Friday, January 23, 2009

Brecht e o olhar distante...

Tomar distância ajuda a enxergar melhor. Aprendi isso, teoricamente falando, na faculdade, quando ouvi falar do Senhor Brecht, mas intuitivamente já sabia por experimentação. Hoje, após ter experimentado isso em cena - e ver que de fato, mesmo que não vire a proposta estética, é bom tomar distância pra fazer melhor - vejo que na vida experimentamos isso quase que todos os dias.
Hoje mesmo me peguei com saudades imensas dos mimos da minha mãe, e dando um valor imenso, às mesmas coisas que há pouquíssimo tempo eu já andava saturada. Pensei que se lá eu continuasse, permaneceria não dando valor - eu continuaria não ENXERGANDO o quão delicado e sublime eram esses momentos. Hoje vejo com a sensibilidade da alma, e quando perto, dou o maior valor do mundo, por isso, agora, é mais difícil partir. Não que tenha sído fácil vir na primeira vez, mas era uma louca enfurecida, cheia de sonhos e desejos [ainda sou cheia deles fique claro], louca de tédio, louca da vida com a vida que levava, embora conseguisse reconhecer que era ótima - sim, eu sempre exigí demais de mim. Vir era quase como um ato de libertação. Mas e não foi mesmo? Se distanciar faz a gente enxergar, e se enxergando a gente ganha de presente a VERDADE de SER, então isso tudo é uma grande libertação. Me libertei. Embora doa. Embora goteje um pouco volta e meia. Mas no fim é libertador.

Estranhamente hoje eu descobrí, ou enxerguei, que a distância muitas vezes aproxima!

[na minha compulsão por escrever eu pensei em dois posts futuros: o primeiro sobre a velhice, baseado na minha avó que admiro muito, na minha tia avó mãe de criação e na minha tia avó que eu sempre chamei pelo nome, como se fosse amiga da mesma idade. outro post é sobre a afinidade. tão importante. tenho muita afinidade com alguns queridíssimos, mas descobrí que não tenho com alguns que me seria importante ter. talvez por isso, pensei agora em morar sozinha em breve.]


ps: to ficando meio surda de um ouvido. meu instinto maternal grita muito alto. e por aí segue a vida...

3 comments:

Fabiana Lazzari said...

É incrível né amiga!
A vida é cheia de surpresas e principalmente descobertas!
E o distanciamento faz sim a gente se aproximar ou até se distanciar de vez de algumas pessoas, que muitas vezes é necessário porque nos atrapalham em nossas metas. Tudo isso é importante.

bjins carinhosos

Namorada said...

oi marina, peço licença para escever... descobri seu blog através de outros amigos em comum e venho lendo (as vezes!) que posso, tudo bem?
bem, há alguns anos atrás qdo fiz intercambio, qdo estava recém formada em arquitetura, bem antes da UDESC enfim, passei por isso de sentir falta do que eu não sabia que me fazia falta, deu prá entender? bem, passei muito tempo longe da família, amigos, cachorra e tudo, mas o principal, o que eu não sabia que é que eu precisava do "MAR"! sim so mar! eu cresci praticamente dentro do mar, brincava na praia e só fui saber o qto ele era importante prá mim, qdo nem sequer eu o via! senti falta de até ver o mar! pode? bem, era isso... bjs! boa sorte por aí!
ah! Hoje onde eu moro, tbém não tem mar, só vejo nas fotos, na tevê, mas a vida me trouxe prá cá! e sou feliz aqui! as vezes acontece! boa sorte aí no Rio!
Kênya!

Raquel Stüpp said...

meu afilhado. ou afilhada.

será um serzinho de sorte.
ô se será....


amo-te.