Sunday, April 19, 2009

O bicho Papão não é mais o mesmo.

Deixei o Papão sair do armário e se sentir no direito de questionar a decoração do meu quarto inteiro.

Havia construído um mundo todo novo bem longe dele. O mundo novo causava medo, e às vezes o Papão fazia falta, por isso em inúmeras noites achei que ele vindo assustar meu mundo novamente, talvez eu me sentisse mais segura. O tempo passou, e o mundo novo foi ficando deveras atraente. O Papão chegou, e eu nem esperava mais. Foi um susto, junto com ele alguns medos antigos, alguns sentimentos guardados, algumas dúvidas, e algumas partes de mim mesma, que eu havia deixado ele levar. O Papão veio trazendo tudo isso, e a mocinha estremeceu. Voltou a viver no passado/futuro histérico a que ele a remetia - errata: ela mesma é que se mandava pra esse tempo espaço que não existe. Perguntas vieram descendo a montanha, como se tivesse deixado meu ármario desarrumado por muito tempo, acumulando roupa amassada e velha. Como se a neve rolasse, trazendo tudo pra cima da minha cabeça. Uma pilha de neve e roupa velha me sufocando. E agora?! A vida prega umas peças, e parece que reconstitui numa versão pockett alguns momentos dela própria. Em pouco mais de um mês eu vivi quase dois anos da minha vida - passada. E de uma forma full time fui afundando em mim mesma e perdendo a direção. Auto revelações. Medos antigos. Paranóias. Sentimentos. Definitivamente era a vida me cobrando a falta de atitude interna, de tanto tempo, a falta de amor próprio, a falta de vergonha na cara. E agora?! Surtei, pirei, tentei, caí, pulei, gritei. E fiquei sem entender nada. E mais uma viagem no meio do caminho. Fui, mas como essa era a trabalho, me sustentei a maior parte do tempo no espaço/tempo do agora. Ufa, pelo menos, alguma coisa sempre teve seu espaço cativo na minha vida, apesar de. Isso faz sentido na hora do caos. Voltei, e o Papão ainda fora do armário - do meu armário. Talvez sentado na minha cama, não sei ao certo. Minhas alergias todas atacando, alerta vermelho: estamos em pânico meu bem!!! Quando penso que permiti que ele criticasse minha decoração, e pior, que eu quase cheguei a mudá-la. Quase. Preferi mergulhar em mim mesma, antes de tomar qualquer atitude. Mergulhei no meu mar de tosse, manchas brancas irritantes, lágrimas antigas, dores, tristezas, asiendade, baixa auto estima, incerteza, dúvidas, carência... Mergulhei tão fundo, que achei que fosse me afogar novamente. Mas fui tão fundo, que dentro do oceano chamado eu mesma, encontrei o chão, e mesmo sem ar, me senti segura. Subi nadando, com dificuldade. O Papão querendo me dar a mão, mas eu já havia segurado aquela mào outra vez, e ela era muito escorrgadia. Acreditei nas minhas braçadas, que poderiam não ter muita técnica, mas eram sobreviventes. Lembrei de quantas vezes nadei e cheguei a superfície. Quantas e quantas vezes, eu mesma me salvei.

Cheguei à praia. O Papão estava lá. Não era o mesmo, ao mesmo tempo era. Na verdade ele era o mesmo em quase todos os sentidos, eu é que não era mais a mesma mocinha. Pobre do Papão, ele nem me fizera mal algum, o maior monstrinho da história era eu. Eu era minha própria vilã nesse pequeno conto de fadas. Lembrei que eu já conhecia aquele velho Papão que estava ali na minha frente. Finalmente o que eu havia inventado, já tinha ido embora, definitivamente. Ali se encontrava meu velho e bom Papão. Com as mesmas cores que uma vez eu já nào tinha gostado. Pensei que graças às minhas fraquezas, tinha jogado fora minha intuição, e partido rumo a uma estrada que eu já sabia: não ia dar em lugar algum. Tirando os bons momentos, os outros são bem dispensáveis.

Então descobri. Não havia mais pressa. Não havia mais nada. Somente eu. Justificar

Comecei a pensar que ando meio sem paciência pra quem só saiba ver o lado estranho da vida. Quem só critica, quem acha que detém a razão, quem pede calma, que diz: "veja bem, não é bem assim". Admito, estou numa fase pra quem grita de alegria junto comigo, mesmo que exista um lado ruim. Veja bem meu bem: Tudo na vida tem lado ruim, eu você, eles. Mas cabe a mim, somente a mim, enxergar o lado ruim de tudo o que me meto, na hora que eu decidir ver. Aliás, se eu tivesse feito isso há um tempo atrás, talvez o Papão estivesse invadindo sonhos alheios, e eu não teria visto o lado bom, mas teria sido uma ótima "minha" decisão!!!!

Ando no momento das pessoas espontâneas, das pessoas que escutam, antes de despejar opiniões. Na época de quem sorri com a vitória alheia, de quem brilha o olho ao ver o sorriso de alguém. Na época das pessoas que não necessitam saber de tudo, não necessitam ser tão lindas, não necessitam vencer. Como dia Marcelo Camelo: "eu que já não sou mais um vencedor". Quero a glória de viver, e ao lado de quem não se importa em não saber todas as respostas.


Alguém que saiba sorrir junto, tão junto, que a gargalhada se confunde.

Dedicado a mim, a alguns poucos amigos que realmente sabem ser assim, e a um armário que já foi devidamente arrumado, e está esperando roupas novas!!!!

ps: obrigada por me devolver, as partes de mim, que deixei com você - sim às vezes eu me descuido.

1 comment:

Lu Holanda said...

Quem bom esse texto Má.
Experiências são sempre bem vindas, nos engrandece, mas é necessário despertar o observador e vê-las com uma certa distância, e me parece que vc faz isso muito bem.
BOA SORTE na empreitada e bom sono para o Papão.
BJS