Thursday, December 31, 2009

Antônio V

O pão cortado sobre a mesa. Mas só o farelo o interessava. Antônio em mais um de seus últimos dias do ano. Dessa vez, desmedidamente diferente. A foto amarelada, ele havia guardado tão bem, que não a encontraria facilmente. O coração, já não andava tão só. E ele achava tudo isso muito esquisito.
Se havia uma agonia neste último dia do ano, era a saudade, que lhe entorpecia todos os poros,e a vontade de gritar todas as bobagens do mundo, que lhe inundavam a garganta. Talvez, de todos os últimos dias do ano, neste ele estivesse mais pleno, mais sereno, mais leve. O que não quer dizer, que por um pequeno desvio de segundo, não tenha pensado nela, com o mesmo ardor de quem procura o grande amor da sua vida, perdido na memória.
Mas ele esquecia logo em seguida, e lembrava do novo sopro do coração. E sorria, com aquela calma de quem sorri manso. Era muito diferente a sensação que lhe causava o novo amor, assim podia dizer. Era menos voluptuoso, porém intenso. Era menos agoniante, e mais sensato. Não era chato, e tinha surpresas, conflitos, mas tudo era resolvido a um passo do mesmo desvio de segundo que lhe fazia lembrar. Ele desconfiava muito, claro. Achava que era só uma parada na estação do amor. Pra ele descançar, e logo em seguida continuar sua busca desenfreada por aquela que um dia lhe roubou a alma. Ao mesmo tempo, e se ele quisesse ficar na estação?
Antônio não se preocupava muito, talvez a diferença maior fosse nele. Ele andava a voar mais. E no último dia do ano, quisera estar com seu amor, aquele que ele podia tocar, embora no fundo, no fundo, ele soubesse onde andava a foto amarelada, e só fingisse não saber!

Wednesday, December 30, 2009

o tempo chegara

Tinha o vento, e a cabeça suspensa, se deixando levar. Tinha uma ausência de cobrança, e uma ausência de expectativas desmedidas. De novo, as expectativas. Não exigia demasiadamente da vida, e assim aprendeu, que a vida sentia-se à vontade para dar-lhe em dobro. Planejara algumas coisas, mas sempre sabia que algo melhor poderia lhe mudar a rota, e achava isso natural. Prendera os medos no porão, como se fossem fugitivos, e jamais os soltaria; que viessem novos. Os sonhos ia transformando em realidade e sonhando mais e mais. Aprendera que a vida teria o tempo que desejara, e que nesse tempo, caberia a ela estar feliz o maior número de horas que pudesse, contando-se nisso, a arte de viver a trizteza com dignidade. Lembrara do vento, e pensara na necessidade absoluta de silêncio que vinha sentindo. Dessa vez, sentia que precisava ficar consigo mesma, dentro de um casulo de liberdade, desses únicos. Talvez porque intuísse que se aproximavam as grandes mudanças que já sabia. Talvez porque fossem seus últimos minutos em que poderia ser só ela, e nada mais. Os últimos minutos em que poderia andar nas ruas, sem ser o amor de alguém, o exemplo de um estranho, o ser mítico elucubrado por pessoas distintas, a melhor amiga, a filha, a irmã. Sabia que existiam momentos mais cruciais que outros na vida, e sabia que mais um dos seus, se aproximava. O tempo que viria, seria de mudanças absurdas, e concretizações em massa. Mudaria o cenário, mudariam as companhias, mudariam as expectativas sobre ela. Pessoas aleatórias se aproximariam, por interesse. Portas se abririam, pelo reflexo. Mas ela queria o que estava por chegar, então deveria levar os contras da situação com dignidade e elegância. Mas tinha o direito, como pessoa privilegiada que intui o tempo que está por vir, de se deleitar em seus últimos segundos de si mesma. Como quem se aproveita, antes que passe a ser do mundo. Por alguns segundos só, ela queria esquecer que era qualquer coisa de qualquer pessoa, ou animal. Ela queria ser apenas uma solitária pessoa que vaga, pé ante pé, dentro de sí mesma, a descobrir seus silêncios. Ela queria estar em sí, talvez pela última vez , em muito tempo. Era uma preparação. E ela fazia isso com sorriso no rosto. Chegara, finalmente, o tempo de colher o que plantou, e nisso ela pautava toda a sua alegria real e objetiva. Seria o amor de alguém, seria a filha, seria o ser mítico, seria o exemplo, seria tudo o que tivesse que ser, mas antes seria ela mesma e só, assim, na essência mesmo. O tempo chegara, era tudo uma questão de segundo após segundo!

Monday, December 28, 2009

fragmento de férias I

Do silêncio natural.

As pessoas resistem tanto em estar ao silêncio natural. Esse som que vem da Natureza, e chama-se vento, água, pássaro, pedra. Talvez, porque assim escutem sua voz. Essa que nunca cala, mas é abafada com a buzina do carro, a voz do homem, o grito de dor

Friday, December 25, 2009

passageiros de nós

Algumas pessoas passam pelas nossas vidas, assim como nós passamos pela vidas de muitos. Passantes; alguns não deixam muito, outros deixam tanto, que nos perguntamos o que teriam se tornado, se além de passar, ficassem. Esses deixam tanta saudade. Aquela saudade das coisas que poderiam ter sido, das coisas que não foram, das coisas que gostaríamos que tivessem sido. Ums saudade meio futuro do pretérito.
Muito diferente da saudade daqueles, que mesmo distantes, entraram na sua vida de maneira irrefutável, e farão parte dela pra sempre. É diferente, bem diferente. Tem gente que fica na vida da gente, pra sempre, mesmo que num determinado pedaço do caminho se distancie, torne-se uma presença exporádica ou virtual. São as pessoas que ganharam o visto permanente, que compartilharam um pedaço da vida com a gente, e que estão presentes no pedaço de matéria humana que nos tornamos ao longo da vida. Moram em nossa história, mais que em nossa memória, e são donos de lições e momentos, que não ousamos esquecer.
Com alguns, raros, conseguimos construir uma espécie de cotidianidade infinita. Aí pouco importa a distância física, já que sempre estaremos no dia a dia um do outro. Sempre saberemos de tudo, daremos pitaco, telefonaremos, estaremos presentes no porvir da vida. Mas isso acontece com alguns apenas. Há ainda os que, mesmo através do tempo, quando reencontrados, é como se nada tivesse acontecido, como se o tempo não houvesse passado, e a afinidade se mostrasse intacta. Lindo!!!!
Mas os passantes muito me intrigam. Alguns retornam e ganham visto permanente. Outros jamais reaparecem. E mesmo assim, estão longe de serem banidos de nossas vidas. Não deixam jamais a prateleira dos queridos amores. Isso é coisa pra quem a gente não gosta, e dos passantes, muitos, a gente costuma gostar desmedidamente.
Eu lembro-me dos meus amores passantes. Tem desde a adolescência. Aquele menino que eu nunca entendi porque não troquei telefone, e-mail, qualquer coisa. Parecia tão pra mim... e tantos outros vieram depois. Alguns passaram por segundos, outros por meses. Alguns se tornaram tão próximos num piscar de olhos, e no mesmo piscar sumiram. Também não sei até que ponto, quem sumiu ou os fez sumir fui eu. Eu gosto de cultivar essas passagens, acho que elas fazem da vida mais divertida. Então a gente encontra uma foto antiga, no computador antigo da casa da mãe, e sente um frio na barriga. Pensa como anda essa pessoa, o que ela faz, pra quem ela sorrí nesse axato momento. Aí a gente se lembra de quando ela sorria pra gente. E a gente acaba sorrindo, pensando que ainda bem que ela passou por nós, pior se nem tivesse passado. E eu nem sei se gostaria que ela voltasse a passar, porque talvez seu encanto dure apenas alguns segundos mesmo, e viva melhor na lembrança. E os amigos que passaram...
A vida já me ensinou uma coisa muito importante. Tem gente que é pra rotina, pro dia a dia, pro mau hálito, pro mau humor, pro cabelo bagunçado, pra preguiça, pra lágrima, pra festa, pra segunda feira, pro domingo nublado, pro camarão na praia, pra cerveja na esquina, pro aperto do bolso, pro presente especial, pra palavra amiga, pro segredo, pra hora que der e vier, pro, sempre da vida; e tem gente que é pra um segundo a mais de aventura, pro calafrio, pra memória, pra saudade, pra nostalgia, pro não entender, pra quando a gente só tá bem vestida, pro jogo, pra brincadeira, pro vento na praia, pra fugida, pra perder o juízo, pra momentos únicos, mas soltos, ao longo da nossa existência; momentos que nos ligam a outros momentos, passagens de nós mesmos, guias de nossas mudanças, ápices de nossas viradas, iniciadores de nossas aventuras; depois deles, ainda que muitas vezes durante eles, temos os nossos, aqueles que nos são sempre, não passam, porque ficam, e sem estes, a vida não teria a menos graça, nem a menor seriedade, porque eles nos permitem e nos proporcionam tudo ao mesmo tempo, independente a passagem!!!!!

Wednesday, December 23, 2009

senhor 2009

2009 não tem gráfico. 2009 tá se passando, tipo jogo de futebol, aos 57 do segundo tempo. "ô seu juíz, acaba isso logo?". 2009 faz gol nos acréscimos. 2009 chorou dor de amor por um dia só, e aprendeu que pessoas especiais chegam, e suprem nossas expectativas, sem que a gente precise imaginá-las fazendo algo que elas não farão. 2009 veio pra dar uma rearrumada no armário, e tirar quem não serve pra vida toda, da prateleira errada. colegas, colegas, amigos, amigos, passantes, passantes, amores, amores. 2009 calçou pantufa e não saiu de casa por um tempo. curtiu o tédio momentâneo dos dias de chuva, que não cessam. 2009 foi a praia de bicicleta. 2009 definiu seu território. leu seu mapa astral. vestiu-se de sorte. 2009 deu presentes, proporcionou surpresas. correu contra o tempo. destilou preocupações. adoentou amigos. reafirmou parcerias, uniu gente do bem e fez crescer amores ímpares. 2009 é um ano ímpar. 2009 não quer ir embora. ele sabe que foi bom. mas o que chateia ele, é que 2010 será melhor, e 2009 é meio competitivo. 2010 vem com Copa, eleições e por aí vai... ano par. trará pares de coisas boas. 2009 chorou pouco eu diria. as lágrimas ficaram mais quietinhas. 2009 calou-se em momentos oportunos. 2009 encontrou uma paz e uma leveza. 2009 trancou a ansiedade no ármario e as inseguranças no baú. 2009 escreveu muito, e redescobriu um caminho lindo. 2009 viu cenas em palcos, que jamais se apagarão. 2009 criou cenas em palcos que entram pro álbum da vida. 2009 comeu muita pipoca. 2009 reafirmou que afinidade e cumplicidade, são raridades imprescindíveis. 2009 teve preguiça de burrice. 2009 mandou a inveja pastar. 2009 quis se preservar. 2009 vai acabando sob o véu do mistério. 2009 vai acabando com o sabor do beijo. com as borboletas na barriga. com as doces incertezas da vida. 2009 foi saudável até o fim. meio alérgico, mas isso já se espera sempre, e 2010 dificilmente fugirá à regra. 2009 encerrou uma história longa, que não queria se encerrar. 2009 reescreveu páginas, reeditou planos e sonhos, realizou desejos, bobos e sérios. 2009 teve sensações incríveis. 2009 sentiu. sorriu. debochou. tirou onda. pegou sol. viajou muito. ganhou dinheiro. perdeu dinheiro. fez promessas. esperou menos e agiu mais. confiou em si mesmo. 2009 foi um ano ímpar. 2009 já fica na memória, por uma série de momentos. 2009, agora chega, vai embora por favor, que todo ano, quando chega no fim cansa, e todo ano que a recém inicia não caminha direito. então é preciso que 2010 fique mais ou menos em pé, e a gente sabe que isso acontece de maneira efetiva só depois de fevereiro, mas o fato é que, eu terei que pegar na mão de 2010 logo no início, porque já tem muita coisa acontecendo, e ele vai ter que aprender a andar mais rápido, mas o Senhor, 2009, precisa jogar a bengala pro alto e ir ter na janela da memória, porque esticar vida, não faz bem não!

ps: esqueci de que 2009 veio cheio de acordes novos, embalados por um violão velho, que estava fazendo década de aniversário, e nunca havia sido tocado. 2009 tirou a preguiça de lado, e finalmente aprendeu a tocar. já tem três baladinhas treinadas, e vai se despedindo com um violão novo, e promessas de que 2010 as baladinhas se multiplicarão!!!! maior prova, de que, persistir numa vontade é sinal de realização!

Tuesday, December 22, 2009

sobre a saudade

Eram dois, e bem escondidos. Traçavam planos, para jamais deixar o anonimato do olhar alheio. Não sabiam ao certo onde iam parar, mas caminhavam. Duros. Tortos. Presenciaram uma ausência momentânea, dessas que bagunça a rotina, o dia a dia, e que causa uma certa chacoalhada nas borboletas do jardim. Ela achou bonitinho no começo, mas depois achou esquisito. Ele tentava driblar a distância. Ela passou a ficar incomodada, quando viu que driblar a distância, estava tecnicamente falível. Então a ausência se colocou entre eles, de maneira perturbadora. Ela tinha que imaginá-lo indo dormir, comendo, saindo, distribuindo seu sorriso e seu charme a todos do caminho novo em que pisava. Ele sentia seu perfume, ouvia sua voz, e até confundia-na entre as pessoas alheias que lhe cruzavam o caminho. Ela precisava das palavras dele. Dos seus suspiros, mesmo que virtuais. Ela precisava do mínimo de presença dele, para não se desvencilhar de si própria, querendo livrar-se da agonia que lhe invadia o peito todo. Ele, morria de medo que ela sumisse, ao mesmo tempo que estava sendo feliz. Era uma ausência que passaria, mas que poderia mudar tudo. Era tempo de estarem juntos. Era tempo de estarem perto. Mas andavam, cada um a seu modo, vivendo aquele momento, da maneira que podiam. Se tudo não voltasse ao normal, é porque deveria ter sido assim mesmo. Mas enquanto isso, até parecia que ela preferia voar, porque a saudade que sentia, lhe prendia tanto ao chão, que lhe causou pânico!

Monday, December 21, 2009

pleno pensamento

São tantas e nehuma, ao mesmo tempo, que me paira a sensação de não querer nada. Aliás ela tem pairado mesmo, desde um tempinho já. Mesmo querendo tudo, não quero nada, porque já tenho. Me diziam dessa coisa de plenitude, mas nunca achei que se pudesse alcançar. Sempre imaginei, algo como um Deus, que existe para aplacar as dores e regar a esperança, mas que no fundo, é cada um e nada mais poderoso do que o que se leva dentro. Mas vamos combinar, que nesse mundo de pessoas frágeis, crer em si mesmo não é tão consolador quanto crer num todo poderoso que tem a varinha mágica dos milagres salvadores. Assim sempre confiei que a plenitude fosse algo inventado, a ser alcançado por fora, tipo a felicidade, só pro povo ter porquê lutar. Porque de novo, descobrir que tudo isso vem de dentro, deve desanimar muita gente, que mal tem ar puro nos pulmões pra oferecer pra si mesmo. O povo anda fumando muito, e entornando milhares de porcarias para dentro de sí, como vai perceber que o movimento é o contrário do que acostumou-se a crer? Então não se pede a Deus, mas sa i mesmo? Então plenitude e felicidade não se alcançam no fim do arco íris, mas constrói-se, e acima de tudo, reconhece-se dentro de nós, em nossas mortais vidas?
Qual o quê, acho que o mundo não esperaria 2012 pra acabar, acabava agora, numa onda de suicídios, que faria dos seres humanos, uma raça extinta por livre e espontânea vontade, ou por falta de força de encarar que é sua própria sustentação. Aliás, esse bando de previsão de fim do mundo, deve ser reflexo do desejo de que esse mundo, assim como está, acabe mesmo, e só sobre quem realmente seja capaz de reconstruir tudo de maneira mais amena e leve.
Ando revendo muito meus pensamentos e opiniões. De maneira que plenitude perdeu o peso de uma palavra que designa algo a ser alcançado, talvez, somente no fim da vida. Mas não é fácil assumir que se está em um momento pleno, porque as pessoas destilam aquele sorrisinho de quem gostaria de viver o mesmo, mas não crê que você possa, tão jovem e tão cedo, viver de fato. Isso porque, pra elas plenitude não deve ser o mesmo que eu experiencio agora. Talvez seja uma quimera, uma utopia, um tóten imaginário. Algo que elas não alcançarão, caso contrário não terão mais porquê viver. A diferença, é que eu descobri que a vida, por mais planos que se tenha, se vive a cada hoje, e nada mais. Eu exijo menos dela, por consequência de mim mesma, e assim, ela até me dá mais que eu espero. Na verdade ela dá o que ela pode, e é sempre mais do que eu espero, porque eu espero cada vez menos.
Por isso, consigo dizer, sem medo, que 2009 se despede pleno. Pleno pra mim, dentro da minha noção de plenitude. Dentro do momento da minha vida. Aquela coisa de texto e contexto! Mas o fato é que segue-se bem nos planos, nas surpresas, e no coração. Finda-se o ano com ar fresco de carinho, de realização, de encontros lindos. E a saúde vai bem, e o dinheiro não falta [pode não sobrar, mas faltar não falta], e os problemas existem, mas a gente supera, e as frustrações estão aí, mas na maioria das vezes, somos nós mesmos quem as construímos, e a vida é linda, pra terminar o texto bem clichê!
Porque, se tem uma preguiça que me assola ultimamente, é a da reclamação. Nem meus grandes amigos eu tolero reclamando. Cansei de reclamar. A gente deve é abraçar o que nos chega, e fazer disso um caminho, nem sempre um degrau. Porque subir, é uma metáfora capitalista de sucesso, e eu não tenho síndrome de alpinista, muito menos de balão, que além de subir, estoura!

Sunday, December 20, 2009

o peso do outro

Estranho isso das pessoas acharem, que têm absoluta noção de quem é você. Todo mundo quer saber mais e melhor que você dos seus defeitos, qualidades, caminhos, tropeços, sensações, opiniões... Acho que é por isso, que eu sinto necessidade de ficar a sós comigo, algumas vezes. Nesses momentos eu experimento a sensação absoluta de ser o que eu sou, pra mim. Sem expectativas, sem promessas, sem máscaras, sem mentiras, sem hipocrisia, sem tentativas, sem necessidades, sem desvios, sem fingimentos, sem desejos...
As pessoas gostam da gente, parece-me, sempre com alguma expectativa a ser alcançada. Nem me incluo fora dessa não, pois sou humana e fadada aos mesmo erros. Mas me irrita ver que as pessoas constróem uma imagem sobre você, e acreditam nela de maneira tão fiel, que mal percebem o quanto você já não corresponde mais aquela imagem. Eu sou a favor de ir me moldando e me adaptando, conforme os ventos, não que inexista uma linha, uma meta, um desejo, mas é possível perseguí-los, sem me emoldurar num cimento quadrado, que me manterá fixa e presa a mim mesma. Sou a favor de que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo. Então porque as pessoas não podem me ver assim?
São essas expectativas absurdas que criam os abismos. Eu vou perdendo a vontade de quem não me vê de verdade. De quem não se importa comigo, apesar de suas expectativas. Quem coloca a sua visão sobre mim, acima de mim, não me nota, não entra na minha vida, e fica sem saber de nada.
É por isso, que eu prefiro passar mais tempo calada que falando. É por isso que eu prefiro ficar na minha, onde eu sei que vai ser mais real e mais sincero. Definitivamente, eu não quero nem nunca quis agradar ninguém. Dificilmente deixarei de fazer algo que eu queira, porque isso será a maior decepção de quem me jura amor. Eu não sou do tipo que precisa de aprovação. Nasci atrevida, e sem ligar pro que os vizinhos pensam. Aliás, eu sempre pensei, se os vizinhos pensam algo ao meu respeito, deve ser porque pensar sobre suas próprias vidas deve ser monótono ou provocar dor de cabeça.
Quer saber, ligar o foda-se é minha meta para 2010. Preocupar-me menos com as pessoas que eu me preocupo, pelo amor que tenho a elas, vai ser um grande passo na minha estrada. A vida é assim, não dá pra seguir adiante, se a gente se prende a culpas e obrigações, que só nos fazem andar pra trás.
2010 que venha leve, mais ainda, e que eu possa seguir em frente, sem levar peso dos outros!

Obrigada!

Thursday, December 17, 2009

resquícios de futuro

Talvez porque se apaixonar seja um ausentar-se de si mesmo, e ir ter com o outro o tempo todo, em pensamento. Talvez porque o mundo se estivesse abrindo a ela, como flor que desabrocha, e as possibilidades se mostrassem como doces em olhos de criança. Talvez porque não servisse praquilo. Talvez porque não entendesse. Talvez porque a imagem do fim do dia, lhe tenha despertado algo, que ela vinha esquecendo. Talvez porque sua idéia de caminho fosse forte. Talvez porque sua intuição tivesse disparado em mil trombetas. Talvez porque preferisse apostar no incerto. Talvez porque fosse fugaz. Talvez porque gostasse tanto. Talvez porque tivesse medo. Talvez porque simplesmente, percebesse que não conseguiria. Talvez porque o olhar que cruzou o seu, naquele fim de dia, lhe houvesse roubado a possibilidade de escolher no momento.

É assim que ela andava. Um pé no hoje, e outro no futuro que lhe havia despertado aquele olhar, aquela forma, aquele jeito. Havia, alí, algo de mistério, algo inexplicável, que se chocou com ela de maneira inevitável, embora ela não quisesse. Havia alí, talvez, a resposta das perguntas anteriores, e dos presságios estranhos no centro da cidade. Encontrou naquele olhar, algo de familiar, como se chegasse, finalmente, em casa!

Sunday, December 13, 2009

diferente

Não, nem sempre. Mas agora sim. Ou amanhã. Talvez a vida toda. Eu gosto assim, desse jeito. Não dá vontade de tirar um pingo que seja só dos i's que a gente escreve. Nem colocar nenhum ponto final, em qualquer que seja a nossa frase. Não corriqueira esta fala em mim, mas é doce. Poderia por mil anos correr cantando, e pisando os pés nessa areia invisível. Poderia mil anos estar do lado, que eu não sentiria pressa. Aliás, é essa falta de pressa que me assusta, e ao mesmo tempo me encanta. É esse não desespero que me desespera. É esse encontro de tudo e nada. É essa ausência de vontade de oráculos e bilhetes da sorte. É esse não precisar de sorte. Pelo simples fato de que somos a resposta a nós. Por mais que eu brinque de fugir, essa é a primeira vez em que não deixo a brincadeira se misturar com a realidade. É a primeira vez que eu brinco mesmo. Não fujo. Não tem essa pressa. Não tem essa necessidade de desenlace. Ao contrário. Existe sim, é uma imensa vontade, de chegar bem perto, de qualquer caminho que me aproxime ainda mais, de todo esse universo. Eu ouço as pessoas reclamarem, e eu sorrio disfarçadamente. É um porto seguro e é uma montanha russa. É exatamente do meu tamanho. Agora eu lembro das imagens e sensações que me povoavam por dentro, tempos atrás. E eu sentia que chegava, mas não sabia a hora. Eu enganei a espera, pensando encontrá-la em outros rostos. E de surpresa a espera me pega desprevenida. Me abraça. Me chama pra dançar um música inusitada. E eu vou descobrindo que a minha intuição até me assusta. Eu fico confusa, pensando: até que ponto eu já não esperava certo, ou até que ponto eu criei você, ou até que ponto é tudo uma grande casualidade?!
Não sei. E ninguém vai entender nada disso. Porque é tudo muito dentro de mim. E dentro de mim, não costuma existir uma ordem para as coisas!

Beijos!

Friday, December 11, 2009

sobre os fins e os inícios [conversas de doido]

Fim de ano. E era um monte de gente na rua. Comprando, consumindo, se estressando. Era um cansaço desses, que só dá pra se livrar indo pro meio do campo, ou da selva. Irrita. Fim de ano é uma coisa que irrita. Pronto, já tenho algo pra responder no Irritando Fernanda Young!

- Sim, fim de ano me irrita!

Foda-se o sapato novo. Foda-se tudo. Será que não dava pra fazer uma inversão aí? No fim do ano todo mundo doava alguma coisa. Ou se doava pra alguém. No fim do ano, todo mundo ia meditar, ao invés de carcar a mão na buzina do carro, de maneira absolutamente arbitrária, e sem resolução! Fim de ano eu mandava todo mundo pra roça, pro meio do nada, viver só com o que de fato necessita - se o mundo fosse meu eu mandava.

Não, sabe que no início eu preferia o início?! Todo e qualquer relacionamento só valia pelo início. A sensação na boca do estômago, de que o mundo vivia alí. Os primeiros olhares, encontros. Tudo novo. Eu era adepta do use, e descarte logo. Uma capitalista do coração. Mas aí, até nisso eu fui me tornando mais, como eu diria, dessa gente que usa até gastar, até furar, se é que um dia fura mesmo. Hoje, que ainda não é no fim - então isso pode mudar de novo - eu gosto é de quando o início nem se faz lembrar. De quando a intimidade é tanta, que você não é ninguém mais, além de você. Gosto de já saber algumas coisas, e já poder muitas outras. Amo a sensação de conhecer alguém, de ter alguém ao lado, por tempo indeterminado. Confesso, que tenho até preguiça do início. Então quando um relacionamento, que já havia ganho a vez da intimidade, chega ao fim, eu até suspiro, mais de preguiça de um novo início, do que de coração partido. É que cansa começar tudo de novo. Descobrir gostos, manias, olhares, sorrisos. Desvendar as entrelinhas. Dizer as primeiras palavras impactantes. A primeira dormida perto. Isso tudo de primeira coisa, hoje em dia, me cansa um pouco, eu gosto de já me sentir à vontade! Será que meu coração anda sedentário? Creio que não, porque ele vive aprontando na meia maratona, só que ele anda preferindo o meio da corrida, não o início.

Início de ano também me irrita, porque todo mundo acha que a vida vai mudar. Porque não acham sempre? Porque o otimismo morre depois do carnaval? Aliás, adoro fim de carnaval. É aí que o povo cai na realidade, e se joga na vida. Mas também começa a reclamar.

Iniciar e terminar um texto é difícil. Uma peça de teatro idem. Uma vida ainda mais.

Início e fim! Vai ver que é por isso que todo mundo sempre prefere o recheio!

beijos

Thursday, December 10, 2009

um texto novo

Um texto novo quando nasce, parece um filho! A gente quer deixar ele pronto pro mundo! Aí mostra pras pessoas, que dão seus pareceres, e alguns a gente acata, outros não. Porque sendo que nem filho, tem coisa que a gente quer ajeitar, porque é falta de educação mesmo, e tem outras que a gente faz questão de manter, porque faz parte da personalidade, e a gente preserva isso!
Um texto novo quando nasce, apesar de já ter nascido, nos causa ansiedade, porque queremos logo que ele ganhe o mundo, e se relacione com as pessoas. Queremos ver nosso filho transformando o mundo por onde passa. Ao mesmo tempo já dá saudade, porque a gente passou dias e dias com ele, vendo-o crescer e tomar forma, e de uma hora pra outra ele ganha vida, tá prontinho, e a gente não pode mais fazer nada, além de apreciar.
Escrever tem sido a possibilidade de fazer, pensar e curtir teatro mais vezes por ano, de presentear amigos, de criar as histórias que eu tenho vontade de mostrar pro mundo. De tentar fazer do teatro, um espaço de verdades, sentimentos e delicadezas, um lugar do qual as pessoas saiam diferentes do que entraram. Utopia? Pode ser, mas é assim que sigo vivendo!

Beijos!

Wednesday, December 09, 2009

carta de despedida

Ele olhava pra mim num misto de cansaço e alegria entre os dentes. Bonito, cheio de histórias pra contar, muitas paixões tinha vivido, e agora andava calmo, embalado numa musiquinha que lhe fazia bem. Os olhos era de garoto travesso, que havia aprontado muitas. Me disse de suas aventuras, o quanto tinha viajado, o quanto tinha realizado e plantado. Aprendeu que era importante colher, mas não tinha ansiedade ao dizer isso. Sabia que o tempo certo chegava, e o importante era se doar à plantação, semear tudo com amor e respeito. Ele parecia ter encontrado uma certa paz interior, um equilíbrio. Falava da leveza com muita intimidade, com cara de quem havia sido responsável pela consolidação de uma leveza inabalável.
Ele olhava pra mim, e sabia no que eu estava pensando. E não dizia nada, só ria. Aquele sorriso de gente que gonga, que zoa, que ironiza, que faz graça. Ela sabia que eu gostava disso. Ele me olhava como quem diz: viu só? "Você não esperava por metade do que eu te contei né?". E realmente, eu não esperava!
Ele perguntou o que eu faria quando ele estivesse prestes a partir. Disse-lhe que ainda não pensava nisso, e no momento eu teria alguma idéia, ou não. Ele sorriu mais uma vez, como quem se orgulha de sí mesmo. Olhou bem fundo nos meus olhos e entregou-me um pedaço de papel. Em seguida saiu pela porta, parecia que não ia longe, mas se afastava para que eu pudesse ter a tranquilidade necessária para desfrutar de suas palavras:

"Eu te ajudei, e te trouxe umas coisinhas que te faltavam. Sempre fica faltando algo, mas eu queria pedir desculpas por alguns momentos que passamos juntos. Eles foram necessários, para que hoje pudéssemos nos olhar nos olhos assim, com essa energia de quem se conhece e cresceu junto, mas mesmo assim, fiquei aflito, achando que você jamais me olharia nos olhos. Queria lhe pedir, que recebesse meu amigo, do mesmo jeito que me recebeu. Sem exigir dele, coisas que você não exigiria de você, e como você, às vezes, superexige de si mesma, exija menos ainda. Ele vem, e vem novo, e vem inteiro. Eu não sei o que ele traz, ou até sei, mas não é hora de você saber. Só sei, que nada será tão diferente, nem tão igual, e que as surpresas vêm a galope mesmo, como você já bem reparou. Algumas coisas você vai conquistar, outras não.
Você se despede de mim feliz, eu vejo isso. Cansada, porque de fato, eu super lhe explorei nos últimos dias, mas foi por um bem maior - o seu! Mas vejo que você está serena, leve, feliz, realizada, otimista como sempre, e com a sensação de viver cada vez mais. Isso me deixa muito feliz. Espero que sempre se lembre de mim, com olhos de suspiros e saudades boas. Me despeço te deixando alguns presentinhos. Você sabe quais são. Cuide deles, eles cuidarão muito bem de você. Acredite, eu não troxe nada por acaso, e você merecia cada coisinha. Agora, quando eu deixar, descance, e vá à praia, veja um filme, beije, ame, sonhe... Aguarde meu amigo chegar em clima de ternura, e receba-o de portas abertas. Ele vai entrar e se esparramar, porque acredite, ele é mais folgado que eu, mas eu lhe garanto, ele te fará imensamente feliz!

ps: talvez ele bagunce um pouco algumas coisas que eu arrumei, mas isso faz parte, depois é só juntar e arrumar de um jeito diferente! Ok?

Beijos com carinho, do seu ano que está passando!
2009".

Tuesday, December 08, 2009

ufa

No meio da confusão, presente que se embrulha com papel não tá valendo. No meio do caos, da correria, do excesso de trabalho, do excesso de projetos, do excesso de vida, presente que se pega com as mãos tá em baixa.
Gosto mais é dos segundos, minutos e horas de calma. Da conversa que flui, do olhar que busca, da mão que segura firme. Gosto do comprometimento com a liberdade, com o respeito, com o carinho. Gosto de quem segue ao meu lado, mesmo sabendo que eu sou maluca de pedra. Gosto de quem não tem medo, e de pra quem eu posso assumir que tenho medo. Gosto de não precisar usar máscaras, não me preocupar com a hora, não me aborrecer com superficialidades.
E quando a gente encontra esse tipo de coisa, o melhor é desfrutar!
Então dá licença que é exatamente isso que eu estou fazendo. Foda-se o que estava escrito na cartilha, de hoje em diante, ela mudou de maneira que a felicidade vem antes de qualquer outra expectativa!

Cansada, porém feliz!

Thursday, December 03, 2009

inteireza, moço

"A vida devia ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho." Guimaraes Rosa

E é assim que devia de sê a vida, sabe moço. Ninguém nunca que podia sê pela metade, em nada que fosse e fizesse. Ninguém nunca que deveria não tá inteiro. Eu gosto é de intensidade e de inteireza. Eu gosto é de olhá nos olhos. Eu gosto é de pegá na mão e apertá forte. Assim a pessoa sabe que eu to ali, só com ela. E a cabeça moço, devia sempre de tá no lugar onde tá o pé, o coração, o olho. Essa coisa de cabeça voando só quando a gente tivesse sonhando, ou fazendo nada, qué dizê, quando a gente tivesse em momento de voá a cabeça mesmo. Eu não entendo moço, essa coisa de tá aqui mas não tá. Essa coisa de não sê completo. De não gastá tudo no presente, até a última gota do sentimento. Porque a gente dorme, e noutro dia acorda com tudo novinho em folha. Então que medo é esse de ficá sem? Coração não é papel de dinheiro que voa, gasta, acaba, perde. Coração tá sempre aqui batendo no peito. Forte e fraco. Mas tá sempre. E coração segue o amor. E o amor moço, é sempre agora. Eu to de birra com quem pensa mais no amanhã, e mais birra moço eu tenho, de quem pisa em qualqer chão querendo tá noutro. E maior birra moço, é de quem vive a vida pela metade, e olha tudo com olho nublado. Assim quero não!

A minha singela homenagem ao Guimarães e às pessoas, todas elas, que se entregam em tudo o que fazem! Eu acho isso lindo! E a vida é boa!

Monday, November 30, 2009

a utopia

O bolo de chocolate no canto da boca, dava um ar de desleixo, de criança que tinha acabado de se fartar e adiava o banho do fim do dia. Esperava a noite cair, pra girar a chave do apartamento, e encontrar a rua. Ultimamente andava com o fim da corda que lhe dera, como se implorasse por uma pausa, dessas de ficar até tarde na beira do rio. Molhar os pés na água, soltar o cabelo ao vento, pisar na terra cheia de minhoca!
Encontrar, finalmente, um braço na medida do seu encostar de cabeça, pra poder relaxar. Queria um sorriso leve, um descompromisso com o compromisso, um jeito sincero de abraçar o presente, e fazer do agora, o maior futuro que se pode ter. Queria encontrar um eco de suas verdades, vontades, saudades. De alguma forma poder dizer que estava precisando de uns minutos para molhar os pés, e receber de volta, em forma de sorriso, um "tudo bem meu bem, eu te espero ali embaixo". Alguém que soubesse esperar, que soubesse estar, que soubesse ser ao seu lado.
Acumulava um peso de trabalho, de cansaço, de vida vivida em excesso, como lhe era de costume, e muito bem cabido. Mas nesse exato instante, queria ser criança na casa da mãe, brincar na piscina até murchar os dedos, beber Coca Cola e comer Doritos, e tudo o mais que ela achasse nada saudável. Queria apenas existir na essência máxima. Aquela que não deve nada a ninguém. Aquela que não precisa de nada além do que possui.
Se fosse escrever algumas coisa, seria mil vezes a palavra utopia, porque ela havia descoberto, hoje, que justo por criar tantas histórias e personagens, ela criou uma utopia para si própria, e deu-se de presente, a frustração em pessoa. Assim, decidiu que criaria uma outra história, um pouco mais real, e um personagem, na medida certa de suas fraquezas. Na verdade era isso, era como o chinelo que cabe certinho no pé. Era sobre isso que ela queria falar. Mas acabou o dia pensando que isso não era utopia, isso era acontecimento raro, que mais cedo ou mais tarde iria acontecer, enquanto isso, ela aprendia, apertando os pés, ou os deixando faltar meia sola pra dentro do sapato!

Sunday, November 29, 2009

discutindo arte e política

Aos artistas

Porque aos artistas é requerido um retorno social, que vai além de suas próprias obras?
Porque temos de pensar, além do conteúdo de nossa arte, sempre e obrigatóriamente, num conteúdo de resposta social, para todo e qualquer projeto que tenhamos intenção de produzir? Penso eu, a própria obra de arte de um artista - digo ARTISTA - já não é ela, por si só, um retorno social, e já não está ela, por si só, amplamente embuída de conteúdos e reflexões, que têm a intenção de promover uma mudança social?
Porque temos que, para conseguir qualquer trocado para estruturar nossas ideias, seguir anexando folhas e mais folhas de propostas sociopedagógicas, com oficinas e workshops, apesentações gratuitas, meia entrada, e milhares de facilidades, para que o povo tenha mais acesso à arte, quando esse papel é do governo?
Aos artistas não é concedido o direito de livre expressão? Será que nos expressamos livremente, quando nos é cobrada uma imensa burocracia, pautada em deveres que devem ser prestados ao povo, pela União?
Veja bem, eu que ando em fase de querer fazer trabalhos voluntários, não nego que todos podemos sim - artistas ou não -, colaborar para o bem da sociedade, sempre que quisermos, mas me oponho à essa obrigatoriedade que é dada aos artistas, que ficaram reféns das leis de mecenato, portanto, reféns do Estado ou de editais de empresas privadas, caso contrário, não se faz teatro no Brasil - só uns poucos e corajosos artistas, que de maneira heróica se embrenham nas produções independentes.
Arte, por si só, traz em sí um conteúdo político e social magnífico. O teatro une as massas, e serve de instrumento de transformação social desde sua história antiga. Então porque o governo não trata de garantir a acessibilidade e as transformações sociais, e aos artistas deixa a liberdade de expressão, caso eles queiram ou não, dar uma oficina depois da apresentação? Porque o governo não garante a meia entrada, e deixa aos artistas o parco tostão inteiro, a que tanto ralam e têm direito?
Perguntas que ficam no ar.
Algumas coisas até entende-se, tomando por exemplo essa arte descartável que se vem produzindo Brasil afora, mas sempre fui contra os "justos pagarem pelos pecadores".
Cada vez mais penso que, arte sem pensamento político, gera técnicos que executam bem o serviço que lhes é cabido. Cada vez mais vejo que estamos num país de atores celebridades, menos de artistas.
Que os artistas brasileiros sobrevivam à alienação, hoje e sempre!


http://palavracaomarinamonteiro.blogspot.com/

Thursday, November 26, 2009

pausa

quando a gente não pode dizer também. quando a gente termina antes do dia. quando a gente não sente nada. quando a mesmice ataca. quando a vontade de mudar de lugar invade a sala. quando o amor estranha. quando o coração quer respirar. quando o cérebro funde. quando o calor pesa. quando a ideia não flui. quando alguma coisa fica faltando. quando a gente perde a certeza. quando a gente não quer. quando a gente magoa. quando a gente não sorri de volta. quando a gente bebe muita água. quando a agente sente que não dá mais. quando a gente perde alguma coisa pelo caminho. quando a gente não sabe em qual parte do caminho a gente deixou a coisa toda cair.

ps:. talvez seja assim: quando a gente precisa de um tempo pra gente. só a gente e a gente mesmo. nesse gente, inclui-se o eu, o eu profundo e os outros eus. mas só eu.

paixões e perdas

Paixão passa. É passageira mesmo. Repassa. Retorna. Depois passa outra vez. Não dura uma eternidade, mas pode voltar sempre, em relação à mesma pessoa, coisa, lugar...espelho!!!!
Tudo na vida depende da forma como a gente lida com o tempo, e com as perdas. O resto, é só firula, pra ficar mais colorido!
Pensando nisso, eu penso que não dá pra ter medo de uma paixão chegar ao fim. Seja lá por um amigo novo, por um grupo de amigos, por um trabalho, por um amor, por si mesmo. Tem dias que a gente está apaixonado e dias que não. E isso é isso e deu!
Se sobra amor depois da paixão, ou melhor se o amor se construiu enquanto havia paixão, a gente só mede quando a paixão acaba. E lidar com a possibilidade negativa, é uma perda, mas não arranca pedaços. E na maioria das vezes, o amor perdura, nem que seja em forma de lembrança, memória acalentada pelo coração. Suspiro e soluço de vida passada. De tempo remoto. De coisa que foi e foi boa. Então, assim sendo, a paixão acabar, não é de todo ruim, e a gente deveria ter menos medo disso!

Saturday, November 21, 2009

no instante em que se perde tudo

Estranho né?! To pensando um pouco sobre a estranheza da vida. To pensando, especificamente, sobre os instantes da vida, esses instantes em que perdemos e ganhamos coisas, em que tudo muda, vira, em que o livro acaba ou começa. É impressionante como a gente pode ir domir com vontade de abraçar e acordar com vontade de não saber de mais nada. É estranho como um instante da vida muda a forma como você vê um amigo ou um estranho. A confiança é uma obra de muitos instantes ou de um único. Ela se faz ou por muitos instantes somados, ou por uns poucos instantes intensos, mas certamente ela se desfaz por um único instante, e jamais se refaz, jamais. E eu fico triste com isso, em pensar que um único segundo desfaz toda uma história. Mas é o tempo fazendo refém, os sentimentos das mancadas bobas que nos deixamos levar - nesse caso se deixaram levar.
To pensando muito sobre as minhas relações com as pessoas. Pensando muito a respeito da sensação de que eu sou melhor amiga que namorada, parceira, amante, enfim....sei lá a nomenclatura. Eu penso no porquê?! E é difícil achar uma resposta. Talvez porque eu seja fugaz, de tão intensa. Talvez eu gaste o sentimento mais rápido que todo mundo, de tanto que mergulho nele. Talvez porque eu seja estranha, de lua, de dia, sei lá. Talvez porque eu provoque expectativas além do que eu possa oferecer, ou porque eu seja sincera demais e aja da forma que tenho vontade, sem fingir. Talvez porque eu seja egoísta, ou porque eu tenha nascido pra seguir uma trilha minha comigo mesma. Talvez porque eu seja das pessoas que nascem pra ter uma carreira e objetivos mais mundiais. Sinceramente não sei, só sei que, talvez pela amizade não ter a expectativa da perda tão eminente em sí, ela seja mais eterna, mais pra sempre, e mais tolerante, por consequência, com os defeitos, com os momentos e sobretudo com as estranhezas.
Cada vez mais eu me vejo do mundo e em contrapartida da bolha, da concha, da família e de poucos amigos. Eu to cada vez mais pro mundo na minha profissão e no meu desejo de conhecer lugares novos, e cada vez mais recolhida no que diz respeito aos meus sentimentos e aos meus amores. Inversões do tempo, talvez. Ando mostrando mais a cara naquilo que devo mostrar, e mostrando menos naquilo que não devo.
Não sou mais tão romântica - no sentido mais genérico do romantismo - nem me iludo mais com as pessoas. Sigo sempre sendo otimista e humanista, mas sabendo que algumas coisas acontecem mesmo, e outras não mudam. E sigo no meu caminho, sempre com a leveza por perto, buscando ser feliz a cada dia, e alcançar meus objetivos, sem passar por cima de ninguém, sem mesquinharia, sem precisar prostituir meus valores e ideais. Mas hoje, com um pouco de trsiteza, por esses instantes em que perdemos uma amizade, uma confiança, um possível amor, uma relação, uma ilusão. Algumas coisas são irreversíveis, e os instantes podem ser fatais!!!!!

Um texto baseado em sentimentos confusos, na minha imagem ontem no carro voltando pra casa, pensando pela estrada. Pensando na vida, nas amizades, na confiança que não faz o caminho de volta, nas relações que se perdem.
Um texto tomado pelo sentimento de agora. Um misto de frustração com a repetição dos meus próprios sentimentos, e de frustração pela ilusão de que, finalmente, algo em mim fosse por um caminho diferente. Um misto de desilusão pelos planinhos que eu fazia para o fim do sábado e que perderam o brilho dentro de mim. Um misto de coisas e sentimentos, que batendo no liquidificador, talvez não faça suco de nada, nem vire coisa nenhuma.
Mas ainda assim, segue sendo uma pausa para a felicidade, porque toda reflexão, deve servir para que a gente tente ser mais feliz no segundo que se aproxima!!!!

Friday, November 20, 2009

voltei

Várias coisas pra falar. Mas várias coisas pra aprofundar, então não vale seguir a linha dos tópicos. A primeira coisa é que eu estou absolutamente cansada. Uma semana intensa de apresentações, oficinas e idas e vindas, eu ainda não cheguei em casa. Amanhã ainda enfrentarei aeorporto e avião, até chegar mais perto da minha cama, e de tudo que eu ainda tenho que fazer antes que o ano acabe. Pousar no Santos Dumount é tudo o que eu mais desejarei amanhã!
Essa turnê me fez pensar em várias coisas. Na arte, nos valores artísticos, no porquê me tornei artista, no quanto é bom trabalhar pra crianças, e lidar com arte e educação. Pensei também na importância de levar o teatro pra quem nunca entrou em contato com ele, como é bom ver nos olhos das crianças uma satisfação e um prazer absolutamente novos!!! É ótimo fazer parte disso. Também pensei em ética, e conceito de grupo, em parceria, em amizade versus trabalho, em dinheiro, em futuro, em projetos novos...
Mas isso rende tantos posts. Rende mais post também a saudade que eu sentí, de certas pessoinhas, e do Rio. Rende post a pousada maluca, com o "Milk", e o o boi nas nossas maluquices, e por aí vai...
Volto a escrever quando eu voltar a mim, e quando eu conseguir organizar a vida que nessa ida e vinda toda, acaba ficando bemmm bagunçada!

Beijos.

Monday, November 16, 2009

entre aspas

Antes de me ausentar por uma semana, resolvi deixar estas citações de um blog bem legal, até porque elas me fizeram lembrar... bom, o que não importa, mas me fizeram lembrar...


"E o que é feito da tristeza da dúvida do amor da carta que não chega ao seu destino? Vira solidão. Principalmente de manhã, ao acordar, quando não tem ninguém ao lado para dar bom dia ou perguntar se está sol, exceto o criado. Que é mudo. Não vai responder.

E o que é feito da solidão da tristeza da dúvida do amor da carta que não chega ao seu destino? Vira vazio. Aquele, que se instala no sofá nas noites de sábado e fica cantando músicas grudentas só para chatear. Mas repare bem no cantinho do olhar dele: aquilo ali é esperança. E das boas.".


fonte: http://fiodameada.wordpress.com/


Em homenagem à saudade, aos meus últimos sábados, às minhas últimas manhãs, e a todo mundo que me lê. Uma excelente semana!

Beijos

Sunday, November 15, 2009

só pra constar

To puta, o Firefox me fez perder meu post. Que por sinal, já não era nenhuma maravilha! Mas agora deu aquele branco na cabeça sabe? E eu fiquei me perguntando, pra que eu tenho que escrever um post? Sei lá, porque ficarei uma semana longe do blog, e ele parecerá meio abandonado. Mas aí pensei que ando escrevendo tão compulsivamente, que se duvidar, as pessoas nem lêem mais o que eu escrevo, de tanto que ando entulhando isso aqui de palavras. Será que alguém ainda me lê? Será que alguém encontra sentido no que eu escrevo? E eu? Continuo escrevendo para mim mesma, como sempre foi a minha meta, ou agora preciso de leitores que me dêem retorno? Está vendo, eu sabia que essa coisa de tornar a escrita um pouco o ganha pão ia melar alguma coisa.
Enfim, to aqui digitando de uma maneira agressiva, e tudo está saindo com e no fim da palavra, ou u, e parece mais francês que português. Ai que idiotice está ficando esse bando de letra reunida, pensando, na sua vã ignorância, que é um texto, e que é interessante. Quanta palhaçada!!!

Brain storm -

casa nova. fim de ano com gosto bom. eu preciso de férias. minha coluna dói. o texto novo finalmente está ganhando forma. o projeto pessoal sai ano que vem. a tranquilidade impera. vontade de ir prum sítio e ficar por ali. pé na terra molhada. saudades. preguiça. descanso. cerveja gelada. quero viajar. preciso ler os livros novos que adquiri. saudades de dar aulas de teatro. em breve uma nova empreitada. vontade de filmar um longa. tenho três argumentos para cinema. ansiosa por meu livro. quero sair por aí fotografando o mundo. meu irmão perde celular como quem tem queda de cabelo. saudade de um mar mais vazio. Floripa tem seu encanto no fim do ano. vontade de ter um filho. meu mapa astral é mara. eu quero sentar no boteco e conversar sobre nada. Clarice. Fernandona. Mariana Lima. Teatro. cansei!!!!!

Saturday, November 14, 2009

vamos à feira

Vamos à feira? Ando obcecada por laranjas. E se eu fosse uma laranja? Talvez fosse ácida - acho que doce não!!! Vamos calçar nossos chinelos novos e ir à feira, nem que seja pra rodar a barra da saia, num giro trôpego. Nos fingimos de bêbados. Eu e você. Você que não existe ainda na minha vida, mas volta e meia surge como uma imagem profética, ou premunitória. Você que me parece tão íntimo e tão meu. Surge até nos momentos em que eu estou bem, tranquila, acompanhada, sorrindo. Por essa eu não esperava. Você aqui? Agora? Nesse meu eu que anda tão confortável com o que vem encontrando? O que você quer me dizer? Que ainda falta encontrar você? Que não é esse o caminho de agora, aquele que devo fincar meus pés? O que você quer, vindo me visitar assim? Sem nome, sem endereço, lenço, documento, qualquer pegada que me ajude a encontrar teu caminho...? Tenho a impressão que você surgirá no melhor estilo: bagunçando a sua vida! Você vai enrolar minhas pernas e me ver tropeçar em mim mesma. Eu sou muito atrapalhada! Muito mesmo! Você vai bagunçar as minhas gavetas e fazer aquela cara de : eu avisei que chegaria! Você acha que eu realmente espero? Não faz meu tipo. A inquietação me toma cinco segundos durante a sensação de ter você por perto, e depois some, e vou viver minha vida, que eu sempre sou a favor do agora, sempreeee! Então a hora que você der as caras, meu cosmos amado, eu não sei o que será de mim! Talvez eu nem te perceba de imediato, até porque já vislumbrei tantas caras pra você, que a sua verdadeira face talvez me confunda. Não me leve a mal, mas eu sou assim mesmo. Mas quando você chega? E se já tiver chegado? E se for você? Como eu vou saber? Eu sei, com a mesma sensação com que te sinto e te pinto caras. Mas mesmo assim, no plano material, tudo parece tão mais confuso, e existem as interferências, as energias alheias se interpondo no nosso sinal!!! Você deveria me dizer seu perfume, então eu saberia, se é você, ou se será você. Será que eu quero que seja você? Não sei. Sabe aqueles momentos da vida em que a gente não sabe e não se preocupa em saber? Ando assim ultimamente. Eu não quero saber de nada. Deixo tudo pra mais tarde, só pra ficar ali, vivendo o que talvez não se repita. E nada se repete. As coisas, as situações, as pessoas, variam entre melhores e piores, boas e ruins, mornas, interessantes, brilhando ou tomadas pelo opaco, mas nada é igual. Então um mesmo dia pode ser muito ruim amanhã!!! Será que você já faz parte dos meus dias bons e ruins e eu ainda não me dei conta? Será que já povoa minha vida, e eu não vi? Bem capaz mesmo, eu sou meio cega às vezes!!!! Eu só preciso dizer uma coisa: venha, ou se já tiver vindo, seja leve, dócil, mas não perca também a fúria, e me segure as mãos de um jeito que eu não tenha escapatória, porque acredite em mim, eu sempre dou um jeito de escapar! Então a gente deve se ver em breve! Fique com meu afeto, e minha inquietação fugaz, daqui a pouco eu me distraio ou me atrapalho com qualquer outra coisa, e quando você for ver, já escapei, por entre meus próprios dedos!

Friday, November 13, 2009

não estorva nem sobra pra fora do lugar

É grande!!! Mas não é pesado, nem estorva, nem sobra pra fora do lugar. É imenso, e voa! Não é sério!!! Mas é importante, é frequente, é único!Não tem futuro!!! Mas é presente, é agora, é sempre. Não é nada do que eu costumo encontrar por aí, nas minhas andanças. Ri da minha cara, me esculacha, me encanta. Canta que só. Aliás, é muita risada compartilhada. E eu tenho espaço para ser muito ruim de mentirinha, e posso ser adocicada, e derramar todo meu clichê, toda minha breguice, sabendo que serei querida, ainda assim. É diferente, mais do que pelo diferentismo óbvio que traça. É diferente de um diferente desses que são naturais. Rompe a distância sem agonia, pelo contrário, com calma e sorriso no rosto, com balanço bom de tarde de verão fresquinha, com uma água bem gelada depois da areia quente. Rompe a distância, porque talvez a mesma nem exista. Sobrepõem um pouco minhas idéias, e me deixa numa confusão boa. E eu fico entre a ridícula necessidade imposta de verter tudo em nome e sobrenome, e a natural vontade de apenas viver. E vivemos. Cada vez mais sem necessidade do alheio. Só do vento pra quebrar o calor e de uma trilha sonora. Feita a mão!!! É gostoso de brincar. E sossegado de dormir, embora às vezes role umas sabotagens. Faz tempo que sinto vontade de escrever sobre, mas acho que não se encaixa nada forçado por aí. Então tinham que ser palavras brotadas num ímpeto estranho, numa necessidade, quase violenta, de dizer, de um jeito bem discreto e descontraído, tudo o que eu sinto passar pelo meu pescoço. O pescoço e a curva dele. É bem ali que se esconde o meu recanto. Não sei se é pacífico, mas é qualquer coisa que não se tolera, e ao mesmo tempo se acata. Não é uma ordem. Não chega a ser um caos. Às vezes eu penso que pode ser um costume. Se bem que não, viu, porque não é hábito, é querer bem. É uma situação. É quase um retrato tremido. Desses que a maioria das pessoas jogaria fora, e eu guardo, porque ví algo que vai além da nitidez, e certamente, vale mais que ela. Nem tudo que é nítido é aprazível aos olhos. Eu prefiro o borrão, desde que ele seja todo feito dessa loucura lúcida, e dessa comodidade desconfortável, que insiste em me distrair do trabalho!

o vendedor de laranjas

Tem dias que a mocinha adoraria ser burra! Não ter nenhuma idéia na cabeça, nenhuma inspiração, nenhum grande ideal! Queria acordar e ter a vida simples de um vendedor de laranjas na feira. Não, veja bem, não que o vendedor de laranjas não enfrente durezas da vida, enfrenta, claro que sim. Mas é dessas durezas de pele, de músculo, de estafa. Tirando raras excessões, na sua maioria, a classe dos vendedores de laranjas, não tem tempo para problemas existenciais profundos, não se preocupa com o fato de uma idéia estar nascendo, e muito menos sente as dores do parto. É muito duro o ato de criar. É muito duro ter algum ideal profundo, que motiva e leva adiante o bater de asas. Porque tem dias, que a mocinha simplesmente cansa, estoura, não tem espaço para si mesma. Tem dias que ela se torna pequena, de tão grande que ela se sente. Não cabe no corpinho, toda a "profundeza" que leva na alma, no espírito, seja lá onde é que ela leva!!!!
Quem sabe se ela fosse uma vendedora de laranjas, ainda assim, ela não pensaria na profundidade das laranjinhas. No fundo, ela sabe que deveria ter nascido vendedora de laranjas, porque tornar-se uma seria impossível. Ela, com certeza, se tornaria uma vendedora de laranjas dada às "profundezas", e acordaria com o mesmo peso, todas as manhãs. Teria a mesma sensação de que sobram idéias, sobram atos criativos, sobram pensamentos profundos, sobram sentimentos. E o fato, é que a vida, por mais longa que seja, será sempre curta, para quem como ela, veio com "profundeza" a sobrar...

Wednesday, November 11, 2009

hoje

Fim de ano atribulado. Engraçado, eu não suporto fim de ano, Natal, Ano novo, mas desta vez até estou querendo que chegue logo. Um, porque creio precisar descançar um pouco sem culpa. Dois, porque chegando rápido, passa mais rápido ainda, e ano que vem promete horrores.
Ano que vem é o último ano que divido apê. A meta é ter a minha casa, e terei! Adoro ter um canto pra chamar de meu! Ano que vem é o ano de colocar pra fora certos projetos pessoais, que venho alimentando há anos. E eles já começam a dar o ar da graça!
Olha, pra ser sincera, eu não divido muito a vida em anos não, mas morando no Brasil, e ainda por cima no Rio de Janeiro, não tem como fugir desses três ou quatro meses, entre véspera de Natal e fim de Carnaval, em que nada funciona, e as pessoas estão numa frequência alternativa!!! Querendo ou não, eu tenho que pensar que o ano termina e o outro começa, que alguns ciclos se fecham e outros se iniciam. Olha eu tentando me enquadrar nessa caretice de calendário - Cristão ainda por cima! Eca!!!!
Ok, hojé é dia de arrumar a mala. Não sei do que gosto menos, arrumar a dita cuja ou fazer supermercado. Tarefas dolorosas para mim. Viajar a trabalho é bom. Diverte, tira da rotina. Principalmente pra quem trabalha muito em casa, na frente do computador, entre projetos, textos e essa coisa toda. Mas também faz com que a gente tenha que correr pra adiantar todos os compromisso e não deixar ninguém na mão, e empaca um pouco a criação nova, que ficará uns bons dias deixada de lado. Mas enfim, tudo pelo money!!!! Capitalismo selvagem, rsrsrs.....
Com o apagão de ontem quase cheguei ao fim do "Cem anos de solidão". Já tinha tentado ler uma vez e não cheguei ao fim porque me cansei. Agora até estou achando interessante, mas nada perto do que meus amigos entusiastas pelo mesmo, viviam gritando aos meus ouvidos. Não acho um máximo e está longe de ser o livro da minha vida. Sei lá, achei cansativo, chato, não sei explicar! Mas chegarei ao fim desta vez.
Comprei a biografia da Fernandona. 15 reais! E eles trazem em casa sem cobrar nada. Adoro a Travessa!!!!
Amanhã avião, avião e avião!!!! Acho um saco, só vou de avião porque chega mais rápido. Mas ficar trancada à milhares de distância do chão, com minha alergia gritando, é uma tortura imensa!
Tá, chega desse relato diário! É que eu realmente estou sem inspiração para poesias hoje!

Abraço!

Friday, November 06, 2009

correria

Faz tanto calor, que eu já pensei seriamente em me mudar pra geladeira. Seria a pessoa mais feliz, nesse momento, junto de uma rúcula ou um bom suco de manga, ali no fresquinho quase polar do meu refrigerador! Enfim, nascí gente, tenho que aturar.
Esse final de ano está corrido e zoado só pra mim ou pra todo mundo? Tudo resolveu acontecer nesses últimos meses de 2009. Nem posso reclamar que o ano tem sido todo cheio de acontecimentos, mas esse final de ano está num ritmo acelerado que eu to tendo que correr pra não ser atropelada. É teste, é produção de espetáculo, é projeto, é texto novo, é organizar já a vida pros próximos meses, é trabalho de atriz, é viagem a trabalho, é coisa nova aparecendo, são os projetos pessoais dando o ar da graça, é uma correria sem fim. Essa manhã rendeu, graças, e fiz quase tudo que tinha pra fazer hoje, agora só me resta ficar a tarde toda escrevendo, porque esse texto tem que ficar pronto no máximo até início de dezembro, junto com projeto.
Nessas horas eu me pergunto, Marina, porque você vai se metendo em tudo que acha interessante? Eu mesma me respondo: Porque surto de trabalho bom, Marina, é a coisa mais gratificante que tem!

Ah ainda tem o livro, que espero que saia logo. Vamos ver se pra esse fim de ano corrido, ou só pro ano que vem. Mas as borboletinhas baterão asas meu povo!

É isso, hoje é sexta feira, e eu tentarei descançar esse final de semana, se bem que, amanhã, entre a pedalada e o descanço, terei que produzir palavras!

Beijos!

Wednesday, November 04, 2009

pausa para a felicidade

De antemão já aviso, isso não é a descrição de uma crise, e sim de um desejo.

Desligar o celular, o computador, tudo que faça som e me comunique com qualquer outro ser humano, além daquele com o qual eu queira, voluntariamente, passar alguns dias sem saber do mundo lá fora. Sair para algum lugar tranquilo, longe dessa competição, desse vencer ou morrer, dessa poeirada toda da cidade. Um lugar onde eu seja só uma pessoa, sem nome, endereço, número para o que quer que seja. Não entrar no msn, não atender chamada de ninguém, não mandar recado no orkut, no facebook, não twittar, zero de emails!!!!
Vontade de botar o pé em alguma estrada que me leve a algum lugar, no qual eu não seja nem filha, nem irmã, nem amiga, nem atriz, nem autora, nem sócia, nem parceira, nem ex namorada, nem fã de nada, nem de ninguém. E ficar ali, só eu e quem eu quiser. Ouvindo o som do silêncio, ou uma ou outra música que a gente tenha achado que valia à pena. Pegando vento na cara. Sendo só o que a gente é um pro outro, sem interferências, sem sinal externo, sem bagunça. Eu realmente estou precisando de dois dias, só dois dias, de ausência total e permanente, de qualquer forma de estreitar as distâncias, as saudades, os laços; de qualquer forma de contato profissional, filial, amizadístico; de qualquer contato de qualquer instância. Eu preciso de dois dias pra ser eu, sem nome, sem lenço, sem documento, no melhor estilo final de minissérie! É uma pausa pra curtir a minha felicidade, o meu bom momento, as minhas conquistas, o meu crescimento, o bom ano que tive, a vida linda que ainda tenho... É tanta coisa, que no meio de tudo,a gente vai deixando a felicidade passar pela gente, uma atrás da outra, com a sensação de quem comeu rápido demais e não provou do sabor. E eu odeio comer rapido demais.
É uma pausa para a felicidade. Vem comigo?!

Tuesday, November 03, 2009

no palco

Um não sei o quê do quê
O palco te confere
Num tudo de algo
E tudo no palco é breve
Em linhas sinuosas
Cutuca quem espera
És fera
No palco tudo é breve
E dura o tempo do eterno
No que impõem
Um não sei o quê do quê
No palco avisa
Num tudo de algo
E tudo no palco se imortaliza...

momentinho feiúra

Eu acho engraçado, como hoje em dia eu lido com meus momentos de insegurança. Simplesmente, declarando-os. Eu escancaro mesmo que estou num dia daqueles, me sentindo feia, desamada, desamparada, e tristonha. E engraçado, que se alguém pergunta o porquê, eu mesma digo: não tem motivo, eu só estou insegura, tristonha, me sentindo feia...mas a minha vida está ótima, provavelmente amanhã eu vou acordar feliz, me sentindo linda, amada, desejada. Meus projetos vão bem, dinheiro não está faltando, tenho sáude e os que eu amo estão bem.
É ótimo ganhar essa liberdade de poder sentir-se a última bolacha do pacote, sem achar que isso é o pior ato falho da vida. Sim, esses dias existem mesmo! E eu acho engraçadíssimo como as pessoas não conseguem me ver assim: mas Marina, isso não combina com você! Gente, e precisa lá combinar? Eu não sou dada a esses dias com frequência, aliás fazia meses que não tinha desses ataques, mas vez ou outra faz um bem. É bom, sobretudo, quando a gente tem essa liberdade de escancarar e pedir colo, beijo, abraço, afago. Mostrar pros outros as nossas fraquezas - claro que para outros escolhidos a dedo - faz um bem, e fortalece muito. Primeiro porque a gente recebe carinho, sente-se amado, vê que tem gente que tá com a gente e ponto. Segundo porque você mostra pros seus, o quanto eles são importantes, e que você não é aquela fortaleza indestrutível que jamais precisará deles. É bom, eu acho que faz bem pras pessoas, e pro amor que une você aos outros.
Estar bem e radiante sempre, cansa, acredite. A tristeza e a melancolia, quando vividas em doses saudáveis, fazem bem ao ser humano. Aumentam os momentos de silêncio, prolongam os contatos, aproximam, surpreendem, chamam para dançar, num ritmo mais calmo, e te trazem de volta à realidade mais forte, mais viva, mais radiante. Eu sempre fui a favor de que na vida, tanto o sorriso, quanto a lágrima, fazem parte de um mesmo roteiro, e devem coexistir sem traumas, sem medos, e principalmente sem fugas. Eu desconfio muito de quem sorrí o tempo inteiro, provavelmente cala a alma com a gargalhada, para não ouvir a própria voz!

beijos e boa semana mais curta!

Sunday, November 01, 2009

duo

É um tempo. Um tempo de dois. Onde mais ninguém entra. E se alguém sair, se esgota. É um tempo que só faz sentido a duas presenças. Passa arrastado, ou como um cometa, risca a pele de quem pulsa sobre ele. Um tempo onde qualquer música talvez não caiba. Mas têm as músicas certas, para cada milímetro de segundo que lhes passa pela boca. Tempo de sutilezas e desvios. Promessas não cabem no tempo. "Despromessas" não chegam a tempo. É quase suspenso ali onde se beijam. É quase uma cápsula. É quase uma caixa. Caixa de presente. É todo presente. É todo entre dois. Não cabe ninguém. Não sobra ninguém. Não falta ninguém. Não sobra mão, nem carinho, nem malícia, nem feitiço. Não há nada fora do lugar, embora já tenham derrubado todos os vasos da janela. Com fúria. Com tempo. No tempo não se perdem. Não envelhecem. Não temem. Sentem-se. Sentam-se. As mãos se procuram. Procuram uma desculpa pra deixar qualquer coisa pra mais tarde. Fazem um teatro que lhes cai bem. Enganam o mundo. Enganam o tempo. Suspendem a vida lá fora. Tentam compor uma linha de poesia que vibre no tom certo do tempo que passa. Não sabem bem quanto tempo passou. Beijam. Cospem. Vibram.

Friday, October 30, 2009

amigos

Pelo caminho encontrei e guardei grandes encontros. Tenho amigas da época da escola. Que viveram a adolescência junto comigo. As euforias do primeiro beijo, a ansiedade pela primeira menstruação, achando que isso ia nos tornar mulheres. Os trabalhos de escola, que nos reuniam umas nas casas das outras, regadas a sucos e refris, e muita, mas muita risada. Lembro como se fosse hoje, a gente na sacada, rindo de doer a barriga, com preocupações bobas, mas que pra nós eram as maiores do mundo. Eu lembro de escrever nos meus diários, todas as minhas angústias e dilemas, hoje eu daria risada com certeza.
Ai a primeira vez que fui na boate, eu e minha amiga estreiando nossa madrugada, de blusa de lã, em pleno calor da discoteca. Eu dou risada até hoje. Muita risada. Até das brigas eu dou risada. As jincanas que faziam nosso coração disparar para vencer. Os jogos de futebol que a gente sempre ganhava. O túnel do terror, que quase matou a diretora. A única peça que deu certo na minha vida escolar, e que me fez assumir de vez meu caminho. As viagens, as formaturas, as dúvidas sobre o futuro. O nosso grupinho sempre unido! Saudades. Algumas das meninas se perderam no tempo, nos afastamos, mas sempre farão parte da minha história, cheia de boas recordações. Mas duas ainda permanecem comigo. Mesmo que a gente passe um ano, às vezes mais sem se ver, sempre estamos ligadas, unidas. Por orkut, por email, por mensagem fora de hora declarando a saudade. Fim desse ano vamos comemorar dez anos de formatura do colégio, e vamos nos reunir. "As boas do terceirão"!!!! No mínimo será divertido, porque por mais que nossas vidas sejam absurdamente diferentes, por mais que tenhamos mudado muito, o que nos liga é um passado assíduo, cotidiano, de dias inteiros juntas, de segredos, de medos, de sonhos, e isso ninguém apaga! Elas conhecem uma Marina que talvez os amigos de hoje nem sonhem que existiu, e isso não tem preço.
Depois veio a faculdade, e aí mermão, fiz grandes amigos pra vida. Esses que povoam meu dia a dia até hoje. Pessoas com as quais trabalho, com as quais divido minha vida. Pessoas lindas que me ajudaram a crescer e me tornar quem sou. Me viram passar por momentos difíceis, fases conturbadas. Sempre com um sorriso no rosto, e quando preciso um puxão de orelha. Na faculdade, lugar onde passamos enormes revoluções, foi onde fiz meus melhores amigos, meus irmãos, pessoas com as quais me identifico. Alguns voltaram pras suas cidades, eu mesma vim embora pra outro lugar, mas independente a assiduidade ou não, nos pertencemos porque estamos ligados pela alma. Porque nos vimos crescer e nos ajudamos. Porque compartilhamos um cotidiano intenso, que às vezes ia das cinco da manhã até a meia noite (faculdade de teatro é foda)!!!!! Ali conquistei as pessoas com as quais eu sei que posso contar, que acreditam em mim, no meu trabalho, nos meus ideais. Ali conquistei, cada um a seu modo, meus irmãos, irmãs, amigos de alma, meus carminhas, hehehe.... Sinto saudades, de uns ainda mais porque estão muito longe, e quase não vejo nunca, embora estejamos ligados. Sinto saudades dos que vejo com mais frequência, até trabalho junto, mas queria mais, queria que vivessem na mesma cidade que eu, pra gente poder se abraçar sempre. Mas me sinto tão feliz porque vejo que eles estão bem, e felizes, e cada um a seu tempo, trilhando caminhos lindos, encontrando seu espaço na arte e na vida, crescendo e sendo reconhecidos. Isso é o melhor, porque a gente sabe o quanto cada um merece, luta e trabalha pra chegar longe! Guardo cada bilhete, cada cartinha, cada recado. Adoro encontrar no msn, justo quando eu estava pensando muito forte na pessoa. E poder conversar, e idealizar projetos, e ver que estão próximos dos amigos queridos que eu não posso ver sempre. Fico feliz que eles estajam unidos e bem, assim sei que estou junto deles, onde quer que vão! Amo vocês muito!
E agora, na nova cidade, novo cilco na vida, encontros maravilhosos. Pessoas novas, e outras antigas, que só aqui tenho tido a oportunidade de conviver e perceber o quão lindas são! Realmente eu só posso agradecer, é a única coisa que me resta. Agradecer ao universo por colocar pessoas iluminadas no meu caminho, e à minha mãe, por ter sempre me ensinado, que acima de tudo vem o amor próprio e o amor pelas pessoas à nossa volta, o resto a gente consegue, com facilidade!

Beijos!

Wednesday, October 28, 2009

inversão da lógica ou a comunicação truncada

Com você eu fugiria para qualquer lugar!

Mas você não entende, fugir é um ato, geralmente, solitário.

Geralmente, não necessariamente.

Você não entende!

Eu entendo sim, entendo que você não quer mais segurar a minha mão em uma tarde de quarta feira, e não tem coragem de dizer a verdade, com palavras curtas e grossas...então você inventa um estado de fuga em você mesmo.

Não é verdade!

Claro que sim. Sabe o que eu acho pior? Você poderia ter inventado outra coisa. Tipo, ah você é boa demais pra mim, ou é que estamos em momentos muito diferentes, ou eu sou melhor amigo que namorado, ou eu não sei lidar com meus sentimentos. Mas essa de fugir, foi uma alegoria sobre si mesmo, que me dá vontade de rir muito.

Eu realmente preciso fugir. De verdade. Se pudesse levaria você comigo. Mas não é possível. Essa é uma fuga solitária. Eu só vim aqui me despedir. Dizer que amei você e amo, de uma maneira que nunca amei e nem amarei ninguém. Eu só queria poder dizer isso.

Você acha que me engana. Seus olhos fogem dos meus, porque você inventa uma fuga pra camuflar a sua fuga original. Porque você não fala que não quer mais e ponto? Vai ser mais fácil pra mim.

Eu não mentiria pra você. Nem que fosse pra deixar as coisas mais fáceis. (...) Mas sabe o que me estristece agora? É que realmente eu vou fugir com um peso a mais na alma. Você não me ama!

O quê?

É. Você ama estar ao lado de alguém, não ser sozinha. Ter alguém para exibir pra sua família, suas amigas. Você prefere que eu minta para tornar tudo mais fácil para você. Você não confia em mim. Por um minuto passou pela minha cabeça te convidar para fugir comigo. Mas você ainda precisa amar alguém de verdade, pra poder fugir pra algum lugar!

Você é um babaca.

Que bom, temos algo em comum! Desejo que você seja muito feliz!

Pois eu prefiro que você morra!

Seu desejo é uma ordem!

[O rapaz de All'Star vermelho se joga da janela onde discutiam. O décimo quarto andar de um prédio comercial da principal avenida da cidade, que era grande. Ela fica em estado de choque. Ele realmente estava falando a verdade. Planejava uma fuga eterna, de todos os medos e frustrações que tinha na vida. Talvez o maior medo de todos, fosse o de amá-la, porque doía e pesava tanto a sua alma, o pânico de perdê-la, que no fim ele se jogou leve, pensando que ela não o amava. E mais leve ainda, porque pela primeira vez assumiu e disse olhando nos olhos, que a amava mais que tudo. Ela ficou ali, parada, sem saber de sí].

Para alguns amar é morrer, assumir que ama é voar. Um vôo cego em direção ao nunca, ou ao sempre!





Monday, October 26, 2009

último post aleatório

Todo dia eu acordo com a sensação que é aniversário de alguém querido, e que eu, fatalmente, estou esquecendo! Coisa estranha isso!
Vamos lá, hoje estou inspirada para instituir algumas pequenas regras para este blog. Considerando que ele já tenha algumas, que nasceram sozinhas, vou criar mais umas duas ou três. Na verdade não são regras, são estilos. Temos o palavreado à toa, temos o entre aspas, temos as ..., temos os personagens, temos as rapidinhas, temos o momento propaganda, e teremos as cartas, o eu sinto saudade de, as perguntas, eu indico, o letra movimento e música e uma pausa para a felicidade! Vou tentar ver essa história de marcação! Acho que abarcarei de forma simples tudo o que tenho vontade de dizer - rsrsrsrs.... Qualquer coisa eu crio coisas novas! O blog é meu também né!

Agora eu farei um momento propaganda, dentro do aleatório [acabo com o aleatório ou incluo ele nos estilos???], aliás auto propaganda. Eu tenho um blog novo, na verdade já tem uns meses de vida. Ele tem um estilo mais específico que esse, textos mais curtos, e não inclui a minha vida pessoal, em nenhuma esfera explícita - rsrsrsrs. Pra quem quiser ler cartas destinadas a um louva deus, que na verdade pode ser qualquer um, simbolizando as cartas que escrevemos [seja no papel ou no pensamento] e nunca mandamos para os destinatários, é só entrar no link abaixo desse texto enorrrrme! Cartas que tem como sentido maior, fazer da banalidade das coisas pequeninas, um bálsamo de poesia para a alma. Por isso um louva deus, uma tartaruga e uma joaninha, trocam pequenas profundidades de almas em bilhetes e cartinhas, que tentam celebrar a vida. Aliás, quem quiser me mandar textos pequenos, que tenham esse propósito, mandem, só assinem como algum bichinho que exista por aí, e que não seja muito maior que uma tartaruga, porque ela é a maior e mais pesada espécie que pode habitar aquele blog - e um pouco lenta também! Aí eu posto lá e coloco o nome do bicho seguido do autor, pra não ferir o ego de ninguém. Tem tanto amigo dizendo que queria escrever mais, e que anda se descobrindo, estou tentando ajudar!!!

http://cartasaolouvadeus.blogspot.com/

Abraço, beijos e boa semana. A minha será corrida, por isso se houver uma pausa aqui, é por motivos de força maior!

PS: resolvi deixar o aleatório!!!!

Sunday, October 25, 2009

...

Às vezes é difícil não falar da gente. Mas nessas do blog não ser só meu, eu fico pensando se o povo gosta de ler tanto hermetismo, tanta autopercepção assim... Tem vezes que eu nem sei falar de mim, mas noutras é só o que me resta. Talvez porque esteja tão preenchida, quase explodindo de tanta coisa delicada e boa, que o único jeito de amenizar a dor é escrevendo. Sim, estar numa boa fase também dói. A gente pensa que adquiriu super poderes e quer ter a velocidade para ver tudo, como bem diria a Marisa. Nessas fases tudo que é bom no mundo e nos outros nos salta aos olhos, as pessoas brilham, dá vontade de abraçar todo mundo. Os livros, os filmes, as coisas todas parecem lindas, maravilhosas, dá vontade mesmo de abraçar o mundo inteiro. Aí a gente vê que não consegue, e que é preciso se contentar - de um bom contentamento - em apreciar as coisas lindas que chegam até nós; os livros, as pessoas, os filmes, as músicas.
Eu gosto de descobrir. Descobrir cantores novos, músicas novas; livros inusitados; cantos; cidades, pessoas; detalhes. Desde criança sou assim, tenho um gosto para o inusitado da vida, para as coisinhas dentro das caixinhas que brilham, pros detalhesinhos, que as pessoas só vêm um tempo depois. Eu reparo primeiro no detalhe, e é sempre ele que me fascina, atrai, seduz...
Gosto dos detalhes das pessoas, físicos ou não. As curvas que ligam o pescoço ao ombro, a boca ao queixo. Essas curvas dizem mais que os olhos, muitas vezes. Gosto de livros usados com anotações das pessoas que já os leram. Do cheiro. Gosto dos filmes que me marcam, por lágrimas, risos, estranhezas, ou pela simples leveza, gosto dos que desafiam minha inteligência também. Eu adoro dar presentes que tenham tudo a ver com quem os ganhou, que fazem a pessoa derramar lágrimas, se encantar, sair da mesmice. É como se eu pudesse dizer: eu lhe conheço tanto, a ponto de chegar ao seu coração. Isso é o maior detalhe, conhecer as pessoas a ponto de chegar até elas, em lugares que só elas chegariam. Poder conhecer tão bem a alguém, a ponto de lhe antecipar uma alegria, de lhe sorrir um sorriso remédio pra alma. Maior detalhe que esse, só quando duas pessoas não precisam de muito tempo pra isso. E eu costumo conhecer pessoas assim, que de um minuto ao outro percebo a alma, e sinto minha alma percebida. Raro. O tempo só faz aumentar ainda mais esse detalhe todo, que me embriagada quase sempre. Mas com o tempo a gente aprende a não morrer de amor, nem de felicidade todo dia. A gente aquieta o coração e a alma, e dosa a energia, deixando explodir um dia ou outro, mas fingindo que é meio intenso, meio feliz, que meio ama, pra poder continuar sendo na medida do que as pessoas suportam. Isso é um detalhe lindo.
Agora vou comer minha pipoca meio salgada, meio doce, e ser feliz com uma banalidade assim. Eu adoro ser banal!!!

Abaixo um trecho do blog que indiquei:

"Ultimamente, não por acaso, perdas da vida rondam meu pensamento. Lembro da minha primeira decepção amorosa (ou, ao menos, o que uma garota de 14 anos chama de amorosa); da primeira amizade partida; da primeira pessoa que desisti; do primeiro amigo que morreu; da primeira vez que duvidei da sinceridade de alguém. Perder é estranho. Marca, fere, machuca. A gente não esquece. Pode até esquecer o que ganhou, mas dificilmente apaga o que perdeu.".
http://vooluminoso.blogspot.com

Saturday, October 24, 2009

pensamentos aleatórios

Pensamentos aleatórios [adoro isso]:

É sábado, faz sol, e pra quem conhece o Rio sabe o que significa: um céu azul, que de tão azul fica chapado. Uma brisa que não deixa um calor insuportável. Um dia pra se fazer o que quiser. Eu, por exemplo, vou pedalar até a praia!

Meus livros favoritos, estão na sua maioria, grifados. Com pequenas anotações. Lembretes para mim mesma. Acho legal, a história da gente vai ficando no livro, e ele vai pertencendo à nossa. A mi me gusta mucho!

Estou mergulhada numa idéia nova, e que está me motivando muito. Acredito demais nela, e me joguei!

Coisas maravilhosas estão se aproximando. Aí eu parei pra pensar, que as pessoas não se dispõem a correr atrás mesmo, e quando você consegue algo elas não entendem como você conseguiu e elas não. Provavelmente porque você não ficou sonhando em estar na novela o tempo todo, e muito menos em ser fotografada pela Caras. Há uma diferença entre fama, sucesso e reconhecimento. Nada contra quem quer fama, mas há caminhos mais rápidos que tentar ser artista. ARTISTA! Quero ver é quando tudo estiver consolidado, o que vai ter de gente maluca se dizendo sempre fã e querendo estar junto! Aff!

To curiosa pra ver meu livro! Muito curiosa!

O que diferencia uma pessoa feliz e com "sucesso" das outras, é a intuição que ela tem para se aliar às pessoas do bem e com energia superior! Puro achismo meu!!!

Esse fim de ano está escapando pelas mãos né?!

Eu já vejo a cara do meu filho! Impressionante, ele não tem nem data certa pra vir, mas eu já sinto ele!

Pés no chão, olhar no horizonte, água nas canelas! To me sentindo assim por dentro!


O caminhão de lixo interrompeu o silêncio. Sim, eu moro no Rio, mas minha rua é silenciosa. Aliás, engana-se quem pensa que aqui só há barulho. O Rio é uma cidade de cantos escondidos. No meio do centro você encontra uma praça meio parque cheio de quatís, no meio do catete tem o jardim do palácio, perto da minha rua tem um parque lindo, com lago e patinho. As pessoas ocupam esses lugares. O carioca gosta do dia, do exercício, de ler ao relento. E eu me identifico demais com isso tudo!


Poxa, eu tenho a impressão que jamais vou conseguir ler tantos livros quanto gostaria. Ver tantos filmes quanto gostaria. Escutar tantas músicas quanto gostaria. Tem muita coisa boa nesse mundo!

Acabei de descobrir um blog ótimo, com dicas de leituras mara, e uma história emocionante: http://vooluminoso.blogspot.com

Entre tantos trechos deste blog, gostei muito desse aqui: "“Acordou com vontade de ficar o dia na cama, coberta, escondida, pois então levante, vista sua melhor roupa e saia de casa. E se, ao contrário, acordar com euforia sem tamanho, capaz de sair cantando, fique um tantinho mais na cama, quieta, até se equilibrar”, dizia ele. Uso essa técnica.".

Outro trecho, [lembrei do que eu penso sobre o mesmo tema, e lembrei do Boi]: "Foi fundamental aquele papo, vejo agora. Foi quando o Marquinhos me convenceu que deveríamos quebrar uma tradição da família, de irmão apadrinhar o filho do outro irmão. Seu argumento foi certeiro: essa é a chance de aumentar a família. Tio já tem (ou deveria ter) intimidade suficiente para participar e servir de exemplo para o sobrinho. A escolha dos padrinhos é, então, uma forma de assumir como família pessoas que só não são família por um acaso. Em outras palavras, é família que se escolhe.".

Eu sou otimista. Prefiro julgar uma pessoa pelo que ela deixa de bom. Lembro de uma professora da faculdade que muita gente não gostava. Eu sempre gostei. Talvez um julgamento meio egoísta, mas pra mim ela foi ótima. E numa turma de 50 pessoas metidas a cult e artista, agradar a todos é quase ganhar na loteria. Mas o fato é que eu lembro dela me dizendo uma frase no fim do primeiro período. Uma frase de alerta, que eu só fui entender no tempo certo, mas eu nunca esqueci das palavras dela, mais que isso, eu as utilizei, elas realmente me alertaram e me fizeram crescer, ou me ensinaram que minha intuição tinha tanto valor quanto a técnica e a teoria, eu lembro dela sentada falando o que ela me falou. Por isso, eu realmente acho ela uma pessoa boa!

Alguns encontros na vida devem mesmo ser guiados pelo destino. Ontem a tarde eu cheguei a essa conclusão. Chopps, coincidências, sonhos, planos e identificações. A gente vai longe amigo. Eu sinto isso!

Ontem eu parei pra ler meu blog do início. Fui lá pra 2006. Credo. Ainda bem que o tempo passa, a escrita evolui, a gente evolui. Fiquei com vergonha de algumas coisas, ri de outras. Mas me orgulhei com muitas. Meus sonhos ali presentes, e hoje muitos deles realizados. Meus medos. Minhas convicções. É eu mudei muito, mas é legal ter esse registro!

Nossa, ficou grande isso né gente!




Thursday, October 22, 2009

amigos

Recebí essas palavras de uma nova amiga, que tem tudo pra ser grande amiga, pelas afinidades e pelo bem querer que estamos descobrindo e construindo:

"Note que os momentos mais deliciosos de nossas vidas são regados à infantilidade. Quando nos apaixonamos ficamos bobos, quando temos um filho ficamos mais bobos ainda, sem contar o fato de que a infância é a melhor fase da vida. Se você fica tão a vontade com alguém, a ponto de contar seus segredos mais esdrúxulos, de ter códigos para se comunicar e de falar e fazer bobagens sem fim, certamente essa pessoa desperta a criança que existe em você, o seu melhor lado, e isso é o que um amigo faz. "

Na hora, mas bem na hora eu me lembrei de alguns rostinhos queridos que estão longe de mim. Pessoas mais que queridas, com as quais compartilhei e compartilho a alma, a vida e o que ela tem de bom, incluindo as coisas tristes também. Lembrei muito, claro, da minha irmandade. Lembrei da crise de riso que tivemos ao telefone, há dois dias atrás. Quase me matei de rir de novo, só de lembrar. Lembrei do quanto é bom ter crise de riso com quem a gente se sente bem, à vontade. Amizade tem a ver com conforto, com o sentir-se bem pra falar as coisas mais absurdas e mais banais. Sentir-se confortável para ser quem se é, sem máscaras, sem medo do julgamento, porque se sabe estar em frente a um espelho, que só vai dar bons conselhos em prol do nosso bem. Ando descobrindo pessoas maravilhosas por aqui, com as quais venho construindo amizades lindas. Ando sentindo muita saudade das minhas irmandades de alma que tenho por esse mundo. Eu não sou de reclamar não, mas se um dia eu virar reclamona, ainda assim, jamais poderei reclamar da falta de amigos de verdade, porque minha vida é repleta deles, daqueles com os quais se pode realmente ser quem se é, a começar pela família, e por aí vai!

Beijos saudosos a todos os meus amigos distantes, pedaços de mim espalhados por aí. E beijo grande pros meus novos amigos queridos, muito bom encontrar vocês por aqui!

Wednesday, October 21, 2009

aparências

O Rio é uma cidade de aparências. Não só de aparências, mas que aqui a estampa conta muito, conta. Na cidade cartão postal, do pão de açúcar, do Cristo, da pedra da Gávea, muita gente quer ser considerado a sétima maravilha do mundo, ou estar ao lado de uma. Importa a roupa mais fashion, o cabelo mais da hora, o peitoral mais trabalhado, o tríceps mais definido, a bunda mais dura. Ai como me cansa isso!!! O povo daqui, e muitos que vêm pra cá - na maioria claro, porque sempre têm excessões - dão um desmesurado valor às aparências. As pessoas parecem estar umas ao lado das outras, num desfile de quem carrega o mais bonito ao lado.
To cansada de manifestar meu gosto por algum passante, e ouvir, ai Marina, você merece alguém mais bonito, você é tão bonita. Ou então, ai gente, aquele ali é o namorado da fulana? Nooossa, ela é bonita demais pra ele. Ai gente, como isso me cansa. Se eu dei valor pra beleza, e de fato dei mesmo, foi no auge da minha juventude, quando a auto estima ainda precisava de muito lustro, e estar com alguém linnndo pros padrões, fazia com que eu me sentisse menos feia e mais poderosa. Passou tem tempos isso. Não ligo pra beleza, não ligo mesmo, e detesto quando quem tá do meu lado liga demais pra isso. Nunca fui muito com a cara de garotos deslumbrados, que ficavam me bajulando, e dizendo noooossa nunca imaginei ficar com você, porque você isso, você aquilo... no ato eu perco o interesse.
É claro que a gente liga pra beleza, e é a imagem que nos chama atenção numa primeira olhada, quando não se conhece alguém. Mas eu to falando é dessa obsessão por uma beleza padrão imposta pela mídia, onde até alguns amigos meus, que julgo hiper inteligentes, caem de quatro. Como tem gente que só se preocupa em procurar uma boa estampa, depois quebra a cara e não sabe porque!
Eu já busco outro tipo de beleza. Dessa que vem com o conjunto da obra, com as qualidades, com os talentos, com a história, com o olhar, o estilo, o conforto, e a dose adicional de charme. Acho bonito gente bem resolvida, de cabeça aberta, sensível, que se sente confortável sendo quem é. Acho um charme quem toca algum instrumento, tem alguma ligação com a arte, sabe falar sobre vários assuntos, sabe ficar em silêncio, lê muito, dança, fala besteira, descontrai o ambiente. Eu gosto de gente. Não aguento mais essas comparações, essas disputas, essas corridas pelo mais belo.
Aliás, confesso, já namorei ou tive romances com alguns caras bonitos, e foram os mais chatos e complicados da minha vida. Confesso, to com preguiça de gente muito boninitnha padrãozinho assim sabe? Geralmente é gente cheia de nóia, de insegurança, que precisa de cinco em cinco minutos ser notado pela beleza, ser chamado de bonito, ser agraciado com algum assobio, que fica o tempo todo ajeitando o cabelo no espelho. Cansa a minha paciência demais.!!!!Gente bonita, que sempre foi bonita então, na maioria das vezes é um pé no saco, porque senão é insegura ,se acha, e odeio gente que se acha. Se não foi muito bem instruída, é daquelas pessoas vazias, onde só a embalagem impressiona. Não, definitivamente não, desculpem meus amigos que andam obsecados por beleza, mas eu não tenho paciência pra isso. Quando quiser falar sério, me liga!

Tuesday, October 20, 2009

atrasada

Estou vivendo um dos momentos mais bizarros da minha vida. Vertendo poesias, palavras, sensações, e tudo o mais, por um amor antigo, que não teve sua dor vivida no tempo em que se perdeu de mim. Agora a ficha caiu, depois de tanto tempo. A ficha de que eu projeto você em todos os outros que eu conheço, pelos quais me apaixono, ou tento me apaixonar. Espero deles tudo o que esse amor marcou em mim. Espero que me façam tão feliz, que me provoquem o que me provocava, que sejam tão leves quanto, que se pareçam. Bem que muita gente sempre encontra semelhanças suas nos meus amores que vieram depois...
O mais bizarro é que só agora a ficha caiu e eu me dei conta. Acho que eu me enfiei de cabeça em histórias complicadas seguidas da nossa, propositalmente para não precisar encarar a realidade, e só agora que resolvi todas elas, parei pra perceber o quanto eu precisava ter escrito, ter gritado, ter chorado, ter colocado pra fora o que eu guardei abafado, dentro do peito. Sentimento quieto e parado é o pior de todos, e digno de desconfiança.
É com um atraso de anos que eu venho escrevendo compulsivamente pra você, mas é por mim que o faço, pra poder seguir em frente. Assim espero, daqui um tempo, não esperar você em todo o abraço, em todo o beijo, em todo o olhar. Espero não esperar as suas piadinhas, o seu charme, a sua olhadinha sexy, o seu sopro ao pé do meu ouvido. Vamos ver se dá certo. Pelo menos eu já diagnostiquei o problema, é o primeiro passo.

Olha o que esse blog tá virando, um papo de gente maluca. Desculpa gente, em breve eu volto a postar normalmente, falando de coisas mais poéticas e usando menos o tom de diário. Mas por hora, é o que minha alma vem pedindo!

Beijos.

para o amor

"Entre um estar fora de casa e outro, ela resolveu declarar umas palavras ao passado que vinha relembrando. Pensou em como começar. Pensou bem. A primeira palavra que lhe vinha à cabeça era: felicidade. Faria o quê com ela?

Nós dois na nossa felicidade fugidia e cúmplice
Caminhando pela areia da praia sem nome
Eu não lembro
Eu escuto a música sussurrada ao pé do meu ouvido
Eu sinto o arrepio da nuca ao dedão do pé
Eu repito pra mim mesma os versos da canção
A canção que um dia foi só minha e me roubastes
Destes à canção a tua cara, a tua alma, o teu sorriso de esguio

Lembro o teu olhar, e te vejo aqui do lado
Penso no tempo que nos manteve longe
Flertávamos sem saber se flertávamos mesmo
Andávamos nos escondendo um do outro
Nos encontramos num tempo depois
Num dia a dois
Na verdade no meio da multidão
Mas por cinco minutos eu me sentí no meio do nada
Só você e eu

Me fizestes acreditar que o amor poderia ser leve
Me fizestes saber que o meu sorriso tinha algum poder
Será que te deixei algo?
Além do menino de olhar duplo que encantava a nós dois pela poesia?
Isso sei que deixe, pois foi entregue em mãos
Gostei do sorriso
Me dei por satisfeita
Nossos caminhos se separaram antes, e eu me recuperei tão rápido
Quando nossos caminhos se separaram geográficamente eu de fato me dei conta da saudade
Mas acabei por esbarrar meu coração noutro amor, e fui seguindo, adormecida em novas canções
Mas era você que eu procurava no outro
Era você que eu desenhava no texto novo que escrevia
Era com você que eu gostaria de ganhar o mundo
Numa dessas aventuras desmedidas
Eu você e o sol!

Pronto, ela está enterrando um passado que nem sabia que ainda vivia nela! Cansou-se de ter um amor platônico pelo amor ideal que um dia experimentou. Realmente cansou-se de ter um exemplo de par perfeito, de pessoa certa, de momentos indescritíveis. Realmente cansou-se de ter um nome pra dizer, sempre que é preciso falar de quem realmente a fez feliz. De agora em diante, vai viver coisas novas, quer isso, quer poder ter um exemplo de alegria e satisfação ao lado. Quer poder dizer que a mão que segura, é a que a segura também. Espera que possa um dia substituí-lo, muito mais que no coração - porque esse se apaixona à toa muitas vezes - mas na ideia de um amor, na esperança de um amor, na projeção de um amor! Mas agradece, mesmo assim, por saber o quão raro é ter tido alguém na vida, de quem só se possa falar coisas boas, e sentí-las!"






saudade da saudade

Acordou com um sentimento de saudade. Daquelas saudades ruins, de coisas que não retrocedem. De tempos que estão presos ao passado. Detestava quando isso acontecia. Não era uma pessoa nostálgica ou saudosista, mas tinha seus momentos, e nesses, sentia saudade de tudo o que foi um dia. Tinha saudades de um grande amor, o único grande amor da sua vida. O único que foi leve, bem vivido, doce, engraçado, cheio de piadinhas e apelidinhos divertidos. Tinha saudade da leveza do rapaz, da voz soprando uma musiquinha da Marisa no ouvido dela, do funck ridículo ao cair da noite, só pra tirar umas gargalhadas. Saudade da morenice, das roupas estranhas, dele dirigindo seu carro, dele pedindo pra ela ficar até o outro dia, e ela fugindo. Tinha saudade de como ele resolvia tudo com um sorriso no rosto, de como não ia ao seu encontro mandando mensagens que lhe faziam perder a raiva, tinha saudade da leveza que havia encontrado a dois. Tinha tido tantos outros amores, mas nenhum até hoje se comparava aquele, e talvez nunca se compare, sentiu saudades por isso também, e por talvez ele nem chegar a ter sentido metade disso.
Sentiu saudades dos amigos queridos, aqueles com quem ela compartilhava a alma de maneira excessiva. Saudades de fazer poesia junto, de falar besteira, de estar pelos cantos de qualquer lugar fazendo alguma traquinagem com alguém. Saudades.
Sentiu saudade das saias ao vento. As suas saias mesmo, que já não usava mais.
Sentiu saudades de alguns sonhos e ideais, da ideia de serem novinhos em folha, pouco gastos pelo tempo e pela frustração. Sentiu saudades da inocência, de quando algumas coisas só lhe passavam pela cabeça, sentiu saudades de não se preocupar tanto.
Sentiu saudades da boneca riscada. A avózinha com tufos brancos na cabeça e mãozinha tremida. Sentiu saudade da bola, do joelho ralado, da voz histérica lhe chamando.
Sentiu saudade de lugares só seus. De momentos de silêncio. Dos sussurros.
Sentiu saudade, e sabia que isso não lhe fazia bem!!!!

Monday, October 19, 2009

palavreado à toa 2...

Acho que já está na hora de rever meus desejos do ano! Não que eu leve isso tão a sério, porque eu nem gosto de ficar pensando na vida por pedaços de tempo isolados em si mesmos. Não!!!! Masss, de uns anos pra cá tem dado certo essa coisa de escrever, colar, pintar, pirulitar coisas que eu quero, tanto as materiais, como as intocáveis! Naaaada a ver com "The Secret", acredite, aliás odeio esse tipo de obrigação na vida, tipo: pense semmmmpre coisas boas! Credo a gente vira alienado achando que as coisas ruins não devem ser vividas. Se você pensa que um helicóptero cai, se culpa pelo que caiu a mando dos traficantes. Masssss, devo confessar que sempre acreditei, que de fato, a gente projetando dentro da gente mesmo as coisas que deseja, acabamos por alcançá-las, é uma auto hipinose! Bummmm!!!!!!!!!!!
Com certeza eu vou encontrar muitas (boas) surpresas nessa minha lista passada. Coisa que eu não sonhava nesse ano e nem na vida. Mas eu lembro da virada do ano, o vento forte na cara, e o céu com poucas estrelas, mas ainda assim lindo, me olhando, todo pronto pros meus desejos. Eu lembro que eu mais agradeci que pedi, acho que isso fez com minha lista esteja mais repleta de surpresas do que de "alcances", propriamente ditos. Mas eu tinha alguns pedidos, e alguns deles foram devidamente alcançados por mim mesma e pelo bom acaso da vida, que sempre me dá uma força.
Agora a minha lista vai ganhar uns itens mais avantajados, que eu sei que demorarão um pouco mais que um ano, com certeeeeza, mas que acontecerão! Simples assim! E vou deixar várias linhas em branco, só pra todas as boas surpresas continuarem acontecendo, mais e mais.
Esse ano tem sido feliz, maduro, repleto de coisas interessantes, algumas conquistas novas, e caminhos que eu jamais esperei trilhar. Esse ano tem sido musical, e eu posso até brincar de escolher umas cinco músicas que embalaram ele demais! Se tiver paciência faço isso em breve. Aliás esse ano tem sido repleto de paciência, de serenidade, tolerância, coisas que eu detestava exercitar! Ufa!
Algumas certezas sobre mim mesma têm crescido, a maior delas é que ter certeza sobre qualquer coisa de si mesmo, é arriscado e desleal com a própria essência de mudar! "É preciso mudar muito para ser sempre o mesmo" e não é?!
Uma palavra pro ano até aqui? Afeto. Sim, esse tem sido um ano de consolidação de afetos, novos e antigos!
Isso aqui tá parecendo post de fim de ano né? Acho que de certa forma pra mim parece um pouco fim de ano. Tem alguma fase dizendo adeus, pra outra nova fase chegar. Eu já vinha sentindo isso há umas semanas, e agora parece que cheguei naquele momento de precisar dizer tchau pra muita coisa. Fazer o que gente, pessoa meio "bruxa" funciona assim mesmo. Eu sinto quando é hora de dizer adeus. E eu preciso desse ritual, de olhar e dizer adeus em silêncio, geralmente porque eu sei quando é adeus mesmo, e quando é até logo!
Esse ano eu me apaixonei muitas vezes. Primeiro eu pensei: meu senhor, fui invadida pela fugacidade - adoooro essa palavra. Mas que mania de achar que quando a gente se apaixona muito está sendo fugaz né? Pode ser só um coração aberto para as boas coisas da vida, ha ha ha... Pois é, o fato é que todas as paixões se esvairam, e sofri menos que o normal, daí pensei se eu estava virando insensível, e se um era só mais um, ou se eu estava me tornando uma pessoa mais "forte" - até hoje não entendo muito bem essa coisa de pessoa forte, como se não sofrer fosse sinônimo de força. Mas enfim, cheguei a conclusão de que eu não sofri mais tanto, porque aprendi que sou intensa mesmo, que me jogo de cara, que não suporto joguinhos, e que sou feliz assim, obrigada! Portanto quem não tava afim disso, saiu mesmo, e eu sofri o tanto que eu precisava para apagar tudo o que dissesse respeito ao ser que escapou! Há!
A passagem rápida do tempo me impressiona. A minha adaptação ao Rio também. O tanto de vida que passa por aqui, idem!!!!!
Agora tá hiper abafado, e eu aqui pensando num monte de coisas ao mesmo tempo, com um desejo gigante de colocar uma mochila nas costas e ganhar o mundo, depois voltar pra casa e perceber que realmente, aqui é o melhor lugar. Desejo gigante de fugir pra qualquer lugar deserto, levando pouquíssima gente na mala, e passar lá uns dias! Desejo gigante de um dia ser mãe, na verdade um dia que não pretende ser mais além que daqui no máximo cinco anos! Desejo gigante de tantas coisas.... Ainda bem!
Feliz com a vida independente, finaceira e "familiarmente". Tem gente que se enfraquece morando longe da família, no meu caso, como eu sempre suspeitei, virou força total. Cuidar de mim mesma, ao invés de me fazer sentir sozinha ou largada no mundo, faz com que eu me sinta mais segura, minha auto estima vira pica das galáxias, e eu sigo mais "forte" - olha a força de novo. Sei lá, comprar o remédio na farmácia, trocar a lâmpada, saber como se virar de madruga sozinha precisando voltar pra casa, pagar conta, fazer supermercado, dar jeito pro dinheiro ter o tamanho do mês, viajar com os amigos, chegar em casa e encontrar o silêncio, a roupa suja, a geladeira vazia, são coisas, entre tantas outras, que te lembram que no mundo, no fundo no fundo, você tem é que se amar, porque é com você que você vai poder contar, de verdade, até o fim! Bonito né? E bem babaca também! Mas é claro que sente-se falta do aconchego do lar da mamãe!
É o que temos para hoje!