Friday, May 02, 2008

"Vale"


Hoje eu vi pela, sei lá qual vez, o "Vale". Sempre tão diferente a cada vez, e com uma essência que me toca tão fundo na alma. Boa pedida para uma noite de chuva, tpm e pensamentos. Péssima combinação, mas o "Vale" me salvou, mais uma vez.
A primeira vez que vi esse filme, foi em um ano novo que decidi passar em casa, bebendo e vendo filmes. Lembro que aluguei um que prometia boas risadas para o momento da virada, e o Valentin, que me pareceu atrativo, para ver logo em seguida. E assim iniciei um dos anos mais loucos da minha vida, e se eu soubesse o que esse filme me renderia futuramente...
Hoje me chamou atenção principalmente, a fala em que diz: "Há gente que tem tudo e não desfruta". E é verdade, principalmente das coisas dadas aos sentimentos...
Gosto quando ele olha bem vesgo pra tela, e continua lindo assim mesmo. Lembrei de quem gosta das "imperfeições" e descobri que eu também gosto delas. Sua avuela tão querida...
Pensei um pouco mais sobre as relações humanas hoje, e deu vontade de colocar uma cópia desse filme am cada casa, porque ele dá uma sensação de solidão e ao mesmo tempo aconchego, uma coisa de delicadeza forte, de medo e coragem, umas misturas que tornam qualquer um humano, e que têm fazido falta nesse mundo de rótulos e prateleiras, embora fala-se muito em pós modernidade. Acho que a gente era mais pós moderno antes, hoje em dia, diz-se muito da mistura, da falta de cercas, mas os rótulos estão aí pra sanar a necessidade de codificar e dar lugar certo a tudo, senão me parece que o ser humano pira.
Eu ainda prefiro o que não tem lugar nem nome certo, aliás cada vez mais.Me parecem coisas mais puras e mais sinceras, e por incrível que pareça, mais duradouras - não que o tempo importe.
O astronauta que decide virar escritor. Ainda bem, porque ele vai atingir planetas mais estranhos com as palavras do que com o foguete. E o espanhol portenho que ressoa nos ouvidos como música. E as cores. E a necessidade de amar e ser amado. E a pureza de ser criança, mas dessas crianças grandes, que vêm o mundo de um prisma bem espetacular.
Então ele se deprime ao comprar pão. Querido. E onde está sua mamá? Ninguém sabe...
Triste não ter mãe, não ter casa. Mas ele tinha bons amigos, isso já era lá alguma coisa. E ele teve uma avó, mas esta parte da sua vida acabara para sempre. Ai eu morro a cada fala, a cada gesto, a cada cena...
Quisera ter um filho assim, mas que não precisasse de tantas pedras para se tornar sensível...

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