Thursday, June 25, 2009

no silêncio te disse de ontem

Quando não se quer mais encontrar a explicação, apenas deixamos que vá, correndo o risco de que seja pra sempre. É penoso pelo que foi, pelo passado de lembranças doces, mas é leve pelo que está e pelo que vem, exigindo um lugar a mais. Certas decisões, ou viradas de caminho, acabam por desvencilhar alguns laços. Não mais juntos, se afastam, cada qual em seu caminho, e muitas vezes não encontram o caminho que os trazem de volta - nem querem. Não se sabe explicar porque toda a construção anterior desaba como castelo de areia ao vento, mas o fato é que desaba. O afeto, a admiração, a cumplicidade, viram pó, pequenos cacos estilhaçados, em vão tentando virar algo com forma. Só o tempo pode, talvez, um dia reunir tudo, que surgirá colorido, apesar das rachaduras e marcas deixadas. Ou possivelmente se perderão no meio do vendaval, sem nunca mais se tocarem. É o risco que se corre. É estranho cruzar na rua, e não mais reconhecer quem se amou um dia, mas acontece. Acontece de maneira estranha, chega a dar uma saudade, mas quando se para pra pensar, vê-se que no fundo, desde o princípio, já anunciavam que seria assim. Um fim? Não se sabe, mas um ponto e vírgula muito triste.
Calo, por não ter nada a dizer. Não uso o silêncio como arma. Talvez, apenas como defesa.

1 comment:

Misterious Girl said...

dói e como dói essa possibilidade do futuro, do "quem sabe o que Deus reservou pra nós", de não reconhecermos quem amamos e quem nos amou, de pensar que dividimos o mesmo garfo tantas vezes e agora nos cumprimentamos como estranhos. Ai como dói! Te entendo perfeitamente Marina, mas, como tu diz, deixemos que vá.
Beijos e bom final d semana!