Wednesday, January 07, 2009

proteja-me do que eu quero

Aí é que tá!!! Não buscou mais saber por onde andava. É como se o livro tivesse sido terminado antes da penúltima página - mas bem antes. Sentia tristeza? Não sabia. Talvez incompletude. Ultimamente pouco sabia o que dizer, aliás não só sobre isso, mas sobre qualquer assunto. Como se a grande onda de vento houvesse lhe calado a alma, como se não fosse mais necessário dizer palavras, explicar a vida, tentar rimar sentimentos. As únicas palavras que lhe saíam com facilidade eram as que ela não precisava ouvir novamente. Essas que ficam como um segredo da própria alma.
Talvez estivesse de luto. Havia morrido algo dentro de sí, que fazia certa falta. Por outro lado, um certo alívio. Um enorme alívio. Passado algum tempo, estaria sem nem lembrar que deixara o livro inacabado do lado de fora da mala. E assim seguiria seus passos firmes - ou não.
Se há algo implacável nessa vida é o tempo. Esse sim. Vence de alguma forma todas as batalhas. E sai ileso. Quem leva as escoriações somos nós. Nós? Mentira. Nunca fomos, nem seremos. Nada. É isso. Mas observavam-se mesmo assim. Quase um zelo por alguns segundos. E levavam olhres em linhas tênues. Buscavam a alma. Nem sempre encontravam.
Aquele vento queria lhe dizer algo. Algo bom. Alguma coisa a ver com uma paz que se estende e suspende. Talvez os tempos próximos fossem mais tranquilos. Mas ela seguiu pedindo a mesma coisa. Depois se perguntou, se toda a névoa de poeira em que estava mergulhado o coração, não seria sua própria culpa. "Proteja-me do que eu quero", não era essa a frase? Pois então, queria com tanta força, que abandonou seus membros restantes, e se jogou!!!

1 comment:

Ila said...

Beibi! Que dia é bom pra ti? Eu prefiro fim de tarde. Tem o Santa Hora que é gostosinho, aqui na Benvenuta. Que achas?


Andei precisando ser protegida do que queria. Ainda bem que, apesar de querer e ter ido atrás, o universo encaminha as peças do jogo e ajuda a desatar os nós. Adorei o texto.

beijo e aguardo contato!