Wednesday, September 30, 2009

obrigada!

Com o tempo eu fui aprendendo a ver coisa boa em qualquer acontecimento estranho, por mais bizarro, por mais triste, por mais enfadonho que tenha sido. Tudo tem lá seu lado bom, tudo traz alguma vantagem, tudo muda pra melhor algum contexto.
Estou muito feliz, nossa peça "Sofia embaixo da cama" foi indicada para todos os prêmios do festival, e ganhou quatro deles. Melhor ator, melhor atriz segundo lugar, melhor cenário e melhor figurino! Salvo algumas críticas, que sem elas não crescemos, o que mais me faz crer nesse trabalho é a união entre todos, e o desejo de estar junto, compartilhando o sucesso. Todos estão por todos, e é assim que a gente brilha! Fico feliz demais de fazer parte do prêmio desses dois atores lindos que eu amo!
Não bastasse isso, venho agregando pessoas tão lindas pra minha caminhada, que só me resta mesmo agradecer ao universo. Logo eu, que sempre acho que encontrar verdadeiros amigos, com o passar do tempo, se torna uma tarefa quase impossível. Mas a gente não encontra, a gente não procura, esse tipo de coisa acontece porque tem que acontecer, e as pessoas certas cruzam nosso caminho. Queria agradecer muito a essas pessoas lindas que têm povoado minha vida de histórias novas, sorrisos, e carinho. A melhor coisa do mundo são os amigos e a família, a base que nos matém firmes, pra seguir adiante. E eu tenho os melhores, novos ou antigos, sempre eternos.
Fora tudo isso, o caminho que tenho trilhado, embora muitas vezes árduo, tem sido repleto de bons acontecimentos, e eu não posso reclamar nunca. Meus textos acontecendo, meu trabalho de atriz ganhando espaço, meu livro que logo será publicado, enfim.... obrigada universo por mais essas conquistas!
Agora eu só continuo pedindo saúde pra mim e pras pessoas que eu amo. Meu amigos antigos, os novos, minha família... Peço sabedoria e paz de espírito para enfrentar os momentos adversos, com dignidade e otimismo. Peço lucidez pra driblar a insanidade que vem crescendo no mundo. Peço que pessoas com energia estranha fiquem longe de mim. Que pessoas queridas que se afastaram, possam retornar pra minha vida. E que eu possa presentear com mais sorrisos do que lágrimas, aqueles que me amam!

Monday, September 28, 2009

tópicos

Essa semana inteira, contando com sábado e domingo, me fizeram refletir muito!

1. A gente conhece as pessoas?
2.É engraçado como julgamos alguém pro mal, só pelo nosso egocentrismo, e depois o mundo vem e nos mostra, que no fundo, no fundo, quem deveria ter razão e ser bacana, é justamente quem a gente, no auge da nossa ignorância, julgou absolutamente mal!
3.Os meus amigos são os mais legais do mundo.
4.Pode chover uma semana inteira no Rio de Janeiro, assim fazendo parecer que eu estou em Floripa. O que tem seu lado bom e ruim. Porque a chuva é chata, o Rio fica esquisito sem sol, e não traz as pessoas de Floripa pra perto!
5.Que doce é poder perceber que um amigo de longe, vê algo que possa lhe interessar, e lhe manda encaminhado por email, ainda com um fim de beijos e saudades. Melhor que um telefone diário!
6.Que a Tim e seu infinity pré fazem dois bois felizes por apenas 25 centavos.
7.Que reunir amigas é muito bom.
8.Que eu sou boa de copo e que as "Creuzas" são as últimas a parar de beber!
9.Que o mar me renova.
10.Que a Maria Gadu chegou pra ficar na minha trilha sonora.
11.Que curtir momentos ímpares ao lado de amigos queridos, é a coisa mais querida do mundo.
12.Que desabafar e ouvir desabafos pelo telefone pode ser muito divertido.
13.Receber a ligação de um amigo pela manhã, cho ca do pelo que acabou de tomar conhecimento, é demais bizarro.
14.Abraçar um querido que está numa fase estranha é muito bom, e poder fazer parte do salvamento do seu dia melhor ainda. Ainda mais quando ele, um dia antes, salvou seu dia também.
15.Nào tem coisa melhor que comer três tortas ao mesmo tempo, e pagar por duas!
16.Um lounge em casa de amiga Djmegamasterblasterfodona é tuuuudo.
17.O mundo está cheio de gente interessante, não sei como a gente se esquece.
18.Homens que tocam violão daquele jeito são encantadores.
19.Ser paquerada é divertidíssimo.
20.Eu sou pra homens mais maduros, os moleques me aborrecem muito.
21.Na vida você escolhe se vai remoer e sofrer, ou ligar o foda-se e olhar pela janela cheinha de grandes opções!
22.Algum tempo atrás quando alguém se calava bruscamente, eu queria porque queria fazê-lo falar, hoje em dia, eu me calo e vou falar com quem fale também.
23.Faz calor pra caralho no Rio de Janeiro.
24.Vou ver o novo filme do Almodovar.
25.Muita mulher reunida às vezes me enjoa.
26.Eu não entro em disputa pelo sexo oposto, deixo que elas e descabelem, porque acho isso o ó!
27.Mulher ultimamente só sabe falar de homem, relacionamento, desilusão, amor e amor....eu acho que isso faz parte, mas já tá demais, a vida é maior que isso!
28.O pastor gritava: Levanta da cadeira de rodas em nome de Jesus. Eu ria muito!
29.Andar de Bike é muiiiito bom!
30.Eu sou o tipo de pessoa que cai e sai rindo! Deu pra sacar?


A melhor coisa da maturidade, é que a gente não perde mais muito tempo. A gente vive mais, ri mais, e sabe o que quer.

Beijos!

Thursday, September 24, 2009

Quem é você?

Cadê você? Quem é você?

Sinto saudades daqueles sonhos em que me aparecias, sem rosto ao certo, mas com alma. Sinto saudades da eminência de te encontrar em um esbarrão, a qualquer momento. Por onde andas, que não vens ao meu encontro? Por onde te escondes, que só me apareces em sonhos, mostra a tua alma, e depois some, deixando a sensação de que eu um dia hei de te encontrar?

Sinto saudades do que me provocavas no estômago, sem nem me tocar. Sinto saudades do nosso primeiro encontro. Naquele sonho estranho. Que me fez acordar sorrindo.

Onde está você? Eu não te procuro, porque sei que vamos nos encontrar. Mas pelo menos volta a denunciar tua alma, num sonho qualquer, para que eu possa voltar a respirar aquela sensação de esperança. Esperança de que você exista mesmo, e esteja em algum lugar a esperar por mim!

Mas quem é você?

RT:


estranheza [05 de agosto de 2009] link do post

Andando pelo centro da cidade e descobrindo galerias com cafés, livrarias e sebos cheios de charme. Encontrando os becos, que fazem parte daquela identidade íntima que se tem com um lugar. Delícia.
Numa esquina qualquer de novo aquela sensação de ter você ao lado. Estranha sensação, já que não há ainda um reconhecimento real e material de quem seja você. Mas há certamente um conhecimento de alma, metafísico, espiritual. É quase como quando a gente pressente algo. Sinto você, como se já tivesse chegado. Estranho demais.
Os últimos dias têm sido assim, com essa estranha pesença ausente de alguém que ainda nem chegou. Mas estranhamente eu sei que algo se aproxima!!!!

Estranheza é a palavra da vez!

Tuesday, September 22, 2009

desabafo

Eu sou o tipo de pessoa leve, pra cima, desencanada, que acredita que a vida acontece na espontaneidade, no acaso, no sorriso. E quando dias como os de hoje acontecem, eu tenho vontade de me implodir, explodir, consumir, sei lá!
Odeio quando eu perco a minha leveza, quando eu deixo os problemas tomarem conta de mim, e principalmente, quando eu canalizo tudo pro lugar ou pra pessoa errada!!!!! Detesto quando a ansiedade me pega pela mão. Tenho raiva de mim mesma, nesses momentos - cada vez mais raros (graças) - caóticos.
Se fosse possível eu pegava a borracha e apagava o dia de hoje, mas não dá. O jeito é seguir pra acordar amanhã, com tudo o que é meu de volta ao lugar, e torcer pra que a vida seja generosa, o tempo, enfim....

Hoje, só por hoje, eu me odeio por ser tão idiota!
Obrigada!

Friday, September 18, 2009

vazia

Ela não sabia de nada. A cabeça parecia ter sido sugada de todo e qualquer habitante. Um sopro oco no meio do nada, só fazia eco. O mais estranho é que isso não era ruim, nem bom, isso era nada! Vazio legítimo. Tentava pronunciar alguma vontade, esboçar alguma idéia, queria pintar alguma exasperação, mas tudo em vão. O vão era sua própria cabeça. Mas não se sentia perdida, não se sentia oca, não se sentia triste. Ao contrário, ela estava repleta de sentimento, de plenitude, de energia boa. Ela era, e ser era tão descomplicado que causava espanto. Por isso ela tentava, sem querer, deixar de ser. Tentava entender, raciocinar. Queria ter o que discutir, queria não concordar, queria não gostar. Mas a verdade, é que sendo, tudo o que quiser que fosse, caia bem! Era um vazio bem cheio, desses paradoxos que formam a vida, justamente pra gente quase nunca encontrar. E agora? Ela continuava sem saber se queria, se gostava, se amava, se ia, se ficava.... ela só sabia que ia bem, que tinha fé, e que estava todo o universo bem em torno dela, numa simbiose, onde a árvore poderia ser parte do seu coração!

Monday, September 14, 2009

vida dupla

Eu aprendi que nessa minha vida de muitos lugares, eu terei que lidar melhor com o aqui agora, mais que nunca. Aprendi também, que apesar disso, tenho que respeitar o tempo que a cabeça pede pra se situar onde está, e quase sempre quando ela tá se situando, já tá na hora de partir. Eu saio do Rio, e chego em floripa, mas a cabeça ainda fica no Rio uns dias, por conta de trabalho, amigos, lembranças, sorrisos, saudades. Eu saio de Floripa, chego no Rio, e a cabeça continua em Floripa, pelos mesmos motivos. É fato eu tenho uma vida aqui, mas também tenho uma vida lá, e o negócio é me acostumar. No início eu sempre voltava pro Rio chorando, e era muito triste, sinal de que a vida aqui não estava muito consolidada. Agora eu não choro mais, mas a cabeça coitada, demora pra se situar mesmo, então quando eu chego, seja lá ou aqui, eu demoro pra pousar o pensamento, fico aérea mesmo, vivendo numa dimensão paralela: autisssssta!
Mas eu tirei de lição dessa vez a alegria de perceber o quanto os amigos, mesmo, são amigos independente o tempo e a distância, e o quanto as parcerias artísticas e profissionais, com amigos, rompem as barreiras geográficas. É ótimo estar presente no trabalho de pessoas que eu amo, mesmo estando longe. Enfim...agora que minha cabeça pousou, entre pagamente de contas, supermercado e roupas pra lavar, tá na hora de dar conta de todo o trabalho que eu tenho entre lá e aqui....redecorar texto, escrever monólogo, reorganizar o projeto, produzir Sofia, festival, apresentações, ajudar na Sociedade, e por aí vai.....
Um dia eu me acostumo total a essa vida dupla, porque querendo ou não faz pouquíssimo tempo que estou nela, e eu sempre me exijo demais!

Bjos e boa semana!

Friday, September 11, 2009

EU.VOCÊ.ELA.A MÃE.

Pra dividir a alegria com quem me lê, de mais uma conquista no campo das palavras. O espetáculo Eu.Você.Ela.A Mãe, do texto Eu.Você.Minha Vizinha.A mãe, de minha autoria, foi aprovado no Edital Elisabete Anderle de Incentivo a Cultura, no Estado de Santa Catarina. Estou feliz por ser mais uma conquista profissional, mais um texto meu que ganhará forma e o mundo. Estou feliz pelo contexto desse trabalho, pelo envolvimento pessoal que tive e tenho com ele, pelas artistas envolvidas, pelos meses de criação do texto, por tudo... O texto abaixo, escrito pro blog da peça há um tempo atrás, resume bem o quanto fico feliz por essa conquista. É isso, os caminhos estão sendo bem construídos, as portas e janelas abertas e a sorte entrando. Sim, eu não tenho medo de dizer que ando numa ótima fase!
Bjs

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

EU QUASE MATEI MEU CACTOS

Como eu sou metida, eu resolvi escrever um post pra esse blog, que eu nem sei se será publicado [risos]!
Eu já matei vários cactos na vida, por desleixo mesmo, por fazer faltar água. Por lembrar que faltava a água. Pela tentativa de ressucitar o cactos. Por matá-lo afogado. Por amor.
Acho que esse texto é a melhor combinação de fatos, acasos e afetos que já consegui. Nele eu dosei tudo certinho sem medo. Quando eu releio eu lembro exatamente onde, como e porque ele surgiu. Num bar, numa mesa de bar. Uma amiga aflita. Uma GRANDE amiga aflita. A melhor amiga aflita. Medos. As confusões de nossas vidas de atrizes errantes. Então pensei em fazermos algo juntas, mas eu estava de partida marcada. Pensei em deixar-lhe palavras de presente. E deixei.
Nessas palavras tentei deixar a oportunidade de um vôo. Um vôo de descobrimento, onde ela se descobriria. Onde ela descobriria o que eu e o mundo já havíamos descoberto. Junto com essa tentativa meio Colombo meio Cabral [trocadilho infame], deixei um pouco de mim, um pouco do que vivemos, um pouco das saudades que sentíamos dos amigos que estavam longe [ainda estávamos nos acostumando às distâncias], um pouco da poesia de um, um pouco do humor de outra. Um pouco do cactos. Um pouco do texto dela. Um pouco do meu. Uma experiência de compartilhar. Compartilhar afetos e saudades. Poesias. Palavras.
Tentei dirigir, mas aí ainda não era comigo. Sigo nesta estrada de aprender a vencer certos medos, um dia eu chego lá. Mas deixei no lugar quem um dia me dirigiu, me descobriu, ou fez com que eu me descobrisse. Alguém por quem sempre tive e tenho admiração inesgotável, inestimável, inenarrável. E tenho certeza que foi a melhor escolha. Fico feliz de tê-las aproximado. Feliz de saber que compartilham o que já compartilhamos um dia. Mais saudades.
Espero ansiosa, nesta postura infame de quem escreve, e só resta esperar. Espero ver a realização desta obra, que independente da estética, das escolhas e dos conceitos, para mim já será prima. Porque existem na vida e na arte, essências mais importantes que todas as outras esferas que podem ser dimensionadas em teorias, olhares, críticas e teses. Existem essências. Aquelas entre ator e espectador. Entre mãe e filho. Entre amigo e amigo. Entre palavra e poesia. Entre grito e silêncio.
E nessa minha ansiedade distante, sei que verei algo essecialmente sublime e delicado, como tudo que originou esta história!
Que a Laura seja bem vinda.

Merda!

Marina Monteiro
blog da peça

Tuesday, September 08, 2009

casa

Irreversível - eu quero ganhar o mundo, mas sempre voltando pra casa entre uma e outra...

...e irremediavelmente, é aqui que eu me sinto em casa agora!

Sunday, September 06, 2009

retrato de uma quimera?

Acredito nas pessoas, cada vez mais, sobretudo naquelas que escolhem - acredite é uma escolha - cultivar coisas boas. Que fazem dos momentos adversos, apenas momentos adversos, e não as molas propulsoras de suas desculpas e falhas. Acredito cada vez mais, no amor. Amor que uma pessoa tem por si mesma, primeiramente, e que tem por seus entes queridos, por seus amigos, pela natureza, por cada dia de sol. Amor puro e genuíno, que não prevê cobrança, nem egoísmo. Sem expectativas. Acredito cada vez mais no hoje. É nele que a vida pulsa. No ontem ela já morreu, no amanhã ainda nem nasceu. As lembranças as temos no presente, os planos fazemos no presente. A vida é presente. Penso cada vez mais na arte como um caminho de alegria, e preenchimento. Acredito que o futuro do mundo está nas mãos dos não ambiciosos. O que não quer dizer resignados, ou conformados, mas apenas pessoas que são felizes com o que têm, embora pensem em ter outras coisas. Pronto, o futuro do mundo está nas pessoas que sonham, que vibram, que intuem, que amam, que se doam aos outros e aos feitos. Pessoas que brilham, que se aventuram, que não se alimentam de culpas, nem remorsos. Utópico? Nem tanto, acho mesmo que isso é cada vez mais possível. As pessoas sensíveis que eu conheço, andam seguindo esses caminhos. Caminhos da simplicidade, da alegria. Caminhos inquietos em busca da evolução espiritual. Caminhos trilhados no agora. E cada vez mais o mundo será presenteado com pessoas sensíveis, que vão dizer não a essa alienação da superficialidade, da frieza, da competição, do consumismo, do desamor. Cada vez mais o mundo vai se humanizar. Cada vez mais a alegria estará contida em ouvir uma boa música, viajar em um bom livro, escutar um sonoro "te amo". Correr no meio da água, enfiar os pés na terra, comer coisas amargas. Cada vez mais o mundo vai deixar de ser coisa, pra virar gente.

Eu acredito nisso mesmo. E esse post virou meio hippie e auto ajuda, mas veio do fundo do meu coração brega. É super verdadeiro! :)

bjos

Friday, September 04, 2009

hiato?

Eu ando querendo dizer algo, mas não ando conseguindo. Tem um texto novo que precisa surgir pra breve, e sempre fico assim, quase uma tensão pré - criação. Ironia né?! Tendo que criar uma história e perdendo as palavras minutos antes. Hiato criativo? Eu sempre tenho antes de escrever. Sempre esqueço o texto cinco minutos antes de entrar em cena, e por aí vai...
Antes de um texto novo surgir é estranho, porque existe aquele momento em que já sabemos como ele será, mas sem muita nitidez. Ele ronda nossa língua, mas não voa pra fora - ainda! Ele coça em nossas mãos, mas não o suficiente para sair delas. Esse momento é bizarro e angustiante. Mas é breve, e é sinal de que logo nasce. Parir não é fácil, e dói em variadas instâncias!!!!

Inspiração breve sobre qualquer circunstância da vida:

deita e aconchega
na cabeça o peito tilintando
tambor de dois
tambor deles
ele e ela
poderiam fazer uma roda de samba
poderiam sambar a dois
poderiam ser sós
solidão em dois
solidão pra dois
solidão
pausa de pé esquentando
afogo de respiro sufocando
malícia de sopro ao pé do ouvido
delícia de língua sem definição
viagem aos lugares que queriam conhecer
imaginam-se
iluminam-se
apresentam-se
os nomes ficam
eles se lançam
e depois só sobra o silêncio
contando uma história
sobre ele e ela
sobre a solidão
sobre a primavera

que vem chegando...

Wednesday, September 02, 2009

o perfume

O perfume ainda pousava no ombro, como uma dessas borboletas distraídas, que pousam trazendo bem querer. Gostava de pensar nas borboletas, imaginava assim que poderia ser leve e livre. Ao mesmo tempo gostava da idéia do comprometimento desleixado que a escolha daquela borboleta representava.
A luz era pela metade de linda. As flores. E os caminhos por onde passavam.
Um céu de sol caindo. Dizendo tchau aos poucos, pedaço por pedaço, fazendo brilhar os sorrisos. Riam muito.
Entregou a ela um bilhete. Ela antecipou num gesto de não querer pegá-lo. "Palavras não deveriam ser ditas agora". Mas diante da urgência dele, ela pegou. "Leia quando não estiver comigo".
Pensou em fingir que leria, mas não conseguia mentir. Leria quando não estivesse com ele. Quando só lhe restasse dele o perfume batendo asas próximo ao ombro.
Entre as flores do campo, preferidas dela, ficaram em silêncio horas e horas. Ali diziam-se tudo o que precisavam e sentiam. Mas ainda tinha o bilhete.
Retornaram juntos, mas a certa altura do caminho ele precisou virar pássaro, e partir. Ela ficou ali olhando o céu já estrelado e com o bilhete nas mãos.
Era um papel amarelo. Amarelo lhe passava boas coisas, mas poderia ser só para não lhe causar espanto antecipado.
Abriu. Leu. Sentiu uma espécie de cumplicidade e carinho naquele gesto. Ainda não tinham nada de concreto, mas ele já lhe dizia: "Sinto que posso gostar de você. Estou com medo. Penso em fugir".

Ela repetiu para si mesmo: "Eu também".

Fugiram para o mesmo lado, e se encontraram segundos depois.
E o perfume havia permanecido pousado no ombro de ambos!
Isso era uma lembrança...