Wednesday, October 21, 2009

aparências

O Rio é uma cidade de aparências. Não só de aparências, mas que aqui a estampa conta muito, conta. Na cidade cartão postal, do pão de açúcar, do Cristo, da pedra da Gávea, muita gente quer ser considerado a sétima maravilha do mundo, ou estar ao lado de uma. Importa a roupa mais fashion, o cabelo mais da hora, o peitoral mais trabalhado, o tríceps mais definido, a bunda mais dura. Ai como me cansa isso!!! O povo daqui, e muitos que vêm pra cá - na maioria claro, porque sempre têm excessões - dão um desmesurado valor às aparências. As pessoas parecem estar umas ao lado das outras, num desfile de quem carrega o mais bonito ao lado.
To cansada de manifestar meu gosto por algum passante, e ouvir, ai Marina, você merece alguém mais bonito, você é tão bonita. Ou então, ai gente, aquele ali é o namorado da fulana? Nooossa, ela é bonita demais pra ele. Ai gente, como isso me cansa. Se eu dei valor pra beleza, e de fato dei mesmo, foi no auge da minha juventude, quando a auto estima ainda precisava de muito lustro, e estar com alguém linnndo pros padrões, fazia com que eu me sentisse menos feia e mais poderosa. Passou tem tempos isso. Não ligo pra beleza, não ligo mesmo, e detesto quando quem tá do meu lado liga demais pra isso. Nunca fui muito com a cara de garotos deslumbrados, que ficavam me bajulando, e dizendo noooossa nunca imaginei ficar com você, porque você isso, você aquilo... no ato eu perco o interesse.
É claro que a gente liga pra beleza, e é a imagem que nos chama atenção numa primeira olhada, quando não se conhece alguém. Mas eu to falando é dessa obsessão por uma beleza padrão imposta pela mídia, onde até alguns amigos meus, que julgo hiper inteligentes, caem de quatro. Como tem gente que só se preocupa em procurar uma boa estampa, depois quebra a cara e não sabe porque!
Eu já busco outro tipo de beleza. Dessa que vem com o conjunto da obra, com as qualidades, com os talentos, com a história, com o olhar, o estilo, o conforto, e a dose adicional de charme. Acho bonito gente bem resolvida, de cabeça aberta, sensível, que se sente confortável sendo quem é. Acho um charme quem toca algum instrumento, tem alguma ligação com a arte, sabe falar sobre vários assuntos, sabe ficar em silêncio, lê muito, dança, fala besteira, descontrai o ambiente. Eu gosto de gente. Não aguento mais essas comparações, essas disputas, essas corridas pelo mais belo.
Aliás, confesso, já namorei ou tive romances com alguns caras bonitos, e foram os mais chatos e complicados da minha vida. Confesso, to com preguiça de gente muito boninitnha padrãozinho assim sabe? Geralmente é gente cheia de nóia, de insegurança, que precisa de cinco em cinco minutos ser notado pela beleza, ser chamado de bonito, ser agraciado com algum assobio, que fica o tempo todo ajeitando o cabelo no espelho. Cansa a minha paciência demais.!!!!Gente bonita, que sempre foi bonita então, na maioria das vezes é um pé no saco, porque senão é insegura ,se acha, e odeio gente que se acha. Se não foi muito bem instruída, é daquelas pessoas vazias, onde só a embalagem impressiona. Não, definitivamente não, desculpem meus amigos que andam obsecados por beleza, mas eu não tenho paciência pra isso. Quando quiser falar sério, me liga!

3 comments:

Mariana said...

hahahha... adorei o texto!!! o padrão é mesmo um nojo e o pior, que descobri recentemente, é que no Brasil o padrão é mais cruel... bem mais cruel. Talvez seja o excesso de praias. Muita gente de biquini querendo estar sempre no topo da pirâmide da gostosura... e malha daqui, malha de la, faz umas luzes e tcharam: todo mundo igual com aquele mesmo papo de academia, etc.
também me canso!!! bjuus!

Andressa Mehl Lunz said...
This comment has been removed by the author.
quelstupp said...

adorei esse teu post!