Friday, October 30, 2009

amigos

Pelo caminho encontrei e guardei grandes encontros. Tenho amigas da época da escola. Que viveram a adolescência junto comigo. As euforias do primeiro beijo, a ansiedade pela primeira menstruação, achando que isso ia nos tornar mulheres. Os trabalhos de escola, que nos reuniam umas nas casas das outras, regadas a sucos e refris, e muita, mas muita risada. Lembro como se fosse hoje, a gente na sacada, rindo de doer a barriga, com preocupações bobas, mas que pra nós eram as maiores do mundo. Eu lembro de escrever nos meus diários, todas as minhas angústias e dilemas, hoje eu daria risada com certeza.
Ai a primeira vez que fui na boate, eu e minha amiga estreiando nossa madrugada, de blusa de lã, em pleno calor da discoteca. Eu dou risada até hoje. Muita risada. Até das brigas eu dou risada. As jincanas que faziam nosso coração disparar para vencer. Os jogos de futebol que a gente sempre ganhava. O túnel do terror, que quase matou a diretora. A única peça que deu certo na minha vida escolar, e que me fez assumir de vez meu caminho. As viagens, as formaturas, as dúvidas sobre o futuro. O nosso grupinho sempre unido! Saudades. Algumas das meninas se perderam no tempo, nos afastamos, mas sempre farão parte da minha história, cheia de boas recordações. Mas duas ainda permanecem comigo. Mesmo que a gente passe um ano, às vezes mais sem se ver, sempre estamos ligadas, unidas. Por orkut, por email, por mensagem fora de hora declarando a saudade. Fim desse ano vamos comemorar dez anos de formatura do colégio, e vamos nos reunir. "As boas do terceirão"!!!! No mínimo será divertido, porque por mais que nossas vidas sejam absurdamente diferentes, por mais que tenhamos mudado muito, o que nos liga é um passado assíduo, cotidiano, de dias inteiros juntas, de segredos, de medos, de sonhos, e isso ninguém apaga! Elas conhecem uma Marina que talvez os amigos de hoje nem sonhem que existiu, e isso não tem preço.
Depois veio a faculdade, e aí mermão, fiz grandes amigos pra vida. Esses que povoam meu dia a dia até hoje. Pessoas com as quais trabalho, com as quais divido minha vida. Pessoas lindas que me ajudaram a crescer e me tornar quem sou. Me viram passar por momentos difíceis, fases conturbadas. Sempre com um sorriso no rosto, e quando preciso um puxão de orelha. Na faculdade, lugar onde passamos enormes revoluções, foi onde fiz meus melhores amigos, meus irmãos, pessoas com as quais me identifico. Alguns voltaram pras suas cidades, eu mesma vim embora pra outro lugar, mas independente a assiduidade ou não, nos pertencemos porque estamos ligados pela alma. Porque nos vimos crescer e nos ajudamos. Porque compartilhamos um cotidiano intenso, que às vezes ia das cinco da manhã até a meia noite (faculdade de teatro é foda)!!!!! Ali conquistei as pessoas com as quais eu sei que posso contar, que acreditam em mim, no meu trabalho, nos meus ideais. Ali conquistei, cada um a seu modo, meus irmãos, irmãs, amigos de alma, meus carminhas, hehehe.... Sinto saudades, de uns ainda mais porque estão muito longe, e quase não vejo nunca, embora estejamos ligados. Sinto saudades dos que vejo com mais frequência, até trabalho junto, mas queria mais, queria que vivessem na mesma cidade que eu, pra gente poder se abraçar sempre. Mas me sinto tão feliz porque vejo que eles estão bem, e felizes, e cada um a seu tempo, trilhando caminhos lindos, encontrando seu espaço na arte e na vida, crescendo e sendo reconhecidos. Isso é o melhor, porque a gente sabe o quanto cada um merece, luta e trabalha pra chegar longe! Guardo cada bilhete, cada cartinha, cada recado. Adoro encontrar no msn, justo quando eu estava pensando muito forte na pessoa. E poder conversar, e idealizar projetos, e ver que estão próximos dos amigos queridos que eu não posso ver sempre. Fico feliz que eles estajam unidos e bem, assim sei que estou junto deles, onde quer que vão! Amo vocês muito!
E agora, na nova cidade, novo cilco na vida, encontros maravilhosos. Pessoas novas, e outras antigas, que só aqui tenho tido a oportunidade de conviver e perceber o quão lindas são! Realmente eu só posso agradecer, é a única coisa que me resta. Agradecer ao universo por colocar pessoas iluminadas no meu caminho, e à minha mãe, por ter sempre me ensinado, que acima de tudo vem o amor próprio e o amor pelas pessoas à nossa volta, o resto a gente consegue, com facilidade!

Beijos!

Wednesday, October 28, 2009

inversão da lógica ou a comunicação truncada

Com você eu fugiria para qualquer lugar!

Mas você não entende, fugir é um ato, geralmente, solitário.

Geralmente, não necessariamente.

Você não entende!

Eu entendo sim, entendo que você não quer mais segurar a minha mão em uma tarde de quarta feira, e não tem coragem de dizer a verdade, com palavras curtas e grossas...então você inventa um estado de fuga em você mesmo.

Não é verdade!

Claro que sim. Sabe o que eu acho pior? Você poderia ter inventado outra coisa. Tipo, ah você é boa demais pra mim, ou é que estamos em momentos muito diferentes, ou eu sou melhor amigo que namorado, ou eu não sei lidar com meus sentimentos. Mas essa de fugir, foi uma alegoria sobre si mesmo, que me dá vontade de rir muito.

Eu realmente preciso fugir. De verdade. Se pudesse levaria você comigo. Mas não é possível. Essa é uma fuga solitária. Eu só vim aqui me despedir. Dizer que amei você e amo, de uma maneira que nunca amei e nem amarei ninguém. Eu só queria poder dizer isso.

Você acha que me engana. Seus olhos fogem dos meus, porque você inventa uma fuga pra camuflar a sua fuga original. Porque você não fala que não quer mais e ponto? Vai ser mais fácil pra mim.

Eu não mentiria pra você. Nem que fosse pra deixar as coisas mais fáceis. (...) Mas sabe o que me estristece agora? É que realmente eu vou fugir com um peso a mais na alma. Você não me ama!

O quê?

É. Você ama estar ao lado de alguém, não ser sozinha. Ter alguém para exibir pra sua família, suas amigas. Você prefere que eu minta para tornar tudo mais fácil para você. Você não confia em mim. Por um minuto passou pela minha cabeça te convidar para fugir comigo. Mas você ainda precisa amar alguém de verdade, pra poder fugir pra algum lugar!

Você é um babaca.

Que bom, temos algo em comum! Desejo que você seja muito feliz!

Pois eu prefiro que você morra!

Seu desejo é uma ordem!

[O rapaz de All'Star vermelho se joga da janela onde discutiam. O décimo quarto andar de um prédio comercial da principal avenida da cidade, que era grande. Ela fica em estado de choque. Ele realmente estava falando a verdade. Planejava uma fuga eterna, de todos os medos e frustrações que tinha na vida. Talvez o maior medo de todos, fosse o de amá-la, porque doía e pesava tanto a sua alma, o pânico de perdê-la, que no fim ele se jogou leve, pensando que ela não o amava. E mais leve ainda, porque pela primeira vez assumiu e disse olhando nos olhos, que a amava mais que tudo. Ela ficou ali, parada, sem saber de sí].

Para alguns amar é morrer, assumir que ama é voar. Um vôo cego em direção ao nunca, ou ao sempre!





Monday, October 26, 2009

último post aleatório

Todo dia eu acordo com a sensação que é aniversário de alguém querido, e que eu, fatalmente, estou esquecendo! Coisa estranha isso!
Vamos lá, hoje estou inspirada para instituir algumas pequenas regras para este blog. Considerando que ele já tenha algumas, que nasceram sozinhas, vou criar mais umas duas ou três. Na verdade não são regras, são estilos. Temos o palavreado à toa, temos o entre aspas, temos as ..., temos os personagens, temos as rapidinhas, temos o momento propaganda, e teremos as cartas, o eu sinto saudade de, as perguntas, eu indico, o letra movimento e música e uma pausa para a felicidade! Vou tentar ver essa história de marcação! Acho que abarcarei de forma simples tudo o que tenho vontade de dizer - rsrsrsrs.... Qualquer coisa eu crio coisas novas! O blog é meu também né!

Agora eu farei um momento propaganda, dentro do aleatório [acabo com o aleatório ou incluo ele nos estilos???], aliás auto propaganda. Eu tenho um blog novo, na verdade já tem uns meses de vida. Ele tem um estilo mais específico que esse, textos mais curtos, e não inclui a minha vida pessoal, em nenhuma esfera explícita - rsrsrsrs. Pra quem quiser ler cartas destinadas a um louva deus, que na verdade pode ser qualquer um, simbolizando as cartas que escrevemos [seja no papel ou no pensamento] e nunca mandamos para os destinatários, é só entrar no link abaixo desse texto enorrrrme! Cartas que tem como sentido maior, fazer da banalidade das coisas pequeninas, um bálsamo de poesia para a alma. Por isso um louva deus, uma tartaruga e uma joaninha, trocam pequenas profundidades de almas em bilhetes e cartinhas, que tentam celebrar a vida. Aliás, quem quiser me mandar textos pequenos, que tenham esse propósito, mandem, só assinem como algum bichinho que exista por aí, e que não seja muito maior que uma tartaruga, porque ela é a maior e mais pesada espécie que pode habitar aquele blog - e um pouco lenta também! Aí eu posto lá e coloco o nome do bicho seguido do autor, pra não ferir o ego de ninguém. Tem tanto amigo dizendo que queria escrever mais, e que anda se descobrindo, estou tentando ajudar!!!

http://cartasaolouvadeus.blogspot.com/

Abraço, beijos e boa semana. A minha será corrida, por isso se houver uma pausa aqui, é por motivos de força maior!

PS: resolvi deixar o aleatório!!!!

Sunday, October 25, 2009

...

Às vezes é difícil não falar da gente. Mas nessas do blog não ser só meu, eu fico pensando se o povo gosta de ler tanto hermetismo, tanta autopercepção assim... Tem vezes que eu nem sei falar de mim, mas noutras é só o que me resta. Talvez porque esteja tão preenchida, quase explodindo de tanta coisa delicada e boa, que o único jeito de amenizar a dor é escrevendo. Sim, estar numa boa fase também dói. A gente pensa que adquiriu super poderes e quer ter a velocidade para ver tudo, como bem diria a Marisa. Nessas fases tudo que é bom no mundo e nos outros nos salta aos olhos, as pessoas brilham, dá vontade de abraçar todo mundo. Os livros, os filmes, as coisas todas parecem lindas, maravilhosas, dá vontade mesmo de abraçar o mundo inteiro. Aí a gente vê que não consegue, e que é preciso se contentar - de um bom contentamento - em apreciar as coisas lindas que chegam até nós; os livros, as pessoas, os filmes, as músicas.
Eu gosto de descobrir. Descobrir cantores novos, músicas novas; livros inusitados; cantos; cidades, pessoas; detalhes. Desde criança sou assim, tenho um gosto para o inusitado da vida, para as coisinhas dentro das caixinhas que brilham, pros detalhesinhos, que as pessoas só vêm um tempo depois. Eu reparo primeiro no detalhe, e é sempre ele que me fascina, atrai, seduz...
Gosto dos detalhes das pessoas, físicos ou não. As curvas que ligam o pescoço ao ombro, a boca ao queixo. Essas curvas dizem mais que os olhos, muitas vezes. Gosto de livros usados com anotações das pessoas que já os leram. Do cheiro. Gosto dos filmes que me marcam, por lágrimas, risos, estranhezas, ou pela simples leveza, gosto dos que desafiam minha inteligência também. Eu adoro dar presentes que tenham tudo a ver com quem os ganhou, que fazem a pessoa derramar lágrimas, se encantar, sair da mesmice. É como se eu pudesse dizer: eu lhe conheço tanto, a ponto de chegar ao seu coração. Isso é o maior detalhe, conhecer as pessoas a ponto de chegar até elas, em lugares que só elas chegariam. Poder conhecer tão bem a alguém, a ponto de lhe antecipar uma alegria, de lhe sorrir um sorriso remédio pra alma. Maior detalhe que esse, só quando duas pessoas não precisam de muito tempo pra isso. E eu costumo conhecer pessoas assim, que de um minuto ao outro percebo a alma, e sinto minha alma percebida. Raro. O tempo só faz aumentar ainda mais esse detalhe todo, que me embriagada quase sempre. Mas com o tempo a gente aprende a não morrer de amor, nem de felicidade todo dia. A gente aquieta o coração e a alma, e dosa a energia, deixando explodir um dia ou outro, mas fingindo que é meio intenso, meio feliz, que meio ama, pra poder continuar sendo na medida do que as pessoas suportam. Isso é um detalhe lindo.
Agora vou comer minha pipoca meio salgada, meio doce, e ser feliz com uma banalidade assim. Eu adoro ser banal!!!

Abaixo um trecho do blog que indiquei:

"Ultimamente, não por acaso, perdas da vida rondam meu pensamento. Lembro da minha primeira decepção amorosa (ou, ao menos, o que uma garota de 14 anos chama de amorosa); da primeira amizade partida; da primeira pessoa que desisti; do primeiro amigo que morreu; da primeira vez que duvidei da sinceridade de alguém. Perder é estranho. Marca, fere, machuca. A gente não esquece. Pode até esquecer o que ganhou, mas dificilmente apaga o que perdeu.".
http://vooluminoso.blogspot.com

Saturday, October 24, 2009

pensamentos aleatórios

Pensamentos aleatórios [adoro isso]:

É sábado, faz sol, e pra quem conhece o Rio sabe o que significa: um céu azul, que de tão azul fica chapado. Uma brisa que não deixa um calor insuportável. Um dia pra se fazer o que quiser. Eu, por exemplo, vou pedalar até a praia!

Meus livros favoritos, estão na sua maioria, grifados. Com pequenas anotações. Lembretes para mim mesma. Acho legal, a história da gente vai ficando no livro, e ele vai pertencendo à nossa. A mi me gusta mucho!

Estou mergulhada numa idéia nova, e que está me motivando muito. Acredito demais nela, e me joguei!

Coisas maravilhosas estão se aproximando. Aí eu parei pra pensar, que as pessoas não se dispõem a correr atrás mesmo, e quando você consegue algo elas não entendem como você conseguiu e elas não. Provavelmente porque você não ficou sonhando em estar na novela o tempo todo, e muito menos em ser fotografada pela Caras. Há uma diferença entre fama, sucesso e reconhecimento. Nada contra quem quer fama, mas há caminhos mais rápidos que tentar ser artista. ARTISTA! Quero ver é quando tudo estiver consolidado, o que vai ter de gente maluca se dizendo sempre fã e querendo estar junto! Aff!

To curiosa pra ver meu livro! Muito curiosa!

O que diferencia uma pessoa feliz e com "sucesso" das outras, é a intuição que ela tem para se aliar às pessoas do bem e com energia superior! Puro achismo meu!!!

Esse fim de ano está escapando pelas mãos né?!

Eu já vejo a cara do meu filho! Impressionante, ele não tem nem data certa pra vir, mas eu já sinto ele!

Pés no chão, olhar no horizonte, água nas canelas! To me sentindo assim por dentro!


O caminhão de lixo interrompeu o silêncio. Sim, eu moro no Rio, mas minha rua é silenciosa. Aliás, engana-se quem pensa que aqui só há barulho. O Rio é uma cidade de cantos escondidos. No meio do centro você encontra uma praça meio parque cheio de quatís, no meio do catete tem o jardim do palácio, perto da minha rua tem um parque lindo, com lago e patinho. As pessoas ocupam esses lugares. O carioca gosta do dia, do exercício, de ler ao relento. E eu me identifico demais com isso tudo!


Poxa, eu tenho a impressão que jamais vou conseguir ler tantos livros quanto gostaria. Ver tantos filmes quanto gostaria. Escutar tantas músicas quanto gostaria. Tem muita coisa boa nesse mundo!

Acabei de descobrir um blog ótimo, com dicas de leituras mara, e uma história emocionante: http://vooluminoso.blogspot.com

Entre tantos trechos deste blog, gostei muito desse aqui: "“Acordou com vontade de ficar o dia na cama, coberta, escondida, pois então levante, vista sua melhor roupa e saia de casa. E se, ao contrário, acordar com euforia sem tamanho, capaz de sair cantando, fique um tantinho mais na cama, quieta, até se equilibrar”, dizia ele. Uso essa técnica.".

Outro trecho, [lembrei do que eu penso sobre o mesmo tema, e lembrei do Boi]: "Foi fundamental aquele papo, vejo agora. Foi quando o Marquinhos me convenceu que deveríamos quebrar uma tradição da família, de irmão apadrinhar o filho do outro irmão. Seu argumento foi certeiro: essa é a chance de aumentar a família. Tio já tem (ou deveria ter) intimidade suficiente para participar e servir de exemplo para o sobrinho. A escolha dos padrinhos é, então, uma forma de assumir como família pessoas que só não são família por um acaso. Em outras palavras, é família que se escolhe.".

Eu sou otimista. Prefiro julgar uma pessoa pelo que ela deixa de bom. Lembro de uma professora da faculdade que muita gente não gostava. Eu sempre gostei. Talvez um julgamento meio egoísta, mas pra mim ela foi ótima. E numa turma de 50 pessoas metidas a cult e artista, agradar a todos é quase ganhar na loteria. Mas o fato é que eu lembro dela me dizendo uma frase no fim do primeiro período. Uma frase de alerta, que eu só fui entender no tempo certo, mas eu nunca esqueci das palavras dela, mais que isso, eu as utilizei, elas realmente me alertaram e me fizeram crescer, ou me ensinaram que minha intuição tinha tanto valor quanto a técnica e a teoria, eu lembro dela sentada falando o que ela me falou. Por isso, eu realmente acho ela uma pessoa boa!

Alguns encontros na vida devem mesmo ser guiados pelo destino. Ontem a tarde eu cheguei a essa conclusão. Chopps, coincidências, sonhos, planos e identificações. A gente vai longe amigo. Eu sinto isso!

Ontem eu parei pra ler meu blog do início. Fui lá pra 2006. Credo. Ainda bem que o tempo passa, a escrita evolui, a gente evolui. Fiquei com vergonha de algumas coisas, ri de outras. Mas me orgulhei com muitas. Meus sonhos ali presentes, e hoje muitos deles realizados. Meus medos. Minhas convicções. É eu mudei muito, mas é legal ter esse registro!

Nossa, ficou grande isso né gente!




Thursday, October 22, 2009

amigos

Recebí essas palavras de uma nova amiga, que tem tudo pra ser grande amiga, pelas afinidades e pelo bem querer que estamos descobrindo e construindo:

"Note que os momentos mais deliciosos de nossas vidas são regados à infantilidade. Quando nos apaixonamos ficamos bobos, quando temos um filho ficamos mais bobos ainda, sem contar o fato de que a infância é a melhor fase da vida. Se você fica tão a vontade com alguém, a ponto de contar seus segredos mais esdrúxulos, de ter códigos para se comunicar e de falar e fazer bobagens sem fim, certamente essa pessoa desperta a criança que existe em você, o seu melhor lado, e isso é o que um amigo faz. "

Na hora, mas bem na hora eu me lembrei de alguns rostinhos queridos que estão longe de mim. Pessoas mais que queridas, com as quais compartilhei e compartilho a alma, a vida e o que ela tem de bom, incluindo as coisas tristes também. Lembrei muito, claro, da minha irmandade. Lembrei da crise de riso que tivemos ao telefone, há dois dias atrás. Quase me matei de rir de novo, só de lembrar. Lembrei do quanto é bom ter crise de riso com quem a gente se sente bem, à vontade. Amizade tem a ver com conforto, com o sentir-se bem pra falar as coisas mais absurdas e mais banais. Sentir-se confortável para ser quem se é, sem máscaras, sem medo do julgamento, porque se sabe estar em frente a um espelho, que só vai dar bons conselhos em prol do nosso bem. Ando descobrindo pessoas maravilhosas por aqui, com as quais venho construindo amizades lindas. Ando sentindo muita saudade das minhas irmandades de alma que tenho por esse mundo. Eu não sou de reclamar não, mas se um dia eu virar reclamona, ainda assim, jamais poderei reclamar da falta de amigos de verdade, porque minha vida é repleta deles, daqueles com os quais se pode realmente ser quem se é, a começar pela família, e por aí vai!

Beijos saudosos a todos os meus amigos distantes, pedaços de mim espalhados por aí. E beijo grande pros meus novos amigos queridos, muito bom encontrar vocês por aqui!

Wednesday, October 21, 2009

aparências

O Rio é uma cidade de aparências. Não só de aparências, mas que aqui a estampa conta muito, conta. Na cidade cartão postal, do pão de açúcar, do Cristo, da pedra da Gávea, muita gente quer ser considerado a sétima maravilha do mundo, ou estar ao lado de uma. Importa a roupa mais fashion, o cabelo mais da hora, o peitoral mais trabalhado, o tríceps mais definido, a bunda mais dura. Ai como me cansa isso!!! O povo daqui, e muitos que vêm pra cá - na maioria claro, porque sempre têm excessões - dão um desmesurado valor às aparências. As pessoas parecem estar umas ao lado das outras, num desfile de quem carrega o mais bonito ao lado.
To cansada de manifestar meu gosto por algum passante, e ouvir, ai Marina, você merece alguém mais bonito, você é tão bonita. Ou então, ai gente, aquele ali é o namorado da fulana? Nooossa, ela é bonita demais pra ele. Ai gente, como isso me cansa. Se eu dei valor pra beleza, e de fato dei mesmo, foi no auge da minha juventude, quando a auto estima ainda precisava de muito lustro, e estar com alguém linnndo pros padrões, fazia com que eu me sentisse menos feia e mais poderosa. Passou tem tempos isso. Não ligo pra beleza, não ligo mesmo, e detesto quando quem tá do meu lado liga demais pra isso. Nunca fui muito com a cara de garotos deslumbrados, que ficavam me bajulando, e dizendo noooossa nunca imaginei ficar com você, porque você isso, você aquilo... no ato eu perco o interesse.
É claro que a gente liga pra beleza, e é a imagem que nos chama atenção numa primeira olhada, quando não se conhece alguém. Mas eu to falando é dessa obsessão por uma beleza padrão imposta pela mídia, onde até alguns amigos meus, que julgo hiper inteligentes, caem de quatro. Como tem gente que só se preocupa em procurar uma boa estampa, depois quebra a cara e não sabe porque!
Eu já busco outro tipo de beleza. Dessa que vem com o conjunto da obra, com as qualidades, com os talentos, com a história, com o olhar, o estilo, o conforto, e a dose adicional de charme. Acho bonito gente bem resolvida, de cabeça aberta, sensível, que se sente confortável sendo quem é. Acho um charme quem toca algum instrumento, tem alguma ligação com a arte, sabe falar sobre vários assuntos, sabe ficar em silêncio, lê muito, dança, fala besteira, descontrai o ambiente. Eu gosto de gente. Não aguento mais essas comparações, essas disputas, essas corridas pelo mais belo.
Aliás, confesso, já namorei ou tive romances com alguns caras bonitos, e foram os mais chatos e complicados da minha vida. Confesso, to com preguiça de gente muito boninitnha padrãozinho assim sabe? Geralmente é gente cheia de nóia, de insegurança, que precisa de cinco em cinco minutos ser notado pela beleza, ser chamado de bonito, ser agraciado com algum assobio, que fica o tempo todo ajeitando o cabelo no espelho. Cansa a minha paciência demais.!!!!Gente bonita, que sempre foi bonita então, na maioria das vezes é um pé no saco, porque senão é insegura ,se acha, e odeio gente que se acha. Se não foi muito bem instruída, é daquelas pessoas vazias, onde só a embalagem impressiona. Não, definitivamente não, desculpem meus amigos que andam obsecados por beleza, mas eu não tenho paciência pra isso. Quando quiser falar sério, me liga!

Tuesday, October 20, 2009

atrasada

Estou vivendo um dos momentos mais bizarros da minha vida. Vertendo poesias, palavras, sensações, e tudo o mais, por um amor antigo, que não teve sua dor vivida no tempo em que se perdeu de mim. Agora a ficha caiu, depois de tanto tempo. A ficha de que eu projeto você em todos os outros que eu conheço, pelos quais me apaixono, ou tento me apaixonar. Espero deles tudo o que esse amor marcou em mim. Espero que me façam tão feliz, que me provoquem o que me provocava, que sejam tão leves quanto, que se pareçam. Bem que muita gente sempre encontra semelhanças suas nos meus amores que vieram depois...
O mais bizarro é que só agora a ficha caiu e eu me dei conta. Acho que eu me enfiei de cabeça em histórias complicadas seguidas da nossa, propositalmente para não precisar encarar a realidade, e só agora que resolvi todas elas, parei pra perceber o quanto eu precisava ter escrito, ter gritado, ter chorado, ter colocado pra fora o que eu guardei abafado, dentro do peito. Sentimento quieto e parado é o pior de todos, e digno de desconfiança.
É com um atraso de anos que eu venho escrevendo compulsivamente pra você, mas é por mim que o faço, pra poder seguir em frente. Assim espero, daqui um tempo, não esperar você em todo o abraço, em todo o beijo, em todo o olhar. Espero não esperar as suas piadinhas, o seu charme, a sua olhadinha sexy, o seu sopro ao pé do meu ouvido. Vamos ver se dá certo. Pelo menos eu já diagnostiquei o problema, é o primeiro passo.

Olha o que esse blog tá virando, um papo de gente maluca. Desculpa gente, em breve eu volto a postar normalmente, falando de coisas mais poéticas e usando menos o tom de diário. Mas por hora, é o que minha alma vem pedindo!

Beijos.

para o amor

"Entre um estar fora de casa e outro, ela resolveu declarar umas palavras ao passado que vinha relembrando. Pensou em como começar. Pensou bem. A primeira palavra que lhe vinha à cabeça era: felicidade. Faria o quê com ela?

Nós dois na nossa felicidade fugidia e cúmplice
Caminhando pela areia da praia sem nome
Eu não lembro
Eu escuto a música sussurrada ao pé do meu ouvido
Eu sinto o arrepio da nuca ao dedão do pé
Eu repito pra mim mesma os versos da canção
A canção que um dia foi só minha e me roubastes
Destes à canção a tua cara, a tua alma, o teu sorriso de esguio

Lembro o teu olhar, e te vejo aqui do lado
Penso no tempo que nos manteve longe
Flertávamos sem saber se flertávamos mesmo
Andávamos nos escondendo um do outro
Nos encontramos num tempo depois
Num dia a dois
Na verdade no meio da multidão
Mas por cinco minutos eu me sentí no meio do nada
Só você e eu

Me fizestes acreditar que o amor poderia ser leve
Me fizestes saber que o meu sorriso tinha algum poder
Será que te deixei algo?
Além do menino de olhar duplo que encantava a nós dois pela poesia?
Isso sei que deixe, pois foi entregue em mãos
Gostei do sorriso
Me dei por satisfeita
Nossos caminhos se separaram antes, e eu me recuperei tão rápido
Quando nossos caminhos se separaram geográficamente eu de fato me dei conta da saudade
Mas acabei por esbarrar meu coração noutro amor, e fui seguindo, adormecida em novas canções
Mas era você que eu procurava no outro
Era você que eu desenhava no texto novo que escrevia
Era com você que eu gostaria de ganhar o mundo
Numa dessas aventuras desmedidas
Eu você e o sol!

Pronto, ela está enterrando um passado que nem sabia que ainda vivia nela! Cansou-se de ter um amor platônico pelo amor ideal que um dia experimentou. Realmente cansou-se de ter um exemplo de par perfeito, de pessoa certa, de momentos indescritíveis. Realmente cansou-se de ter um nome pra dizer, sempre que é preciso falar de quem realmente a fez feliz. De agora em diante, vai viver coisas novas, quer isso, quer poder ter um exemplo de alegria e satisfação ao lado. Quer poder dizer que a mão que segura, é a que a segura também. Espera que possa um dia substituí-lo, muito mais que no coração - porque esse se apaixona à toa muitas vezes - mas na ideia de um amor, na esperança de um amor, na projeção de um amor! Mas agradece, mesmo assim, por saber o quão raro é ter tido alguém na vida, de quem só se possa falar coisas boas, e sentí-las!"






saudade da saudade

Acordou com um sentimento de saudade. Daquelas saudades ruins, de coisas que não retrocedem. De tempos que estão presos ao passado. Detestava quando isso acontecia. Não era uma pessoa nostálgica ou saudosista, mas tinha seus momentos, e nesses, sentia saudade de tudo o que foi um dia. Tinha saudades de um grande amor, o único grande amor da sua vida. O único que foi leve, bem vivido, doce, engraçado, cheio de piadinhas e apelidinhos divertidos. Tinha saudade da leveza do rapaz, da voz soprando uma musiquinha da Marisa no ouvido dela, do funck ridículo ao cair da noite, só pra tirar umas gargalhadas. Saudade da morenice, das roupas estranhas, dele dirigindo seu carro, dele pedindo pra ela ficar até o outro dia, e ela fugindo. Tinha saudade de como ele resolvia tudo com um sorriso no rosto, de como não ia ao seu encontro mandando mensagens que lhe faziam perder a raiva, tinha saudade da leveza que havia encontrado a dois. Tinha tido tantos outros amores, mas nenhum até hoje se comparava aquele, e talvez nunca se compare, sentiu saudades por isso também, e por talvez ele nem chegar a ter sentido metade disso.
Sentiu saudades dos amigos queridos, aqueles com quem ela compartilhava a alma de maneira excessiva. Saudades de fazer poesia junto, de falar besteira, de estar pelos cantos de qualquer lugar fazendo alguma traquinagem com alguém. Saudades.
Sentiu saudade das saias ao vento. As suas saias mesmo, que já não usava mais.
Sentiu saudades de alguns sonhos e ideais, da ideia de serem novinhos em folha, pouco gastos pelo tempo e pela frustração. Sentiu saudades da inocência, de quando algumas coisas só lhe passavam pela cabeça, sentiu saudades de não se preocupar tanto.
Sentiu saudades da boneca riscada. A avózinha com tufos brancos na cabeça e mãozinha tremida. Sentiu saudade da bola, do joelho ralado, da voz histérica lhe chamando.
Sentiu saudade de lugares só seus. De momentos de silêncio. Dos sussurros.
Sentiu saudade, e sabia que isso não lhe fazia bem!!!!

Monday, October 19, 2009

palavreado à toa 2...

Acho que já está na hora de rever meus desejos do ano! Não que eu leve isso tão a sério, porque eu nem gosto de ficar pensando na vida por pedaços de tempo isolados em si mesmos. Não!!!! Masss, de uns anos pra cá tem dado certo essa coisa de escrever, colar, pintar, pirulitar coisas que eu quero, tanto as materiais, como as intocáveis! Naaaada a ver com "The Secret", acredite, aliás odeio esse tipo de obrigação na vida, tipo: pense semmmmpre coisas boas! Credo a gente vira alienado achando que as coisas ruins não devem ser vividas. Se você pensa que um helicóptero cai, se culpa pelo que caiu a mando dos traficantes. Masssss, devo confessar que sempre acreditei, que de fato, a gente projetando dentro da gente mesmo as coisas que deseja, acabamos por alcançá-las, é uma auto hipinose! Bummmm!!!!!!!!!!!
Com certeza eu vou encontrar muitas (boas) surpresas nessa minha lista passada. Coisa que eu não sonhava nesse ano e nem na vida. Mas eu lembro da virada do ano, o vento forte na cara, e o céu com poucas estrelas, mas ainda assim lindo, me olhando, todo pronto pros meus desejos. Eu lembro que eu mais agradeci que pedi, acho que isso fez com minha lista esteja mais repleta de surpresas do que de "alcances", propriamente ditos. Mas eu tinha alguns pedidos, e alguns deles foram devidamente alcançados por mim mesma e pelo bom acaso da vida, que sempre me dá uma força.
Agora a minha lista vai ganhar uns itens mais avantajados, que eu sei que demorarão um pouco mais que um ano, com certeeeeza, mas que acontecerão! Simples assim! E vou deixar várias linhas em branco, só pra todas as boas surpresas continuarem acontecendo, mais e mais.
Esse ano tem sido feliz, maduro, repleto de coisas interessantes, algumas conquistas novas, e caminhos que eu jamais esperei trilhar. Esse ano tem sido musical, e eu posso até brincar de escolher umas cinco músicas que embalaram ele demais! Se tiver paciência faço isso em breve. Aliás esse ano tem sido repleto de paciência, de serenidade, tolerância, coisas que eu detestava exercitar! Ufa!
Algumas certezas sobre mim mesma têm crescido, a maior delas é que ter certeza sobre qualquer coisa de si mesmo, é arriscado e desleal com a própria essência de mudar! "É preciso mudar muito para ser sempre o mesmo" e não é?!
Uma palavra pro ano até aqui? Afeto. Sim, esse tem sido um ano de consolidação de afetos, novos e antigos!
Isso aqui tá parecendo post de fim de ano né? Acho que de certa forma pra mim parece um pouco fim de ano. Tem alguma fase dizendo adeus, pra outra nova fase chegar. Eu já vinha sentindo isso há umas semanas, e agora parece que cheguei naquele momento de precisar dizer tchau pra muita coisa. Fazer o que gente, pessoa meio "bruxa" funciona assim mesmo. Eu sinto quando é hora de dizer adeus. E eu preciso desse ritual, de olhar e dizer adeus em silêncio, geralmente porque eu sei quando é adeus mesmo, e quando é até logo!
Esse ano eu me apaixonei muitas vezes. Primeiro eu pensei: meu senhor, fui invadida pela fugacidade - adoooro essa palavra. Mas que mania de achar que quando a gente se apaixona muito está sendo fugaz né? Pode ser só um coração aberto para as boas coisas da vida, ha ha ha... Pois é, o fato é que todas as paixões se esvairam, e sofri menos que o normal, daí pensei se eu estava virando insensível, e se um era só mais um, ou se eu estava me tornando uma pessoa mais "forte" - até hoje não entendo muito bem essa coisa de pessoa forte, como se não sofrer fosse sinônimo de força. Mas enfim, cheguei a conclusão de que eu não sofri mais tanto, porque aprendi que sou intensa mesmo, que me jogo de cara, que não suporto joguinhos, e que sou feliz assim, obrigada! Portanto quem não tava afim disso, saiu mesmo, e eu sofri o tanto que eu precisava para apagar tudo o que dissesse respeito ao ser que escapou! Há!
A passagem rápida do tempo me impressiona. A minha adaptação ao Rio também. O tanto de vida que passa por aqui, idem!!!!!
Agora tá hiper abafado, e eu aqui pensando num monte de coisas ao mesmo tempo, com um desejo gigante de colocar uma mochila nas costas e ganhar o mundo, depois voltar pra casa e perceber que realmente, aqui é o melhor lugar. Desejo gigante de fugir pra qualquer lugar deserto, levando pouquíssima gente na mala, e passar lá uns dias! Desejo gigante de um dia ser mãe, na verdade um dia que não pretende ser mais além que daqui no máximo cinco anos! Desejo gigante de tantas coisas.... Ainda bem!
Feliz com a vida independente, finaceira e "familiarmente". Tem gente que se enfraquece morando longe da família, no meu caso, como eu sempre suspeitei, virou força total. Cuidar de mim mesma, ao invés de me fazer sentir sozinha ou largada no mundo, faz com que eu me sinta mais segura, minha auto estima vira pica das galáxias, e eu sigo mais "forte" - olha a força de novo. Sei lá, comprar o remédio na farmácia, trocar a lâmpada, saber como se virar de madruga sozinha precisando voltar pra casa, pagar conta, fazer supermercado, dar jeito pro dinheiro ter o tamanho do mês, viajar com os amigos, chegar em casa e encontrar o silêncio, a roupa suja, a geladeira vazia, são coisas, entre tantas outras, que te lembram que no mundo, no fundo no fundo, você tem é que se amar, porque é com você que você vai poder contar, de verdade, até o fim! Bonito né? E bem babaca também! Mas é claro que sente-se falta do aconchego do lar da mamãe!
É o que temos para hoje!

Thursday, October 15, 2009

na janela

Deixou a janela semi aberta, e recebeu o vento respingando chuva no seu olhar. Respirou fundo aquele aroma de nostalgia e lembranças. Virou barco rumando para ilhas próximas, dentro do seu coração. Desejou por um segundo, ter vivido outra vida. Desejou ter ficado ao lado de um grande amor que deixou escapar, desejou ter marcado um "x" na questão "c". Calçou suas pantufas rosa, lembrou que eram presentes de sua avó. Sua avó tinha cheiro de perfume florido, desses que invade a casa toda em dia de sol, fresquinho. Sentiu saudade de estar ao lado dela, e lhe falar sobre suas angústias, receber lições sobre o tricô e sorrir muito, tanto a ponto de se perder e não saber mais qual sorriso era o seu e qual era o da avó. Ali havia uma cumplicidade que não conseguia ter com mais ninguém. Ali havia uma saudade e uma ausência, que jamais seriam saradas, ao longo de sua vida. Pensou um pouco sobre esse estado de permanência em vida, que a morte traz. Jamais veria a avó de novo, não da mesma forma, podendo tocar. Seu cheiro, vez ou outra, adentrava pelo apartamento, e ela sentia que era um cafuné gostoso lhe caindo na nuca. Sorria, mas mesmo assim, sabia que não poderia compartilhar. O que lhe doía é ela não poder fazer cafuné na avó, porque nem sempre na vida, o melhor é receber. Queria de novo seus dedos naqueles tufos de algodão lilás, que provocavam aquele risinho tolo e descomprometido, aquele risinho da avó, que era feito chave de casa, e trazia conforto. Será que um dia ela seria avó? Não sabia. Pensou que talvez devesse comer alguma coisa, mas sentia-se tão ilesa à fome, que parou no meio do caminho. Olhou tudo em volta, sonhou com um lugar novo. Repetiu para si mesma a imagem da avó. Aquele dia seria todo seu e dela, e da nostalgia que trazia no peito. Da vontade de fazer cafunés e se perder em risos. Queria se misturar a algo que pudesse lhe dar a sensação de pertencer. Tentava pertencer a sí mesma!

Wednesday, October 14, 2009

desconexão

Desde ontem existe a tentativa de querer escrever algo aqui, mas não sai. Quando sai eu apago. Parece que nenhuma palavra, letra, som, concordância traduz o que eu quero dizer, ou melhor, o que eu sinto. Nada diz o que realmente deveria ser dito. Mas eu cismei que preciso escrever, e não dá pra querer brigar com cisma minha. Então vamos ver o que vai sair dessa cabeça insana, sim porque ultimamente tá mais insana que nos tempos de outrora.
Já parou pra pensar, que é na distração que a vida muda, entorna, rabisca, invade, soluça, sorrí, chama pra dançar? Eu gosto de comprovar isso, me faz ter certeza que vale à pena crer sempre no bom da vida e dos outros. Saber que as coisas novas surgem, sempre surgem, pra nos dizer quem somos e pra onde podemos ir. Trilhas!!!!
Não espere muita conexão no que eu falo, sinto, escrevo, busco, penso... às vezes tem muita, às vezes não tem nenhuma, porque eu sou mais de viver, e depois pensar. Isso é estranho às vezes. Mas...
O chato é que ontem eu criei a letra de uma música que traduzia tudo que ia em mim, mas eu não anotei, e como as 345 mil letras e textos que eu já criei de cabeça, essa também se perdeu no meu infinito particular. O bizarro é que tudo que eu esqueço, é geralmente a melhor coisa que eu já criei. Acho que eu faço de propósito, porque aí eu não eternizo, e por consequência não faço refém do tempo, que na maioria das vezes invalida um pouco o brilho.
Esperar um livro seu ficar pronto, é algo bizarro. Bom e estranho. Ainda mais pra mim, que nunca tive pretensão alguma com a escrita - olha a distração de novo.
Saudade de estar no palco, embora eu tenha estado sempre nos últimos meses, mas não é disso que estou falando. Saudade daquela sensação de criar algo meu, que me mova, que me fascine, que me invada. Saudades de um projeto novo como atriz, de entrar em contato com o público, de ser o que eu mais amo ser na vida. Por mais que eu me afaste por algum tempo, o que eu mais amo nessa arte toda, é estar em cena. Tem jeito não. Ai que saudade sabia? Até doeu um pouco agora...

"Vem colocar os olhos aqui na janela, e ver o mesmo horizonte que eu vejo. Pousa em mim toda a tua fúria, tua sede, tua angústia. Chega do jeito que for que eu não ligo, só não vá dizer adeus antes de sair comigo, pra passear. Depois se eu não ligar, pra saber como você esta indo, não ligue, eu sou assim, meio morando no céu. Mas o pensamento estará onde você estiver, e então peço que você seja do tipo que acredita naquilo que não vê. Espero que você sobreviva, e que viva agora. Amanhã já não se sabe a hora. Não sei se estarei aqui. Mas a nossa hora pode ser agora, se você quiser, estou indo praí!"

Acabei de criar isso agora. Não sei de onde veio. Ou até sei, mas não sei pra onde vai. Não importa, vale ter nascido.
Cansei!

Thursday, October 08, 2009

chuva cinema e você

"Vamos ao cinema. Agora, foda-se a chuva. Pega na minha mão. O filme? Não sei, na verdade eu quero te contar sobre as três ideias de roteiro que me ocorreram. Quero ver se te agradam! Na verdade o cinema é pretexto. Pretexto pra viver você de perto. Embora eu saiba que não precisaria de pretexto, mas eu prefiro utilizá-lo. Vem comigo. Vamos ouvir qualquer coisa por aí. Pode ser o som da rua, a obra do vizinho, da privada! Leva aquela blusa que eu gosto. Usa ela pra mim. Liga fazendo doce, e depois se derrete, mas de levinho. Fica leve, do jeito que só você sabe ser. Mas se ocupa em me distrair, porque hoje, eu acordei com humor afetado, desses que não cabe direito em lugar nenhum. E tenta não se contaminar tá? A gente podia pegar a bicicleta e sair voando por aí? Será? Não sei, acordei com insegurança. E pior, acordei esperando de você, mais do que você vai me dar. Eu tenho certeza, porque já acordei faltando. Daí é batata! Toma um banho aqui? Eu gosto. Depois a gente abre um vinho. Mas eu só preciso me cuidar pra não denunciar nada. Eu tento mentir nos olhos, na voz, na face. Você nunca vai desconfiar de nada. Quando formos velhos, talvez você revele que sempre esperou por mim. Aí eu vou me arrepender por umas sete vidas, pelo fato de nunca ter denunciado nada. Nunca ter deixado escapar nada. E você vai chorar, por perceber que nos amamos sem dizer, sem saber, sem precisar. Nos amamos mesmo, daquele jeito que pouca gente faz. Então você vai chorar um pouco, porque vai se dar conta, de que ainda nos amamos, e nos amaremos, mas o tempo nos fez refém de nossas angústias, nossas vidas, planos, sonhos... Eu vou tentar dizer alguma coisa, mas vou perceber que por anos me culpei a falta de coragem, sendo você também uma pessoa refém do medo. Nos tornamos reféns, e nosso amor sobreviveu. Mas penso, que talvez, você não diga nada disso. Não questione nada, não revele nada. Que nosso amor nem exista, e que seja eu um pintor sem tela, desses que rabisca o ar, e é o único a ver o próprio desenho. Triste. Mas ainda assim, de certa forma, nosso amor terá existido, não?! Talvez você me beije na testa e denuncie que sempre soube do meu amor. Aí seria pior, porque sabendo, ainda assim não me amou. Isso seria o fim do nosso amor, porque revelaria você demais, e eu estaria sem roupas diante de tudo isso. Prefiro não imaginar nada. Talvez nos encontremos e apenas não saibamos mais quem somos. Mas ainda assim, te convido pra ir ao cinema. Querendo dizer mais coisas, mas parando, porque ao dizê-las, denuncio-me e revelo mais de você!"

pensamentos

Necessidade de escrever sem ter exatamente o que falar. Ao mesmo tempo, que tem muita coisa precisando sair e ganhar o mundo que se contorna para além de mim! Tem certos momentos em que a gente se pergunta se vai ou se fica. Algumas decisões são determinantes. Como decidir dar um passo além, em um caminho onde você não entende muito bem os sinais, os códigos, as placas. É como estar brevemente cego, e não saber pra que lado virar. Algumas decisões não tomamos sozinhos. Não adianta.
Sabe, cada vez que eu escrevo nesse blog, eu fico pensando em quantas pessoas, que fazem parte da minha vida, se esforçam para entender meus escritos do ponto de vista lógico. Quantos ficam se buscando nas frases, e se perguntando se tal palavra foi ou não direcionada a eles. Isso tem me feito frear um pouco minhas palavras, e até meus pensamentos. Eu me canso, muitas vezes, quando tenho que explicar que não é pra um, ou pra outro, é pra mim mesma.
E porque muitas vezes, como agora, eu saio escrevendo sem saber exatamente onde a escrita vai me levar. Ponto!
A fase está boa, ótima eu diria, não há do que reclamar, até porque eu não sou disso. E essa boa fase abre portas para questionamentos, sensações, vontades e desejos, que quando temos problemas mais urgentes, deixamos para amanhã. Seriam as não urgências de alma, que me tomam por completo. Fazendo, inclusive, com que eu beire quase o total egoísmo, buscando esforços para abrir exceções para algumas pessoas que não merecem. Mas às vezes o egoísmo é também uma urgência.
Agora eu acabei de fazer um assassinato com a minha vontade de escrever sem parar. Eu parei e dei uma olhadinha na TV, depois troquei duas palavrinhas pelo meio do caminho, aí tudo que eu não sabia que ia escrever acabou sumindo da minha cabeça!
Então eu vou falar sobre o que eu ando ouvindo. Ultimamente um mesmo CD, repetindo algumas faixas mais vezes que as outras. Obsecada pelo que me remetem, pelos olhos que me levam, pelas nuances que me indiciam. É como se eu pudesse viver a vontade que eu não sei se levo a cabo, sem sofrer as consequências. Covardia? É pode ser mesmo! Mas pode ser também, o pensamento que me povoa vez ou outra, de que certas coisas na vida, ficam melhor vestidas de platonismo que de realidade. Entende? Então às vezes é melhor imaginar, quase até poder tocar, sentir tudo como se fosse de verdade, mas no fim acordar sozinha, com a vida do jeito que a gente deixou, sem sapato sobrando na beirada da cama, sem olhares que prometem, suplicam ou esperam. No fim é melhor que tenha sido tudo um sonho acordado, e que a gente continue podendo exercitar essa falsa liberdade de ser só um, a gente mesmo, sem se responsabilizar pelo sentimento do outro. É o velho pensamento adolescente, que vez ou outra eu cultivo. Nesse caso, ainda não decidí nada a respeito.
Sabe quando você tem assunstos que não anda compartilhando? Nem mesmo com uma grande amiga? É muito estranho isso, meio que afasta a gente de algumas pessoas. Ao mesmo tempo, não tenho sentido vontade de compartilhar com ninguém mais que eu mesma. Mas caminho como se eu estivesse carregando um segredo, um segredo que eu poderia compartilhar, pelo menos com uma grande amiga, mas eu não tenho vontade. E esse não ter vontade me afasta. Me afasta da grande amiga, me afasta das lembranças, me afasta de toda uma vida, que parece estar dando um 360, dando uma guinada, dando uma reviravolta pra mudar o rumo absolutamente.
É inevitável, nesse caso, preferir o silêncio, a imaginação, e o platonismo. Continuo aqui, ouvindo minhas músicas, que me remetem à minha ilha secreta, onde só existem dois habitantes, mais secretos ainda, que não se tocam completamente, mas estão a ponto de...

Tuesday, October 06, 2009

entre aspas

"(...) o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. afinam ou desafinam". guimarães rosa

Sunday, October 04, 2009

palavreado à toa....

Fui ver um filme que me fez pensar um pouco em mim mesma!

Eu também tenho essa sensação de que não vou casar! E não é uma sensação que me pesa, nao mesmo. Sinto que terei grandes amores, mas talvez com nenhum deles eu me comprometa tanto. Eu também nem sei se tenho essa necessidade, porque pra mim estar com alguém não é pra matar a solidão, é pra viver o agora. Tenho sentido ultimamente que o que vale na procura por alguém é o medo de ficar sozinho. Por outro lado, tem gente que nasce pra namorar sempre, e casar e ter família certinha. Eu nascí pros meus instintos, pra minha carreira, pra minha vocação, pras coisas que me tomam mais a alma. Nascí pra ser mãe também, isso é fato. Mas não era isso que eu queria dizer, era mais assim como se eu viesse com outro caminho mesmo, desde pequena eu sei disso, que meus pés não trilham, nem vão trilhar ruas retas e tranquilas. Eu gosto das subidas, das descidas, e sobretudo de seguir meus desejos mais íntimos, a grande maioria ligados à arte e a viver a vida da minha maneira. E isso não me pesa. Hoje vendo o filme eu me identifiquei muito com a personagem, que sim, vive um grande amor, mas sabe que não terá mais que amor com ele. Amor e ponto, sem convivência diária, sem dividir conta de aluguel, sem pensar no futuro. Eu sou um pouco assim eu creio.
Outra coisa que o filme me lembrou, é o quanto as pessoas realmente geniais, que carregavam uma luz e um quê de talento dentro de sí, sempre converteram os episódios - bons e ruins - de suas vidas, para o que elas faziam. Quase que, como se cada quadrinho da história servisse de trilho para o caminho que iam construindo. E claro, a autoconfiança é fundamental.
Outra coisa que eu pensei, mas aí não tem a ver com o filme, foi nas vontades e desejos. Sabe quando bate uma vontade muito urgente? E o bom senso nos diz para não realizá-la? Pois é, ando inquieta demais com isso. Eu não sei bem se sigo meu bom senso, ou meu instinto. Geralmente eu sigo minha intuição, que é diferente do instinto, mas ela, para esse fato específico, resolveu se calar. Acho que deve ser pra ver se eu corro o risco ou fico na vontade. Mas eu realmente não sei....só sei que a vontade é forte!
E a máxima da semana foi: Abriram as portas de algum hospício por aí, e os loucos saíram em busca de liberdade, porque tá um tal de aparecer gente maluca do nada!!!!!

ps: o filme é Coco antes de Chanel - não chega ser um filmão, mas a história da vida dela é inspiradora e a Audrey Tautou está maravilhosa!

Saturday, October 03, 2009

samba colher e panela

Empunhou uma colher brilhando contra a luz branca da cozinha
Deslizou pelos dedos pintados de vermelho uma panela dessas de alumínio
Tamborilou entre uma mão e outra
Decidiu
Levou seus pés assanhados para a varanda
Num só toque, fez tocar todo mundo pra perto
Quase como se o sambinha modesto que criava
Fosse o salto que todo mundo precisava
Pra chegar mais perto do coração de quem amava
Então todos resolveram, num só gesto abraçar o povo
E soltaram um cordel de grito embolado
E a melodia era uma só: de suor e olhar!