Thursday, July 02, 2009

amarrotado

Certos dias deveriam ser só repletos de Clarice, e aquele seu humor - sim eu o vejo - todo particular. Desses certos dias, estes em que a gente acorda e parece continuar amarrotada pelo resto da manhã, da tarde, da noite, da vida...
Dias como esses deveriam ser levados debaixo de uma sombra de macieira, ou de qualquer outra fruta que a pessoa goste - hmmm jabuticabeira - . Ou então a frente de um mar de águas claras, calmas ou revoltas, tanto faz. Dias como esses deveriam ser desfrutados ao som de uma vitrola de jazz ou blues, um vinho e um amor ao pé do ouvido.
Às vezes eles somem, e fazem parecer que a gente nunca mais vai amarrotar na vida. Mentiiiiira. Eles sempre voltam, e a gente sempre fica com cara, corpo e alma de recém nascido, tirado de dentro do aconchego do útero, e jogado nesse mundo, sem ainda entender nada direito. A gente amarrota mesmo. Às vezes por um segundo, dois, três horas. Dois dias. Dois dias de amarrotamento, e sem saber se amanhã se vai acordar com cara de roupa passada. A gente se sente meio como uma roupa que foi jogada no cesto, esperando entulhar a pilha até ser passada. A primeira roupa da pilha, se torna a última roupa a desamarrotar. Por isso nem sempre é bom chegar em primeiro. Oi?
Mas eu proclamo aqui: respeitem o dia amarrotado. Respeitem muito. Ele produz uma sensação de que não nos pertencemos, e acho que é a única maneira de experimentar a auto ausência. A gente sente saudade de si mesmo. E isso é bom!!!! Saudade do que a gente é desamarrotado. E a gente geralmente descobre que é bacana.
Mas é aquele negócio, a gente não sabe o que, ou quem nos amarrota, e tão pouco sabe como desamarrotar. A verdade é que a vida é bem mais complexa que uma cesta de roupa por passar, ao mesmo tempo em que se aproxima dela. A vida chega a ser simples como uma galinha. Não como o ovo!

Ces't la vie!

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