Monday, September 22, 2008

uma história nenhuma

Então, sinceramente, a moça, agora com mais rugas que antes, andava pela estrada de pó, poeira, vento. A mala vinha sendo arrastada, mas nos últimos metros ela se perguntava para que as roupas e pertences no meio do deserto e do silêncio da alma e do lugar?! Arrastava a mala, como quando a gente arrasta coisas sem saber porque, ou pelo apego, porque o braço já tinha se acostumado com o peso, com a dor, com o cansaço...

[tão difícil largar pelo caminho, coisas que antes nos eram tão necessárias e importantes...pessoas...]

Olhava a árvore que mexia as folhas submissas ao vento, e pensava, quantas vezes havia se negado a se submeter às suas próprias vontades? E se deixado ir, mesmo que não parecesse certo, ou bom. O sol rachava a pele, preteando, suando, causando sensação de cola. Os lábios presos um ao outro, colados pela sede e pela ausência de palavras. Conversava consigo, mas já não usava a boca há muito tempo, e por vezes até se esquecia de ter tido uma...

[o silêncio fala mais às vezes, quando não cala, ou interrompe...]

Estava pouco preocupada em correr, já que não esperava mais nada, e ao contrário do que pensou um dia, esse tipo de esvaziamento aliviava, permitia leveza, e soprava ao pé do ouvido um instinto de liberdade, que quase tirava os pés do chão. Então andava, com passos firmes, diferente dos que se arrastavam, como ela um dia chegou a fazer. Andava sem nenhuma expectativa do outro lado da rua, nem mesmo do horizonte logo alí.

[continua como a vida...

Wednesday, September 17, 2008

janta

Janta

Marcelo Camelo

Composição: Marcelo Camelo

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that i'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together

Cause i can forget about myself, trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my Day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I’ll let you stay with me if you surrender)

Tuesday, September 16, 2008

futu.......ro

Ultimamente tenho pirado nas voltas que a vida dá, e como a gente vai virando outra gente no mei dessas voltas. Uma vez me disseram: você precisa seguir o caminho acompanhando as curvas, querer passar reto por elas é mais sofrido. E como a gente espera que a estrada seja sempre reta? E que a gente sempre veja o que vem logo a frente? E como querer uma vida sem espinho algum?
Tolice tão grande perder tempo - precioso - com pensamentos e anseios desse tipo. Se é justo nas curvas que a gente precisa mostrar a força que tem, se é justo o espinho que ensina a gritar de dor.
Ultimamente não tenho conseguido me imaginar daqui uns cinco anos, mas algumas coisas eu já tomei por fatos eternos na minha vida. Sim eu ainda me chamarei Marina, ainda terei uma amiga irmã com nome de animal, ainda amarei minha mãe, ainda lembrarei dos meus amores - mesmo os que eu quero esquecer -, ainda conversarei sobre tudo e nada com a Amelinha, ainda terei anseios e crises bestas ou não, ainda amarei estar em cena - mesmo sem saber pra onde isso me leva - ainda terei a minha essência.
E eu fico aqui pirando em saber qual será o próximo passo, mas eu só posso saber qual o próximo passo que depende de mim, mas fora o meu passo, tem a reação do outro, tem o o toque de sorte, e porque não, uma pitadinha do vento do destino, e com tantas variáveis, como posso querer saber? Porque às vezes até a mais previsível dessas variantes - o meu próprio passo - pode não sair como o esperado - dá pra pisar em falso, ou então de última hora ser levada por uma força maior e pisar no sentido oposto ao que se esperava.
O futuro? Não sei, e nem to querendo saber, tenho lá meus desejos, e eles bastam como luz no túnel escuro do amanhã (breeeega).

Thursday, September 11, 2008

leva

Cada escolha implica em uma renúncia. Cada espera implica em uma paciência. Cada realização implica em uma ou mais escolhas, em uma ou mais esperas. Mas no mundo barulhento de hoje, onde informação e tempo atolado viram sinônimos de boa vida - quando na verdade deveriam virar lixos - o que a gente faz enquanto espera?
Vamos refletindo, respirando, pedalando, olhando pro céu, percebendo aquilo tudo que em breve a gente não vai ter tempo pra perceber. É como se nos houvessem dado um tempo de presente pra abastecer a alma de tudo aquilo que realmente importa na vida, e a gente nem sempre sabe aproveitar!!!!


No mais, a vida segue, e a gente é quem deve remar, proveitando as marolinhas...

Sunday, September 07, 2008

a menina

A menina parou diante do quadro admirada. As cores fortes e vibrantes pareciam ferir os olhos. Ela havia se preparado para assistir a uma exposição de belas formas, contornos e misturas, e parou atônita diante daquela agressão multicolor.
Saiu dali passo a passo nas calçadas cinzas da cidade. Passava a ver tudo de maneira tão estranha. A alma dela pedia que voltasse os passos para a galeria, e furtasse mais tempo do seu tempo, olhando aquelas formas que se estendiam como socos no estômago. Mas a menina por medo seguiu andando, adiante, sempre adiante. Chegando em casa não achou graça. Resolveu sair. Olhando a rua só achou choro. Resolveu parar. Parada no tempo ela percebera...

Wednesday, September 03, 2008

elo

O que mais me faz gostar de "Sexy and the city", nem é esse trelelê de relacionamentos, não é o caso do mister Big nem nada disso, porque aí não passa de qualquer historinha de princesa onde todas acabam com seus princes felizes para sempre. Eu gosto mesmo é da amizade entre elas, das brigas, da liberdade de dizer o que pensam, das hitórias, algumas hilárias, outras tocantes, das lágrimas coletivas, dos apertos, dos encontros...
Me lembra tanto os meus amores - que no momento estão longe.

E como diria o Big: "Vocês a conhecem melhor do que ninguém, são os amores da vida dela. Um cara se sente muito feliz de chegar em quarto lugar".

E não é? Nossos amigos são nossos amores eternos. As pessoas que realmente, não importa a distância, estarão junto da gente.


Às vezes, num simples email, é como se estivessemos na mesma sala de estar!!!!

ritual

Ando revendo meus conceitos aqui nessa cidade maravilhosamente cheia de novidades. Sempre achei essa coisa de ritual um pé no saco. Ritual pra quem casa, ritual pra quem morre, ritual pra "enterrar" alguém, ritual do fim do namoro, ritual do blá blá blá...
Mas hoje eu vivenciei o ritual de uma morte antiga, que ainda não havia sido oficializada. E vou dizer que essa coisa de oficializar funciona mesmo, parece que reafirma, sublinha, pinta de roxo o fim de algo que já não é mais.

"Quando cansei de amar e esperar por você"






"Uma, qualquer uma que pelo menos dure enquanto é carnaval"...


"Eu sambo mesmo, eu sambo sim"




Meu ritual foi regado à música, cor, gente bonita. Regado a palavras e tons que antes me despertavam confusões, sentimentos estranho, palpitações no bendito coração, e hoje só tiveram o significado do momento presente - ali e agora. É claro que me lembraram rostos queridos, momentos queridos, histórias queridas, mas foi o ritual simbólico que faltou, no dia que eu enterrei o resto de amor mal cultivado que havia em mim.


Feita a oficialização, já podemos preparar o novo ritual que vai oficializar a porta nova que anda se abrindo, o riso novo que anda rasgando a boca, o embalo novo que anda fazendo o sono ser mais leve: "Vem meu novo amorrrrr vou deixar a porta aberta"...


Canta Roberta, canta...que eu sigo, com possíveis futuras borboletas na boca...do estômago!!

Amém.