Wednesday, March 04, 2009

poeira

Na alma pulsa novamente o que jamais deveria ter partido. No coração leveza e certeza. Nos pés poeira. Muita poeira. Tem andado por diversos caminhos. Tem andado muito. Pousou os cotovelos em alguma janela e viu o sol se pondo. Sentiu a vida na imensidão e na simplicidade mais complexa que há. Pegou uma estrada. Desviou num caminho. Atalhos. Farpas. Mãos que suam e seguram. Mãos. Lágrimas caem perto do olho e se perdem na curva do nariz. Curva do ombro. Encontrou um olhar ali, bem ali perto. Sabia pra onde ia. Sabe mais agora. O mar andava calmo, e aprendeu a apreciar também a calmaria. Amava os seus. Admirava os seus. Andava junto. A poeira do caminho a certa altura vira purpurina. Cor de prata na noite pura. No breu. Brilhando a poeira no sapato, nos pés, nos olhos, na alma. Toda ela brilhando. Feito passarinho. Passarinho que plana, voa, pousa, cai, se solta. Soltou-se. A queda foi a maior forma de carinho que já fez a sí mesma. Profundo carinho. Na pele macia. Na face. Os olhos ávidos. Ressecados pelo vento, ainda assim encontrando lágrimas. Lágrimas salgadas feitas de água do mar. Ondas dentro de seus olhos. Que cor são seus olhos? A paz que procurava. Andava em círculos dentro do seu estômago. Quantas vezes a confundiu com fome. Mas nem era. Era mais uma espécie de encontro perdido. Um objeto que se fazia presente, embora ela nunca houvesse encontrado. Agora sim.

3 comments:

Ila said...

Delícia de ler. Bom pra começar o dia. Obrigada!

Beijo.

Lu Holanda said...

... mesmo sem vento sinto a brisa...

Fabiana Lazzari said...

lindo...lindo!

Amiga!
aoutra vez tu me indicaste...agora eu te indico..adorei!Outro meme selo..este é literário...vai lá no meu blog e veja as regrinhas...é rapidinho..
Bjocas gata.