Thursday, August 27, 2009

Céu de pipas....

Era um céu de pipas. Pipas de todas as cores, mas ele só via as vermelhas. Tinha vontade de mordê-las. E porquê a vida era tão cheia de regras? Por que não morder as pipas todas, e comê-las, com toda a fome que se impunha dentro dele? Apenas olhava-as!!! Mas pensava se não poderia se agarrar a todas elas, de maneira que alçasse vôo e se fizesse diante do infinito, como um menino que era. Um menino cheio de desejos proíbidos. Cheio de segredos bem guardados, a ponto de explodir ele mesmo numa única piscada. Um menino diante do infinito, a fazer perguntas impertinentes.
As pipas....voltou a observá-las. Talvez quisesse ter nascido uma pipa vermelha, gigante no céu. Se fosse uma pipa, sua mãe seria uma pipa, seu pai uma pipa, sua avó...e todo o resto. Sua casa seria o céu. Seu Deus o vento. E seu horizonte o infinito. Se fosse uma pipa não precisaria ser ele mesmo, e era aí que morava toda a sua inquietude. Em ser ele mesmo. Quem mesmo ele era?

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