Sunday, August 30, 2009

domingo

Era domingo, e a moça não gostava de domingo. Domingo tendia a um certo tédio. Domingo só fazia sentido por algumas horas de céu azul, desfrutadas ao ar livre, ou em outras horas de chuva matando a sede de quem segurava a mão de alguém. A moça estava entendiada naquela altura do domingo.
Ouviu alguma música. Havia coisas a serem feitas, mas ela queria apenas ser e sentir. Procurou consolo em um livro. Arrepio. Um certo vento frio entrava pela janela, lembrando que a vida estava toda ela embebida de domingo. Domingo início de noite. Domingo.
Pensou no fato de se lhe fizessem uma surpresa. Qualquer pessoa, qualquer surpresa. Um amigo antigo, fazendo tocar o telefone, sem que se houvesse programado. Uma pessoa querida entrando pela porta inesperadamente, com abraços e silêncios. Pensou no quanto um domingo poderia ser diferente daquele. No quanto ele poderia ser diluído em possibilidades, e no fim, conseguir ser só domingo mesmo.
A peça ruim. A preguiça matinal. Os acontecimentos dos últimos tempos. Era seu primeiro domingo depois de um certo tempo. O primeiro domingo para ser domingo e nada mais. Era isso que estava estranho. Fazia tempos que ela vinha vivendo os domingos como se fossem outros dias. E agora, era preciso novamente, se reconciliar com o domingo que é só domingo, e saber usufruir dele, todo o prazer do mundo. Porque até mesmo os domingos podiam ser interessantes.
Vai que alguém ainda resolve aparecer com uma boa saída pra esse seu domingo chamado domingo...

1 comment:

Misterious Girl said...

ai, eu costumava amar os domingos, ia na chuvisco com o 'rugboy' e tdo ficava TAO bom, mas... tdo se acabou e agora o domingo ficou tedioso pra mim tb!
beijos marina, otima semana!