Saturday, February 28, 2009

eu gosto de...?

Eu gosto:

de fotografia para olhar, tirar, pousar, lembrar, modificar, colar, pendurar, prender, enquadrar, colocar no porta retrato, enfeitar a casa;

gente com cara de ser de outro país, com roupas diferentes, cabelos diferentes, ares diferentes para namorar, olhar, inspirar, copiar, observar, abraçar, falar em outra língua, ter vontade de comprar roupas diferentes, e saber que o mundo é grande demais para se querer ficar só num mesmo lugar;

óculos de sol - já que não tenho porquê usar de grau - para fugir do sol, pra fingir estar acordada, pra prestar atenção noutro foco, pra afastar gente chata, pelo glamour, pra me esconder, pra me mostrar, pra variar a cara, porque são lindos, pra usar de noite, de dia, de tarde, de manhã, a qualquer momento, e quem sabe ver o mundo de uma outra cor;

palavras para ouvir, ler, sonhar, pensar, refletir, discutir, usar, jogar fora, desenhar, acariciar, marcar, homenagear, projetar, escrever, imaginar, construir, viver vidas, olhar;

sonhar acordada pra viver de verdade - também;

sussurro para arrepiar, passar o calor, lembrar que o pescoço existe, contar segredos, dizer mentiras, pensar que a vida é linda no detalhe, muito mais pro pequeno que pro enorme;

do mar pra mergulhar, lavar a alma, levar coisa ruim embora, olhar, pensar, liberar o nariz, cicatrizar a ferida, salgar a pele, salgar a boca, dar adeus a ansiedade, lembrar que o natural é ter paciência, seguir o o ciclo, e não antecipar nada, como a onda;

lugares pra dançar, sorrir, chorar, silenciar, ler, ouvir música, pular, andar de bike, pegar o volante, curtir uma paisagem, teclar, sentir-se em casa, aconchegar-se, largar a cabeça, as idéias, as mãos;

ombro pra poder sonhar e seguir e frente;

amigos pra ter mais irmãos, sentir-se em casa em qualquer lugar, ter abraço forte e sincero, sorrir e ser "sorrida", pra levar da vida mais que trocados, pra ser eterno, por mais tempo que durar;

parcerias pra trabalhar, fazer arte, ter elos, confiar, dar a mão, fechar o olho e ter certeza de que se está protegido do mal;

amores pra elevar a alma, pra dizer verdades, pra chorar, sorrir, pensar, sonhar, planejar, dançar juntinho ou não, curtir uma boa música, ou uma bagaceira, pra chamar de meus, pelo tempo,pela distância e pelas histórias que se passarem;

internet pra ficar mais perto, pra ouvir a voz, pra ver a foto, pra saber da vida, pra escrever no blog, pra falar besteira, pra ser presente e tornar presente os presentes da minha vida;

de arte pra sempre;

de teatro pra alma;

de ser atriz pra mim, pra nós, pra vós, pra eles, pra todos;

de cinema pra desejar;

de pipoca pra misturar doce e salgado;

de família pra preservar e sentir-se parte;

de mim pra ter boa companhia pro resto da vida, e saber que amor eterno existe mesmo;

Wednesday, February 25, 2009

futuro do pretérito

Existe alguma coisa alí, entre o ser senhor do próprio destino e o esperar o tempo certo, alguma coisa que faz toda a diferença.
O tempo mesmo é o meu maior mistério. Certas coisas demoram tanto, e quando chegam são tão repentinas, que acho que nem esperava mais. Ao passo que outras fluem de maneira tão leve, que eu nem entendo. Não sei o que a vida às vezes tenta me dizer, se é que tenta mesmo, ou eu que coloco palavras na boca dela. Certos caminhos são mais longos. Será um teste?
Em tantos momentos o tempo parece estar zombando com a minha cara, e me remete ao passado, só que no presente. Entre tanto tempo que já passou por baixo de algumas pontes, parece que águas antigas tendem a se misturar com águas novas. Se pelo menos elas se tornarem renovadas, tá valendo. O fato é que mesmo tendo corrido por outros vales, a vida sempre se encarregou de manter alguma parte de mim em contato com um retrato antigo em movimento. E mesmo que houvesse me entregado a tantas ondas novas, que de fato me embriagaram, ainda assim, nada foi forte o suficiente pra me levar, embora eu estivesse bem solta.
Passado um certo tempo, e lá me vejo eu, ou aqui me vejo eu. O passado, meio futuro, vindo ao meu encontro, numa certa estranheza do não saber de nada. Embora seja conhecido, é totalmente desconhecido e novo. E eu me pergunto, depois de tanto tempo, tantas águas, tanta poeira, tantas novas histórias, como pode o tempo se encarregar de refazer encontros dessa maneira?! É destino? É o tempo que agora é certo? É o quê?!
Palavras do ano: paciência e fé!!!

Friday, February 20, 2009

pensamentos da menina

Será que a menina tinha medo? E era de que tudo desse certo? Porque ela não admitia que tinha nascido para andar com seus pés em diversos caminhos? Porque ela fugia da grande maioria, brigava com sua força, e dedicava sua energia apenas a um? Porque a menina simplesmente não desabrochava por completo?
Deu uma pausa de mil compassos. Silêncio por favor. Era chegada a hora de olhar pra dentro, ouvir sua voz. Ou que fosse sua reticência...
A menina estava resolvida a transformar. Se ganhamos certas coisas de presente - dos deuses, do universo, do único Deus, da mãe, do pai, enfim, cada um com a sua crença - não devemos ignorar, porque a ignorância nesse caso, pode ser a maior pedra no próprio caminho.
A menina então percebeu que andava fechando suas próprias portas. E que talvez, por isso, fechasse também a que mais desejava abrir. Era preciso tomar coragem, e passar por todos os caminhos que lhe haviam sido presenteados. Quem sabe essa não fosse a melhor forma de construir o próprio caminho, que ela tanto estimava.
Segue pensando a menina. Quem sabe da próxima vez ela já saiba o que dizer, ou não!!!

Monday, February 16, 2009

guardados da "vovó"

Eu tenho mania de guardar! Calma, eu explico: tenho mania de guardar algumas coisas. Fotos especiais, objetos que aparentemente não têm valor algum, bilhetes, cartas, emails, às vezes uma ou outra conversa no msn. O motivo difere. Ou porque o que está sendo guardado me inspira, ou porque me lembra de não pisar no mesmo buraco duas vezes. E faz bem viu?! Pelo menos pra mim.
É tiro e queda. Quando eu to numa fase meio estranha, meto a mão na minha caixinha de bilhetes e cartas e leio, leio tudo o que faz bem pra minha alma, e penso no porquê de continuar acreditando.
Hoje mesmo por exemplo. Estava eu aqui pensando com meus botões sobre alguns momentinhos que se aproximam, já ia eu pisando no buraco e me afundando na água suja novamente, quando lembrei de ler um email guardado. Sabe balde de água fria? Foi parecido. E eu gostei [tá calor mesmo - rsrsrsrs]. Li e reli cada linha, cada letra, cada frase. Li as partes mais deifinitivas, qua outrora doíam, e hoje só lembram que não é um bom caminho a seguir - novamente.
Aí me perguntam, mas o tempo passa, as pessoas mudam, e tudo pode acontecer. De fato, acredito nisso também, mas aí que o mesmo tempo mostre as mudanças, que a mesma pessoa se coloque em outra condição. Porque até me dizerem o contrário, ressoam na minha cabeça as última palavras ditas/escritas. E estas me mandam pro rumo oposto.
O melhor é viver no hoje, mas o passado serve muito, principalmente quando aponta a direção!!!

Saturday, February 14, 2009

As Centenárias

Estou em total estado de graça. Sabe quando você reafirma a certeza do seu caminho? Então... Fui ver as minhas ídolas - podem rir - Andréa Beltrão e Marieta Severo, no teatro. Genteeeee. Eu fiquei uma hora e meia em total estado de êxtase. Não sei explicar, foi quase como ver a Marisa Monte no Show lindo dela. Fiquei tensa e aos poucos fui relaxando. Mas era um tensa de admirada. Coisa mais linda ver duas atrizes consagradas no teatro,no cinema e na tv, fazendo o que elas faziam. Vários personagens. Um trabalho corporal impecável, um trabalho vocal de dar inveja, ainda manipulavam bonecos. Elas se transformam em cena de uma talmaneira, que você fica embasbacado. To até agora assim. O espaço cênico mais alternativo impossível. Daqueles que aproxima, e nào se preocupa em criar mitos. O suor delas dava pra ver. Adoro ator que sua em cena. Adoro ator que transforma o corpo. Adoro ator que é do caralho. É lindo ver gente no teatro, desprovido daquela vaidade que emburrece. As duas estavam ali como qualquer outro bom ator estaria. Lindas e feias ao mesmo tempo. Nem aí pra estética, fazendo caras e bocas, corcundas, horrendas. Artistas, com A maiúsculo. Isnpirando e fazendo valer essa profissão. Eu tava com medo de ver essa peça, e me decepcionar. Porque podem rir, mas eu achava as duas tuuudo na tv e no cinema. E elas fazem o tipo de teatro que eu acredito. Que move, que emociona, que faz rir. Que modifica. Lindas. Fortes. Fazendo aquilo que a gente faz. Adoooro. A Marieta tava ótima, mas a Andréa, caralho, que atriz. Gente do céu, ela é do caralhooooooooooooooooooo!!! To de boca aberta até agora. A mulher é foda. Quem dera chegar a ser perto do que ela é. Ai.........
Numa entrevista ela disse: "sou caxias, estudo muito meus personagens..." Amém, dá pra ver Andréa, dá pra ver. Que muitos mais assim surjam, e façam dessa profissão o terreno digno que ela merece.


Aiiiiii...

Tá a dramaturgia muito boa também. Imprevisível, nada linear, vai estabelecendo o entendimento no decorrer. História gostosa e inteligente de se acompanhar. O espaço, que por sinal é das atrizes, é tuuudo. Um charme só, serve pra qualquer tipo de peça. O cenário? Suuuuper funcional, super dentro da estética. Enfimmmmmm....amei.......fazia tempo que não amava algo assim....desde o Café com Queijo do Lume........



aiai....

diário

No Rio só refresca se chove, pelo menos nessa época. Então se a gente reza pra passar um pouco o calor, já leva o guarda chuva na bolsa, porque certo que chove!!!

Época de carnaval e essa cidade surta. É bloco pipocando por todo lado. Gente que não cabe na rua. Fantasia. Música. Na semana dita mesmo, bah, nada se coloca em prática. Eu como não curto carnaval, acho tudo um belo saco. Esses blocos cheios de gente bebum e suada, com bafo e olhos de: quero pegar qualquer um. Esse clima, vamos ser felizes a qualquer preço. E essa coisa de: ui vai ficar em casa, que deprê!!! Definitivamente eu deveria ter nascido na Europa, porque esse clima tropical, vamos botar uma tanga, beber e dançar um mês inteiro, não faz parte de mim. Mas estou conhecendo um outro lado do carnaval mais de perto. O das escolas de samba, e confesso que to gostando. Desfilarei, e a emoção, já nos ensaios, é grande. Ali sim existe um certo propósito. Uma comunidade torcendo e lutando para ganhar, embora a gente saiba que é tudo movido pelo tráfico, pela corrupção e por todo o xalalá que já conhecemos. Mas ainda assim é bonito, menos selvagem, e mais interessante que todo o resto. Mas paro por aí. Definitivamente eu não gosto de datas pré estabelecidas para ser feliz. Gosto da felicidade cotidiana, aquela mais espontânea. Detesto carnaval. E que o ano comece logo pra maioria, porque o meu já começou faz tempo.

Ultimamente tenho ido muito ao cinema. Uma forma clara de fugir do calor - sim os cariocas tem o dedo descontrolado, e qualquer ar condicionado aqui provoca um frio polar - e de distrair a mente que ultimamente só trabalha. E tenho visto filmes muito bacanas. Indico demais o "Foi apenas um sonho" e "Coraline e o mundo secreto", que aliás não é de direção do Tim Burton, assim como o Estranho mundo de Jack que só tem o Tim como produtor, o diretor é o mesmo de Coraline. Mas voltando aos filmes. Coraline é lindo, pura imaginação, cores fortes, temas profundos, desenho pra criança e adulto, cada um capta o que lhe cabe, e eu adoro aquilo que não se faz de rótulos e não determina guetos. E o cara do cinema achou engraçado eu comprar ingresso pra desenho sem ter uma criança ao lado, mas a platéia dava pra contar as crianças nos dedos. Bom saber que adultos andam ficando espertos!!! O Foi apenas um sonho me gusta mucho. O roteiro, o tempo, a sensação que causa. A Kate Winslet (nem sei se é assim que escreve) é tuuuudo nessa vida. Ô atriz filha da mãe. Vi outro com ela "O leitor". Achei o filme meio previsível, eu já sabia o que ia acontecer bem antes de virar fato na tela. Mas a Kate está absolutamente genial. Fiquei ainda mais fã. Adoro atriz assim, plena, profunda, densa, mutante. Ah, vi o tal do "Button". A maquiagem é do cara...os atores estão bem. O roteiro é bacaninha e tem momentos lindos. Falas que tocam e imagens idem. Um filmão pra Oscar, o que me causa certo asquinho às vezes, mas esse até que mistura um certo requinte de um filme mais autoral. Mesmo assim é filmão, tem seu valor, mas ainda assim carrega o peso do "ão". Mas gostei também.

Ps: vou a falência com a quantidade de bons filmes estourando por aí. Ainda quero ver Dúvida, Verônica, Che, O casamento de Rachel e por aí vai....

A minha bicicleta nem foi acoradada da garagem ainda. O tempo, ou a falta dele, anda me consumindo. Mas logo volto a colocá-la em ação.

De posse de duas missões novas: fazer um texto até o meio de março (vou surtar); e criar uma nova personagem.

No meio disso tudo ainda tem o "a" em Curitiba [obaaaaa]; um texto pra Floripa; e outras coisas que vem por aí....

Hoje verei a peça da Marieta e da Andréa, depois digo o que achei. Ansiedade.

bjos

[um post meio diário de bordo, pouco comum por aqui].

Thursday, February 12, 2009

novo nascimento

não se sabe exatamente qual a sua cara
a sua cor
que jeito andará pelo mundo?
e de que forma será a voz
pelo que irá gritar?
um mergulho no escuro oco
silêncio
salto do abismo
a gestação infinita
pés na estrada
não se sabe do início o fim
parte do que sai e cria
parte do que funda
inquieta atitude de quem inventa
inventa a própria vida
o próprio eu
a própria saudade
nascimento e morte
a cada adeus do que fica eternamente
um olá para aquele que um dia ficará para sempre
as dores do parto que doem no ego
o ego que infla como útero
a mão que impede de sair voando
o olho que chora e sorrí
dói
é mel
seduz
seduza-me para que tenha o direito de ficar
tantas opções
jaz a liberdade
inquieta
só se sabe que é o primeiro ato
o primeiro ator do ator (já diria meu amigo poeta)
é o nascimento
e a cada novo
sempre parece que já nasce morto
mas num rompante
numa veloz lágrima
eis que surge
vivo
em matéria e espírito
a nova parte de sí mesmo
tão doce e tão amarga
jamais será o mesmo
agora é mais um

marina monteiro

Tuesday, February 10, 2009

ufa!















Pra viver a vida de maneira plena e íntegra faz-se necessário que estejamos, constantemente, refazendo nossos votos. Votos de uma relação a dois, de uma amizade, da releção pais e filhos, com o lugar que se escolheu para morar, com os próprios sonhos e desejos, acima de tudo, refazer os votos consigo mesmo. Pensei hoje, que essa é a forma mais digna, e menos medíocre de seguir em frente. Caminhar sim, mas sem medo de parar, pensar, voltar, se for o caso, seguir outro caminho, se for outro caso, ou decidir continuar a trajetória. O importante é o respeito que devemos a nós, a quem e a tudo o que amamamos.

Não sei se foi o mar, mas alguém me soprou isso hoje no ouvido. E o meu caminho sei bem qual é, mas a ele estão atrelados várias paralelas, as quais eu não devo abandonar. Fincar o pé na areia, ouvir a onda, a água salgada batendo no braço...e a sensação de que a alma andava gritando sem ser ouvida. Enfim, espiritualidade e natureza, duas coisas que eu jamais posso abandonar, caso contrário, a energia desregula, e eu viro qualquer coisa menos eu.

Silêncio daqueles prolongados e cheios de conteúdo!

Sunday, February 08, 2009

pro te tor


proteção.

















ps: ultimamente é só o que tenho sentido necessidade. sai olho grande, sai inveja, sai rancor, sai gente mal resolvida. to fora dos malucos. quero paz, sucesso, alegria, trabalho, amor, gente querida, diversão, arte e cor, muita cor. quem for do mal atravesse a rua. quem for vampiro sugue seu próprio sangue. e sai daqui.



eu sei bem do que eu to falando.


proteção mil vezes!!!!

Thursday, February 05, 2009

do lado contrário

Morar em uma cidade "grande" [em que sentido?] nos faz conhecer um pouco mais sobre a alma humana. A parte suja e pouco delicada fica exposta que nem roupa em vitrine, só que sem a vitrine para proteger. Aqui ou ali, pra quem quiser ver, caminha o egoísmo de mãos dadas com a arrogância. A miséria, a fome, a ira. O ódio. O desprezo. A indiferença. A dor, a doença, a solidão, o abandono. As feridas da humanidade, sejam elas pobres e imundas, ou ricas e limpinhas, estão ali abertas, pra quem quiser olhar, ou tocar.
Andar numa calçada pode ser uma lição de vida. E como! É claro que as delicadezas acabam ganhando outro olhar num lugar como esse. Se tornam, talvez, mais delicadas, porque mais raras. São revestidas de simplicidade, e por isso ganham mais intensidade. Estão nas pessoas das quais não se espera nada - embora devessemos esperar muito. Estão em cada esquina. Em cada ônibus. Em cada gesto, de pessoas que ainda não se entregaram a selvageria.
O homem se diz não animal, para defender sua superioridade, e se permite admitir animal, pra mascarar sua desumanidade. Mas não sabe que não é animal mesmo, não aqueles aos quais se compara. Aqueles são muito mais dignos, do que os homens. Mas sobretudo, existem seres humanos tão dignos, que dá até pra esboçar um choro de conforto. O mundo está a salvo? Não sei!!!
Sobre o meu mundo? Acho que a maior riqueza de um ser é seu auto conhecimento. É sua liberdade para consigo mesmo. É a sabedoria que adquire a respeito de seus desejos, vontades, impulsos. É sabedoria que não tranca a porta da intuição, ao contrário, a escancara.
De alguma forma sou até privilegiada, porque tive algumas experiências na vida que me proporcionaram um auto conhecimento um pouco maior que o comum. Escolhi caminhos, que se fizeram me desencontrar de grandes amores, me levaram ao encontro de mim mesma. E me agrada isso.
Ultimamente porém, tenho achado insuficiente meus caminhos. Como todo ser humano, me deixo levar por correntes de vaidade e orgulho. Sentimentos que não são benéficos quando extrapolados. A cada passo adiante me questiono, em busca de saber se é essa mesmo a direção. Ainda não tenho respostas, e talvez nunca as tenhas. Vou seguindo. Mas já não sei mais se o que quero é o mesmo que há um mês atrás. Os dias passam e vou tendo outras necessidades. Outro olhar sobre a vida. A cada dia, a ansiedade se despede, e dá passos e passos para fora. Olho pra trás e vejo o quanto já construí de digno, o quanto já viví de intenso, o quanto e quantos já amei, e amo. O coração preenchido sempre. Olho pro agora e vejo alguém se encontrando - embora pareça estar se perdendo. E entendendo que talvez se encontrar, seja abrir mão de coisas que antes pareciam tão necessárias. É difícil esse desapego. A gente cria barcos pra navegar. Muletas pra subir as escadas. Mas chega um tempo em que a gente começa a querer aprender a andar sem elas. E não é fácil abandonar certas coisas. Pricipalmente, quando erroneamente, atribuímos o significado de toda uma vida a elas.
Cada vez mais sinto, que o real significado é viver. Ser. Estar. Correr. Viver e ponto. O real significado é quem somos, e não o que fazemos. Aquilo que a gente escolhe pra fazer é só um caminho pra levar a gente pra algum lugar, e uma forma de ressignificar o tempo, mas não é a nossa vida.
Abrí a janela e respirei fundo. Enchi meus pulmões de ar. Pensei que ainda bem que a gente envelhece. Ainda bem. Porque viver a vida ao contrário, seria a cada dia, um passo rumo ao que fomos deixando de ser, e não ao que somos...
E por hora eu sou uma mistura de desejos e vontades se contradizendo...

Tuesday, February 03, 2009

meme selo

Bom tá rolando uma brincadeira pelos blogs aí, e a Mari me indicou para participar, então vamos lá, porque achei um motivo ótimo pra escrever mais, e também aprender como transformar nomes em links - gente que bafo isso, adorei!!!

Antes de tudo, as regrinhas do jogo:

- Colocar o link de quem te indicou para o meme-selo;
- escrever essas 5 regras antes de seu meme para deixar a brincadeira mais clara;

- contar seis fatos aleatórios sobre você (essa é a proposta da brincadeira);
- indicar seis blogueiros para continuar a brincadeira;
- avisar esses blogueiros que eles foram indicados.

1 - Eu adoro pipoca. Mas não de qualquer forma não. Nada de pipoca trivial. Gosto de pipoca doce e salgada. Até aí tudo bem, várias pessoas gostam. O negócio pega - e eu escuto teses sobre minha esquisitice - porque eu gosto delas misturadas. Não é tipo um potinho de doce e um de salgada, ou doce em cima salgada embaixo. É misturada mesmo. As duas juntas. O doce realçando o sabor salgado e vice versa. Enfim, até agora só escuto quem me condena por isso. O povinho Aristotélico!!!! Mas vale dizer que me orgulho muito desse gosto, porque ele é meu desde que me conheço por gente, não foi algo herdado, ou ensinado, foi talvez meu primeiro hábito construído.

2 - Olha, me larga numa papelaria com uma grana na mão, e acho que gamo mais que se me largar numa loja de doces. Adoooooro tudo o que existe a esse respeito. Canetas, tipos de papéis, apontador, borracha, estojo [vulgo penal], tudo, tudo tudo e tudo. Tenho um fetiche especial pelos blocos. Talvez porque eu escreva sempre, a qualquer momento. Não sei. Só sei que adoro um bloco, não desses com linhas e todo certinhos. Gosto de uns que são mais moderninhos e charmosos. Sabe bloco com cara de anotar qualquer coisa? Sim porque eu anoto desde receita, telefone, poesia, idéia pro texto que tenho que escrever, até minha ira, ou paixão do dia. Aliás aqui no Rio tem uns que meu senhor, linnnndos, e caros. Tem um que to namorando faz tempo, mas sempre acho outra coisa pra fazer com 70 reais, e dispenso o bloco dos sonhos!!!

3 - Prazeres Amelie Poulain, quem não tem? Eu tenho vários. Um que me persegue desde criança: ficar passando as duas mãos por entre as grades da parte de baixo da classe escolar. Bem rápido, e parece que a mão é feita de alguma coisa borrachuda. Muito louco. Outro do qual me orgulho muito é meu catatonismo por objetos transparentes e com um quê de brilhinho. Tipo a espada da xirra que ganhei e quebrei no mesmo dia. Toda transparente, com água e purpurina dentro. Ou as bolinhas de gude azul claras, ou com coloridinho dentro. Enfim, gosto dos objetos que se revelam. Tipo telefone e computador transparentes, que deixam a mostra o interior. E por aí vai.

4 - Tenho duas supertições daquelas do tempo da vovó, que a gente sabe que não é verdade, mas segue assim mesmo. Não posso ver sapato virado. Minha vó me dizia que se deixasse o sapato virado, o dia não sairia bem. E assim eu entro em pânico até hoje se vejo algum sapato virado. Entro no quarto do meu irmão quando ele tá viajando, e vejo o sapato virado? Eu desviro logo e ligo pra ele pra ver se ele ainda tá vivo. Outra, andar de costas é matar a mãe. Só por Deus. Eu adoro andar de costas, sempre gostei, mas minha avó uma vez me disse que era chamar a morte da mãe. Gente passei semanas me culpando, achando que a qualquer momento minha mãe poderia morrer. E eu só me permiti andar de costas em exercícios teatrais, e mesmo assim mentalizando minha mãe viva!!!!

5 - Não sei me concentrar numa coisa só ao mesmo tempo. Eu digitei meu tcc, escutando música e com a TV ligada. Eu decoro texto entre fofocas, msn, ligações e outros afazeres. Eu leio três ou quatro livros ao mesmo tempo. E se eu tento me concentrar numa coisa só, com todas as minhas forças, bah: o texto não pega, o trabalho não sai, a chave é esquecida, os compromissos não são lembrados e o caos se instala!!!

6 - Eu não sou boa contando fofocas, historinhas, ou sobre minha própria vida, seja pra vizinha, pra mãe, pra planta, pra melhor amiga, pro namorado. Não dá. Eu gosto de escrever histórias [estórias, nunca sei qual é a mais indicada], e gosto de viver histórias como atriz. Mas ficar contando, bah não tenho saco. Essa coisa de contação de história pra mim não funciona. Eu tiro a graça, o charme. Eu encurto tudo, vou direto ao ponto, perco os detalhes. Enfim...não me chame pra esse tipo de coisa, e não espere uma boa piada, porque não sei como se faz!!!


Minhas indicações: Amelinha, Boi, Meco, Dani, Luluca, Fabi .

Beijos!!!!

Monday, February 02, 2009

delicadeza


por hora aqui tem sido um bom lugar


...e já que é de presente que se vive...









ps: preguiça de escrever? talvez,mas...nem sempre se precisa dizer algo claramente...

como eu acho que o ser humano é capaz de delicadezas como essa da foto, vai um texto sobre atitudes delicadas...

acho que anda faltando um pouco dessa pitada à vida...

"Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e
estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem
amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura
sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no
caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas;
quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso
sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se
deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os
lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita
pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos
presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou
aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda
verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto;
quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de
presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de
beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar
com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos;
quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem sabe
construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos
troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da
madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol
uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva
a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde
já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro;
quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga
adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e
andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da
armadilha terrestre."

 

Paulo mendes campos

Sunday, February 01, 2009

irmã











[juntas, mas separadas... sempre]


algumas coisas são tão simples, livres e leves, que não encontro palavras para explicar, e de fato, acho que nem preciso.

algumas coisas:

"Gosto de poder manter o silêncio junto de alguém. É mesmo a condição de uma amizade, para mim. Um amigo é aquele com o qual se pode partilhar o silêncio... como se partilha a palavra". (C.L)

[uma frase da clarice que dizia mais ou menos isso: o melhor do mundo, são as pessoas que a gente gosta. (não era isso, mas enfim, algo parecido)]

e pra resumir: eu sempre emburreço diante do que não consigo explicar, mas acho que é bem nesse momento que me torno inteligente: porque SOU!!!

boi, obrigada, sempre, por tudo, e simplesmente por existir. te amo. sinto saudade. mas nos temos sempre, pelo elo dessa nossa simplicidade, dessa nossa verdade, da amizade que surgiu e a gente fez crescer.