Friday, November 14, 2008

"passa tudo"!!!

Não sei se eu tenho a síndrome do "vamos pegar o caminho mais difícil" ou o quê, mas sei que sempre me vejo apegada na pedra da montanha mais íngrime, a um fio de me estabacar no chão. Pior que aparento ser uma pessoinha que programa bem as ações e planeja cada passo, mas no fim, eu sou uma impulsiva maluca que se joga naquilo que o coração ou a intuição manda. Lá vai a Marina pra mais uma empreitada que ela podia muito bem viver sem. E podia mesmo? Já não sei mais até que ponto eu escolho ou acabo sendo vítima das minhas escolhas. Já não sei mais até que ponto minha intuição me salva ou me liberta.
É como se o "cara" [pivete estúpido, cuja alma foi roubada pela vida, ou sabe-se lá pelo quê] tivesse me levado muito mais do que levou [as coisas a gente compra de novo e dinheiro vem, às vezes às duras penas, mas vem...]. Saí dalí meio vazia por inteiro. Vazia de sensação que prestasse pra alguma coisa. Vazia mesmo. Saí pensando pra qual caminho meus pés seguiam. Que tipo de música estava tocando ultimamente. Qual era o ritmo do coração. O que de fato andava valendo à pena. Saí pensando na minha verdade. E pensei em um monte de mentiras.
Saí dali cheia de dúvidas, inquietações, trsitezas, lamentos. O mundo anda como? E o que eu faço por ele? Ou o que eu ando fazendo pelo meu mundo? To me sentindo polvo com várias mãos, mas sem agarrar nada. O que adianta saber fazer uma porção de coisas e insistir numa mesma? Ou não saber o que fazer com as outras? O que adianta ter tanto amor no coração se eu insisto em ser meio consumida por uma meia dúzia desses que arrasam a vida? O que adianta se aventurar, pra depois entrar numa onda de marasmo que pela madrugada me irrita [assim sem vírgula mesmo].
Daqui um ano, por onde meus pés andarão? E o que de bacana eu terei feito na vida? Aliás, o que de bacana fiz até agora? O que eu construí de fato? O que eu pretendo de mim? Às vezes essas coisa de seguir rumo ao vento me deixa confusa.
Eu sempre quis fazer grandes feitos, viver grandes amores, conhecer grandes lugares. Eu tenho mania de grande. Mas eu gosto muito do pequeno também, e muitas coisas significativas na minha vida vieram de coisas quase invisíveis... Mas eu penso que ando muito confusa, em todos os setores, eu penso que o chão tá meio espumoso. Parece que achei uma grande droga e viajei nela sem parar - o efeito não passa.
"O que tem pra perder aí? O que tem pra perder aí?" Não sei "amigo", vai depender do que realmente importa pra mim e pra você. Talvez pra você eu tenha pra perder uns vinte contos, um celular, um mp3 e mais alguma ou outra coisa bagaceira que lhe seja útil, pra depois você ir comprar a sua droga, de efeito mais rápido que a minha. Mas o que eu tenho pra perder? Bom, uns amigos bons e raros, uma família, uma dignidade, uns princípios, uma meia dúzia de sonhos, e uma alma. Quer levar?
Até que ele foi educado porque ele perguntou o que eu tinha pra perder, e também ele chegou já dizendo ao que vinha: "passa TUDO". E quem leva tudo sem nem avisar? Quem leva a paz de espírito? O amor? O coração todo rasgado? Quem leva o ar que a gente respira? Já me levaram isso algumas vezes, talvez porque eu tenha "marcado toca", e andado de noite distraída. Mas se tivessem me avisado, como ele, talvez eu tivesse preferido não passar tudo - assim como fiz com ele - e tivesse me dado o privilégio de entregar somente o que eu achava que não fosse me causar muitos problemas depois.
E quando eu não ando distraída, eu ando embebida da tal droga que me invade, e me faz abrir todas as portas fechadas, querendo curiosamente saber o que se esconde em cada uma delas. Já não tinham tantas portas abertas Marina? Pra que mais uma? E vai dar conta de administrar todas? Já te disseram que você pensa demais? E agora? Ando distraída ou ando olhando tudo curiosamente? E se me pedirem de novo: "passa tudo"!!! E se não pedirem??????

Que que tu tem pra perder ai??? Hein???

5 comments:

Mariana SCHMITZ said...

Puta que merda hein!!!
Por aqui o negocio é mais sutil...não tem assalto à mão armada (muito raro mesmo) mas o que tem é o seguinte: metem a mão na sua bolsa (ou cortam com uma gilette por baixo) e tiram tudo dela, sem vc perceber...
Quando vc ve...nada! ja era em francês!!!
Que merda Marina, que mundo de merda!!!
te cuida ae!!!
bjuuuuus

Quel said...

Eu não sei se é esse domingo esquusito ou se sou eu mesma, que tô naqueles dias (literalmente)
mas esse teu texto me deixou assim.
sabe assim....

ai nem me dá mais vontade de falar.

Lu Holanda said...

... não acredito!!! levou TUDO e TUDO é caótico!!!
um beijo

Ila said...

texto excelente. ~

o que temos pra perder? o que podemos fazer pra não nos perder? como saber quanto de nós está aí pra ser perdido e quanto é tão íntimo que não dá pra "passar" pra ninguém....?
Custei a ler o texto... tenho andado absorta, cuidando de reaver o tudo que já "passei", que fica mais no âmbito das coisas que não se compra na esquina, mas no daquiloe que os pivetes estúpidos nos tomama, sabendo que mais do que ter pra perder, temos pra ser o que somos...

Força, irmã... andando, seja distraídas, seja curiosas, a alma nos volta... às vezes remendada, recosturada, mas talvez mais forte por isso.

um beijo grande!

Emerson Cardoso said...

essas mulhé tão é tudo loca!
medo!