Thursday, May 28, 2009

o reconhecimento

Me senti um pouco no Alaska aqui. Presa no Alaska. Eu não sei o que significa a palavra liberdade. Será que é sair de casa rumo ao desconhecido? É estar só consigo mesmo? É buscar realizar os grandiosos desejos que se tem na vida?
Às vezes os próprios desejos mais parecem armadilhas. Não sei mais se quero seguir os meus. Nem sei de fato quais são os meus desejos. Talvez os meus mesmos, sejam mais simples, mais puros, mais ingênuos, e porque não singelos. Medíocres devem ser estes desejos que a gente usa pra mascarar a verdade. A verdade que habita dentro da gente.
Nesse exato momento eu queria estar em qualquer lugar, desde que estivessem algumas daquelas pessoas pras quais eu não preciso dizer nada. Confesso, cansei um pouco das explicações. Cansei um pouco de quem exige resposta pra tudo. Cansei de quem cobra sensatez o tempo todo. De quem quer decifrar a alma, o olhar, aquilo que a gente carrega, e não ousa contar nem pra gente mesmo. Cansei das pessoas que simplesmente desconhecem o amor, e desconhecem, portanto, que amor acontece muito mais no silêncio e na compreensão, do que no grito e no entendimento.
Cansei dos desejos que aprisionam. Cansei de tentar provar pro mundo e pra mim que eu sou capaz. Cansei de passar por cima da minha essência. De tentar buscar coisas que não me dizem respeito. Cansei da beleza harmônica, e das pessoas bonitas com seus cabelinhos no lugar. Cansei de correr atrás de algo que não me pertence. É muito feio reconhecer que talvez o que se queira, seja bem menos do que se pensava? Foda-se se for. Foda-se de quem espera de mim algo grandioso. A coisa mais grandiosa que posso fazer, por mim mesma, e por quem me ama, é agir de acordo com a minha verdade.
O que é ser selvagem? O que é ser livre?
“Felicidade verdadeira só existe se for partilhada”.
O que realmente nos é libertador? Eu realmente me cansei desse circo todo. As pessoas andam cegas, pras coisas mais óbvias da vida!

Assistam ao filme: Na natureza selvagem.
Já não bastasse o filme ontem a noite, hoje me deparei com a seguinte mensagem:
"A luz ilumina e amansa o coração dos homens. A luz ilumina o caminho escuro da maldade humana. A luz é bondade. A bondade é uma tentativa de ser, amando em vez de lutando ou competindo. A bondade é uma gratuidade difícil de ser alcançada.
todo nosso treino é para a competição e disputa. É luta o tempo inteiro. Luta de nós conosco mesmos, de nós com os outros. Parar de lutar é viver. Viver a vida sem lutas, sem competições ou disputas. Viver a vida sem ter que vencer. Ser sereno. Ser. Para que a luta, a disputa? Para vencer e se sentir mais valorizado. Vencer para ter valor. Olha que bobagem!
Em primeiro lugar preste atenção nessa sua necessidade de ser valorizado e reconhecido. O que você ganha com isso? Preste atenção! Pra que ser valorizado, pra que ser reconhecido? Qual o verdadeiro ganho? Ter admiradores? Qual é o ganho? É meio infantil, não é? Batem palmas pra você e você se incha, se ilumina, se acende. Por que não se acender e se iluminar com sua própria chama? Por que precisa da fagulha dos outros para se acender? Você precisa ter sua chama acesa, mas acesa pela sua própria vida. Viver aceso e iluminado pela própria vida é viver no sossego, no amor, na bondade".
Mas eu não sou adepta dos radicalismos, e quem for ver o filme, perceberá que radicalismo também se torna uma prisão, portanto, o caso não é desistir de nada ou transformar todo o contexto, mas sim buscar uma maneira de viver nele de forma a não se tornar um escravo. Tentar não abrir mão da própria essência, e ao mesmo tempo, para isso, não precisar de um isolamento profundo e integral. Difícil né?! Mas é isso que me instiga a continuar...

Sigamos todos!!!

3 comments:

vero said...

Profundo, Marinetti!!!Quero ver esse filme, parece doido hein!!
saudades...bjs!!!

Misterious Girl said...

o filme realmente é mto belo, nao sabia q era historia veridica, só descobri no final!

e novamente vemos as coisas pelo mesmo caminho, tudo tem de seguir seu curso, sem extremos, sem grandes ocupaçoes e principalmente sem considerar nada definitivo.
Beijos e bom final d semana do aki frio sul.

Lu Holanda said...

“Felicidade verdadeira só existe se for partilhada”.

tb foi essa a frase que ficou pra mim qdo vi esse filme!!!!
Lindo e extremamente sensível, como você Ma.

bjs