Wednesday, July 29, 2009

pensando alto

Às vezes a moça pensa! Pensa em tudo. Pensa nas portas que se fecham. Nas vozes que não soam como respostas. No vazio, na incerteza, na dúvida. Pensa em tudo o que fez, nos caminhos que trilhou. Pensa nas escolhas. E nessas vezes, ela tem vontade de fingir que não é ela, pra poder respirar um pouquinho!!!!

Sunday, July 26, 2009

um segredo de alegria















Olha a moça ali mamãe!
O que foi meu filho?!
Ela não para de sorrir!!!

E a moça gargalhava o tempo inteiro, preenchendo o ônibus com um pouco de sua loucura e alegria. Era expressamente feliz, como há muito não era!!!!

E o que tem isso filho?
Não sei mamãe, mas as pessoas grandes não costumam dar risadas assim...
Assim como?!
À toca, e num lugar púmico!!!
Oi?!
Nada mamãe, nada!!!

A moça olhou para o menino, e ali, naquele instante, eles viveram o mesmo tempo, a mesma lua, o mesmo sorriso, como se nada mais fosse tão genuíno na vida como aquele inusitado encontro.
Dançaram com o olhar e só eles souberam disso!!!!

Thursday, July 23, 2009

papai noel

Presente é um pedaço do agora, embrulhado, para fazer sorrir.

e eu adoro presentear quem eu amo.

Wednesday, July 22, 2009

novo blog

Queridos leitores, resolvi ler meu blog inteiro ontem, por conta de possíveis projetos futuros envolvendo o pequeno! Me cansei um pouco dessa miscelânia de textos, alguns muito longos, outros muito pessoais, e resolvi fazer um blog novo. Não eu não vou deixar de postar neste, mas nesse novo me dedicarei apenas a textos curtos, e ficcionais - embora muito pessoais também! Cartas ao louva deus, simbolizam, talvez, as cartas que eu não escrevi e que eu nunca soube para onde mandar! Espero que gostem. Manterei os dois na medida do tempo e do possível!

http://cartasaolouvadeus.blogspot.com/

Abraços!

Monday, July 20, 2009

um doi três, haja fôlego!!!

Ok, minha cabeça se livrou de uns cinco livros de uma só vez, em duas perguntas hiper abrangentes sobre teatro moderno e contemporâneo. Eu estou tipo assim, uns vários kilos mais leve, agora é só esperar e ver no que dá, dai se der, a cada etapa se vai tirando um peso novo. Outro peso, o da estreia, só me livro dia 08 de agosto. Esse, inclusive, vai ganhando proporções maiores a cada dia.
É bem diferente esperar uma estreia como atriz, de uma como autora e ass. de direção. Como atriz eu vou lá e trasnformo tudo em ação no segundo em que piso no palco, mas da outra forma, só me resta observar e rezar pra que saia tudo o melhor possível.
Perguntas me rondam: as crianças vão gostar da história que eu quero contar? os examinadores da banca vão curtir minhas respostas - uma longa outra nem tanto - ? e o meu projeto ficou muito maluco? quando eu vou arranjar tempo pra por no papel a história/idéia que já está quase pronta? e quando e como vou conseguir colocá-la em prática? e ler outras coisas, quando meu Deus? e o descanço? semana de correria, definições, mais estudos, mas por hora um merecido mini descanço.

ps: talvez meu blog possa virar livro, vou conferir isso amanhã!

viva!

só pra não perder a poesia : ANTES é uma lagarta que ainda não virou borboleta [Adriana Falcão].

Thursday, July 16, 2009

Um ano de Rio.

Dia 14 passado fez um ano que vim morar no Rio. Engraçado que eu lembrei bem disso antes, e depois, mas no dia em sí, nem pensei. Ao mesmo tempo que parece ter sido ainda ontem que vi meus amigos chorando e sorrindo, minha mãe se lamentando e se orgulhando com a minha vinda, parece também que eu moro aqui tem muito tempo.
Eu tenho uma comunhão com essa cidade, tão fluida, que sinto cada vez mais ser aqui que se firma minha vida. Parece que as pessoas que conheci estavam aqui a minha espera há muito tempo, de tão natural e intenso que têm sido os encontros. O Rio me proporcionou uma leveza, facilmente afirmada por quem me vê. Aqui aprendi a respirar mais fundo, e olhar pra frente com ainda mais otimismo. Ironia pura pra quem pensa que aqui só se vive tenso e fugindo de balas!
A saudade é o pior defeito do Rio. Aqui muita coisa acaba cheirando a ausência. Os outros defeitos, como qualquer outra cidade, existem, mas são defeitos que eu já aprendi a lidar e aturar.
Numa das últimas vezes que vim aqui a passeio [sempre vinha muito quando criança também] eu senti que viveria aqui uma boa parte da minha vida, e foi um sentir maior que puro desejo projetado, foi uma sensação genuína de estar em casa! Na última vez que vim, vim decidada a voltar de vez na próxima. E assim foi, como tudo que eu coloco na cabeça e faço até conseguir.
Hoje aqui, não longe de grandes dificuldades que vem dessa vida de artista, eu tenho certeza de estar no lugar certo. A cada passo tenho encontrado pessoas maravilhosas, tenho tido boas parcerias, venho vendo nascer projetos lindos, e faço planos e mais planos. Agora nesse exato momento, to com aquela sensação que chega a me dar arrepios, e que volta e meia me ronda: estou prestes a iniciar uma nova fase na minha vida. Uma fase de grandes mudanças, grandes realizações, sonhos antigos se concretizando e novos passos se esboçando. Sinto que o momento antecedente, este mesmo de calmaria e aparente lentidão, veio quase que como para me dar um descanço. Os próximos capítulos dessa história serão ainda mais emocionantes, sempre sem perder a leveza!

Bom digamos que eu estava no meu inferno astral em relação a minha vinda, agora em breve entro no meu inferno astral pessoal, e depois disso, estou quase certa de que terei imensas novidades!

Viva as mudanças, sem elas a vida perde o sentido!

Tuesday, July 14, 2009

a metafísica do amor

Estranho não te conhecer, e mais estranho ainda te saber tão bem. Me vens como certeza em alguns momentos, e eu quase consigo tocar. Uma vez, em sonho, senti teu perfume. É estranho que dependendo do momento, tens um rosto, uma forma, noutro outras formas, outras caras, mas és sempre a mesma essência. Então eu penso que alguma hora iremos nos encontrar e reconhecerei em ti, toda essa sensação de estar em casa, toda essa doçura, todo a leveza. Experimentaremos nossos sorrisos, nossas frases interrompidas por olhares, nossas mãos entrelaçadas. Saberemos que nos somos, porque já andamos nos encontrando tanto pelos ares, mares, e pensamentos, que na hora que nossos olhares avistarem-se, teremos a certeza de que somos eu e você!
Só um pedido: não demora muito, porque eu já sinto saudades do que ainda nem chegamos a ser...

Monday, July 13, 2009

Novo espetáculo!

mo


Em agosto estreia meu novo espetáculo! Meu primeiro infantil sem ser projeto escola. Nesse não me apresento como atriz, mas sim como autora e ass. de direção! Tem sido uma experiência ótima escrever para os pequenos. No link abaixo vocês podem conferir como tem sido:

http://sofiaembaixodacama.blogspot.com/2009/07/palavra-da-autora.html

Thursday, July 09, 2009

pela manhã

Ela acordou e sentiu o peso do mundo lá fora. Guardava dentro de sí uma sensação tão genuínamente leve e viva, que desajava nem ter acordado, mantendo-se ilesa ao mundo. Abriu a janela no ímpeto matinal, e junto com o sol deixou entrar o peso do mundo. Tarde demais. Sua sensação pesou-lhe tanto ao peito, que desejou gritar, chorar, cuspir tudo o que houvesse engolido. Ainda nem havia tomado café. Percebeu o quanto era mais difícil livrar-se das coisas invisíveis. A subjetividade lhe rondava e lhe tirava o frescor. Desejou ser pedra, sapato, rolha de vinho. Desejou secretamente não ter vida, e assim permanecer ilesa ao peso do mundo.
Perdera a fome que carregava. Abrindo a janela parecia ter comido a alma de cada um que passava lá fora. Algumas demasiadamente massilentas. O estômago estava embolado. Água? Talvez a quisesse, mas não tinha certeza se aquela água era feita do mesmo material que seu corpo. Talvez a incompatibilidade da água lhe fervesse o sangue. Talvez ela não suportasse.
Desejou pegar o telefone e ligar para uma amiga. Pensou em qual delas lhe entenderia nesse exato momento. Desistiu e chegou a conclusão de quem nem mesmo aquela, com quem trocava pequenos fragmentos de alma, num fluxo contínuo e fraterno, poderia lhe entender naquele momento. E pensou o quanto isso a tornava ainda mais sua amiga. Só os amigos verdadeiros poderiam não entender sempre, e ainda assim confortar. Devolveu o telefone ao gancho. Vestiu uma roupa sem nexo, onde a blusa e a calça não haviam sido feitas uma para a outra. Ia calçar os sapatos, mas preferiu ficar descalça. Decidiu que naquele dia estaria em estado o mais primitivo que alcançasse. Decidiu naquele dia ficar sem saber de nada, nem ninguém. Decidiu que o peso do mundo ficava para mais tarde.
Ela descalça, andava desforme, pela rua. As pedras machucavam. Os pés sorriam!

Monday, July 06, 2009

comendo as coisas vivas todas

doce de abóbora escorria pelo canto da boca
o telefone tocando e ela não querendo atender
a brisa lá fora sorrindo
tudo parecia lhe sorrir escancarado
a vida
regou seu cactos e lembrou saudades
outro dia sonhara que ele havia se partido
certo que era seu coração todo partidinho de ausência
sorriu mesmo assim
eram ausências presentes
um presente
no presente
ali fincou o pé
no único solo que realmente poderia caminhar
agarrava-se a tudo o que lhe parecia vivo
engolia todas as coisas vivas que podia
mastigava tudo
até o fim
criava dentro de sí um monstro
um monstro de belezas
um monstro que vivia ali hibernando até tomar o corpo de poder voar
era um monstro de asas escondidas
ou melhor
armazenadas
só saíam dali quando realmente fosse necessário voar no céu
porque no chão ela já voava horrores!!!!

Friday, July 03, 2009

PARA O NOVO PROJETO CONTO COM VOCÊS!!!!

VENHO POR MEIO DESTE, PEDIR ENCARECIDAMENTE QUE ME AJUDEM COM MEU NOVO PROJETO DE TEATRO. SELECIONEM TRECHOS OU FRASES DE POSTS DO BLOG, E ME MANDEM POR RECADO. BASTA COLAR NO RECADO E EXPLICAR QUE É POR ESSE MOTIVO!!!! NÃO SE PEOCUPEM COM LÓGICAS OU NOÇÕES, PRA MINHA IDÉIA SERVE QUALQUER FRASE, OU TRECHO QUE LHES DIGA ALGO QUE TOQUE A ALMA, O PÉ, O COTOVELO, OS OLHOS...QUALQUER COISA QUE PROVOQUE ARREPIO, NÁUSEA, AUSÊNCIA, APERTO, SORRISO....VIDA!

GRATA, MARINA!

Thursday, July 02, 2009

amarrotado

Certos dias deveriam ser só repletos de Clarice, e aquele seu humor - sim eu o vejo - todo particular. Desses certos dias, estes em que a gente acorda e parece continuar amarrotada pelo resto da manhã, da tarde, da noite, da vida...
Dias como esses deveriam ser levados debaixo de uma sombra de macieira, ou de qualquer outra fruta que a pessoa goste - hmmm jabuticabeira - . Ou então a frente de um mar de águas claras, calmas ou revoltas, tanto faz. Dias como esses deveriam ser desfrutados ao som de uma vitrola de jazz ou blues, um vinho e um amor ao pé do ouvido.
Às vezes eles somem, e fazem parecer que a gente nunca mais vai amarrotar na vida. Mentiiiiira. Eles sempre voltam, e a gente sempre fica com cara, corpo e alma de recém nascido, tirado de dentro do aconchego do útero, e jogado nesse mundo, sem ainda entender nada direito. A gente amarrota mesmo. Às vezes por um segundo, dois, três horas. Dois dias. Dois dias de amarrotamento, e sem saber se amanhã se vai acordar com cara de roupa passada. A gente se sente meio como uma roupa que foi jogada no cesto, esperando entulhar a pilha até ser passada. A primeira roupa da pilha, se torna a última roupa a desamarrotar. Por isso nem sempre é bom chegar em primeiro. Oi?
Mas eu proclamo aqui: respeitem o dia amarrotado. Respeitem muito. Ele produz uma sensação de que não nos pertencemos, e acho que é a única maneira de experimentar a auto ausência. A gente sente saudade de si mesmo. E isso é bom!!!! Saudade do que a gente é desamarrotado. E a gente geralmente descobre que é bacana.
Mas é aquele negócio, a gente não sabe o que, ou quem nos amarrota, e tão pouco sabe como desamarrotar. A verdade é que a vida é bem mais complexa que uma cesta de roupa por passar, ao mesmo tempo em que se aproxima dela. A vida chega a ser simples como uma galinha. Não como o ovo!

Ces't la vie!