ela fosse uma vendedora de laranjas, ainda assim, ela não pensaria na profundidade das laranjinhas. No fundo, ela sabe que deveria ter nascido vendedora de laranjas, porque tornar-se uma seria impossível. Ela, com certeza, se tornaria uma vendedora de laranjas dada às "profundezas", e acordaria com o mesmo peso, todas as manhãs. Teria a mesma sensação de que sobram idéias, sobram atos criativos, sobram pensamentos profundos, sobram sentimentos. E o fato, é que a vida, por mais longa que seja, será sempre curta, para quem como ela, veio com "profundeza" a sobrar...

Wednesday, November 11, 2009

hoje

Fim de ano atribulado. Engraçado, eu não suporto fim de ano, Natal, Ano novo, mas desta vez até estou querendo que chegue logo. Um, porque creio precisar descançar um pouco sem culpa. Dois, porque chegando rápido, passa mais rápido ainda, e ano que vem promete horrores.
Ano que vem é o último ano que divido apê. A meta é ter a minha casa, e terei! Adoro ter um canto pra chamar de meu! Ano que vem é o ano de colocar pra fora certos projetos pessoais, que venho alimentando há anos. E eles já começam a dar o ar da graça!
Olha, pra ser sincera, eu não divido muito a vida em anos não, mas morando no Brasil, e ainda por cima no Rio de Janeiro, não tem como fugir desses três ou quatro meses, entre véspera de Natal e fim de Carnaval, em que nada funciona, e as pessoas estão numa frequência alternativa!!! Querendo ou não, eu tenho que pensar que o ano termina e o outro começa, que alguns ciclos se fecham e outros se iniciam. Olha eu tentando me enquadrar nessa caretice de calendário - Cristão ainda por cima! Eca!!!!
Ok, hojé é dia de arrumar a mala. Não sei do que gosto menos, arrumar a dita cuja ou fazer supermercado. Tarefas dolorosas para mim. Viajar a trabalho é bom. Diverte, tira da rotina. Principalmente pra quem trabalha muito em casa, na frente do computador, entre projetos, textos e essa coisa toda. Mas também faz com que a gente tenha que correr pra adiantar todos os compromisso e não deixar ninguém na mão, e empaca um pouco a criação nova, que ficará uns bons dias deixada de lado. Mas enfim, tudo pelo money!!!! Capitalismo selvagem, rsrsrs.....
Com o apagão de ontem quase cheguei ao fim do "Cem anos de solidão". Já tinha tentado ler uma vez e não cheguei ao fim porque me cansei. Agora até estou achando interessante, mas nada perto do que meus amigos entusiastas pelo mesmo, viviam gritando aos meus ouvidos. Não acho um máximo e está longe de ser o livro da minha vida. Sei lá, achei cansativo, chato, não sei explicar! Mas chegarei ao fim desta vez.
Comprei a biografia da Fernandona. 15 reais! E eles trazem em casa sem cobrar nada. Adoro a Travessa!!!!
Amanhã avião, avião e avião!!!! Acho um saco, só vou de avião porque chega mais rápido. Mas ficar trancada à milhares de distância do chão, com minha alergia gritando, é uma tortura imensa!
Tá, chega desse relato diário! É que eu realmente estou sem inspiração para poesias hoje!

Abraço!

Friday, November 06, 2009

correria

Faz tanto calor, que eu já pensei seriamente em me mudar pra geladeira. Seria a pessoa mais feliz, nesse momento, junto de uma rúcula ou um bom suco de manga, ali no fresquinho quase polar do meu refrigerador! Enfim, nascí gente, tenho que aturar.
Esse final de ano está corrido e zoado só pra mim ou pra todo mundo? Tudo resolveu acontecer nesses últimos meses de 2009. Nem posso reclamar que o ano tem sido todo cheio de acontecimentos, mas esse final de ano está num ritmo acelerado que eu to tendo que correr pra não ser atropelada. É teste, é produção de espetáculo, é projeto, é texto novo, é organizar já a vida pros próximos meses, é trabalho de atriz, é viagem a trabalho, é coisa nova aparecendo, são os projetos pessoais dando o ar da graça, é uma correria sem fim. Essa manhã rendeu, graças, e fiz quase tudo que tinha pra fazer hoje, agora só me resta ficar a tarde toda escrevendo, porque esse texto tem que ficar pronto no máximo até início de dezembro, junto com projeto.
Nessas horas eu me pergunto, Marina, porque você vai se metendo em tudo que acha interessante? Eu mesma me respondo: Porque surto de trabalho bom, Marina, é a coisa mais gratificante que tem!

Ah ainda tem o livro, que espero que saia logo. Vamos ver se pra esse fim de ano corrido, ou só pro ano que vem. Mas as borboletinhas baterão asas meu povo!

É isso, hoje é sexta feira, e eu tentarei descançar esse final de semana, se bem que, amanhã, entre a pedalada e o descanço, terei que produzir palavras!

Beijos!

Wednesday, November 04, 2009

pausa para a felicidade

De antemão já aviso, isso não é a descrição de uma crise, e sim de um desejo.

Desligar o celular, o computador, tudo que faça som e me comunique com qualquer outro ser humano, além daquele com o qual eu queira, voluntariamente, passar alguns dias sem saber do mundo lá fora. Sair para algum lugar tranquilo, longe dessa competição, desse vencer ou morrer, dessa poeirada toda da cidade. Um lugar onde eu seja só uma pessoa, sem nome, endereço, número para o que quer que seja. Não entrar no msn, não atender chamada de ninguém, não mandar recado no orkut, no facebook, não twittar, zero de emails!!!!
Vontade de botar o pé em alguma estrada que me leve a algum lugar, no qual eu não seja nem filha, nem irmã, nem amiga, nem atriz, nem autora, nem sócia, nem parceira, nem ex namorada, nem fã de nada, nem de ninguém. E ficar ali, só eu e quem eu quiser. Ouvindo o som do silêncio, ou uma ou outra música que a gente tenha achado que valia à pena. Pegando vento na cara. Sendo só o que a gente é um pro outro, sem interferências, sem sinal externo, sem bagunça. Eu realmente estou precisando de dois dias, só dois dias, de ausência total e permanente, de qualquer forma de estreitar as distâncias, as saudades, os laços; de qualquer forma de contato profissional, filial, amizadístico; de qualquer contato de qualquer instância. Eu preciso de dois dias pra ser eu, sem nome, sem lenço, sem documento, no melhor estilo final de minissérie! É uma pausa pra curtir a minha felicidade, o meu bom momento, as minhas conquistas, o meu crescimento, o bom ano que tive, a vida linda que ainda tenho... É tanta coisa, que no meio de tudo,a gente vai deixando a felicidade passar pela gente, uma atrás da outra, com a sensação de quem comeu rápido demais e não provou do sabor. E eu odeio comer rapido demais.
É uma pausa para a felicidade. Vem comigo?!

Tuesday, November 03, 2009

no palco

Um não sei o quê do quê
O palco te confere
Num tudo de algo
E tudo no palco é breve
Em linhas sinuosas
Cutuca quem espera
És fera
No palco tudo é breve
E dura o tempo do eterno
No que impõem
Um não sei o quê do quê
No palco avisa
Num tudo de algo
E tudo no palco se imortaliza...

momentinho feiúra

Eu acho engraçado, como hoje em dia eu lido com meus momentos de insegurança. Simplesmente, declarando-os. Eu escancaro mesmo que estou num dia daqueles, me sentindo feia, desamada, desamparada, e tristonha. E engraçado, que se alguém pergunta o porquê, eu mesma digo: não tem motivo, eu só estou insegura, tristonha, me sentindo feia...mas a minha vida está ótima, provavelmente amanhã eu vou acordar feliz, me sentindo linda, amada, desejada. Meus projetos vão bem, dinheiro não está faltando, tenho sáude e os que eu amo estão bem.
É ótimo ganhar essa liberdade de poder sentir-se a última bolacha do pacote, sem achar que isso é o pior ato falho da vida. Sim, esses dias existem mesmo! E eu acho engraçadíssimo como as pessoas não conseguem me ver assim: mas Marina, isso não combina com você! Gente, e precisa lá combinar? Eu não sou dada a esses dias com frequência, aliás fazia meses que não tinha desses ataques, mas vez ou outra faz um bem. É bom, sobretudo, quando a gente tem essa liberdade de escancarar e pedir colo, beijo, abraço, afago. Mostrar pros outros as nossas fraquezas - claro que para outros escolhidos a dedo - faz um bem, e fortalece muito. Primeiro porque a gente recebe carinho, sente-se amado, vê que tem gente que tá com a gente e ponto. Segundo porque você mostra pros seus, o quanto eles são importantes, e que você não é aquela fortaleza indestrutível que jamais precisará deles. É bom, eu acho que faz bem pras pessoas, e pro amor que une você aos outros.
Estar bem e radiante sempre, cansa, acredite. A tristeza e a melancolia, quando vividas em doses saudáveis, fazem bem ao ser humano. Aumentam os momentos de silêncio, prolongam os contatos, aproximam, surpreendem, chamam para dançar, num ritmo mais calmo, e te trazem de volta à realidade mais forte, mais viva, mais radiante. Eu sempre fui a favor de que na vida, tanto o sorriso, quanto a lágrima, fazem parte de um mesmo roteiro, e devem coexistir sem traumas, sem medos, e principalmente sem fugas. Eu desconfio muito de quem sorrí o tempo inteiro, provavelmente cala a alma com a gargalhada, para não ouvir a própria voz!

beijos e boa semana mais curta!

Sunday, November 01, 2009

duo

É um tempo. Um tempo de dois. Onde mais ninguém entra. E se alguém sair, se esgota. É um tempo que só faz sentido a duas presenças. Passa arrastado, ou como um cometa, risca a pele de quem pulsa sobre ele. Um tempo onde qualquer música talvez não caiba. Mas têm as músicas certas, para cada milímetro de segundo que lhes passa pela boca. Tempo de sutilezas e desvios. Promessas não cabem no tempo. "Despromessas" não chegam a tempo. É quase suspenso ali onde se beijam. É quase uma cápsula. É quase uma caixa. Caixa de presente. É todo presente. É todo entre dois. Não cabe ninguém. Não sobra ninguém. Não falta ninguém. Não sobra mão, nem carinho, nem malícia, nem feitiço. Não há nada fora do lugar, embora já tenham derrubado todos os vasos da janela. Com fúria. Com tempo. No tempo não se perdem. Não envelhecem. Não temem. Sentem-se. Sentam-se. As mãos se procuram. Procuram uma desculpa pra deixar qualquer coisa pra mais tarde. Fazem um teatro que lhes cai bem. Enganam o mundo. Enganam o tempo. Suspendem a vida lá fora. Tentam compor uma linha de poesia que vibre no tom certo do tempo que passa. Não sabem bem quanto tempo passou. Beijam. Cospem. Vibram.