Friday, March 21, 2008

uma cambalhota e meia

Então que eu não sei. Não sei ao certo pra quem eu estou escrevendo, só sei que escrevo, assim, por sorte de desencantar. Queira o universo que eu desencante em cada palavra, e que o mundo se coloque novamente num giro compassado, de forma que eu dê conta. Você aí me escuta? Se escuta por favor responda...

Mas ele calava. É ele ou é você???? E porque raios o coração vem com defeito? E porque eu estou dizendo isso agora? Mas eu nem sei quem vai ler. Aquele. Ele. Você. Nós. Os passeios noturnos são agradáveis, porém confusos. A cabeça da moça que já é toda em voltas, resolve girar em cambalhotas, e tudo parece espetáculo. Tem lado bom, mas tem lado ruim. Em espetáculo exposto, porém aplaudido. Não sei se o risco da queda vale. Mas não sei se há queda neste risco. O risco. Os olhos que parecem cada vez mais revelar algo que a moça não consegue captar. Porque tão aparentemente insensível ela se tornara logo agora?! A moça que só pensa em sair dançando pela rua molhada, abre a porta e nega o beijo. Sai. Sai como quem sai pro samba de amanhã mais tarde. O samba vazio de gente, mas cheio de amor. Ah o amor. Quem dera o fosse um bicho solto, desses que escorrega vez ou outra e não pede passagem, nem satisfação. Mas quem ama pede. Desfaz o encanto. Mas o que quero dizer exatamente?

Não sei. Só sei que o sol se vê em horizonte. E que o vento ruma para um lugar bonito de viver. E que isso lá se tem certeza. Da moça. Mas de resto, só restam dúvidas, e algumas incertezas puras. Peço então que leia. Mas com muita calma estas que lhe escrevo. Embora ainda não saiba ao certo de que você eu falo. Mas sei que lês, que escutas e que pensas. De alguma forma. Então ajuda a moça. Em algum sopro de ilusão. Abranda o coração e faz sorrir uma calmaria. Não importa se é fugaz, se é enlouquecedor, se é raso ou profundo. Não interessa se vem na forma do furacão, só basta que esteja a porta aberta, entre o que tiver que entrar.

(...)

Mas a vitrola emperrou na música da ontem. Que droga. Liga-se o rádio meu bem. Vinho tinto por favor. Não atende o telefone não. Fica aqui, entre a gente.

(...)

Então, ontem foi amanhã. E amanhã talvez seja hoje.

(...)

Não quisera saber...

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