Friday, April 25, 2008

porto

Existia na areia daquela praia uma aspereza que massageava. Então fincou bem fundo os pés na areia. O mar ali era mais salgado, e causava-lhe uma espécie de lembrança. Lembrava que estava vivo. Naquele lugar, que parecia uma praia, mas não era, sentia o coração bater diferente. Os sons, mesmo quando diferentes, lhe eram familiares. As cores, o balanço das ondas, a mão que lhe segurava.

A mão não segurava firme, nem constante, mas ao mesmo tempo era a maior sensação de porto que já experimentara. Aquecia a alma, doía o peito de dor boa. Aquelas mãos soltas, que não pretendiam ficar, que não pretendiam nada, e acabavam sendo tudo. Todo.

Ele bebeu um pouco da água do mar. O sal desceu pela garganta rasgando, a boca queimou, o estômago pesou um pouco. Permeneceu com os pés fincados. Permaneceu a mão. Sensação de alívio.


Ele então trocou a praia pelo asfalto. A mão. O pé. Você. Ele amava, ele andava, ele seguia. Poeira no lugar do sal. Sensação de preenchimento. Sim, o coração fora preenchido, até a próxima parada - já que seu porto ele levava, onde quer que fosse, mesmo sem laço!!!!

1 comment:

Emerson Cardoso said...

Minha net vorto. Recebi seu votos de niver, me enchi de alegria! Que texto bonito... um visitante do meu blog disse assim "queria viver no seus textos", pois eu escrevo aqui... queria viver aqui no teu blog. "A alma cansa, cansa mais do que o ocrpo"... acho que não escuto mais! Bjos!