Sunday, October 25, 2009

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Às vezes é difícil não falar da gente. Mas nessas do blog não ser só meu, eu fico pensando se o povo gosta de ler tanto hermetismo, tanta autopercepção assim... Tem vezes que eu nem sei falar de mim, mas noutras é só o que me resta. Talvez porque esteja tão preenchida, quase explodindo de tanta coisa delicada e boa, que o único jeito de amenizar a dor é escrevendo. Sim, estar numa boa fase também dói. A gente pensa que adquiriu super poderes e quer ter a velocidade para ver tudo, como bem diria a Marisa. Nessas fases tudo que é bom no mundo e nos outros nos salta aos olhos, as pessoas brilham, dá vontade de abraçar todo mundo. Os livros, os filmes, as coisas todas parecem lindas, maravilhosas, dá vontade mesmo de abraçar o mundo inteiro. Aí a gente vê que não consegue, e que é preciso se contentar - de um bom contentamento - em apreciar as coisas lindas que chegam até nós; os livros, as pessoas, os filmes, as músicas.
Eu gosto de descobrir. Descobrir cantores novos, músicas novas; livros inusitados; cantos; cidades, pessoas; detalhes. Desde criança sou assim, tenho um gosto para o inusitado da vida, para as coisinhas dentro das caixinhas que brilham, pros detalhesinhos, que as pessoas só vêm um tempo depois. Eu reparo primeiro no detalhe, e é sempre ele que me fascina, atrai, seduz...
Gosto dos detalhes das pessoas, físicos ou não. As curvas que ligam o pescoço ao ombro, a boca ao queixo. Essas curvas dizem mais que os olhos, muitas vezes. Gosto de livros usados com anotações das pessoas que já os leram. Do cheiro. Gosto dos filmes que me marcam, por lágrimas, risos, estranhezas, ou pela simples leveza, gosto dos que desafiam minha inteligência também. Eu adoro dar presentes que tenham tudo a ver com quem os ganhou, que fazem a pessoa derramar lágrimas, se encantar, sair da mesmice. É como se eu pudesse dizer: eu lhe conheço tanto, a ponto de chegar ao seu coração. Isso é o maior detalhe, conhecer as pessoas a ponto de chegar até elas, em lugares que só elas chegariam. Poder conhecer tão bem a alguém, a ponto de lhe antecipar uma alegria, de lhe sorrir um sorriso remédio pra alma. Maior detalhe que esse, só quando duas pessoas não precisam de muito tempo pra isso. E eu costumo conhecer pessoas assim, que de um minuto ao outro percebo a alma, e sinto minha alma percebida. Raro. O tempo só faz aumentar ainda mais esse detalhe todo, que me embriagada quase sempre. Mas com o tempo a gente aprende a não morrer de amor, nem de felicidade todo dia. A gente aquieta o coração e a alma, e dosa a energia, deixando explodir um dia ou outro, mas fingindo que é meio intenso, meio feliz, que meio ama, pra poder continuar sendo na medida do que as pessoas suportam. Isso é um detalhe lindo.
Agora vou comer minha pipoca meio salgada, meio doce, e ser feliz com uma banalidade assim. Eu adoro ser banal!!!

Abaixo um trecho do blog que indiquei:

"Ultimamente, não por acaso, perdas da vida rondam meu pensamento. Lembro da minha primeira decepção amorosa (ou, ao menos, o que uma garota de 14 anos chama de amorosa); da primeira amizade partida; da primeira pessoa que desisti; do primeiro amigo que morreu; da primeira vez que duvidei da sinceridade de alguém. Perder é estranho. Marca, fere, machuca. A gente não esquece. Pode até esquecer o que ganhou, mas dificilmente apaga o que perdeu.".
http://vooluminoso.blogspot.com

1 comment:

Mariana said...

e viva o direito de ser banal!!! porque ser profundo o tempo inteiro enche o saco e não traz felicidade nem bom humor pra ninguém!!!

hehhee

bjuuus!