Thursday, March 26, 2009

CURITIBa

FEITO. Mais um passo do "a" nessa nossa direção maluca e artística. Festival de Curitiba cumprido. Saldos positivos e negativos, coisas boas, muito boas, novas experiências, bons contatos, platéia, grana curta, perrengues, cansaço, Festival mal organizado e talvez muito comercial, boas críticas, elogios, uma platéia só de mulheres, estar com os meus amores, e por aí vai...
Confesso, já estou com saudade da minha casa. Quero a minha cama gigante, meu banheiro, minhas roupas todas, meu dvd, enfim, meu canto, mas estou feliz. Foi sem dúvida uma grande experiência. Nosso trabalho tá maduro, e lindo. Claro, que vamos vendo mudançcas a serem feitas, justamente pela maturidade, mas é lindo poder manter um espetáculo por tantos anos,e ainda conseguir inovar, sentir o solo fértil, criar novos desafios. Lindas nossas quatro apresentações, com uma média de público boa, se considerarmos a quantidade de peçcas que existem na Fringe [umas 209 mais ou menos] e a desorganização do festival, que destina 'a galera da Fringe um espaço marginalizado e em total desordem, de comunicação e estrutura. Salvo isso, que acredito tenha que ser repensado, caso contrário o festival não sobreviverá por muito tempo, e salvo a grana, que está deveras curta, ainda assim, foi uma puta experiência.
Saímos de lá experimentando apresentar só para mulheres, coisa que queríamos ter executado há um tempo já. Aconteceu assim, sem querer, quando vimos só mulheres na platéia. Uma apresentação mais cúmplice, suave, diferente. Jovens jornalistas que nos fizeram boas perguntas, senhoras psicólogas que se sentiram instigadas, moças, meninas, mulheres... Além disso saímos de lá com uma crítica muito bacana pro currículo pessoal e do espetáculo. Pra mim, particularmente, a última apresentação foi a melhor. Nunca me senti tão solta e presente em cena, como ontem. Depois de tanto tempo, ainda sentir-se assim, dizendo o mesmo texto, é incrível. Cada vez mais o palco é o meu lugar.
Fora isso ainda tiveram os felizes encontros. A acolhida mais que carinhosa do boi Grazi - valeu querida, amo você! Jeanzito e sua peça que vai longe ainda. Pessoas novas muito queridas e divertidas que encontramos. Enfim...
Além disso matei a saudade dos meus amores, amigos, parceiros. Montando cenário, baladeando, tomando chopinho. "comendo berbigão", falando com o "Guilérrrrrme", tirando muuuuuuuuuuitas fotos, maquiando no camarim, colocando surpresinha na cena, ensaiando, alongando, mudando cena, passando luz, olhando no olho, dançando, dormindo, comendo, se aturando, se irritando, fazendo reunião, contando os trocados, planejando, assistindo peças, dando risada... Nada disso tem preço, coisa mais querida. E as minhas companheironas de palco, de alma, de vida, que eu tava morrendo de saudade. Que parceria essa nossa. Só de olhar no olho, só de respirar diferente, a gente já sabe o que tá pegando. Bom ter em quem confiar incondicionalmente, bom ter atrizes tão competentes ao lado. Um deleite vê-las em cena. Um amor poder segurar a barra uma da outra, e saber que pra qualquer momento estamos juntas. É lindo e raro quando se encontra talento, profissionalismo, vocação, dedicação, lealdade, respeito, amor e amizade numa parceria artística. Amoooo vocês.

trilha sonora: "no cabelelero, no ixtixtixtixta!!!!! rsrsrsrsrs

Abaixo segue a crítica feita ao nosso espetáculo. Vamo que vamo. Beijo em todo mundo, agora to de volta ao mundo "normal".

"a" ousa com humor e drama agradar a “menina má” de todas nós

Vanessa Martins de Souza
24.03.2009
A, de artigo feminino, veio da linda Floripa para tirar um ácido, criativo e bem humorado retrato do que é ser mulher ao longo da vida. Classificada como comédia dramática, A foi feita para fazer a “menina má” que toda mulher tem (e tantas mulheres talvez nem sonhem em colocar para fora), ir à forra. Pelo drama e pelo riso.
Porém, parece que a plateia presente no dia 23, um pequeno grupo de moças e mulheres, levou a montagem com excessiva seriedade. Praticamente não ouviu-se risos, ou viu-se sequer o esboçar de sorrisos em quem estava na plateia. No máximo, um ou dois murmúrios nesse sentido puderam ser ouvidos, durante os 55 minutos da apresentação. O que é uma incompreensível falta de senso de humor. Pois, a montagem do N. A. T. (Núcleo Ação Teatral) é muito sarcástica, de um humor corrosivo, tanto na excelente linguagem textual quanto na estonteante linguagem corporal com que as atrizes Luciana Machoski Holanda, Maria Amélia Gimmler Netto e Marina Almeida se apropriam sem inibições.
Elas se revezam, com um adorável descaramento, em monólogos inesquecíveis sobre três momentos da mulher: a infância, a sexualidade e a maternidade. O surreal também está presente numa surpreendente história envolvendo pedofilia. Uma vingança macabra contra os pedófilos.
As três não se acanham em, além do texto, inspirado livremente em Dario Fo e Franca Rame, explorar também o corpo, as mãos, o chão, para expressar as frustrações, chateações, dilemas, fantasias e desejos próprios do sexo feminino. Em tom de protesto, vingança, provocação ou desabafo sarcástico, A também é denúncia, uma espécie de manifesto feminista, trazendo informações sobre violência doméstica, infanticídio feminino, entre outras. Mas não se apresse em classificá-la de feminista. Não se pode chamar de feminista uma dramaturgia que considera a hipótese de alergia feminina ao látex da camisinha, bem como os efeitos colaterais que a “bomba de hormônios” da pílula do dia seguinte pode trazer.
Seria mais preciso dizer que A é absolutamente feminina, revelando a mulher em suas contradições e desafios e levantando discussões. Como uma conversa íntima de mulher pra mulher. Mas da qual os homens também podem e devem participar.


4 comments:

Ila said...

Ô BonitA!


Que texto lindo e gostoso de ler... eu ia traçar mil comentários sobre o Festival (que assisti em 2000 - AFEEE) mas acho que nem vale a pena gastar tempo diante de toda a tua dissertação sobre a beleza da profissão que escolheste! Estás no lugar certo e (HÁÁÁ!!!) eu sempre soube disso, desde os idos da tua segunda fase!

Daqui da terra do gelo mando TODAS as energias positivas pra que sigas alçando vôos cada vez mais altos neste caminho. Vou sempre ter orgulho de ter pendurado a minha maquiagem depois de estar do teu lado em cena!

Parabéns por mais essa conquista!


Beijo grandeee!



PS: embora eu nunca tenha conseguido ver a peça =[, please estenda meus cumprimentos a toda a equipe, contemporâneos de faculdade, por quem tb tenho enorme carinho!

Lu Holanda said...

É, realmente foi sensacional estar ao seu lado novamente Má. Saber que, mesmo com toda a dificuldade que foi pra nós, que foi pra mim, temos um trabalho grandioso e competente.
Te amo por tantos motivos, pelo teu silêncio, pelo teu acolhimento, pelo seu olhar. Vamo que vamo berbiga.
Bjão

vero said...

Marinetiii...se sinto tanto orgulho de ti...aliás esse trio é foda!! Parabénssssss. É que bons ventos continuem soprando ao teu favor, sempre! bjsss.EDER

Namorada said...

Uau, que legal meninas, parabéns! Tô orgulhosa por vcs! Lamento não ter podido assitir ainda! Agora que sou funcionária pública fica difícil sair no meio da semana! Queria muito trazer vcs prá cá onde tô morando, em Joaçaba meio oeste Catarinense!
De repende a gente combina... Precisaria saber valores, prá ver se sai apoio do teatro onde dou minhas oficinas há 3 anos já!
Também tá prá sair um festival em outubro por aqui, quem sabe vcs vem como convidadas??? hein??
Vamos pensando no assunto!!!
Eu por enquanto tô ministrando oficinas durante o ano e dirigindo! sem atuar!
bjsss, Kênya!