Wednesday, September 02, 2009

o perfume

O perfume ainda pousava no ombro, como uma dessas borboletas distraídas, que pousam trazendo bem querer. Gostava de pensar nas borboletas, imaginava assim que poderia ser leve e livre. Ao mesmo tempo gostava da idéia do comprometimento desleixado que a escolha daquela borboleta representava.
A luz era pela metade de linda. As flores. E os caminhos por onde passavam.
Um céu de sol caindo. Dizendo tchau aos poucos, pedaço por pedaço, fazendo brilhar os sorrisos. Riam muito.
Entregou a ela um bilhete. Ela antecipou num gesto de não querer pegá-lo. "Palavras não deveriam ser ditas agora". Mas diante da urgência dele, ela pegou. "Leia quando não estiver comigo".
Pensou em fingir que leria, mas não conseguia mentir. Leria quando não estivesse com ele. Quando só lhe restasse dele o perfume batendo asas próximo ao ombro.
Entre as flores do campo, preferidas dela, ficaram em silêncio horas e horas. Ali diziam-se tudo o que precisavam e sentiam. Mas ainda tinha o bilhete.
Retornaram juntos, mas a certa altura do caminho ele precisou virar pássaro, e partir. Ela ficou ali olhando o céu já estrelado e com o bilhete nas mãos.
Era um papel amarelo. Amarelo lhe passava boas coisas, mas poderia ser só para não lhe causar espanto antecipado.
Abriu. Leu. Sentiu uma espécie de cumplicidade e carinho naquele gesto. Ainda não tinham nada de concreto, mas ele já lhe dizia: "Sinto que posso gostar de você. Estou com medo. Penso em fugir".

Ela repetiu para si mesmo: "Eu também".

Fugiram para o mesmo lado, e se encontraram segundos depois.
E o perfume havia permanecido pousado no ombro de ambos!
Isso era uma lembrança...

1 comment:

quelstupp said...

isso te um nome

mas vou escrever no teu orkut secretamente....