Wednesday, January 21, 2009

hora de fechar a porta

A chuva batia forte na janela. Eram duas da manhã e o sono a abandonara. Pensou que nunca tinha, de fato, vivido um amor. Já tinha amado muito, e sido muito amada. Mas as duas ações ao mesmo tempo nunca. Havia um padrão. Ela nunca gostava muito, depois acabava se apaixonando pelo apaixonado ao lado, aí ele batia asas que nem passarinho e nunca mais se ouvia falar. Não foram uma, nem duas vezes...foram todas as vezes. Cantava palavras soltas pela noite inquieta, quase como uma prece, e pedia por um sinal. Havia lá alguma resposta. Mas nem queria se iludir. O coração havia, de verdade agora, cansado. Cansado muito. Talvez fosse tempo de deixar alguém entrar, mesmo que não fosse quem ela queria. Quem sabe assim, por alguém que ela jamais se interessaria, conseguisse viver uma ilusão de amor. Mas saberia ainda, que se trataria de uma ilusão. Talvez melhor ficar consigo mesma, pensara. Escrevendo, sonhando, trabalhando, vivendo. Parecia sempre tão pouco. Era o seu lado pacional pensando. Mas o que fazer com o que vivia dentro dela, e insistia em não morrer? O que fazer agora?

Por favor volte mais tarde, entraremos em um longo período de manutenção, e de fato, não sabemos quando voltaremos. Não faça barulho. Não bata na porta. Não interfone. Não deixe bilhete, carta ou recado. Não grite. Não faça serenatas. Não tente trapacear. E por favor, não se apaixone!!!

A direção, solenemente, agradece.

E você (...) siga o caminho de volta!!!!

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