Monday, May 18, 2009

Ninaeojoelho.


Nina desejou ser novamente a menina dos joelhos ralados. Lembrava-se perfeitamente e até podia sentir novamente a dor que a consumia inteira. O joelho vermelho e ardido. Os passos do pai, às vezes da mãe, lhe trazendo o vidrinho do remédio, faziam a dor aumentar. Só de pensar em alguém tocando em sua ferida, lhe dava arrepios. Chorava alto e agudo. Ardia. Quase sempre o machucado vinha antecedido por um momento de pura alegria e exclamação!!!!
Nina desejou novamente sentir aquela dor. Novamente ter os joelhos como um trapo de chão. Desejou ouvir os sons dos passos do pai, às vezes da mãe, com o maldito vidrinho nas mãos! Pediu com todas as forças para que o tempo retrocedesse. Ela só queria fazer arder o joelho.
Quando era o pai quem tratava do machucado, sempre vinha junto um cafuné e uma boa história sobre alguma coisa fantástica, e logo toda atenção se voltava para algo distante da dor. Quando a mãe, a certeza que se fazia em Nina era do assoprar carinhoso e dos conselhos sensatos. A mãe nunca tirava a atenção da dor propriamente dita, mas fazia com que ela parecesse menos dolorida. Com um aprendeu a fugir um pouquinho da dor, o que sempre é necessário, com outro aprendeu a lidar de frente com ela, o que é sempre necessário. E ela só queria os dois agora, ao mesmo tempo, lhe ensinando a fugir e enfrentar a dor.
Queria algum vidrinho maldito que ardesse mais, mas fizesse em alguns minutos a dor evaporar. Queria um curativo. Um assopro delicado. Uma boa história. Um sensato conselho. Mas sabia que aquela dor teria de enfrentar a seco e sozinha. Sem escapatória ou enfeite. Nenhum subterfúgio. Apenas sentí-la. Não era o joelho. Não era o cotovelo. Não era o pé. Era a alma. E pra isso o único curativo era o tempo e o amor próprio!

2 comments:

Misterious Girl said...

maldito o tempo, q nos faz esperar quando não queremos e passa voando quando queriamos que parasse.
Passei a pouco por tudo isso, e com um cara q vc conhece... mas finalmente o tempo ja trouxe o vidrinho de remedio e cicatrizada está!
Espero q logo entreguem o teu!
Beijos

Raquel Stüpp said...

belo e verdadeiro.