Tuesday, July 29, 2008

irmãs...


Achei essa foto perdida lá no meu fotolog falecido...caraca, o tempo passa "muleque" - me atualizando nas gírias "cariocaix".
A gente (aprendi a separar por conta de uma delas) muda demais.Fisicamente - certo que sim - e espiritualmente, ou mentalmente, ou seja lá como quiser chamar. Aliás isso me fez lembrar uma conversa com a outra, sobre as varias fatias da gente, espiritual, mental e por aí vai...
Quanta, mas quanta conversa já foi despejada por lugares aí a fora. Quantas padarias eu já fechei com elas, quantos bares ( nem só de café vive uma amizade)... Quanta lágrima derramada em locais públicos, ou em casa mesmo. Quanto medo compartilhado, segredos, bafão, sonhos, desejos... Decepções inúmeras, bah!!!!
A gente mudou muito, cada uma, e o conjunto também né?! Porque a relação vai mudando com a gente. O melhor é poder olhar pra trás e ver que tudo e todas mudaram pra melhor, muito melhor. E eu fico tão feliz de ver que hoje os medos são outros, que a magreza chegou, que o nariz foi embora (hahahahahaha), os narizes hahahahaha, se mijei...fico feliz de ver que alguns amores chegaram - aham, eu sou devagar no quesito hehe - fico feliz de ver que as asas bateram e a gente vôou. Cada uma a seu modo, no seu tempo...
Por elas eu me alegro como se fosse por mim. Com elas eu me divirto. Por elas eu sofro também. O tempo passou e trouxe tanta leveza, tanta cumplicidade, tanta liberdade, tanto amor.... - estou beirando a breguice!!!
Duas pessoas que a vida me trouxe de maneiras completamente diferentes, mas tendo algo em comum. Amoooo as duas. Amo a amizade. Amo poder contar mesmo de longe. Amo ajudá-las. Amo até sentir saudade. Amo vê-las bem, e torço sempre.
Às vezes as pessoas forçam tanto pra terem as coisas e perdem o melhor delas, a espontaneidade. Tudo que acontece porque tem que acontecer é mais bacana...mas não era nada disso que eu queria dizer.
Talvez eu quisesse dizer que o tempo passa e as coisas mudam, mas certas coisas mudam e vão ficando eternamente com a gente, o que não resiste às mudanças, era certamente efeito de uma fase. Existem coisas maravilhosas que duram certos períodos, e existe aquilo que sobrevive a tudo...ao tempo...à distância...às chatices.......às tormentas!!!!
É assim que a gente ganha história pra contar e espelho. Olhares que refletem a gente, e fazem as palavras dispensáveis. É ótimo ter termômetro pra chatice, e ser termômetro da chatice alheia, é ótimo ter de quem ouvir a verdade e poder dizer a verdade, sem medo, sem mágoas...

Mas que coisa...

Na verdade, isso tudo se resume a: não importa o tempo que passe, eu amo essas duas irmãs, cada uma com um laço de irmandade diferente, mas na mesma intensidade!!!!

O maravilha!!!!

Sunday, July 20, 2008

saudade

Tem coisa mais angustiante que distância e saudade?????

Desculpem, ando repetitiva nesse assunto, mas ele está em mim todinha, e não tem como fugir.

Saudade de pessoas e momentos. Saudade do ombro amigo, da mão daquela pessoa que faz seu coração ficar em paz. Saudades dos olhos daquele que parecia ser o amor da sua vida - vai, ainda parece. Saudade da amiga irmã de alma, a qual a gente conversa infinitamente sobre qualquer coisa. Saudade da amiga irmã (irmã de tudo), que entende só de olhar, que abraça, que xinga, que sacode e acolhe. Saudade do amigo palhaço, poeta, birrento, tpm, querido...o primeiro grande amigo que eu tive. Saudade do amigo que briga, que magoa, que desbriga, e briga de novo, mas no fim sempre faz a gente se sentir em casa de alguma forma. Saudade da amiga de alma velha - rsrsrsrs - e das conversas hilárias. Saudades da amiga mais certinha, das nóias, das loucuras, e das histórias. Saudade do meu abraço favorito, de segurar a mão, de comer fandangos e dar uma descançada nos olhinhos. Saudade da aprceira artística e de vida, que me irrita, que é hippie, mas que eu amo. Saudade da amiga atriz parceira de cena e de história, saudade de estar ao lado dela, e me sentir muito bem. Saudade do amigo que acompanha no show, no chimas, na madruga...
Saudade do menino chato e grosso, que divide a vida comigo desde que nasceu. Saudade dos meninos bacanas que passaram pelo meu caminho, e ensinaram...saudade das amigas bebuns, das amigas loucas, das amigas de fases, das amigas raça. Saudade da amiga companheira para todas as horas, e desde que eu nascí...


Saudade....mas apesar dela, a gente segue forte, e feliz por tê-la - de certa forma!!!!

Saturday, July 19, 2008

indo

...e a moça então andava, e o caminho se fazia...




sabia lá onde ia dar?




é claro que não, e só por isso era um caminho...

Saturday, July 12, 2008

literalmente

Por via das dúvidas (que geralmente são muitas), diga o que você sente para as pessoas. Vergonha? Dá e passa. Medo? De quê? Sentimentos não aprisionam nada nem ninguém, cada um aprisiona a si mesmo, por motivos vários, inclusive o prórprio medo!!! Se você ama alguém (namorado, marido, parente, amigo, cachorro, galinha...) DIGA!!! Mesmo aquela pessoa que você acha que já está careca de tanto saber...podes crer que ela deve estar pensando: poxa o fulano só me diz que ama quando está meio torto (hehehehe) - sempre tem mais cabelo pra se perder!!!
Sou absolutamente a favor da teoria que as ações dizem mais que as palavras, mas num mundo dúbio como o nosso, onde tudo tem margem pra múltiplas interpretações, e a relatividade parece ter virado moda, nada melhor que falar olho no olho, abraço no abraço, aperto de mão bem firme: Eu te amo, e você é importante pra mim. Reafirma tanta coisa, renova tanta confiança, tanto carinho, tanta vontade de permanecer no mesmo caminho.
A gente precisa demonstrar mais, ser mais, se lançar mais. A gente precisa amar mais, e jogar menos. A gente precisa estar mais de verdade. Às vezes tudo parece claro, mas a gente nunca sabe quando vai deixar de parecer, e é nessas horas que lembrar do que o outro disse, sustenta muito, sustenta tudo, sustenta a gente!!!

Tuesday, July 08, 2008

historinha

Nas calçadas da vida da moça, aqueles passos eram novidade. Passos largos, firmes, barulhentos, que faziam questão de anunciar a chegada. Causava inquietação nos habitantes locais, que em polvorosa, escondiam o rosto deixando um espaço para a espiadinha.

"Perfumoso" - diziam uns.
"Lá vem mais um daqueles"- sussurravam outros.
"E ela, ainda não acordou?" - sepergutantavam muitos.

E o homenzarrão com olhar de menino, caminhava certo do rumo. Buscava distante o ar, e enchia os pulmões como quem não tem medo da vida. O burburinho de gente não lhe assustava, os tambores não lhe faziam parar, ele seguia firme, em direção à...
Ela ainda não havia acordado mesmo. Dormia calmamente, como há muito tempo não conseguia, tinha tido muito trabalho limpando o cantinho da sala, aquele mesmo que ela deixava reservado para visitas especiais. Limpou tanto e tanto, suou muito até retirar o último resquício de poeira acumulada lá. Brilhava novamente. E ela dormiu ali, estonteada de tanta beleza, reparando no que há muito tempo tinha esquecido de ver, por conta do pó.
Num suspiro ela encheu a alma. Adormeceu. Era tanta alegria, paz e beleza. Cheiro de perfume. Flor. Ela queria que o cantinho ficasse um bom tempo assim, vazio de poeira e de enfeites. Vazio mas cheio ao mesmo tempo. Cheio de calmaria, cheio de trasnparência, cheio de vida...
Bateu na porta o moço homem menino. Três batida firmes e precisas.

Suspiro de moça recém acordada.

Enfeites na sala.
Venham ver o novo espetáculo, quem sabe esse não tenha um final feliz....dure eternamente...

Sunday, July 06, 2008

caminho

Ser atriz é sempre muito dúbio. O trabalho coletivo mais solitário do mundo. Por mais que se faça junto, o caminho de cada um é só mesmo, sempre numa viagem do interior para o exterior e vice e versa. Mergulhos e mergulhos em si mesmo, leituras, cursos, observações, ensaios, surtos, crises - sim elas fazem parte -, parcerias, reflexões, estudos...
Estrada sem fim, sempre em transofrmação, de chão feito com areia movediça...
A gente afunda muito às vezes, e não tem escapatória. Pelo menos não para os que fogem da superficialidade - muito comum nesse mundinho mundano!!! E o que é que move? - move pra não afundar na movediça (trocadilhos). Mais solitário ainda, porque não se encontra isso em nenhum livro, em nenhum mestre, em nenhum mantra, em nenhuma receita...só dentro da gente, mas bem dentro mesmo. Piegas? Mas fazer o quê se é a verdade!!!

entre aspas II

Vinte e nove


Todo mundo é um pouco torto, me falou um amigo quando viu que eu estava certa: meu umbigo deveria ser mesmo mais para a direita.
O que me incomoda agora, que eu vou fazer trinta anos, não é exatamente o fato de eu ser um pouco torta como todo mundo, mas o fato de eu ter descoberto que era tudo mentira. Era mentira que a vida se resolve aos trinta. Com vinte anos a gente acha que tudo vai se resolver aos trinta: nosso corpo, nossa auto-estima, nossa conta bancaria, nosso peito vazio, nossa vida amorosa.
Mas eu continuo torta e se bobear a coisa só piorou. Pior: minha ficha caiu e tenho certeza que não estarei menos torta aos quarenta. Não existe a grande e absoluta transformação. E aos trinta, em plena grande e absoluta transformação, você descobre isso.
Todo mundo é um pouco torto, penso enquanto tomo banho e decido não ir nem a pau até a Lapa. Ando mais do que meio torta, cheia de dor nos ombros e prefiro mais é curtir a novela esticada no meu sofá.
O que eu vou fazer lá? Me certificar pela milésima vez que odeio multidão e odeio esse clima de paquera “olá rapazes, vim até aqui para vocês compararem a minha bunda com aquela idiota marombada de dezenove e me dar nota quatro”. Tô fora. Não li esse monte de livros e não repensei zilhões de vezes a minha existência para ser reduzida a isso. Ser comparada à mulher melancia.
Aí uma voz chata pra cacete grita dentro de mim: você vai sim, sua velhota encalhada. Que ficar esparramada no sofá que nada. Novela? Enquanto o mundo faz sexo você vai assistir novela? Vou. Vou sim. Porque to me lixando pro mundo que faz sexo. 90% desse mundo têm ejaculação precoce e os outros 10% não vão te ligar no dia seguinte. Vou ver novela. Tá decidido. Uma preguiça em arrumar homem. Novela pelo menos avisa “é a última semana!”. Homem some no auge da primeira.
Aí eu saio do banho, super decidida a não ir à Lapa e...é, eu sofro em colocar um pijama em plenas oito horas da noite. Cedo, né? Como é que eu vou casar desse jeito? Não vou. Esse papo de que homem bom você conhece de dia. Sei não. Quem é que vai me abordar no supermercado e dizer “Chuchu? Que legal! Eu também adoro eles!”. Não rola. E no trabalho? Não rola. Na época que eu era publicitária passei o rodo mas agora, escritora, quem é que eu vou pegar se trabalho sozinha em casa? E tem outra também: passar o rodo combina com vinte anos. Com trinta você começa a chorar quando vê mulher grávida. Chorar em casamento. E, principalmente, chorar porque ainda não casou e nem está grávida.
Ok. Então eu vou. Vai que. Vai que hoje conheço alguém legal. Tudo bem que nos últimos quinze anos de balada (comecei com catorze) nunca conheci. E olha que na adolescência qualquer coisa não gorda e cheirosa tava valendo. Mas vai que. Não?
Não! Não, Tati. Pensa bem. Olha sua caminha lá. Te esperando. Seus livros. O creminho de fazer massagem nos pés. Pra que voltar fedendo cigarro? Pra que ver gente que se odeia fazendo uma coisa que só as pessoas que se amam muito deveriam fazer juntas: tentar ser feliz. Um bando de gente perdida, saindo pelas ruas feito baratas no calor. Em busca de alguma coisa. Mas que coisa, gente? Marido é que não é. Ou é?
O que mais me dói é lembrar que eu tinha certeza que já estaria fora dessa vida com trinta anos. Com trinta anos? Eu pensava. Já vou estar ao lado do amor da minha vida. Pintando o quarto de salmão, que acalma o bebê. Rica. Bem resolvida. Cozinhando. Sem medo que minha mãe morra. Com a voz firme. E a bunda também.
Com trinta anos eu vou ter um carrão. E uma casa fashion com vista para árvores. E vou ajudar crianças carentes. E vou ter cara, roupas e postura de mulher. Afinal, são trinta anos.
Nada disso. Nada. Eu ainda me pego, vez ou outra, fazendo a combinação bizarramente juvenil de blusinha decotada com jeans apertado. Eu não sei onde é a minha casa. Porque eu tenho um ap alugado em São Paulo, que é onde eu moro, eu tenho um ap alugado no Rio, que é onde eu trabalho e eu tenho um ap que não é alugado, mas é da minha mãe. Eu não sei ligar uma máquina de lavar sem ligar antes para a minha mãe. Eu não sei cozinhar kinua sem antes ligar para a minha mãe. E, pela quantidade de vezes que eu falei na minha mãe só nesse parágrafo, já deu pra perceber que ainda faço terapia de medo que ela morra. O que um ser com idade mental de doze anos vai fazer num mundo sem mãe?
Mas eu não vou à Lapa. Tá decidido. Eu não bebo, eu não fumo, eu não faço sexo com idiotas (decidi isso faz pouco tempo, depois de praticamente ter ganhado carteirinha do clube “eu dou para idiotas”) e eu tenho pavor de peles desconhecidas esbarrando em mim. Pavor. Eu não vou.
Bebida pra mim é vinho, bem acompanhada. Restaurante chique. Ar condicionado. Boa música. Nesse quesito pareço alguém que vai fazer trinta anos. Lapa é para quem tem vinte. Vinho a dois para quem tem trinta. Mas esse é justamente o problema. Entendem? Eu não tenho, nesse momento, ninguém para dividir comigo as maravilhas de se ter trinta. Então, acabo me perguntando: será que eu não deveria ir à Lapa?


Tati Bernardi.

Fotografando [outra paixão]

algumas fotos que tirei do recital da Carlinha, com direção artística de Maria Amélia Netto.