Sunday, August 30, 2009

domingo

Era domingo, e a moça não gostava de domingo. Domingo tendia a um certo tédio. Domingo só fazia sentido por algumas horas de céu azul, desfrutadas ao ar livre, ou em outras horas de chuva matando a sede de quem segurava a mão de alguém. A moça estava entendiada naquela altura do domingo.
Ouviu alguma música. Havia coisas a serem feitas, mas ela queria apenas ser e sentir. Procurou consolo em um livro. Arrepio. Um certo vento frio entrava pela janela, lembrando que a vida estava toda ela embebida de domingo. Domingo início de noite. Domingo.
Pensou no fato de se lhe fizessem uma surpresa. Qualquer pessoa, qualquer surpresa. Um amigo antigo, fazendo tocar o telefone, sem que se houvesse programado. Uma pessoa querida entrando pela porta inesperadamente, com abraços e silêncios. Pensou no quanto um domingo poderia ser diferente daquele. No quanto ele poderia ser diluído em possibilidades, e no fim, conseguir ser só domingo mesmo.
A peça ruim. A preguiça matinal. Os acontecimentos dos últimos tempos. Era seu primeiro domingo depois de um certo tempo. O primeiro domingo para ser domingo e nada mais. Era isso que estava estranho. Fazia tempos que ela vinha vivendo os domingos como se fossem outros dias. E agora, era preciso novamente, se reconciliar com o domingo que é só domingo, e saber usufruir dele, todo o prazer do mundo. Porque até mesmo os domingos podiam ser interessantes.
Vai que alguém ainda resolve aparecer com uma boa saída pra esse seu domingo chamado domingo...

Thursday, August 27, 2009

Céu de pipas....

Era um céu de pipas. Pipas de todas as cores, mas ele só via as vermelhas. Tinha vontade de mordê-las. E porquê a vida era tão cheia de regras? Por que não morder as pipas todas, e comê-las, com toda a fome que se impunha dentro dele? Apenas olhava-as!!! Mas pensava se não poderia se agarrar a todas elas, de maneira que alçasse vôo e se fizesse diante do infinito, como um menino que era. Um menino cheio de desejos proíbidos. Cheio de segredos bem guardados, a ponto de explodir ele mesmo numa única piscada. Um menino diante do infinito, a fazer perguntas impertinentes.
As pipas....voltou a observá-las. Talvez quisesse ter nascido uma pipa vermelha, gigante no céu. Se fosse uma pipa, sua mãe seria uma pipa, seu pai uma pipa, sua avó...e todo o resto. Sua casa seria o céu. Seu Deus o vento. E seu horizonte o infinito. Se fosse uma pipa não precisaria ser ele mesmo, e era aí que morava toda a sua inquietude. Em ser ele mesmo. Quem mesmo ele era?

Wednesday, August 26, 2009

um cubo de turronice

Eu sou chata. Não adianta, quando não gosto de uma pessoa ou do trabalho dela, ela pode ser a rainha da conchinchina que eu vou continuar não gostando. Sempre fui assim. Ah chegou um professor fodão na facul, nossa ele é muito bom, a aula dele é demais. Todo mundo puxando o saco, mesmo os alunos que se diziam mais reacionários lá, babando ovo e endeusando o professor. Não sou contra o endeusamento, mas sou expressamente contra unanimidade, e sobretudo que queiram que eu faça parte dela. É engraçado, porque esse professor por ex, os reacionários deixaram de endeusar e depois passaram a massacrar, eu só nunca achei ele foda, pelo fato de ter estudado fora e bla bla bla [ devo isso ao fato da minha mãe ter me educado como uma brasileira otimista. nunca esqueço ela falando: brasileiro tem mania de achar que o que vem de fora é sempre melhor. eu odeio isso. o que vem de fora pode ser bom ou ruim, como o que vem daqui também], e continuei achando ele mediano. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O povo esquece fácil que já esteve do outro lado.
Quer saber o pior? Eu to ficando mais chata ainda. Ganhando segurança na vida e em sí mesmo, a gente começa a levar ainda menos a sério os endeusamentos, as críticas mal fundamentadas, e todo o resto. Eu acho válido quem diz que não gosta e ponto não diz mais nada. Direito da pessoa. Eu mesma não gosto só por não gostar e ponto muitas vezes. Eu já não levo a sério quem tenta explicar o não gostar de uma forma enrolada e reticente. Aquele tipo de gente que não fala coisa com coisa e acha que falou tudo sabe?
Nossa faz tempo que não faço um post assim, meio turrão! Simmmmmmmm eu sou chata. Sou mesmo. E cada vez fico mais. Preciso de muito mais que um: ai marina, essa gente não é boa não, ou esse teu amigo é esquisito, ou o fulano ali é um deus, pra eu acreditar. Mas muiiiiiiiito mais.

Monday, August 24, 2009

pintura

Pegou o vermelho, lambeu a tela com uma parte da cor. Passou os dedos levando um risco de uma ponta à outra.
Agora pingava o amarelo. Alguns pingos que se espalhavam em espiral indo do centro para os lados. Pingava. Pingava. Pingava.
O branco escorreu sem querer, mas achou que valeu à pena. O branco abriu uma fenda de esperança, bem no meio de tudo aquilo. Quase um vulcão gelado.
Abaixo uma raspa de preto. Esfumaçado. Tornando uma semi borda de passagem. Era como se por ali, só passasse um fiapo de luz. Era como se resguardasse todo o resto.

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porque através das palavras eu acredito que se pode ver, sentir, saborear...ouvir e entender é sempre muito pouco...

Sunday, August 23, 2009

meu presente!

O meu novo ano?

Que seja leve, doce, e colorido.

Nem sempre sensato, nem sempre correto, nem sempre quieto...
Às vezes com muito barulho, outras com silêncio absoluto.
Caminhos tortos, que descambem em lugares lindos. Flores inesperadas. Alguns bons planos, algumas boas surpresas. Novos amigos, e os de sempre.

Amores. Sonhos.

Paz, saúde, sorriso, pôr do sol, Rio de Janeiro. Viagens. Vinho. Sol. Chuva pra dormir. Música.

"Sofia...", novos projetos, textos, cenas, aulas, estudos....muita coisa nova.

Opções, escolhas, sabedoria. Intuição.

Sorvete. Mar. Saudade. Abraço. Beijo. Olhares.

Recadinhos. Fofoquinhas. Choppinhos.

Um lindo vôo, ainda mais alto, e sempre com muita ARTE!

É isso que eu me desejo.

Wednesday, August 19, 2009

amigos

Ando encontrando a minha turma. Pessoas que eu já conhecia antes de vir pra cá, e me aproximo cada vez mais. Pessoas que encontrei assim que cheguei aqui, e reafirmo a primeira intuição a cada trabalho, a cada fofoca, a cada preocupação, a cada caminho. Pessoas novinhas em folha, com as quais tenho descoberto uma afinidade, e acima de tudo um carinho espontâneo.
Eis a melhor parte da adaptação, quando se chega nessa fase, onde a gente já se sente completamente em casa. Quando ir passar um tempo em "casa" dá até um aperto pelas saudades que se vai sentir. Quando já não se imagina mais sem estas pessoítas por perto. Quando a gente começa a sentir que faz parte de alguma coisa mesmo!
Logo que eu cheguei eu só chorava. Qualquer coisa era motivo pra pensar em voltar. Qualquer suspiro virava saudade e nostalgia. Saudade eu ainda sinto, e vou sentir pra sempre, até porque os novos jamais substituírão os que já se tornaram eternos, mas dá um alívio começar a reconhecer os meus por aqui.
É bom encontrar espaço pra ser o que se é, com todas as besteiras e maluquices que isso inclui no meu caso - rsrsrsrs... E eu queria agradecer ao universo, pelas pessoas lindas que tem colocado no meu caminho, pelas pessoas lindas que fazem parte da minha vida há algum tempo. Enfim...mesmo antipatiquinha, eu até que me dou bem nessa de ter bons amigos - rsrsrsrs!

Wednesday, August 12, 2009

porta entre aberta

Ando lendo blogs, sobretudo de mulheres, onde reina a variação sobre o mesmo tema: os relacionamentos! Nem amor, nem paixão, mas a relação em sí.
Pensei o quanto esse tema está fora da minha página atualmente. O que não quer dizer que eu não pense nisso, ou que nunca fale sobre; apenas que tem havido mais leveza nesse departamente, que os tempos de outrora!
Nos últimos tempos tenho andado preenchida de mim mesma, das coisas que fazem meu olhos brilharem, dos meus projetos. Tenho andado apaixonada pelas novas pessoas que surgem na minha vida, pelos novos trabalhos, parcerias... A vida dá inúmeros motivos pra nos apaixonar-mos constantemente.
Confesso que ando olhando pouco pro lado, não por não querer, mas por olhar pouco mesmo. Estou sendo, e pensado menos. Estou me ocupando, ao invés de me preocupar. Estou vivendo, e discutindo menos sobre a vida. Não tenho sentido a necessidade de um relacionamento urgente, assim como também não descarto a possibilidade de que ele aconteça, mas como venho dizendo, no atual momento, só se for algo que realmente mexa comigo, porque caso contrário, eu não conseguirei me doar.
Até porque o momento da vida está focado no agora, e na entrega, então se for pra acontecer algo, terá que ser agora e entregue, aí não há previsões. Acho que por isso ando falando pouco sobre. Ando pensando pouco sobre. Porque eu prefiro viver o sobre!!! Enfim...
O fato é qu etenho lido por aí as insatisfações alheias, as mágoas, as dores, os términos, as ausências... é realmente dolorido mesmo, mas o que torna pior é pautar a vida no outro.
As bases da própria vida devem ser construídas em sí mesmo, assim a vida só desmorona se você desmoronar junto, caso contrário, qualquer vento no outro, faz você voar léguas, de forma desgovernada.
Eu nem sei porque deu vontade de falar isso agora. Acho que pelas conversas que tenho escutado. Pela fase que tenho vivido. Pela vida enfim...
A minha está de porta entre aberta, nem trancada, nem fechada, nem escancarada; mas sim pronta pra quem realmente quiser, abrir e entrar!!!!

Monday, August 10, 2009

Nasceu!


Tem me restado pouco tempo pra falar das coisas da vida, em forma de palavras distantes, por aqui. Entre a estreia do Sofia e tantas outras coisas que andam acontecendo, o pouco tempo que sobra eu tento dormir!
Aliás, a estreia foi linda. O espetáculo ainda vai amadurecer muito, os atores crescer muito, o público contribuir muito, mas to muito orgulhosa do trabalho que realizamos. É o início de uma longa estrada de sucesso, tenho plena certeza.
Pela primeira vez, e desculpem os amigos que já montaram textos meus, mas pela primeira vez - não sei se o fato de ter participado do processo inteiro contribuiu - eu sentí que não só a montagem disse o que o texto queria dizer, como foi além dele. JustificarTornou tudo ainda mais poético e emocionante. Confesso que me surpreendi pela comicidade que o texto ganhou, e minhas piadinhas infâmes fazendo o povo rir- tem gente que acha engraçado a mesma coisa que eu, que bom!!!!
E mais me orgulho das pessoas com as quais divido esse trabalho. Algumas parcerias que se firmaram, outras que surgiram novas em folha. Sei que sou privilegiada por chegar num lugar novo, e já ter uma equipe de parceiros como essa. Sobretudo um amigo parceiro que pensa a arte como eu. Pessoas incríveis, amigos queridos! Agradeço muito!!!!
Agora é partir pra produção. Correr atrás de tudo. Mais horas na frente do computador, editando vídeo, divulgando o blog, tratando fotos, pesquisando festivais, correndo atrás de edital...mas isso me dá um prazer. Me senti nessa estréia como me sentí na época do (in) solitude, ou do "a", e quem me conhece sabe a importância desses trabalhos na minha vida. Dessa vez a novidade é que não atuo, e senti tanto prazer quanto, mesmo que de um jeito diferente.
É interessante, porque eu sempre dizia que queria ver o "a" ou o (in) solitude, para ver se como público eu gostaria tanto, obviamente não era possível, já no Sofia eu posso além de orgulho, ter o prazer estético, e isso é muito bom!

Beijos e boa semana!

Wednesday, August 05, 2009

estranheza

Andando pelo centro da cidade e descobrindo galerias com cafés, livrarias e sebos cheios de charme. Encontrando os becos, que fazem parte daquela identidade íntima que se tem com um lugar. Delícia.
Numa esquina qualquer de novo aquela sensação de ter você ao lado. Estranha sensação, já que não há ainda um reconhecimento real e material de quem seja você. Mas há certamente um conhecimento de alma, metafísico, espiritual. É quase como quando a gente pressente algo. Sinto você, como se já tivesse chegado. Estranho demais.
Os últimos dias têm sido assim, com essa estranha pesença ausente de alguém que ainda nem chegou. Mas estranhamente eu sei que algo se aproxima!!!!

Estranheza é a palavra da vez!

Saturday, August 01, 2009

saudosa maloca

Seu tivesse um carro na garagem eu pegava ele agora. [Saudoso Fiesta de tantas histórias pra contar]. E eu passava no posto e comprava cerveja. Ou Vinho. Ou qualquer coisa que aumentasse o teor de escândalo das gargalhadas. E eu ia direto pra casa do Boi.
Amanhã eu ligaria pros meus queridos amigos todos e combinava alguma coisa, em qualquer lugar.
Depois eu xingava meu irmão. Em seguida ia papear histericamente com a minha mãe.
E andaria por lugares onde um dia eu sonhei com o lugar que hoje eu vivo. E eu lembraria do quanto a gente consegue ir longe.
Porque realizar os sonhos é muito muito muito bom, mas a saudade é inevitável!

Hoje eu estou com saudades, e muito feliz!