Thursday, October 08, 2009

chuva cinema e você

"Vamos ao cinema. Agora, foda-se a chuva. Pega na minha mão. O filme? Não sei, na verdade eu quero te contar sobre as três ideias de roteiro que me ocorreram. Quero ver se te agradam! Na verdade o cinema é pretexto. Pretexto pra viver você de perto. Embora eu saiba que não precisaria de pretexto, mas eu prefiro utilizá-lo. Vem comigo. Vamos ouvir qualquer coisa por aí. Pode ser o som da rua, a obra do vizinho, da privada! Leva aquela blusa que eu gosto. Usa ela pra mim. Liga fazendo doce, e depois se derrete, mas de levinho. Fica leve, do jeito que só você sabe ser. Mas se ocupa em me distrair, porque hoje, eu acordei com humor afetado, desses que não cabe direito em lugar nenhum. E tenta não se contaminar tá? A gente podia pegar a bicicleta e sair voando por aí? Será? Não sei, acordei com insegurança. E pior, acordei esperando de você, mais do que você vai me dar. Eu tenho certeza, porque já acordei faltando. Daí é batata! Toma um banho aqui? Eu gosto. Depois a gente abre um vinho. Mas eu só preciso me cuidar pra não denunciar nada. Eu tento mentir nos olhos, na voz, na face. Você nunca vai desconfiar de nada. Quando formos velhos, talvez você revele que sempre esperou por mim. Aí eu vou me arrepender por umas sete vidas, pelo fato de nunca ter denunciado nada. Nunca ter deixado escapar nada. E você vai chorar, por perceber que nos amamos sem dizer, sem saber, sem precisar. Nos amamos mesmo, daquele jeito que pouca gente faz. Então você vai chorar um pouco, porque vai se dar conta, de que ainda nos amamos, e nos amaremos, mas o tempo nos fez refém de nossas angústias, nossas vidas, planos, sonhos... Eu vou tentar dizer alguma coisa, mas vou perceber que por anos me culpei a falta de coragem, sendo você também uma pessoa refém do medo. Nos tornamos reféns, e nosso amor sobreviveu. Mas penso, que talvez, você não diga nada disso. Não questione nada, não revele nada. Que nosso amor nem exista, e que seja eu um pintor sem tela, desses que rabisca o ar, e é o único a ver o próprio desenho. Triste. Mas ainda assim, de certa forma, nosso amor terá existido, não?! Talvez você me beije na testa e denuncie que sempre soube do meu amor. Aí seria pior, porque sabendo, ainda assim não me amou. Isso seria o fim do nosso amor, porque revelaria você demais, e eu estaria sem roupas diante de tudo isso. Prefiro não imaginar nada. Talvez nos encontremos e apenas não saibamos mais quem somos. Mas ainda assim, te convido pra ir ao cinema. Querendo dizer mais coisas, mas parando, porque ao dizê-las, denuncio-me e revelo mais de você!"

2 comments:

Raquel Stüpp said...

lindo lindo
parece que já li isso antes
muito bom!!!!!!!

Gabi said...

Perfeito Marina!
Lindo, tocou a alma, sabe?
Parabéns!